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Entrevista da Semana / AUMENTO
07.01.2017 | 22h00
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"Todo servidor tem reajuste, por que os vereadores não podem?”

Presidente da Câmara defende reposição salarial e afirma que irá provar legalidade da proposta junto ao MPE

Marcus Mesquita/MidiaNews

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O vereador Justino Malheiros (PV), eleito presidente da Câmara de Cuiabá

ÉRIKA OLIVEIRA
DA REDAÇÃO

Seguindo tradição familiar, o vereador de primeiro mandato Justino Malheiros (PV) foi eleito presidente da Câmara de Cuiabá para o próximo biênio (2017-2018).

 

Filho e neto de ex-presidentes da Câmara, Malheiros afirmou que irá contar com os “exemplos de casa” para conduzir seu mandato no Legislativo.

 

“A política sempre fez parte da minha vida. Eu cresci em um ambiente político e tudo isso influencia nas minhas decisões. Quero fazer política diferente e tenho bons exemplos dentro de casa”, afirmou.

 

O vereador é filho do ex-deputado João Malheiros, que comandou o Legislativo entre 2001 e 2002. Seu avô, Justino Malheiros, também já ocupou o cargo.

 

Os vereadores entenderam que o novo não é um bicho papão

O novo presidente assume em meio à polêmica da aprovação da proposta que concedeu um aumento de 23,5% no salário dos vereadores e na verba indenizatória.

 

Em entrevista exclusiva ao MidiaNews, Malheiros defendeu a legalidade da proposta. “Todo servidor tem reajuste, por que o parlamento não pode ter? Qual a diferença?” questionou.

 

Confira os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – Este é seu primeiro mandato eletivo. Qual é a sua experiência na vida pública?

 

Justino Malheiros - Eu fui diretor da Sanecap [Companhia de Saneamento da Capital] na gestão do prefeito Roberto França, fui diretor de planejamento da Agência do Vale do Rio Cuiabá no Governo Silval e acompanho a vida pública do meu pai desde 1988.

 

A política sempre fez parte da minha vida. Eu cresci em um ambiente político e tudo isso influencia nas minhas decisões. Eu quero fazer política diferente, de uma forma moderna, jovem e tenho bons exemplos dentro de casa.

 

MidiaNews – O seu pai, João Malheiros, faz parte da política tradicional. Já foi deputado estadual e comandou a Câmara de Cuiabá. Qual garantia o senhor dá de que não vai haver interferência dele na sua gestão?

 

Justino Malheiros – Em primeiro lugar, ele não interferiu na eleição da Mesa. Apesar de alguns órgãos de imprensa afirmarem que sim, isso não aconteceu.

 

Eu respeito sim a opinião e vou levar em consideração a experiência e a orientação que nos derem, mas a tomada de decisão é nossa.

 

Na antiguidade, sempre que havia alguma encruzilhada, o mais novo pedia o conselho dos mais velhos. Mas os conselhos são para que a gente tenha discernimento de seguir o caminho que julgar necessário.

 

Eu fui eleito com 2.917 votos, com muito trabalho e dedicação. Meu pai foi meu ajudante na campanha, assim como toda a minha família. Se você não tem uma base familiar, você não consegue chegar a lugar nenhum. Eu vou mostrar isso na condução do meu mandato.

 

MidiaNews – Quando o senhor se lançou candidato à presidência, a notícia pegou alguns parlamentares de surpresa. O vereador Misael Galvão (PSB), inclusive, recuou da candidatura. Em que momento o senhor decidiu que iria entrar na disputa?

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Justino Malheiros

"Conversamos com os vereadores do nosso partido; meu nome foi consenso"

Justino Malheiros – A partir do momento em que o meu partido fez a maior bancada, nada mais justo do que pleitear a Presidência da Casa.

 

A primeira rodada de conversação que nós tivemos foi com os vereadores do nosso partido. E aí surgiu um nome de consenso, que foi o meu.  

 

O que eu sempre quis e meu sonho é mudar a imagem do Poder Legislativo.

