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Entrevista da Semana / ELEIÇÃO 2018
24.02.2018 | 20h00
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"Se o Governo fez algo, foi cumprir compromissos com o servidor"

Secretário de Educação defende gestão de Taques e cita "esforço grande" em prol dos servidores

Alair Ribeiro/MidiaNews

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O secretário Marco Marrafon: "a gente cuidou muito dos servidores, especialmente dos servidores da Educação"

LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O secretário de Estado de Educação, Marco Marrafon, afirmou acreditar que durante a eleição majoritária deste ano, o governador Pedro Taques (PSDB) não sofrerá rejeição dos servidores estaduais por conta dos constantes atrasos na folha de pagamento e pelas polêmicas envolvendo a Revisão Geral Anual (RGA) 

 

Segundo ele, apesar de a RGA estar sendo quitada de forma parcelada e o Estado possuir dificuldade em pagar a folha até o dia 10 de cada mês, a atual gestão tem honrado os compromissos com os servidores.

 

"O servidor público é um patrimônio muito importante e o governador fez um esforço muito grande para cumprir todos os compromissos. Foram cumpridas as leis de carreira. A RGA foi paga parcelada? Foi. Mas foi paga. E mais do que isso: nenhum Estado da Federação praticamente pagou. Um ou outro conseguiu pagar uma RGA. Nós pagamos todas. Olhando o contexto nacional e o contexto estadual, é possível mostrar que se houve uma coisa que foi feita foi cumprir os compromissos como servidor".

 

Presidente do PPS no Estado, Marrafon opinou que a Seduc foi uma das secretarias que mais valorizou os servidores públicos.

 

"É triste dizer que nenhum Estado conseguiu cumprir o que nós fizemos, pois já houve aumento salarial de mais de 44%, está chegando a 48% agora, contando a RGA mais o aumento real acima de 23%. A gente também colocou núcleo de qualidade de vida, já são mais de 10 núcleos no interior, Juara, Juína, Tangará da Serra, Rondonópolis, Barra do Garças... O núcleo é composto por um profissional formado em saúde e segurança do Trabalho e da Educação, para ajudar na autoestima, a debater os dilemas de sala de aula, dar apoio, ensinar alinhamento postural. Fizemos a academia do servidor, implantamos o programa Saúde na Educação, com médico para evitar doenças crônicas nos profissionais da rede estadual de ensino. Por isso digo que se fizermos um diálogo racional, mostramos que a gente cuidou muito dos servidores, especialmente dos servidores da Educação", disse.

 

Em entrevista ao MidiaNews, o secretário também falou sobre o Movimento Agora, seu papel no comando do PPS, e sobre sua gestão à frente da Seduc.

 

Leia a íntegra da entrevista:

 

MidiaNews – O senhor integra o Movimento Agora, que prega renovação política. O que exatamente o movimento defende para o País?

 

Marco Marrafon – O Agora é um movimento cívico criado há pouco mais de um ano, que tem buscado debater o resgate dos ideais democráticos, combatendo radicalismos. A gente acha que o radicalismo facilita discursos autoritários, discursos de ódio. Percebemos que a internet está impregnada por discursos de ódio, fake news, por todo um discurso antidemocrático e, no fundo, quem sofre é a boa política, as pessoas que querem instituir boas práticas.

 

O Agora é uma reunião de pessoas, professores universitários, acadêmicos, empresários, profissionais liberais, que sentiam que é o momento de dar uma contribuição para o Brasil e discutir uma agenda programática para o Brasil. E essa agenda programática a gente faz uma série de debates acerca de temas como educação, sustentabilidade, saúde, segurança. Antes de discutir as pessoas tem que discutir uma agenda, um programa de políticas públicas como alternativa aos discursos de ódio que estão sendo colocados por aí sem proposta alguma, baseados em cultos personalistas.

A gente quer discutir programa, quer discutir grupo, quer discutir uma agenda para o Brasil, sem recorrer a esses personalismos de salvadores da Pátria

 

MidiaNews – Em resumo, seria uma alternativa aos “salvadores da Pátria”, como são tratados o Lula e o Bolsonaro...

