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Entrevista da Semana / LEI TRABALHISTA
22.07.2017 | 19h31
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"Reforma é avanço; críticas são factoides da esquerda"

Presidente de entidade que reúne lojistas de shoppings, Junior Macagnan aprova nova legislação

Alair Ribeiro/MidiaNews

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Júnior Macagnan, presidente da Unishop (União dos Lojistas de Shoppings Centers de Mato Grosso)

KARINA CABRAL
DA REDAÇÃO

Defensor do livre mercado e crítico ferrenho do peso do Estado sobre a iniciativa privada, o presidente da Unishop (União dos Lojistas de Shoppings Centers de Mato Grosso), Júnior Macagnan, comemora a aprovação da Reforma Trabalhista do Governo Michel Temer (PMDB).

 

Sobre as críticas, segundo as quais a reforma deixará o trabalhador desamparado, Macagnan é taxativo ao afirmar que são posicionamentos políticos, contaminados pelo viés ideológico da esquerda.

 

“É mais um factoide criado pela esquerda, da mesma forma que eles foram contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra a privatização da telefonia... E tudo isso é política. Não é o dia a dia de quem vive a empresa e sabe realmente o que está acontecendo”, afirmou em entrevista ao MidiaNews.

 

As novas regras foram aprovadas pelo Senado no dia 11 de julho e entrarão em vigor em novembro.

 

Durante a entrevista com o MidiaNews, Macagnan falou sobre a Reforma Trabalhista, como ela foi recebida pelos comerciantes, a Reforma Tributária e o que ela pode trazer para Mato Grosso e ainda avaliou o cenário político nacional e estadual.

 

Confira principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – No dia 11 de julho a Reforma Trabalhista foi aprovada em meio a muitas críticas dos sindicatos. O setor do comércio de Cuiabá está satisfeito?

As nossas leis trabalhistas foram baseadas, há 77 anos, nas leis trabalhistas da Itália, feitas por Mussolini, que foi um dos maiores, senão o maior, fascista do mundo

 

Júnior Macagnan - As nossas leis trabalhistas foram baseadas, há 77 anos, nas leis trabalhistas da Itália, feitas por Mussolini, que foi um dos maiores, senão o maior, fascista do mundo.

 

Então agora, essa reforma vem de encontro ao que a gente esperava. É um pedido de muito tempo do setor produtivo - e setor produtivo eu falo de comércio, indústria, agronegócio, não somente como aqui em Mato Grosso, que muitas pessoas se referem como setor produtivo só o agro.

 

MidiaNews – Qual foi o grande avanço que o senhor pôde observar nesta reforma?

 

Júnior Macagnan - Hoje o negociado vai valer mais do que o legislado, e isso é importante porque o acordo entre as partes vai estar valendo. Logicamente que vai ter a obrigatória participação do sindicato.

 

Outro ponto importante que eu acho é o fim do imposto sindical obrigatório, que criou no Brasil essa distorção de 17 mil sindicatos, sindicatos de pastas de aluguel. Então agora os sindicatos, para sobreviverem, vão ter que mostrar serviço aos seus associados.

 

MidiaNews – O senhor avalia que exista “picaretagem” em alguns sindicatos?

 

Júnior Macagnan - Eu não posso dizer picaretagem, mas o Brasil tem 17 mil sindicatos. Países tão evoluídos quanto o Brasil não chegam a mil, 800. Então tem muito sindicato de pasta.

 

Logicamente existem excelentes sindicalistas. Aqui em Mato Grosso temos vários exemplos. Mas agora vão ter que mostrar serviço para que a sua base contribua.

 

A mesma coisa tem que ser feita com partidos políticos. O político, presidente, diretoria, vão ter que mostrar serviço para que as pessoas agreguem, comecem a frequentar e façam campanha.

 

MidiaNews – Haverá uma seleção natural dos sindicatos?

 

Júnior Macagnan - Com o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, com certeza.

 

MidiaNews – Existe uma crítica de que o trabalhador estará mais desamparado em seus direitos a partir de agora. Qual o ponto de vista do senhor sobre esse aspecto?

