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Judiciário / CONVERSA GRAVADA
11.09.2017 | 17h42
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Esposa de réu cita “armação” e aponta lucro de “comparsa”; ouça

Ingrid Menezes, mulher de Alfredo Menezes, disse que Farley teria que justificar recebimento

Reprodução

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O agente Alfredo Menezes (detalhe): celular usado por esposa foi interceptado

LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

A esposa do agente de tributos Alfredo Menezes, Ingrid Menezes, afirmou que seu marido, réu da ação derivada da Operação Zaqueus, estaria sendo alvo de uma “armação” patrocinada pelo também agente André Fantoni, considerado líder do esquema investigado, e sua ex-esposa, a advogada Sandra Mara de Almeida.

 

A fala consta em conversa interceptada pela Delegacia Fazendária no celular pertencente a Ingrid, no dia 10 de maio, ocasião em que ela conversava com o secretário adjunto de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), delegado Gustavo Garcia, que seria amigo de Alfredo (ouça o áudio abaixo).

 

Ela ainda afirmou, no diálogo, que o agente de tributos Farley Coutinho teria se beneficiado de pelo menos R$ 400 mil no esquema, segundo Alfredo havia lhe contado.

 

Na data da conversa, Alfredo e Fantoni ainda estavam presos no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), acusados de operar uma suposta fraude para reduzir uma multa aplicada pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) à empresa Caramuru Alimentos S/A. Já Farley havia sido solto na mesma data.

 

De acordo com as investigações, o valor foi reduzido de R$ 65,9 milhões para R$ 315,9 mil, mediante pagamento de propina no valor de R$ 1,8 milhão.

 

Os três agentes são réus sob a acusação de associação criminosa, crime contra a ordem tributária, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

 

Encontro no CCC

 

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Andre Fantoni

Esposa de Alfredo Menezes disse que André Fantoni (foto) estaria tentando "armar" contra seu marido

No início da conversa, Ingrid Menezes contou ao secretário Gustavo que seu marido estava “mais tranquilo” após depor na Delegacia Fazendária sobre os fatos. Leia trechos da convesa:

 

Ingrid – “Ele [advogado] falou que foi bom o depoimento, foi longo, mas foi bom. Porque o Alfredo fala para caramba, né. Tô com pena do seu amigo [Alfredo]”.

 

Em seguida, ela relatou que encontrou a esposa de André Fantoni, Sandra Mara de Almeida, durante uma visita na cadeia, e conversou com ela.

 

Ingrid Menezes disse que, após a conversa, passou a desconfiar que Sandra Almeida e André Fantoni tentariam “armar” contra seu marido, usando uma suposta ameaça feita por Alfredo Menezes.

 

Ingrid – “A Sandra chegou. Ela disse: ‘eu queria falar com você’. E eu disse: “ãhn?’. Mas aí eu falei: ‘depois a gente fala porque eu quero ver o Alfredo’ [...] Na volta, ele falou para a Sandra me levar”.

 

Gustavo – “E ela levou?”.

 

Ingrid – “Levou, e foi importante. Importante. Porque eles estão tentando armar para o Alfredo. Certeza”.

 

Gustavo – “Tão, né?”.

 

Ingrid – “Certeza. Sabe o que ela me falou? Pô, eu fiquei confusa o tempo inteiro. Alfredo em momento nenhum falou merda. O seu amigo entrou de gaiato nessa história toda. De gaiato”.

 

Gustavo – “Ela tentou falar o que com você?”.

 

Ingrid – “Disse que o Fantoni ficava falando para o Totó [Themystocles, delator do esquema] que o Alfredo ia matar ele [Themystocles]. Tem isso lá. Foi até por isso que resolveu prender porque era ‘perigoso, violento’ né. Aí sabe o que ela falou? ‘Ai, eu queria falar com você quando eu cheguei uma coisa’. Eu falei: ‘O quê?’. Ela: ‘Ah, porque o Alfredo fica falando o tempo inteiro que vai matar’. Eu falei: ‘Não, é o Mauro, ele fala brincando, nem liga’. Ela disse: ‘Não é o Mauro, é o Totó’. Aí eu pensei e falei assim: ‘É? Engraçado que eu fiquei com ele o tempo inteiro e não ouvi uma vez o cara falar nem tocar em nome de Totó’. Isso é armação aí para ele, escuta que vai dar ruim no tal do Mato Grosso (risos). Pô, não foi sinistro ela me falar isso?”.

 

De acordo com o depoimento de Themystocles Figueiredo, André Fantoni teria usado o nome de Alfredo Menezes para fazer uma ameaça. O delator contou que Fantoni afirmou que Alfredo Menezes “teria dito que estaria querendo matar o funcionário da empresa Caramuru”, Walter de Souza Júnior, com quem o esquema para a redução do valor da multa teria sido negociado.

 

Todavia, na investigação não consta que Alfredo Menezes teria afirmado que iria matar o próprio Themystocles.

 

Citação de “comparsa”

 

Em outro trecho da conversa, Ingrid defendeu a inocência do marido e disse que Alfredo, no depoimento, contou que sabia dos esquemas com o dono de um curso que Fantoni dava aulas.

 

Gustavo Garcia recomendou que Ingrid alertasse Alfredo a parar de falar que é amigo do “delegado”, possivelmente se referindo a ele.

 

Ingrid – “Eu já falei isso para ele, conversei com ele, mas não tem jeito. O Alfredo é muito linguarudo, sabe. Ele é demais, cara. Mas, pô, o advogado falou que foi bom”.

 

O secretário então explicou que não há motivos, juridicamente, para Alfredo continuar preso e disse que acha que ele iria ser solto ainda naquela semana, “no máximo na outra”. Porém, Alfredo só foi solto no dia 17 de junho, mais de um mês depois, mediante fiança de R$ 200 mil.

 

Ingrid também questionou a informação de que o agente Farley Coutinho não teria participação no esquema e afirmou que o mesmo teria que se explicar. Farley havia sido solto na mesma data da conversa.

 

Ingrid – “Hoje eu vi o Farley saindo, quando eu fui visitar o Alfredo. E vou te falar uma coisa: tem alguma informação errada. Você falou que contra o Farley não tinha nada, mas o Alfredo falou que tem sim”.

 

Gustavo – “Falou?”.

 

Ingrid – “Falou. Agora não vou saber te dizer o que tem, mas tem. Falou que tem sim. Ah, já sei, parece que ele comprou casa, disseram que ele recebeu R$ 400 e poucos mil e comprou casa, deu R$ 200 mil de entrada e vai ter que justificar esses R$ 200 mil. Foi isso, entendeu?”.

 

Ouça a conversa entre Ingrid Menezes e o secretário Gustavo Garcia:

 

 

Leia mais sobre o assunto: 

 

Juíza cita suposta ameaça contra delator e empregado da Caramuru




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