 

Marco Marrafon – Exatamente. A gente quer discutir programa, quer discutir grupo, quer discutir uma agenda para o Brasil, sem recorrer a esses personalismos de salvadores da Pátria, porque isso prejudica o amadurecimento democrático.

 

MidiaNews - E em termos econômicos?

 

Marco Marrafon – O movimento defende um Estado mais leve, tem essa pegada do empreendedorismo, do livre mercado, da livre iniciativa. Mas, ao mesmo tempo, um compromisso com os direitos sociais. A gente evita o radicalismo de direita e o radicalismo de esquerda. A gente gosta de resultados sociais a partir da maneira mais eficiente de atuação do Estado. Até brincamos que somos “centro-avante”, não nos identificamos com todas as pautas típicas da direita e nem com todas as pautas típicas da esquerda, mas com pontos em comum, na grande maioria convergente.

 

Sabemos que a educação pública de qualidade é uma bandeira a ser defendida e isso é um ponto comum que a população defende. Mas isso não significa que você precisa focar tudo no Estado em relação a outras pautas, e que o Estado não possa ser mais eficiente na sua atuação.  

 

MidiaNews – Se falou muito sobre a possível candidatura à presidência do apresentador Luciano Huck, com apoio do movimento. O Agora acredita que ele tem capacidade técnica para exercer um cargo como esse?

 

Marco Marrafon – O Luciano veio ao movimento com uma postura muito humilde de aderir a essa agenda, com o coração aberto, e demonstrou não só um carisma muito intenso com a população, mas capacidade de dialogar, de levar as bandeiras do movimento. Nós acreditamos que ele tem condições. É lógico que houve uma escolha pessoal e ele anunciou que ele não seria candidato, mas caso fosse, até pelo perfil dele, que é formado em Direito e Jornalismo na Universidade de São Paulo, uma das melhores universidades do Brasil, é também um grande empresário. Então ele consegue aliar formação acadêmica, viés empresarial e o carisma de um apresentador, e entendemos que ele soma muito ao movimento e pode contribuir muito para o Brasil.

 

MidiaNews – Ainda há possibilidade de ele rever essa decisão?

 

Marco Marrafon – Acho muito difícil, é uma decisão pessoal e não vemos nenhum indicativo de que possa ser revertida. Mas em política não existe a palavra nunca.

 

MidiaNews – O senhor assumiu recentemente o PPS, que era comandado há muito tempo pelo Percival Muniz. Nos bastidores, há comentários de que teria ocorrido uma espécie de “rasteira”, e que isso acabou gerando tensão no partido. O que aconteceu de fato?

 

Marco Marrafon – Foi um processo bastante dialogado, trabalhado ao longo do tempo. Houve o vencimento do mandato em novembro de 2017, da comissão provisória do ex-prefeito Percival, e a gente começou a discutir esse processo de renovação. O PPS é o partido que mais se abriu e mais tem dialogado com os movimentos cívicos no sentido de construir uma plataforma partidária, um modelo novo de atuação. O PPS e o Agora assinaram uma carta de parceria oficial há dias atrás. O Movimento Livres, que estava no PSL, saiu do PSL por conta da entrada do Bolsonaro, e o PPS passou a dialogar para trazer esse movimento também.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Marco Marrafon 23-02-2018

"Ele [Percival] acredita em um projeto mais alinhado com o PDT, PCdoB, PT e PMDB e que isso estaria distante do projeto do PPS nacional e regional"

 

Quando lançamos o manifesto de renovação do PPS em Mato Grosso, era um manifesto de renovação e de união e convidamos o grupo do Percival para estar junto nesse diálogo, e ele preferiu neste momento não estar compondo a provisória, o órgão diretivo. Mas a gente montou uma chapa provisória com membros históricos do partido, como o Wagner Simplício, o Jurandir, com o Movimento Livres, representado pelo Junior Macagnam e o Peres, e com o Movimento Agora, sob a minha representação.

