Cuiabá, Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
ESCUTAS ILEGAIS
07.11.2018 | 09h15 Tamanho do texto A- A+

Justiça Militar marca data para julgar réus no caso dos grampos

Caso será julgado pelo juiz Marcos Faleiros e mais quatro coronéis que compõem conselho de sentença

Alair Ribeiro/MídiaNews

Juiz Marcos Faleiros, que conduz o caso na 11ª Vara Militar de Cuiabá

CÍNTIA BORGES E THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar do Fórum de Cuiabá, designou para os dias 20, 21 e 22 de março o julgamento do caso das interceptações telefônicas ilegais em Mato Grosso, conhecido como “Grampolândia Pantaneira”. 

 

Na ocasião, serão julgados os réus do esquema: cabo Gerson Correa; o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa; os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, e o coronel Januário Batista.

 

A data foi anunciada durante audiência que avaliou a prisão preventiva do cabo Gerson, na tarde desta terça-feira (6).

 

O caso será julgado pelo juiz Marcos Faleiros e pelos chamados juízes militares, os coronéis da Polícia Militar Renato Junior, Luiz Claudio Monteiro da Silva, Elierson Metello de Siqueira e Valdemir Benedito Barbosa.

 

A “grampolândia” veio a público em maio do ano passado. Segundo as investigações, o esquema tinha a finalidade de espionagem política, escuta de advogados no exercício de sua função, jornalistas, desembargadores, deputados e médicos. Estima-se que foram grampeados ilegalmente entre 80 e 1000 terminais.

 

Nas audiências de instrução, onde foram ouvidos todos os réus, apenas o cabo Gerson confessou o crime. 

 

Ele afirmou que chegou a operar as escutas ilegais enquanto atuava no Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE).

 

“Nesse período, eu estava lotado no Gaeco, fazia dupla jornada. Com o surgimento da plataforma Sentinela, facilitou muito o trabalho porque o acompanhamento era operado pela web. Então, eu realizava algumas escutas na sede do Gaeco mesmo”, afirmou.

 

Do Gaeco, Gerson teria passado a operar os grampos a partir de uma sala comercial, na Rua Desembargador Ferreira Mendes, nº 235, na região central de Cuiabá. Lá, ele teve ajuda de outros quatros militares.

 

As interceptações, segundo ele, só foram interrompidas após o promotor de Justiça Mauro Zaque – que descobriu o esquema - interrogar os coronéis Zaqueu Barbosa e Airton Siqueira sobre o caso. 

 

O promotor de justiça Allan Sidney do Ó Souza apresentou, em outubro deste ano, as alegações finais do processo relacionado ao caso dos grampos. Entre os requerimentos, pediu a condenação do cabo Gerson e dos coronéis da PM Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco.

 

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