 

MidiaNews – Apesar da votação ter sido unânime, houve vereadores que teriam ficado descontentes com a condução do processo eleitoral. Vereadores, inclusive, que teriam apoiado o prefeito Emanuel Pinheiro queriam presidir a Mesa.

 

Justino Malheiros – Teve momentos de turbulências sim, mas isso é natural. Na política tudo se resolve com uma boa conversa.

 

Nós construímos esse consenso em cima de muito diálogo, mostrando a nossa proposta de mudança.

 

Os vereadores entenderam que o novo não é um bicho-papão, o novo não quer dizer que vai ser um desastre.

 

A partir do momento em que você conversa e mostra que é diferente, você consegue consenso. E quem ganha com isso é a instituição.

 

MidiaNews – O senhor é um vereador de primeiro mandato. Não acha temeroso chegar ao Legislativo e já assumir a responsabilidade de comandar a Casa?

 

Justino Malheiros – Eu sou uma pessoa que gosta de desafios. Para mim, desafio não é problema. Eu quero mostrar que vou sair daqui com uma boa gestão.

 

Exemplo eu já tenho. Meu pai, ex-presidente dessa Casa, recebeu uma comenda no Senado Federal de melhor gestor de Câmara do País durante exercício de seu mandato.  

 

Eu gostaria que a população cuiabana tivesse paciência. A Câmara está aberta para acolher, a partir do dia 2 de fevereiro, qualquer demanda.

 

Eu só quero um voto de confiança da sociedade. E eu gostaria que a imprensa também divulgasse as coisas boas que saem daqui. Ninguém quer vir aqui para ser tachado de ladrão, ninguém está aqui para ganhar dinheiro.

 

Eu falo por essa legislatura. As pessoas que estão aqui hoje querem fazer uma boa gestão.

 

MidiaNews - Qual foi a participação do prefeito Emanuel Pinheiro na escolha dos membros da Mesa?

 

Justino Malheiros - Eu não conversei com o prefeito. Eu lhe comuniquei que ia ser candidato, apenas. Mas se eu disser que não sou amigo pessoal do prefeito eu vou estar mentindo. Como aqui na Casa tem o vereador Renivaldo [Nascimento], que é amigo pessoal do Emanuel e é do PSDB. O Lilo [Pinheiro] é primo dele, o Juca do Guaraná é amigo pessoal tanto quanto eu. Isso foi até ruim para o prefeito porque ele tinha vários amigos candidatos.

 

MidiaNews - No final de 2016, o ex-presidente da Câmara Haroldo Kuzai devolveu R$ 750 mil da Câmara para o Executivo. O que achou da medida?

 

Justino Malheiros - O que eu não concordo em administração é devolver R$ 750 mil para a Prefeitura e os funcionários daqui [exonerados no final do ano] ficarem sem receber direitos trabalhistas. Essa devolução foi extremamente indevida. Eu pagaria os direitos. Não sei se esse dinheiro daria para cumprir com todas as obrigações, mas resolveria algumas situações. O presidente Haroldo fez uma boa gestão. Ele pode ter cometido um equívoco ou ter sido mal assessorado. Eu acredito que ele não fez por má fé, mas isso é algo que eu não faria.

O que eu sempre quis e sonho é mudar a imagem do Poder Legislativo

 

MidiaNews - Em razão dos casos de corrupção e confusões envolvendo vereadores, a Câmara é chamada de “Casa dos Horrores”. O senhor acha justa a pecha?

 

Justino Malheiros – Eu acho que se você andar pelos corredores da Câmara, aí sim você vai ver o que é Casa dos Horrores [refere-se à estrura do imóvel]. Mas aqui existem homens de valor e é em cima disso que eu quero mostrar para a sociedade que tem pessoas bem intencionadas.  

 

A Câmara hoje tem quase 9 mil indicações e mais de 2 mil projetos aprovados. Projetos esses que ajudaram a gestão do prefeito Mauro Mendes.

 

MidiaNews - Um estudo do TCE (Tribunal de Contas do Estado) concluiu que 66% dos projetos da Câmara de Cuiabá são irrelevantes. O senhor não acha que a Câmara deveria trocar a quantidade de projetos pela qualidade?