 

Era um momento de união e renovação, então como o mandato estava vencido, não houve destituição. É lícito ao partido abrir espaço aos movimentos para construir um modelo para o Brasil. Foi um projeto nacional, que quer servir de exemplo e tem feito parcerias semelhantes em outros Estados. Nos sentimos muito confortáveis com essa renovação, pois entendemos que o PPS tem um olhar muito avançado sobre o futuro, já que temos enxergado as deficiências da forma de se fazer política no passado.

 

MidiaNews -  O senhor sabe o que o Percival deseja fazer politicamente daqui para frente?

 

Marco Marrafon – Eu sei apenas o que conversamos e que é muito coerente com o que ele falou à imprensa há um tempo atrás. Ele acredita em um projeto mais alinhado com o PDT, PCdoB, PT e PMDB e que isso estaria distante do projeto do PPS nacional e regional.

 

MidiaNews -  E o senhor já definiu se será candidato este ano?

 

Marco Marrafon – É um cenário muito complicado ainda, porque estou na gestão. O foco agora é conduzir a secretaria e quando chegar o prazo legal tomar as decisões. Como a gente está muito envolvido com o Movimento Agora e o PPS, a grande questão é fortalecer o movimento e levar o debate para as ruas. Teremos nomes? Com certeza. Eles serão escolhidos democraticamente pelo grupo, mas acima de tudo o momento é de pensar em uma agenda. Assim como estamos pensando em uma agenda para o Brasil, o PPS tem que oferecer uma agenda para o Estado de Mato Grosso. A partir da formação de uma agenda partidária, é que a gente começa a colocar os nomes para avançar. Não há uma escolha do Marco Marrafon, não há nada posto de candidatura nesse sentido. É lógico que conversas a gente sempre têm, pois buscamos o fortalecimento do partido e isso implica em ter uma boa chapa com deputados estaduais e deputados federais.

 

MidiaNews -  Mas se dependesse do senhor, gostaria de se candidatar a estadual ou federal?

 

Marco Marrafon – Nós debatemos muita coisa a nível estadual, mas também muitos temas federais. Em um primeiro olhar, o indicativo é para o parlamento federal.

 

MidiaNews – A desistência do ministro Blairo Maggi em continuar na vida política favorece a reeleição do governador Pedro Taques, na medida em que pode desmobilizar a oposição?

 

Marco Marrafon – É muito difícil fazer uma avaliação nesse momento. A gente precisa verificar se isso é algo concreto. A gente respeita muito e acha que o ex-governador e senador Maggi contribuiu muito para a política mato-grossense e deveria continuar, mas havendo a confirmação desse fato teria que se fazer uma avaliação. É muito prematuro falar qualquer coisa agora.

 

MidiaNews – O senhor acha que a reeleição do Pedro Taques é viável diante de tantos problemas ocorridos na gestão, como atraso de salários, atraso nos repasses dos duodécimos, crise na Saúde e escândalo dos grampos?

 

Foi uma coisa quase sobre-humana o trabalho que ele [Taques] fez no final do ano passado para trazer aos cofres públicos do Estado mais de R$ 500 milhões de recuperação de recursos oriundos de incentivos fiscais fraudulentos

Marco Marrafon – Eu tenho certeza que a reeleição dele é muito viável, porque tem muitas entregas feitas e muito a entregar. Houve sim momentos de crise, até por conta dos imprevistos que aconteceram na política nacional. Ninguém imaginava que em 2016 o Michel Temer assumiria a Presidência, ninguém imaginava que teríamos três anos seguidos de PIB [Produto Interno Bruto] negativo, ninguém imaginava que uma grande empresa como a JBS fosse praticamente quebrar e derrubar a arrecadação do Estado de Mato Grosso.

 

Então houve um processo muito intenso de reformas e transformações, que foram feitos de forma adequada com o que se tinha à disposição naquele momento. O governador Pedro Taques tem uma grande força pessoal, de buscar a captação de recursos, foi uma coisa quase sobre-humana o trabalho que ele fez no final do ano passado para trazer aos cofres públicos do Estado mais de R$ 500 milhões de recuperação de recursos oriundos de incentivos fiscais fraudulentos, e isso é uma diferença.