 

Júnior Macagnan - Essa modernidade na legislação é muito baseada em países desenvolvidos como o Estados Unidos, Canadá, Austrália e países da Europa. E a gente não vê essa coisa de escravidão em países desenvolvidos.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Junior Macagnan

"Hoje o negociado vai valer mais do que o legislado"

Na realidade, [a crítica] é mais um factoide criado pela esquerda, da mesma forma que eles foram contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra a privatização da telefonia... E tudo isso é política. Não é o dia a dia de quem vive a empresa e sabe realmente o que está acontecendo.

 

MidiaNews – Havia alguns detalhes da antiga lei trabalhista que não faziam sentido, porque podiam desagradar tanto o patrão quanto o empregado. Como o caso do horário de almoço, que agora pode ser de meia hora desde que as partes concordem. Como vê essa mudança?

 

Júnior Macagnan - Hoje, se a pessoa quiser almoçar meia hora e sair meia hora mais cedo, ela vai poder. Antes não poderia. Se houvesse alguma denúncia - não somente das partes envolvidas, mas de terceiros -, o Ministério Público do Trabalho ia agir em cima da empresa.

 

Há muitos avanços nessa lei. O turno de 12 horas de trabalho por 36 de descanso, que informalmente já é praticado em algumas categorias, foi legalizado. Então a gente sente que realmente houve avanços.

 

MidiaNews – Outra mudança bastante falada foi a possibilidade de uma demissão em comum acordo, em que o trabalhador pode retirar 80% do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Os defensores da reforma dizem que antes havia o chamado “jeitinho” brasileiro, em que patrão e empregado simulavam uma demissão sem justa causa para que o funcionário recebesse o FGTS e devolvesse os 40% para o patrão. A tendência agora é essa "gambiarra" acabar?

 

Júnior Macagnan - Realmente a gente ouve que existem esses casos de acordo de demissão. A reforma vai justamente acabar com isso. Inclusive trazendo benefícios para o próprio funcionário, que não está satisfeito com o local de trabalho, muitas vezes fica fazendo corpo mole, digamos assim, até o seu empregador propor um acordo.

 

E eu acho que isso vem para beneficiar os dois lados, porque um não vai ficar fazendo corpo mole para ser demitido. Vai ser uma relação mais clara.

 

MidiaNews – O senhor acha então que é benéfico? Acabar com esse tipo de acordo?

 

Júnior Macagnan - Na verdade existia um acordo informal: “Você faz de conta que me demite, eu vou lá, saco o FGTS, saco a multa [de 40%] e te devolvo”. E isso aí, com essa nova lei, vai acabar e vai ficar legalizado. Então tudo que vem pra legalizar é muito interessante e muito importante.

 

MidiaNews – Há algo que a parte empresarial reivindicava e que não entrou nessa reforma? Há algo que faltou? Que precisa melhorar?

 

Júnior Macagnan - Eu acho que não. Acho que é uma grande evolução. E a partir desse momento vai se construindo uma nova relação trabalhista. Eu espero que daqui três, quatro, cinco anos, ela seja revista, porque nenhuma lei é estanque, o País não é mais estanque.

 

Você vê que a própria França, que era o País rei dos benefícios trabalhistas, está mudando. Hoje o presidente Emmanuel Macron foi eleito maciçamente e a primeira proposta dele foi justamente fazer uma reforma trabalhista profunda.

 

Nada é estanque, o processo é dinâmico. A gente acredita que daqui três, quatro, cinco anos, isso não está livre de ser revisto.

Nada é estanque, o processo é dinâmico, a gente acredita que daqui três, quatro, cinco anos, isso não está livre de ser revisto

 

MidiaNews – A nova legislação entra em vigor em novembro. O senhor acha que poderá ter reflexos positivos já nas contratações temporárias de Natal?

 

Júnior Macagnan - Isso é o que a gente espera. Na verdade, quando a esquerda critica a lei, em nenhum momento ela se refere aos 14 milhões de desempregados que o Brasil possui.

 

E a gente espera que com essa lei e com a Reforma Tributária que o Governo Federal - através do deputado relator Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) -, as empresas voltarão a acreditar, voltarão a investir, gerando emprego, gerando renda. E gerando renda há consumo e, havendo consumo, há produção. Aí o Brasil começa realmente a deslanchar.

 

MidiaNews – A propósito, depois dois anos de Natal ruim para as vendas no comércio, qual é sua expectativa para 2017?