 

Justino Malheiros – Eu acho que todo projeto tem sua qualidade. O TCE tem a opinião dele e eu posso falar daqui pra frente. Eu não vou comentar daqui para trás.

 

Se ele teve 60% de projetos que não foram bons, teve 40% de projetos que contribuíram muito para a sociedade.  

 

MidiaNews - Ex-presidentes da Câmara como Chica Nunes, João Emanuel e Lutero Ponce, tiveram problemas com a Justiça. Teme que ocorra algo parecido com o senhor?

 

Justino Malheiros – Não temo porque eu tenho a convicção de que vou fazer um trabalho sério e compartilhado.

 

Pelo que me consta, o Lutero Ponce não tem condenação. Ele foi cassado, mas não teve nenhuma condenação.

 

Eu vejo isso com muita tranquilidade. Você tem que confiar na sua equipe, montar uma equipe competente e leal. Um presidente administra 25 parlamentares. São 25 cabeças pensando de forma diferente. Mas quando você consegue aglutinar os 25, isso é extremamente positivo.  

 

Acho que nós podemos fazer coisas simples para resgatar a confiança das pessoas e nos aproximar da comunidade. Hoje a Assembleia Legislativa emite Carteira de Identidade, de Trabalho... Tudo isso a gente pode implementar aqui. O plenário mirim, as sessões itinerantes nos bairros, tudo isso ajuda.

 

MidiaNews – O senhor tem evitado tocar nesse assunto, mas o prefeito Emanuel Pinheiro já declarou publicamente que vai vetar o aumento dos salários dos vereadores. A Câmara vai aceitar o veto ou pretende derrubá-lo?

 

Justino Malheiros – Eu fui citado pelo Ministério Público e o processo está na Procuradoria da Câmara. Eu estou pedindo um parecer e vou discutir com toda a Mesa.

 

A informação que eu tenho é de que esse aumento é legal, não é inconstitucional. Mas toda ação tem que ser revista.

 

Eu não sei se ele vai ser ou não vetado, até porque o prefeito ainda não vetou. Eu não falo sobre futurologia, na hora que ele vetar, a gente se manifesta. 


 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Justino Malheiros

"Todo servidor tem reajuste, por que o parlamento não pode ter? Qual a diferença?"

MidiaNews - Mas o senhor não acha imoral aumentar o salário dos vereadores nesse momento de crise?

 

Justino Malheiros – Em 2013 foi o último reajuste que teve e eu ainda não era vereador. A inflação foi de 35% nesse período. E o aumento foi de 23,5%. Se não tivesse o aumento agora, a Câmara estaria ai há quatro anos sem aumento.

 

O que precisa explicar à sociedade é de que não houve aumento, foi um reajuste. As coisas estão sendo mal explicadas.

 

Todo servidor tem reajuste, por que os vereadores não podem ter? Qual a diferença?

 

As minhas opiniões pessoais são minhas. Se eu externá-las, eu vou estar em desacordo com a minha função de presidente de uma instituição.  

 

O que eu defendo é que a Câmara não fez nada de ilegal. A sociedade tem que saber que não há ilegalidade nesse processo.

 

Eu tenho 10 dias para me manifestar, mas no máximo até terça-feira (10) eu vou procurar o promotor com todos os documentos e informações. E se precisar levar os 25 vereadores ao Ministério Público, eu vou convocá-los.

  

MidiaNews – O senhor não acha que é muito dinheiro o vereador receber, entre salário e verba indenizatória, cerca de R$ 30 mil?

 

Justino Malheiros – Eu estou vendo os números agora. Eu ainda não sei como isso vai funcionar na prática. Mas eu defendo condições de trabalho.

 

Você está aqui no gabinete da Presidência comigo e eu não tenho nem um computador na minha mesa. Ande pelo corredor da Casa e veja as condições de estrutura. Essa situação é de anos e não vai ser resolvida de um dia para o outro.

