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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
16.04.2017 | 07h00
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100 anos de Roberto Campos

O ministro da Fazenda, Delfim Netto, amigo pessoal de Roberto Campos, entupiu Mato Grosso de “fundos perdidos”

Nesta segunda-feira, 17 de abril, o ex-senador por Mato Grosso (1983 a 1990), completaria 100 anos se estivesse vivo. Ao longo da sua vida sempre foi taxado de diversos rótulos pelas esquerdas brasileiras.

 

Contra elas Roberto Campos sempre atirou pesado e elas nunca souberam defender-se das suas balas de canhão. Intelectual respeitado no mundo inteiro, no Brasil sofria ataques temperamentais de pouca consistência contra os quais nunca gastou tempo discutindo.

Vestido com um safári bege rodou aquele Mato Grosso poeirento de 1982 pedindo votos

 

Antes de colocá-lo em Mato Grosso, gostaria de recordar algumas de suas frases duras ou mesmo cínicas. “A burrice não tem fronteiras ideológicas”. Ou “por amor ao passado o Brasil perdeu o presente, e comprometeu o futuro”. “Quando cheguei ao Congresso, queria fazer o bem. Hoje acho que o que dá para fazer é evitar o mal”.

 

Por fim. “O mundo não será salvo pelos caridosos, mas pelos eficientes”. Sua história de vida e experiências está relatada no seu livro de memórias “Lanterna de Popa”, dois enormes volumes, editados em 2004.

 

Nasceu em Mato Grosso, mas foi embora criança. Formou-se em economia e ocupou ministérios no governo Castello Branco, em 1964. Visão futurista num país rural preso a tradições coronelescas da Velha República (1889-1930). Em 1982 o regime militar precisava dar um up-grade de apoio econômico no Congresso Nacional.

 

A temática brasileira então eram econômica. Decidiu-se retirá-lo da função de embaixador do Brasil na Inglaterra e elegê-lo senador por Mato Grosso. A sua campanha eleitoral seguiu o rito de todas. Vestido com um safári bege rodou aquele Mato Grosso poeirento de 1982 pedindo votos.

 

Porém, antes de chegar à campanha ele levantou perto de U$ 500 milhões em financiamento internacionais para obras no estado. Foram planejadas pelo governador Frederico Campos (1979-1983), executadas na gestão Júlio Campos (1983-1986). O governo federal tinha também os chamados “recursos a fundo perdido”. Eram doações.

 

O ministro da Fazenda, Delfim Netto, amigo pessoal de Roberto Campos, entupiu Mato Grosso de “fundos perdidos”. Foi o que salvou o empobrecido Mato Grosso depois da divisão de 1979. Com esses recursos obtidos em empréstimos internacionais mediados pelo embaixador e depois senador Roberto Campos e avalizados pelo governo federal, o governo estadual asfaltou trechos de três rodovias federais: BR-163, 158 e 070 na gestão Júlio Campos.

 

Posteriormente o governador Dante de Oliveira negociou com o governo federal aquelas dívidas porque o Estado não foi capaz de quitá-las no vencimento. Vencido o mandato de senador, desiludido politicamente com Mato Grosso, Roberto Campos elegeu-se deputado federal por dois mandatos pelo Rio de Janeiro. Hoje ele quase não é lembrado como embaixador e nem como senador mato-grossense.

 

Sua frase está atualíssima”: a burrice não tem fronteiras ideológicas”. Amanhã em Brasília a Fundação Alexandre de Gusmão, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, realizará o importante seminário comemorando os 100 anos do seu nascimento: “Roberto Campos: o Homem que Pensou o Brasil”.

 

Serão quatro mesas com discussões sobre o intelectual, o diplomata, o estadista e modernizador e o parlamentar. Pra variar, Mato Grosso praticamente o ignorará!

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br




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Julio Muzzi  19.04.17 15h10
MEU AMIGO ONOFRE, SÓ VOCÊ PARA DESCREVER AS BOAS REALIZAÇÕES DO SAUDOSO SENADOR ROBERTO CAMPOS PARA MATO GROSSO.HOJE VEJO OS NOSSOS POLÍTICOS IREM A BRASÍLIA, E INVARIAVELMENTE VOLTAM DE MÃOS VAZIAS.
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