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Judiciário / EM COLNIZA
19.05.2017 | 16h36
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Juiz aceita denúncia e mantém prisão dos cinco acusados de chacina

Segundo juiz, a liberdade dos réus poderia inviabilizar a elucidação dos fatos

Reprodução

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A chacina aconteceu no dia 19 de abril na Gleba Taquaroçu, em Colniza; nove pessoas foram assassinadas

KARINA CABRAL
DA REDAÇÃO

O juiz Ricardo Frazon Menegucci, da Comarca de Colniza, aceitou denúncia do Ministério Público Estadual e decidiu manter as prisões dos cinco acusados pelas mortes de nove pessoas na Gleba Taquaruçu, em Colniza (1.065 km de Cuiabá).

 

A chacina aconteceu no dia 19 de abril.

 

Dos cinco acusados, dois estão presos: Pedro Ramos Nogueira, vulgo Doca, e Paulo Neves Nogueira, tio e sobrinho, respectivamente.

 

Os outros três, Valdelir João de Souza, conhecido como Polaco Marceneiro, Ronaldo Dalmoneck, vulgo Sula, e Moisés Ferreira de Souza, conhecido como Sargento Moisés, seguem com o mandado de prisão em aberto.

 

Na denúncia do Ministério Público, consta que ao menos três testemunhas disseram que Valdelir seria o mandante do crime. Todos afirmaram que ele tinha interesse na desocupação da área para extrair madeiras. As testemunhas também confirmaram a presença de Pedro Ramos no homicídio. Segundo eles, Ramos trabalhava como pistoleiro para Valdelir.

 

Réus se organizaram, aproveitando-se da ausência estatal, para supostamente praticarem crimes com o intuito de garantir os seus interesses econômicos

De acordo com o juiz Ricardo Frazon, a materialidade do crime e a constituição de milícia privada puderam ser comprovadas nos autos.

 

“A materialidade dos crimes de homicídio é extraída das certidões de óbito, fotos dos cadáveres e perícias necroscópicas juntadas ao inquérito policial. Doutra banda, os indícios de autoria são retirados dos termos de depoimentos das testemunhas, os quais apontam que, em tese, o Sr. Valdelir, em conjunto com os demais réus, praticava violência contra as pessoas que estavam na região a fim de garantir a exploração de uma atividade econômica”, afirmou.

 

Segundo o juiz, é preciso manter a prisão dos réus para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal, evitando que eles atrapalhem as investigações. Para ele, longe da visão da Justiça, os acusados poderiam voltar a praticar atos ilícitos.

 

“É dos autos que os réus se organizaram, aproveitando-se da ausência estatal, para supostamente praticarem crimes com o intuito de garantir os seus interesses econômicos, chegando ao ponto de ceifarem nove vidas, ou seja, comportam-se de maneira diversa do que se espera de quem vive em sociedade”, disse.

 

O magistrado disse que a conduta deles em liberdade poderia, inclusive, intimidar as testemunhas do crime e inviabilizar a resolução dos fatos.


“Reporto ao fato de que os réus cruelmente torturaram as vítimas dos homicídios, com o intuito de deixar uma mensagem bem clara para quem contrariasse os desígnios do grupo. Tal mensagem por si só já seria o bastante para intimidar as testemunhas. Ademais, se em tese ceifaram nove vidas para supostamente garantir a exploração de uma atividade econômica, é possível concluir que também o fariam com vistas a sair incólumes da presente instrução processual”, completou.

 

A chacina

 

No dia 19 de abril, nove pessoas foram assassinadas na Gleba Taquaruçu do Norte, no Município de Colniza (a 1.065 km a Noroeste de Cuiabá). 

 

Os trabalhadores foram identificados como Sebastião Ferreira de Souza, 57, Izaul Brito dos Santos, 50, Ezequias Santos de Oliveira, 26, Samuel Antônio da Cunha, 23, Francisco Chaves da Silva, 56, Aldo Aparecido Carlini, 50, Edson Alves Antunes, 32, Valmir Rangeu do Nascimento, 55, e Fábio Rodrigues dos Santos, de 37 anos.

 

A perícia concluiu que o grupo foi morto a facadas e tiros de espingarda calibre 12. 

 

Em Mato Grosso, 40.028 famílias vivem em áreas de conflitos agrários, aponta estudo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica, sobre o ano de 2016.

 

O município de Colniza, já foi considerado o mais violento do País em 2007, segundo levantamento do Mapa da Violência feito pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO).

 

 

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