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Judiciário / SANGUESSUGAS
20.10.2015 | 06h10
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Usadas como "laranjas", doméstica e filha serão indenizadas

Família Vedoin vai pagar R$ 100 mil por usarem nome de vítimas para abrir empresas de fachada

MidiaNews/Reprodução

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Os empresários Darci Vedoin e Luiz Vedoin: condenação em família

LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O juiz substituto Fábio Petengill, da 7ª Vara Cível de Cuiabá, condenou seis membros da Família Vedoin a indenizar, em R$ 50 mil cada, por danos morais, a ex-empregada doméstica que atuava para eles, Enir Rodrigues de Jesus, e sua filha Rita de Cássia Rodrigues de Jesus.

 

A decisão foi proferida na última terça-feira (13).

 

Foram condenados o empresário Darci Vedoin; sua esposa Cléia Vedoin; sua filha Alessandra Trevisan Vedoin e o marido dela, Ivo Marcelo Spínola da Rosa; seu filho e também empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin e sua esposa Helen Paula Duarte Cirineu Vedoin.

 

Darci Vedoin e Luiz Vedoin são réus em diversas ações devido à participação no esquema que ficou conhecido como “Máfia das Sanguessugas”, que teria causado prejuízo de cerca de R$ 110 milhões aos cofres públicos, entre 2000 e 2006.

 

A ex-empregada e sua filha acionaram a família Vedoin na Justiça, sob a alegação de que tiveram seus nomes usados indevidamente como “laranjas”, para a

Em verdade, a prova dos autos escancara a culpa exclusiva dos réus nos atos ilícitos denunciados

a constituição de empresas de fachada que viabilizaram os desvios de dinheiro.

 

Enir Rodrigues relatou que a família Vedoin usou seus documentos para abrir uma empresa de pequeno porte que levava o seu nome, administrada por Luiz Antônio Vedoin, “a quem outorgou procuração com amplos poderes para gerir o negócio que ela nem sequer sabia que existia”.

 

A filha de Enir, Rita de Cássia, também denunciou que teve seus dados usados pela família para a criação de três empresas (Klass, Santa Maria Comércio e Representações e Consteplan Construção Civil), as quais foram envolvidas no escândalo nacional que resultou na Operação Sanguessuga.

 

Em razão disso, elas chegaram a ser acusadas, indiciadas, processadas e presas pela Polícia Federal, “ante a suspeita de que fossem integrantes da quadrilha que se valia de contratos públicos de saúde para simular aquisições de ambulâncias por entes municipais, se apropriando de dinheiro público”.

 

Como foram inocentadas de qualquer envolvimento com o esquema, eles pediram indenização para reparar o “vexame a que foram expostas” e o bloqueio de bens que atingiu as “parcas economias” das mesmas.

 

Entendo adequado e escorreito fixar a indenização em R$ 50.000,00 para cada requerente

Por sua vez, a família Vedoin negou ter qualquer vínculo com as empresas que usaram o nome de Enir Rodrigues e Rita de Cássia como “laranjas”.

 

Os Vedoin acusaram a ex-empregada e sua filha de saberem do esquema e terem fornecido os nomes voluntariamente em troca de uma casa no valor de R$ 30 mil.

 

Condenação

 

A tese da Família Vedoin, todavia, foi descartada pelo juiz Fábio Petengill.

 

Ele averiguou que não resta qualquer dúvida de que a família utilizou os dados de Enir Rodrigues e Rita de Cássia para abrir as empresas de fachada.

 

O magistrado também refutou o argumento de que as vítimas sabiam do esquema e forneceram os dados voluntariamente.

 

Segundo Fábio Petengill, a absolvição de ambas, em todos os processos relativos ao caso, demonstra que elas não tinham conhecimento dos crimes em que foram envolvidas.

 

“Em verdade, a prova dos autos escancara a culpa exclusiva dos réus nos atos ilícitos denunciados, os quais, até serem devidamente apurados e esclarecidos, sujeitaram as requerentes à investigação policial, à acusação criminal, com todas as agruras e dissabores advindos disso”, observou.

 

Desta forma, o juiz entendeu que o mau uso do nome das vítimas para o cometimento de crimes gera o dever de indenizá-las.

 

“Considerando que, além do uso indevido dos nomes das autoras, os réus com seu comportamento, ainda as sujeitaram a responderem por ações criminais com as quais elas nunca tiveram contato, entendo adequado e escorreito fixar a indenização em R$ 50.000,00 para cada requerente”, decidiu.

 

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1 Comentário(s).

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pedro neves  19.10.15 12h49
só 50.000??? Isso é justiça para quem pode pagar muito mais e lesou os cofres públicos em mais de 110.000,00? Olha o transtorno na vida dessas inocentes durantes todos esses anos.
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