 

O ex-governador e sua equipe tiveram problemas e foram presos por concessão de incentivos fiscais fraudulentos. Agora, o governo Pedro Taques, especialmente através do Cira [Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos] já conseguiu recuperar mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos ao longo desses anos. Isso mostra a força dele. Na Educação tem entrega, na Secretaria de Infraestrutura tem entrega, a Agricultura Familiar tem muitas entregas, a Caravana da Transformação fez um ótimo trabalho, de três mil atendimentos, houve um olhar social e ele cumpriu o quer disse no sentido de que nenhum mato-grossense iria ficar para trás.

 

MidiaNews -  Mas os servidores públicos têm muito peso na eleição. Esses constantes atrasos nos pagamentos dos salários não podem ser um empecilho, gerar uma "mágoa" que dificulta ao Taques conquistar o voto deles?

 

Marco Marrafon – Certamente o processo foi muito desgastante durante todo esse período. Mas o que é mais importante nisso tudo é que foi conseguido fazer os devidos acordos e a gente tem registrado que os acordos foram cumpridos. Quando se fala da crise da RGA, alguns dizem que no governo passado tinha problemas de corrupção, mas pagava a RGA. Quando houve no governo passado um RGA de 11%? A RGA geralmente acompanha a inflação, sendo que a média passada era inflação de 3% a 4%, às vezes até menos. Mesmo em 2015 foi 6%, parcelou em duas vezes, mas pagou. De repente vem 11%, de um dia para o outro, imprevisível. Isso destrói o orçamento. Veio um pico de RGA que nenhum Governo conseguiria pagar. E a gente teve que dar a notícia, sofreu desgaste, mas no final das contas houve o acordo e o parcelamento. E foi pago inclusive com os retroativos.

 

O servidor público é um patrimônio muito importante e o governador fez um esforço muito grande para cumprir todos os compromissos. Foram cumpridas as leis de carreira. A RGA foi paga parcelada? Foi. Mas foi paga. E mais do que isso: nenhum Estado da federação praticamente pagou. Um ou outro conseguiu pagar uma RGA. Nós pagamos todas. Olhando o contexto nacional e o contexto estadual, é possível mostrar que se houve uma coisa que foi feita foi cumprir os compromissos como servidor.

 

MidiaNews – Como o senhor analisa a possível candidatura do ex-prefeito Mauro Mendes ao Governo? Essa possibilidade desestabilizou o grupo que apoia o Taques?

 

Marco Marrafon – O grupo está muito unido, acho que faz parte os companheiros manifestarem sua opinião, expressar seu olhar crítico até para aprimorar o diálogo e continuar o projeto de transformação. Eu não vejo nenhuma divisão das equipes, o pessoal que trabalhava com o Mauro antes está muito integrado na equipe do Pedro Taques e eu entendo que o relacionamento é muito bom entre todos eles. Aqui mesmo na secretaria temos três secretários-adjuntos que eram da equipe do ex-prefeito.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Marco Marrafon 23-02-2018

"De repente vem 11%, de um dia para o outro, imprevisível. Isso destrói o orçamento. Veio um pico de RGA que nenhum Governo conseguiria pagar. E a gente teve que dar a notícia, sofreu desgaste, mas no final das contas houve o acordo e o parcelamento"

 

Acho que é o momento de conversar, de analisar criticamente a gestão, os desafios a serem superados e fazer uma escolha em prol de Mato Grosso.

 

MidiaNews – Existe alguma possibilidade de o governador descartar a reeleição e tentar o Senado?

 

Marco Marrafon – Eu acredito que não. O projeto agora continua sendo a reeleição do governador. Lógico que a majoritária tem que ser discutida, até porque a gestão tem muito o que entregar e é natural que na eleição seja dada a preferência ao governador Taques.

 

MidiaNews – O ex-governador Julio Campos acusou o senhor de ter inflado o orçamento do Estado no início da gestão, quando o senhor estava na Sefaz, e o senhor rebateu o chamando de “ingênuo”. Houve de fato algum erro no cálculo do orçamento?

