Cuiabá, Sexta-Feira, 14 de Dezembro de 2018
INDENIZAÇÃO DE R$ 20 MIL
06.10.2018 | 15h55 Tamanho do texto A- A+

TRT manda banco indenizar funcionários feitos reféns em roubos

Ação aponta que 2 assaltos ocorreram em menos de um ano em agência do Banco do Brasil em Cuiabá

MidiaNews

Desembargador Edson Bueno (detalhe), do TRT-MT, relator do recurso interposto pelo BB

DA REDAÇÃO

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MT) condenou o Banco do Brasil a indenizar dois funcionários - em R$ 20 mil cada um - que foram feitos reféns em dois assaltos praticados em menos de um ano em uma das agências da instituição, na região do Distrito Industrial, em Cuiabá. 

 

A condenação em segunda instância foi proferida após o banco recorrer da condenação dada pela 4ª Vara do Trabalho de Cuiabá, alegando que não teria tido nenhuma conduta ilícita quanto aos assaltos, por se tratarem de caso fortuito, escapando ao seu controle.

 

O argumento foi rechaçado pelo relator do recurso, desembargador Edson Bueno, que ainda majorou o valor de indenização a ser pago aos trabalhadore, sendo acompanhado pelos demais membros da 1ª Turma do Tribunal.

 

Consta no processo que os assaltos ocorreram em maio de 2015 e o outro, em abril de 2016.

 

Nas duas ocasiões, os empregados da agência foram surpreendidos por ladrões armados que invadiram o local antes do início do atendimento ao público. Todos foram feitos reféns e sofreram ameaças de morte pelos bandidos.

 

A ocorrência dos dois episódios em um curto espaço de tempo levou o Sindicato dos Bancários de Mato Grosso a ajuizar uma ação na Justiça do Trabalho, pedindo a condenação do banco por omissão e negligência. Para o sindicato, faltou ao empregador promover medidas de segurança aos seus trabalhadores.

 

O banco não enviou representantes à audiência realizada na 4ª Vara do Trabalho de Cuiabá e também não apresentou defesa, sendo ao final condenado a pagar compensação por danos morais coletivos e individuais, além de honorários advocatícios.

Caso contrário, seria possível, por exemplo, sustentar o absurdo de que as empresas também estariam dispensadas de qualquer compromisso com a salubridade na prestação dos serviços por seus trabalhadores, uma vez que, nos termos do artigo 196 da CF, a saúde também é um dever do estado

 

Pelos danos coletivos, foi fixado R$ 200 mil e, pelos danos morais individuais, R$ 10 mil para cada trabalhador.

 

Recurso e majoração da indenização

 

A sentença foi alvo de recursos tanto do banco, argumentando, entre outros pontos, não ter culpa pelos assaltos, quanto do sindicato, requerendo o aumento do valor referente aos danos morais bem como do percentual de 5% de honorários advocatícios.

 

Ao analisar o caso, o desembargador Edson Bueno, lembrou que a atuação em agência bancária expõe os empregados a risco de assalto muito superior aos demais ambientes de trabalho e, por isso, o Judiciário vem reconhecendo a aplicabilidade da teoria do risco.

 

De acordo com essa teoria, o responsável pela atividade deve reparar o dano causado em consequência da execução de serviço em seu benefício, independentemente de culpa, já que a atividade, por sua natureza, pode gerar riscos ou danos a terceiros.

 

Além disso, o desembargador não aceitou o argumento do banco de que os assalto configuram atos que escapam ao seu controle.

 

Conforme destacou o julgador, o dever do Estado de garantir segurança aos cidadãos não exclui a obrigação, igualmente constitucional, imposta aos empregadores de proporcionar um ambiente de trabalho seguro aos seus empregados.

 

“Caso contrário, seria possível, por exemplo, sustentar o absurdo de que as empresas também estariam dispensadas de qualquer compromisso com a salubridade na prestação dos serviços por seus trabalhadores, uma vez que, nos termos do artigo 196 da CF, a saúde também é um dever do estado”, explicou.

 

Também não concordou com a tese de caso fortuito por avaliar que não se trata de incidente a que estaria sujeito qualquer cidadão comum, uma vez que a ocorrência de assaltos às agências bancárias são eventos previsíveis. O magistrado ressaltou, como exemplo, a Lei n. 7.102/83, que dispõe sobre segurança para estabelecimentos financeiros, estabelece a adoção de medidas com vistas a impedir esse delito.

 

O desembargador apontou ainda a existência da Lei 5.687/2013, editada pelo município de Cuiabá com o objetivo de dificultar atos criminosos nas agências, determinando a instalação de portas giratórias com detectores de metal, biombos nos caixas de atendimento e fachadas das agências com vidros blindados- itens de segurança que o banco não comprovou ter adotado na agência do Distrito Industrial da Capital. 

 

Assim, o relator avaliou que a instituição bancária foi omissa no seu dever de zelar pela saúde e segurança de seus trabalhadores, concluindo pela necessidade da reparação tanto do dano moral coletivo quanto individual, conforme havia sido reconhecida na sentença. A decisão foi acompanhada de forma unânime pelos demais membros da 1ª Turma do Tribunal.

 

Em relação aos valores, o desembargador entendeu necessárias alterações tanto na compensação do dano coletivo quanto no individual, sendo acompanhado também por unanimidade pela Turma.

 

Levando em conta critérios como a posição social e econômica das partes; o ambiente e os danos causados e, ainda, que o montante não pode ser elevado a ponto de enriquecer o ofendido nem tão mínima a ponto de não ser sentida pelo ofensor, reduziu o valor a título de dano moral coletivo para 100 mil reais, a ser revertido em prol da sociedade onde ocorreu o dano.

 

Por outro lado, considerando essas mesmas balizas e os casos semelhantes julgados no Tribunal, e elevou a compensação pelo dano moral individual para 20 mil reais a ser pago a cada trabalhador.

 

Por fim, a Turma modificou o percentual referente aos honorários advocatícios devidos pelo banco ao sindicato de 5% para 15% sobre o valor da condenação.




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