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Negócios / CENTRAL DE ABASTECIMENTO
21.02.2017 | 18h15
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Ceagesp está saturada e não tem como crescer'

Presidente de novo entreposto em SP defende mudança para Perus

DO DIÁRIO DE SP

Por enquanto é só terra e mato. Mas um terreno de 1,6 milhão de metros quadrados, nas margens da Rodovia dos Bandeirantes, na altura do quilômetro 28, deve abrigar até 2021 um novo entreposto privado para abastecimento de alimentos de São Paulo.

O projeto, batizado de Nesp (Novo Entreposto de São Paulo), já tem a adesão de 200 sócios, entre eles vários permissionários da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), a estatal de distribuição de alimentos que funciona na Vila Leopoldina, na Zona Oeste da capital paulista.

"A Ceagesp está saturada e não tem para onde crescer", disse Sérgio Benassi, presidente do Nesp. "Falta terreno e a área está completamente congestionada pelo tráfego de veículos. Quem entra na Ceagesp não consegue sair. Fica tudo travado no entorno."

Segundo Benassi, o projeto custará cerca de R$ 5 bilhões, que virão da venda de espaços e de investidores que, depois, vão locar as áreas. "Acreditamos que cerca de 1,5 mil dos 2 mil permissionários da Ceagesp virão para nosso empreendimento", afirmou.

Entre as vantagens do novo entreposto, segundo ele, está a localização entre as rodovias Bandeirantes e Anhanguera, próximo também da linha da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e a apenas 16 quilômetros da atual Ceagesp.

No local, entretanto, não há qualquer estrutura viária de acesso e retorno. Tudo deverá ser construído para atender o novo empreendimento.

Um grupo de representantes do Nesp se reuniu em 24 de janeiro com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para falar sobre o projeto e a necessidade de autorização dos acessos viários.

Em dezembro, poucos dias antes de deixar o cargo, o então prefeito Fernando Haddad (PT) assinou um decreto municipal que estabelece parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo para a área onde será o novo entreposto, uma ZOE (Zona de Ocupação Especial).

A desativação da companhia era um desejo antigo do petista, que afirmava que a mudança iria tirar diariamente 14 mil veículos da região, melhorando o trânsito e diminuindo a poluição.

A nova administração, do prefeito João Doria (PSDB), entretanto, disse que não depende dela a transferência, já que a Ceagesp é administrada pelo governo federal.

"O decreto municipal não tem o poder de determinar a transferência, pois a área hoje ocupada pelo Ceagesp é de propriedade da União e a ela caberá definir o destino desse ativo e inclusive sua transferência de local", afirmou a Prefeitura. "O município tem apenas a prerrogativa de legislar sobre o uso e a ocupação do solo dessa área, em caso de futura transferência de local do entreposto."

Já a direção da Ceagesp, vinculada ao Ministério da Agricultura, disse que não há nenhuma decisão de mudar o local do entreposto.

"A Ceagesp informa que até o presente momento não recebeu nenhuma instrução a respeito do Ministério da Agricultura, ao qual a companhia está subordinada", disse a assessoria.

Segundo a direção do Nesp, o metro quadrado do novo empreendimento será vendido a cerca de R$ 6 mil e os proprietários não terão que se submeter à licitação para poderem trabalhar. "O comprador vira sócio da empresa e dono do seu espaço", disse Benassi. "Preocupações com licitações, nunca mais."

Comerciantes defendem autogestão

Os modelos que estão sendo discutidos para a Ceagesp (Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo), sejam públicos ou privados, não contemplam solução definitiva para o mercado.

Essa é a opinião do Sincaesp (Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo). De acordo com o presidente da entidade, José Luiz Batista, a questão do abastecimento de alimentos não pode ser tratada pelo poder público do ponto de vista imobiliário.

"Tem que ter o olhar voltado para a cadeia produtiva e suas peculiaridades, pois se trata de mercadoria altamente perecível, produzida por todos os perfis socioeconômicos", afirmou. "Há o agricultor familiar e os grandes fazendeiros e a comercialização tem que incluir todos, senão, quem perde é a sociedade, que fica longe da variedade, da qualidade e do preço justo", completou.

Batista defende o sistema de autogestão para a Ceagesp, pelos próprios permissionários. "Sem a autogestão, não haverá renda para financiamento do Nesp (Novo Entreposto de São Paulo)", disse. 

Na comparação entre os custo das unidades paulistas, cariocas e mineiras, a diferença é muito grande, segundo o Sincaesp. Esse é o principal argumento para mudança no modelo de gestão, de acordo com a entidade.

"O governo cobra muito e não entrega nada", disse o presidente. "Muito mais caro, o entreposto de São Paulo é bem menos eficiente do que os demais. E não há prestação de contas dos valores pagos a título de condomínio."

Segundo pesquisa realizada pelo sindicato, o entreposto da Vila Leopoldina tem um custo de condomínio ao permissionário, por metro quadrado,  de R$ 39. Já o do Rio de Janeiro custaria R$ 23,39 e o de Belo Horizonte, R$ 12,02. 

A Ceagesp disse que garante, de forma sustentável, a infraestrutura necessária para que os clientes desenvolvam suas atividades com segurança e eficiência. Passam pelo entreposto, diariamente, 50 mil pessoas e 12 mil veículos.

Opinião: Lucila Lacreta, urbanista

Precisamos avaliar se vale mesmo a pena

O que mais prevalece nesta discussão sobre a mudança da Ceagesp é o interesse econômico pelo local onde está, hoje, instalado o entreposto.  Nunca ninguém fez realmente as contas de quanto vai custar essa transferência. Em muitas cidades do mundo, existem vários entrepostos e não apenas um como em São Paulo. Como aqui só existe um, precisa ser analisada com precisão esta mudança. Mas ninguém faz isso. Ninguém jamais quantificou os impactos e custos dessa mudança. O que vemos é o mercado imobiliário ávido por aquela área na Vila Leopoldina, perto de tudo e tão valorizada, norteando a discussão. E os sucessivos governos  embarcando nessa conversa. Precisamos saber, do ponto de vista do abastecimento, se a transferência vale, mesmo, a pena.

 

Fonte      http://www.diariosp.com.br/mobile/noticia/detalhe/95152/-ceagesp-esta-saturada-e-nao-tem-como-crescer




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