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Judiciário / GESTÃO DA FECOMÉRCIO
14.02.2018 | 16h42
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Presidente e tesoureiro são afastados; advogado acusa agressão

Reunião teve tumulto e defesa de Hermes Cunha alegou que votação foi nula

Alair Ribeiro/MidiaNews

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O presidente afastado da Fecomércio, Hermes Martins

LUCAS RODRIGUES E CINTIA BORGES
DA REDAÇÃO

A assembleia geral dos sindicatos que compôem a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT) afastou preventivamente o presidente Hermes Martins da Cunha e o primeiro tesoureiro Paulo Sérgio Ribeiro do comando da entidade.

 

A decisão foi tomada na tarde desta quarta-feira (14), por 8 votos a 7. Na reunião, o advogado Amarilton Casal afirmou que chegou a ser agredido por um funcionário do órgão, que pretendia impedir a votação.

 

Hermes e Paulo são suspeitos de cometer diversas irregularidades na gestão da Fecomércio, inclusive com possível desvio de verbas. 

 

Além de alegadas inconsistências na prestação de contas de 2016, os sindicatos acusam Hermes Martins de assumir de forma irregular o cargo de presidente, de “obstruir” provas de fraudes cometidas pelo ex-presidente da entidade, Pedro Nadaf, além de estar sendo processado por uma associação classista por apresentar documentos falsos de uma empresa.

 

Os sindicatos citam ainda que o presidente abriu um Procedimento Ético Disciplinar contra eles por “vingança”, já que não concordam com a permanência dele no cargo.

 

Com o afastamento, passa a comandar a entidade o presidente do Sindicato Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga), João Flávio Barbosa Sales.

 

A defesa de Hermes, feita pelo advogado Hélio Machado, afirmou que irá tentar anular a decisão na Justiça. Ele alegou que a convocação da assembleia geral foi feita de forma irregular, desrespeitando o estatuto da Fecomércio.

 

"O estatuto prevê que no mínimo dois terços dos conselheiros votem para convocar um AGE [Assembleia Geral Extraordinária]. No caso, não foi atingido os dois terços". 

Reprodução

Agressão Fecomércio - mão Amarilton Casal

Ferimento na mão do advogado Amarilton Casal

 

Machado também afirmou que um representante de sindicato foi impedido de votar por suspostamente estar sem mandato. Porém, conforme o advogado, o representante teve o mandato prorrogado por portaria da própria entidade. 

 

"Em contrapartida foi contabilizado um voto, de outro presidente do sindicato, que está sem mandato. Por conta disso a Fecomércio está tranquila e vamos buscar reverter isso", disse o advogado.

 

Agressão

 

Um dos advogados presentes na reunião, Amarilton Casal, denunciou ter sido agredido por um funcionário da instituição, chamado "Evaldo".

 

Conforme o advogado, que estava com a mão arranhada e suja de sangue (veja foto ao lado), o funcionário o agrediu e a outros presentes para impedir que a reunião ocorresse. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista Patronal de Barra do Garças, Cláudio Picche, também afirmou que levou um "coice" durante a confusão. 

 

"Eu fui lesionado. Me empurraram e me machucaram. Outros colegas sofreram algum tipo de lesão e isso nos envergonha, porque na verdade era para ser uma coisa democrática. Quando estamos em um estado democrático de direito, temos o direito de manifestar o voto. Agora, atitudes deste tipo de agredir funcionários, agredir membros do conselho do próprio vice-presidente da Fecomércio, e seus advogados, é uma coisa não aceitável. Isso nos entristece muito", disse Amarilton.

 

As suspeitas

 

Parte das supostas irregularidades atribuídas a Hermes Martins e Paulo Ribeiro foram descobertas por meio de uma auditoria promovida pelo Serviço Nacional do Comércio (Senac), documento esse que foi usado em uma ação judicial movida por sindicatos contra os dois dirigentes.

