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Meio Ambiente / FÉRIAS & VIAGENS & TURISMO
03.04.2017 | 20h45
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Deserto de água doce

Formação rara e única no Brasil, região oferece passeios na alta e na baixa estações; as lagoas estão longe de ser a única atração

DE O TEMPO

Tem rio. Tem mar. Tem passeio com boia e com ares de rally. Tem paisagens selvagens e muito charme. E tem também os Lençóis Maranhenses, e digo também propositadamente. As lagoas de águas quentes e claras são a cereja da região, mas estão longe de ser a única atração dos Lençóis. Para além das dunas, é possível conhecer cenários tão arrebatadores quanto os “desertos” do Maranhão e, o que é melhor, durante todo o ano, seja no período de chuvas ou de seca.

É, sem dúvida, a partir das margens do rio Preguiças que se revelam os demais encantos dos Lençóis Maranhenses. O rio atravessa diversos povoados, sendo Barreirinhas – a 250 km da capital, São Luís – o principal deles. A cidade é o ponto de partida para desbravar o entorno. Percorrer as águas do Preguiças a bordo de uma lancha é uma aula de como a natureza local está entrelaçada com a vida da população ribeirinha. Ali, estão as palmeiras de carnaúba e buriti, de onde é extraída a palha que serve de teto para as casas mais simples, passando pela matéria-prima do artesanato, e até para a culinária, no caso do buriti.

Aventura

É o rio Preguiças que trilha o caminho para o passeio de stand-up paddle, para conhecer uma típica casa de farinha, o majestoso farol de Mandacaru ou o povoado de Atins. Passeios que até podem existir pelo país afora, mas que se tornam únicos naquele pedaço de chão em função da vegetação, dos traçados e, principalmente, da beleza tão natural e simples quanto exuberante da comunidade local.

No trecho terrestre dos passeios, o transporte garante boa parte da graça e da aventura do lugar. Os turistas se locomovem basicamente nas chamadas “jardineiras”. São caminhonetes potentes com carroceria adaptada para levar bancos que comportam até 13 pessoas, incluindo o motorista e o guia. Percorrer a estrada acidentada com o vento gostoso no rosto é uma das sensações mais inesquecíveis da viagem.

Antes de deslizar pelas águas calmas de um trecho do Preguiças sobre uma prancha de stand-up paddle é preciso atravessar uma balsa que cruza a margem do rio de um lado para o outro e depois percorrer cerca de 40 minutos de jardineira (também atravessa na balsa) até o povoado de Tapuio. No caminho, cenas do cotidiano, como um senhor que tece a rede de pesca em frente a sua casa, são comuns. Aliás, as casas obedecem a um padrão encantador: têm, quase sempre, uma porta e uma janela na frente, com apenas a fachada pintada, devido aos poucos recursos financeiros.

Simplicidade e simpatia

Essas casas, no geral, são pequenas, e muitas ainda são feitas de barro, sem nenhum suporte de material industrializado. As cercas das casas, feitas de troncos de árvores, entrelaçam-se e fazem um efeito que, nos grandes centros urbanos, poderiam ser vendidas a peso de ouro, mas que, ali, são só o retrato fiel da simplicidade e da beleza daquelas pessoas.

No caminho, crianças e donas de casa estão à porta como se esperassem pela passagem dos visitantes. O sorriso no rosto aparece fácil e vem acompanhado de um aceno. Nada programado, tudo espontâneo.

De pernas pro ar nas águas calmas do rio Formiga

Outra incursão indispensável pelo Preguiças é até o farol Mandacaru, cravado no povoado que leva o mesmo nome desse cacto. Depois de subir 160 degraus, a vista tira o resto do fôlego que sobrou ao visitante. Do alto, admira-se o oceano, o rio, as palmeiras, as dunas e, claro, o simpático lugarejo.

Ainda no circuito alternativo ao dos Lençóis, está a descida de boia pelo rio Formiga. Para chegar ao local do embarque, no povoado de Cardosa, são outros 40 minutos de estrada de terra, de muita aventura e um show à parte. É possível percorrer quilômetros entre uma casa e outra – impossível não se perder nos pensamentos de como aquelas pessoas vivem em locais tão isolados; alguns ainda sem energia elétrica e tendo como único transporte as jardineiras (em versão menos confortável que a dos turistas), para ir às escolas ou ao supermercado em Barreirinhas.

Só relax

Ao chegar à margem, é só entrar na boia e, literalmente, “deixar o rio te levar”, no melhor estilo Zeca Pagodinho. Dois moradores locais acompanham todo o trajeto, para ajudar a desviar de algum galho. Na maior parte dos trechos, o rio é raso e permite parar para um banho.

A descida, dependendo da força das águas, dura cera de uma hora. A intenção não é a de proporcionar grandes emoções, como no rafting, mas a de relaxar. De novo, o caminho te presenteia com cenas que encantam pela singeleza, como a de mulheres lavando a roupa nas águas do rio.

 

Fonte      http://www.otempo.com.br/interessa/turismo/deserto-de-%C3%A1gua-doce-1.1455047




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