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Meio Ambiente / CIÊNCIA & PESQUISA
21.03.2017 | 21h45
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Telescópio Webb deve fazer viagem ao passado

Pela primeira vez, um equipamento poderá ver através da poeira cósmica

DE O TEMPO

Não é de hoje que o universo e seus mistérios mexem com a cabeça do homem. A novidade sideral é que a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) promete uma “viagem ao tempo” marcada para começar a partir de outubro de 2018, com o lançamento do telescópio James Webb, que substituirá o Hubble, já em órbita.

De acordo com a instituição, o novo aparelho será capaz de coletar imagens das estrelas a 13,6 bilhões de anos-luz de distância da Terra, isto é, corpos celestes que ainda apresentam as mesmas características de sua criação, após o Big Bang. Literalmente uma viagem do presente ao passado. O registro mais distante feito pelo Hubble fica a 13,2 bilhões de anos-luz da Terra.

“Diferente de seu antecessor, o Webb utiliza o infravermelho como tecnologia – coletando calor em vez de luz para formar imagens. Isso vai permitir que os astrofísicos possam ver através das nuvens de poeira cósmica, que obscureceram as primeiras estrelas, e entender como elas se formaram”, disse a astrônoma da Nasa Amber Straughn à revista norte-americana “Quartz”.

Quem reforça essa novidade é o professor de astronomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Renato Las Casas. “A função do telescópio é ser o olho humano no espaço. Nesse sentido, quanto maior for seu alcance de captura, mais profundamente se registra e mais o passado se revela. Por causa dos sedimentos que orbitam no universo, muitas vezes, não é possível que se enxergue o que há além das poeiras cósmicas. O Webb promete vencer esse obstáculo”, diz.

Os cientistas acreditam que, após o Big Bang, o cosmos era como uma sopa quente de partículas formada por prótons, nêutrons e elétrons. Depois de um processo de resfriamento, os prótons e os nêutrons se transformaram em átomos ionizados de hidrogênio e, eventualmente, hélio, atraindo elétrons e, por fim, tornando-se átomos nêutrons. Isso tudo permitiu que a luz viajasse livremente pela primeira vez, formando estrelas e, consequentemente, as galáxias.

Apesar da teoria apontar que isso tenha acontecido milhões de anos depois do Big Bang, ainda não é possível dizer quando ou como. O telescópio Webb se torna, então, uma alternativa para encontrar essas respostas. Mas o plano é ambicioso e bastante complexo. Por estar a mais de um milhão de milhas de distância da Terra, e indo quatro vezes mais fundo do que qualquer outro aparelho, o Webb não pode ter manutenção, ou seja, tudo terá de funcionar perfeitamente a partir do momento em que for lançado.

Expectativa. A Nasa espera que cerca de duas semanas depois do lançamento, as antenas de comunicação estejam em funcionamento. As primeiras fotos devem ser enviadas à Terra depois de seis meses em órbita.

O professor Las Casas diz que a expectativa é grande. “O avanço da física está intimamente ligado a nosso conhecimento sobre o universo. Estamos vivendo um momento espetacular, não apenas pelo conhecimento adquirido, mas também pela possibilidade de chegar a respostas que são esperadas há décadas”, justifica.


Histórico

Hubble se despede com legado extenso

Há vinte anos, o Webb começou a ser construído para substituir o lendário Hubble, que está em órbita desde 1990. Enquanto seu substituto ganhava forma nos laboratórios da Nasa, o Hubble – que será desativado no ano que vem – seguiu fazendo história no espaço.

O legado do Hubble é extenso. O telescópio foi o primeiro a medir a distância precisa das cefeidas – estrelas com luminosidades variáveis que determinam o ritmo de expansão do universo e sua idade. Em 1994, ele captou um momento histórico: a colisão do cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter. Em 2011, o Hubble expandiu as fronteiras do universo ao registrar a galaxia UDFj-39546284, a 13,2 bilhões de anos-luz. Em 2015, o Hubble descobriu a existência de água em Ganimedes, a lua de Júpiter.

Desde que ele foi colocado em órbita, a Nasa enviou cinco missões para reparar o telescópio.

 

Fonte       http://www.otempo.com.br/interessa/telesc%C3%B3pio-webb-deve-fazer-viagem-ao-passado-1.1449960

 
 



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