 

Marco Marrafon – O que acontecia era um orçamento absurdamente colocado para baixo para fazer uma espécie de fraude contábil, ou seja, coloca o orçamento lá embaixo e depois ficava fazendo decreto de excesso de arrecadação quando não havia excesso. Era uma fraude orçamentária, porque os Poderes precisam fazer o planejamento estratégico em cima do seu orçamento. O que nós fizemos foi estabelecer os duodécimos com base na situação real dos Poderes e normalizar o orçamento. Focaram na questão dos Poderes, mas aquele orçamento que fizemos promoveu estrutura orçamentária para a Secretaria de Educação trabalhar, para a Unemat melhorar seu orçamento, para a Segurança ter R$ 300 milhões de orçamento pela primeira vez. Roubar R$ 1 bilhão do Estado impacta muito mais do que aumento de duodécimo.

 

MidiaNews – O senhor disse no final de 2016 que planejava investir R$ 100 milhões em obras em 2017. Foi possível?

 

Marco Marrafon – Foi sim, apesar de nos últimos três anos não termos recebido nenhum recurso novo para obras, tudo que era feito antes era por recursos do FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação]. O maior orçamento histórico para obras era de R$ 70 milhões. A gente conseguiu R$ 180 milhões para 2017, considerando os convênios e o orçado previsto. Quando eu assumi a secretaria me diziam que não iria caber o aumento da educação não caberia no orçamento da educação. E coube. Com gestão, não oneramos mais o Tesouro. Nós aumentamos, em 2017, 88% o repasse estadual com merenda, em muitas escolas a merenda é de primeira linha. Nós entregamos 22 escolas, revitalizamos 150. Mais de 70 Postos de Transformação, fazendo com que 3500 alunos que estudavam no calor agora possam estudar em um ambiente climatizado. Foi um ano de muitas conquistas nas obras, nos investimentos e na gestão interna da secretaria.

E conseguimos cumprir o aumento de 23% no transporte escolar. Ficou mais de seis anos antes da gestão sem reajuste no transporte escolar. Tem muita coisa que foi feita e que a população não vai deixar voltar atrás.

Roubar R$ 1 bilhão do Estado impacta muito mais do que aumento de duodécimo

 

MidiaNews – No final de janeiro, o promotor de Justiça Mauro Zaque emitiu uma recomendação para o senhor suspender as contratações temporárias e fazer concurso, pois haveria um benefício aos temporários em detrimento dos concursados. A secretaria acatou a recomendação?

 

Marco Marrafon – Os contratos temporários são absolutamente necessários para a secretaria, porque a gente não consegue trabalhar nem fazer esse volume de entrega com a demanda que nós temos de trabalho, especialmente aqui, que temos muitas escolas para reformar e ainda há muito o que fazer. As equipes de temporários têm ajudado a gente a atingir os objetivos, ou seja, a gente tem algumas dificuldades, mas já fizemos um grande processo de substituição. Dedicamos todo o ano de 2017 a fazer o concurso para poder diminuir o número de temporários e também agora no ano de 2018 já fizemos o pedido para ser verificada a possibilidade de concurso dentro do contexto orçamentário do Estado.

 

Como tinha muita obra parada, tivemos que contratar arquitetos e engenheiros para refazer todos os projetos, porque há uma super demanda de obras que estamos tentando atender e isso gera uma contratação do tipo excepcional. Se você tem uma demanda excepcional, não pode fazer uma contratação permanente, senão você vai onerar demais o Estado. E isso foi colocado na nossa resposta e estamos muito atentos a cumprir todas as diligências.

 

A gente respeita a recomendação, vamos cumprir integralmente o plano de providências que foi determinado, temos feito um esforço bastante forte para poder cumprir e manter os serviços da secretaria e também um permanente diálogo. A ideia é que vamos cumprir 100% a notificação do Ministério Público.

 

MidiaNews -  Em relação às obras iniciadas pelas empresas envolvidas no esquema de fraudes em licitações e propinas da Operação Rêmora, em que pé estão? Foram feitas novas licitações?