 

Conforme a ação, além de cometer irregularidades na posse do cargo, Hermes Martins estaria ocultando diversas fraudes cometidas, em tese, pelo antigo presidente Pedro Nadaf.

 

Segundo o documento, Nadaf teria utilizado as contas bancárias da Federação para lavar mais de R$ 356 mil.

 

Uma auditoria mostrou que no dia 14 de janeiro de 2015 foi depositado um cheque sem origem comprovada de R$ 118 mil na conta de Federação. Conforme a auditoria, dois dias depois o dinheiro foi retirado em valores menores por meio de emissão de cheques da própria Fecomércio.   

 

Ainda conforme a auditoria, no dia 4 de março de 2015, foi depositado outro cheque de R$ 62,72 mil, valor que saiu da conta da entidade nos dias seguintes, também por meio da emissão de cheques.

 

Já no dia 10 abril, a auditoria constatou mais um depósito de R$ 50 mil, saindo igual valor no dia 14.

 

Em 11 maio também foi depositado mais um cheque de R$ 95,5 mil na conta da Fecomércio. Esse valor foi retirado logo depois, em noves saques.

 

Pedro Nadaf, de acordo com a ação, inclusive “admitiu que cometeu irregularidades em seu mandato e ainda garantiu que Hermes não teria cometido nenhuma irregularidade na sua gestão ( gestão Pedro Nadaf) – ou seja, justificando desse modo a razão pela qual Hermes vem obstruindo a obtenção da documentação comprobatória dos desvios da antiga presidência e a identificação dos beneficiários ”.

 

Os sindicatos acusam também o tesoureiro Paulo Sérgio Ribeiro de assinar cheques em branco para Pedro Nadaf concretizar a lavagem de dinheiro.

 

Conforme a ação, mesmo após a confissão de Pedro Nadaf e a confirmação de Paulo Sérgio sobre as fraudes, Hermes Martins não promoveu a abertura de nenhum procedimento administrativo em favor do tesoureiro.

 

Os sindicatos lembraram que na tentativa de elucidar os fatos, pleitearam junto ao presidente informações que possibilitassem melhor análise das suspeitas de fraudes.

 

“Ocorre, no entanto, que apesar das inúmeras solicitações havidas desde o ano de 2015, até a presente data, o atual presidente Hermes, mantem-se inerte, forçando-nos a concluir que está de certa forma acobertando os atos ilícitos do antigo presidente”.

 

A auditoria do Senac apontou que a Fecomércio realizou um investimento de R$ 1,3 milhão, por meio de duas reformas, em um imóvel de propriedade de Yasmin Jamil Nadaf, irmã de Pedro Nadaf.

 

O prédio, localizado na Avenida Lavapés, nº 730, em Cuiabá, foi cedido gratuitamente para a instalação do CEP Mato Grosso (Centro de Educação Profissional do Varejo do Senac).

 

“Porém as atividades do Centro de Educação Profissional Varejo não retornaram para o endereço da Avenida Lavapés (objeto do contrato), permanecendo o prédio reformado e sem uso até o dia 1º de novembro de 2015, data do efetivo distrato do comodato e devolução do imóvel”, diz trecho da auditoria.

 

Com base no que foi apurado, a auditoria recomenda o ressarcimento das “perdas financeiras ao Senac”, assim como a responsabilização pelas mesmas.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

Sindicatos acusam presidente de ocultar fraudes de Nadaf

 

Sindicatos: Fecomércio paga advogados para loja maçônica

 

Fecomércio fez reforma de R$ 1,3 mi em prédio de irmã de Nadaf

 




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2 Comentário(s).

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Pedro Carlos  15.02.18 04h37
Acredito que estes advogados que foram literalmente agredidos representem oficialmente contra este agressor, que pela forma como agiu deve ter histórico de agressões contra outros.
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Marlene Tortorelli  14.02.18 20h22
Marlene Tortorelli, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
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