Cuiabá, Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2018
Fogo Amigo
09.10.2018 | 08h10 Tamanho do texto A- A+

Deu na Folha

Jornal homenageia líder quilombola de MT

DA REDAÇÃO
Antonio Mulato

O quilombola Antonio Mulato, que morreu em setembro

O obituário do Jornal Folha de S.Paulo publicou, nesta terça-feira (9), um texto sobre Antônio Mulato, o líder do Quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, que morreu no dia 15 de setembro aos 113 anos.

 

“Era neto de africanos que foram escravizados no Brasil. Seus pais nasceram quando a Lei do Ventre Livre já havia sido promulgada. Foi Mulato quem liderou a retomada do quilombo Mata Cavalo, que não era reconhecido pelo Município”, escreveu o jornal.

 

Leia abaixo a íntegra do obituário:

 

Uma semana antes de morrer ele me chamou. Falou que tinha chegado a hora dele", conta Airton Conceição de Arruda, neto de Antônio Mulato. "Queria que o levassem quando ele não pudesse mais andar. Perguntei com quem ficaria o dinheiro e ele disse: 'Com quem merecer.'"

 

Era neto de africanos que foram escravizados no Brasil. Seus pais nasceram quando a Lei do Ventre Livre já havia sido promulgada. Foi Mulato quem liderou a retomada do quilombo Mata Cavalo, que não era reconhecido pelo município.


Mesmo sem saber ler e escrever, fundou a primeira escola da comunidade, em meados de 1940. No lugar, que começou com apenas uma sala, boa parte de seus descendentes pôde estudar, lutando para ter o mesmo direito das crianças brancas. Hoje, uma de suas bisnetas, Gonçalina Eva, 41, é professora lá.

Era Mulato quem reunia a família em datas comemorativas. "A casa dele era de todo mundo", diz Airton. "Ele gostava de cantar cururu, tocar pandeiro. Festa, velório. Ele ia em todos."

Católico, "tirava reza" e ia com frequência a missas. Anualmente participava da lavagem das escadarias da Igreja de São Benedito, a maior do estado. "Ele dava opinião, andava no meio do povo, ajudava na cerimônia", conta o neto.

Lutava para recuperar uma terra de mais de 14 mil hectares que havia sido doada a seus avós após a abolição da escravatura, mas foi tomada "pelos brancos". "Ainda estamos aqui na luta. Era o sonho dele e é o meu também", diz Airton, que é presidente da Câmara Municipal de Livramento.

Morreu de insuficiência renal aos 113, em 15 de setembro. Deixa 9 filhos, 41 netos, 23 bisnetos, 18 trinetos, 3 tataranetos e a luta de resistência de quilombolas em Mato Grosso.




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