 

Marco Marrafon – Todos os processos licitatórios foram rescindidos, foram abertos processos de investigação, encaminhados todos os documentos aos órgãos de controle e foram relicitados. Todos foram relicitados, as obras começaram e as empresas que estavam aptas a participar puderam participar. Fizemos mais de 100 licitações na Seduc em 2017, 50 voltadas às obras, mas também para materiais, consumo interno. Uma licitação envolve mais de 50 pessoas, desde o início da cotação de preço até a formulação do objeto do termo de referência, parceiros jurídicos que vão e vem, comissão permanente de licitação. Estamos tendo um olhar muito atento em cada fase, por mais difícil que seja um controle absoluto.

 

A política de prevenção e de combate à corrupção que implantamos aqui dentro dá resultados. Estamos instalando a cultura da administração ética. Depois que implantamos, alguns servidores me falaram que até quando atravessam a rua fora da faixa se sentem mal. É assim que você combate a corrupção da melhor maneira.

 

MidiaNews -  As empresas que participaram desse esquema vão ser punidas administrativamente?

 

Marco Marrafon – Nossa responsabilidade é tocar o processo administrativo dentro do devido processo legal. A Controladoria Geral do Estado está ouvindo todo mundo, temos avançado com o processo, mas toma um tempo, infelizmente, mas está avançando bastante. Algumas das empresas já conseguimos declarar inidôneas para contratar. Paralelo a isso, os órgãos de controle como Ministério Público e Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) estão levando para frente a investigação nas áreas de improbidade e criminal.

 

O que atrasou um pouco é que quando fazíamos as novas licitações, apareciam praticamente só as empresas envolvidas na Rêmora. Nós consultamos o Ministério Público e eles falaram que não podíamos impedir elas de participar, porque não foram condenadas. O que podemos fazer é controlar e agir com rigor. Então começamos a divulgar muito, o que aumentou a competitividade e mais empresas passaram a participar. Mas das empresas da Rêmora, apenas três continuam com contratos, mas não nas obras alvos da investigação.

 

MidiaNews – De um modo geral, qual o balanço que o senhor faz do que mudou na Educação do início de sua gestão até agora, tanto no aspecto de estrutura quanto na qualidade de ensino que é oferecida atualmente?

 

Marco Marrafon – No eixo do ensino, no início da gestão tínhamos quatro escolas plenas, agora temos 14 mais a Arena da Educação. Iniciamos o ano letivo com 39 e até março vamos fechar com 40 escolas integrais no Estado. Isso é um avanço muito grande em termos de aprendizagem, temos resultados fantásticos. A Escola Rafael Rueda, do Pedra 90, teve zero ato infracional em 2017, sendo que esse índice era muito alto nos anos interiores. A Escola José de Mesquita teve 96% de aprovação com a aprendizagem. A Escola João Sato, que é plena, tinha evasão de 40% e caiu para 1,5%. Não começamos em condições ideais, mas fomos reconstruindo, melhorando as escolas ao longo do tempo. Reestruturamos o processo de formação, buscando mais os dilemas práticos de sala de aula do profissional da educação, para fazer uma formação voltada aos problemas que ele vive no dia a dia.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Marco Marrafon 23-02-2018

"No sistema de obras, levamos 150 revitalizações no início do ano, 20 escolas entregues só em 2017, mais de 35 reformas de grande porte, 70 Postos de Transformação, 22 quadras, e o programa está avançando"

 

Implantamos o programa Anjos da Escola, que melhorou a ambiência de segurança. Trouxemos o programa Esporte Transforma, junto com a secretaria-adjunta de Esporte, fazendo as escolinhas de esporte para as escolas não-integrais, em que o estudante recebe uma bolsa do Estado e ele tem que ter presença e boas notas no colégio para continuar na escolinha. São muitos projetos transformadores. No eixo de tecnologia, trouxemos o aplicativo Mira Aula, que faz o registro de frequência, mais de 200 escolas aderiram, o professor faz uma chamada digital e o pai e a mãe recebe mensagem caso o aluno não chegue na escola.

 

Trouxemos o pró-escola digital, que para mim é um dos grandes programas que vai garantir igualdade de oportunidade a custo zero para a secretaria, porque ele é uma plataforma de controle educacional. Se você assistiu uma aula e não ficou satisfeito com o que aprendeu sobre eletricidade, você vai achar uma aula de um grande professor do Brasil ou do Mundo sobre aquele tema para você fazer o reforço. Isso vai garantir aos filhos dos trabalhadores as mesmas condições dos alunos de extratos sociais mais elevados.