 

MidiaNews – Muitos vereadores falam que precisam do dinheiro da verba indenizatória para desempenhar o trabalho social junto aos eleitores. O senhor não acha que é preciso acabar com esse excesso de assistencialismo por parte de vereadores?

 

Justino Malheiros – Nós não somos instituição de caridade, mas nós trabalhamos pela população.

 

MidiaNews - Há um movimento nacional – inclusive em Cuiabá – para reduzir os salários dos vereadores. Aqui na Capital há uma campanha para igualá-los aos vencimentos dos professores. O que acha disso?

 

Justino Malheiros – Seria a mesma coisa de falar para um médico que ele deveria ganhar o salário de um enfermeiro.

 

Eu acho que tem que melhorar o salário dos trabalhadores em geral, principalmente da educação. Tem que ser valorizado. Um professor tem que ser muito bem remunerado. Um policial militar que deixa sua família em casa e sai para nos defender tem que ser bem remunerado. É inadmissível um policial ganhar o que ganha.

 

MidiaNews - O senhor vai ter um orçamento de aproximadamente R$ 42 milhões neste ano. Como deverá ser sua gestão à frente da Câmara no aspecto econômico?

 

 

Justino Malheiros - O orçamento foi reduzido. Então, eu já estou pegando a Câmara com um orçamento menor do que o que ela já tinha. Desde que você não saiba administrar, você encontra dificuldades. Mas se você administrar de forma diária em cima dos números, não tem porque se preocupar com esse tipo de problema.

 

MidiaNews - Pelo que deu para perceber nos primeiros dias, o prefeito Emanuel Pinheiro não deverá ter dificuldades com oposição na Câmara. Não é ruim para uma cidade não haver oposição na Câmara?

Marcus Mesquita/MidiaNews

Justino Malheiros

O presidente da Câmara defendeu a independência do Legislativo

 

Justino Malheiros – Eu não vejo que ele tenha dificuldades aqui dentro da Câmara, mas o poder Legislativo é independente.  

 

MidiaNews - No final do ano, o ex-presidente Haroldo Kuzai exonerou mais de 400 comissionados. Quantos deles o senhor pretende renomear?

 

Justino Malheiros – A Câmara extinguiu 317 cargos, não vai mais ter aquele inchaço, isso para poder cumprir a LRF [Lei de Responsabilidade Fiscal]. A Câmara não vai mais ser aquele cabide de empregos que muitas pessoas pensam.

 

Eu acho que faltava aqui na Câmara uma melhor comunicação da Mesa Diretora com a imprensa e eu não pretendo fugir de vocês.

 

Esses 317 que foram exonerados, não voltam mais. Do que adianta encher a máquina e, para poder cumprir a LRF ter que exonerar para poder ficar à margem do orçamento. Esse tipo de erro eu não vou cometer, vou acompanhar pari passu. Todo mês eu vou cobrar dos meus secretários o andamento da folha.

 

Eu estou trabalhando com uma margem de segurança muito boa, para que no dia 30 de dezembro os funcionários estejam com todos os seus direitos pagos.  

 




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33 Comentário(s).

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XAVIER  12.01.17 20h41
BRINCADEIRA,,COMPARAR SERVIDOR COM VEREADOR... RECEBE MAIS NOVE MIL DE VERBA IDENI AINDA QUER AUMENTO..EM QUANTO O SERVIDOR RECEBE 2 POR CENTO
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Jubson   12.01.17 15h33
"Sucesso não tem a ver com o dinheiro que você ganha.Tem a ver com a diferença que você faz na vida das pessoas." Barack Obama deixa o poder pensando em o que ele poderia ter feito mais pelos americanos.E aqui outros já chegam se colocando em primeiro lugar em vez do povo Cuiabano.
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joão Silva  11.01.17 18h42
Porque vereador não é profissão, simples assim.
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ANTONIO CARLOS  11.01.17 11h14
PORQUE VEREADOR NÃO PRODUZ NADA. NEM DEVERIA TER SALARIO.
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JOSI  10.01.17 16h44
OS VEREADORES JA GANHAM O SUFICIENTE PRA NÃO FAZER NADA
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