 

No sistema de obras, levamos 150 revitalizações no início do ano, 20 escolas entregues só em 2017, mais de 35 reformas de grande porte, 70 Postos de Transformação, 22 quadras, e o programa está avançando. E também o programa de valorização do profissional da educação. É triste dizer que nenhum Estado conseguiu cumprir o que nós fizemos, já houve aumento salarial de mais de 44%, está chegando a 48% agora, contando a RGA mais o aumento real acima de 23%.

 

A gente também colocou núcleo de qualidade de vida, já são mais de 10 núcleos no interior, Juara, Juína, Tangará da Serra, Rondonópolis, Barra do Garças... O núcleo é um profissional formado em saúde e segurança do Trabalho e da Educação, para ajudar na autoestima, a debater os dilemas de sala de aula, dar apoio, ensinar alinhamento postural. Fizemos a academia do servidor, implantamos o programa Saúde na Educação, com médico para evitar doenças crônicas nos profissionais da rede estadual de ensino. Por isso digo que se fizermos um diálogo racional, mostramos que a gente cuidou muito dos servidores, especialmente dos servidores da Educação.

 

MidiaNews -  Isso teve reflexo nos índices de educação em Mato Grosso? Porque os últimos dados do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), relativos a 2015, mostraram que Mato Grosso avançou, mas continuou abaixo da meta...

 

Marco Marrafon – Em 2017 saiu o Índice de Competitividade dos Estados, e um dos itens é a Educação, e a nossa evasão escolar foi a terceira que mais melhorou no Brasil inteiro. Uma das alunas da escola plena de Rondonópolis foi a primeiro colocada na Olimpíada Brasileira de Física. A Clara Vaz, da Escola Zelia Almeida, representou o Brasil na ONU. A escola da Arena venceu o concurso de redação da Copa Verde. Um estudante da rede pública de Chapada dos Guimarães passou em Medicina na Rússia. São várias conquistas e estamos na expectativa de uma melhora no Ideb.




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Marcio de Natal  01.04.18 14h14
Um dia ouvi dizer que ganhava eleição sem ajuda de servidor público. Então pra que se preocupar kkkkk 2018 chegou!!! Inclusive o nobre secretário acha que vai ganhar só por causa do concurso de fachada kkkkk esqueceu que tem os classificados que são maioria contra. Só ai o Secretário e o Governador já perde 50 mil votos kkkkk Aguarde!!!!
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batista  27.02.18 11h37
Vi um comentário de uma pessoa falando sobre servidor público. Que o Estado não é só servidor público. Verdade. O estado não é só servidor público, mas é quase só servidor público. O que esse EStado tem é servidor público: o servidor público da saúde que faz de tudo para atender o cidadão mesmo com todas as sacanagens que o Governo faz nas licitações de medicamento, nas sacanagens nas OSS, o servidor público sa esduação que se esforça para fazer com que o estado de ensino público e de qualidade para seus filhos, o servidor público da segurança pública que morre ai nas ruas tentando garantir a segurança e ordem para sua família. Despois so servdidor público vem o agronegócio que é tec, é pop, mas não tá nem ai para contribuir com recursos para melhorar a situação do Estado. Quanto a situação relatada pelo secretário de educação eu tenho até pena dele.
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gaspareto silva  26.02.18 15h22
Qual aumento que foi dado? RGA é correção.
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Jose Maria  26.02.18 13h28
Agro é pop, Agro é isento, Agro é tudo (menos contribuir com impostos). Enquanto isso o seu já vem em folha parceiro!!!
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José Gonçalves  26.02.18 13h00
O estado de MT é celeiro de funcionalismo publico, parece que não existe outra coisa para se preocupar, a gente entra nessas redes sociais e só se fala em funcionalismo publico, o cidadão não pode ficar refem dessa classe, quem não estiver contente pega o boné e cai fora....Até parece que no estado do MT a saude publica, a educação e a segurança estão uma maravilha, vamos cair na real....O estado de MT não é só funcionalismo publico, vamos cuidar do estado da sua população.
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