 

Júnior Macagnan - Nós tivemos 3,8% de queda no PIB no ano passado, 3,9% no ano retrasado. E nesse ano as previsões são de 0,5% de crescimento. Apesar de todas essas turbulências políticas, a parte econômica do Governo aparentemente está funcionando bem.

 

A aprovação da Reforma Trabalhista, a inflação em torno de 4%, a expectativa da taxa Selic em 8% até dezembro... Isso vai gerando um otimismo e vai fazer com que o nosso Natal seja realmente melhor que o de 2015 e 2016, porque estes foram anos muito difíceis.

 

MidiaNews – Nos últimos meses houve uma onda de lojas fechando, seja nos shoppings, seja na região central de Cuiabá. Senhor avalia que essa tendência vai se manter ou o pior já passou?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Junior Macagnan

"Quando a esquerda critica a lei, em nenhum momento ela se refere aos 14 milhões de desempregados que o Brasil possui"

Júnior Macagnan - No ano de 2016 foram fechados 186 mil estabelecimentos comerciais no Brasil. E só no Estado de Mato Grosso foram 3,3 mil. Já em 2017 está havendo um crescimento na abertura de empresas.

 

Então, quando nós andamos nos shoppings, percebemos que tem lojas fechando, mas essas lojas estão sendo repostas, inclusive com novas franquias. Na realidade esse declínio, esse fechamento de lojas, praticamente já estancou no ano de 2017.

 

Basicamente houve as trocas por problemas de gestão, problemas de marcas, mas as lojas estão sendo repostas em curto prazo.

 

MidiaNews – O senhor acredita que o fechamento de lojas mais antigas seria por falhas na gestão?

 

Júnior Macagnan - Pela gestão, carga tributária ou outros fatores. Muitas vezes eu sou um excelente operador, mas o meu franqueador não é dos melhores. Ele acaba quebrando lá em São Paulo, digamos assim, e eu sofro a consequência aqui.

 

Isso é um processo da dinâmica do mercado. Com crise ou sem crise, acontece isso. Muitas vezes as pessoas escolhem uma franquia e não fazem uma pesquisa devida. Então acabam pegando uma empresa que já não está em seus melhores momentos. Isso aí é do mercado.

 

MidiaNews – Recentemente, o senhor fez uma crítica à abertura de um novo shopping em Cuiabá, como o que está sendo construído na Avenida Miguel Sutil. O senhor acha que essa abertura vai trazer problemas para os lojistas em geral?

 

Júnior Macagnan - Não foi uma crítica. O que eu coloquei foi o seguinte: os lojistas não estavam no seu melhor momento para investimento. Mas o shopping tem que abrir e os outros shoppings têm que se preparar para fazer o seu melhor.

 

Porque, o que existe hoje na Grande Cuiabá? Nós temos quatro shoppings centers e o número de lojas fechadas deles somadas dá um shopping inteiro. Então os que estão aí têm que fazer a sua parte, melhorar seu mix, seu atendimento, sua prestação de serviço, para tentar sobreviver. Porque a lei do mercado é cruel. Vão sobreviver os melhores. 

 

MidiaNews – O senhor pode fazer uma análise do momento econômico das lojas do shopping de Cuiabá e a perspectiva de futuro?

 

Júnior Macagnan - O pior momento foram os anos de 2015 e 2016. Pelo menos já chegamos no fundo do poço, digamos assim. Então agora a gente só pode ir pra cima.

 

Os shoppings têm feito a sua parte, cada um buscando seu nicho no mercado. Não adianta todos disputarem o mesmo cliente, porque Cuiabá e Várzea Grande ainda são cidades médias, não são megacidades.

 

Cada shopping tem que buscar seu nicho, buscar seu público-alvo e trabalhar dentro dele. E cabe também ao lojista fazer sua parte, fazer planejamento, preparar equipe, estar mais participativo no ponto de vendas, acompanhar mais o seu negócio e daí ir pra luta, cada um fazendo o seu melhor.

 

MidiaNews – E o senhor vê que os shoppings têm feito esse trabalho de definir o seu público?

 

Júnior Macagnan - É um processo novo, de um, dois anos, para cá. Mas parece que isso tem sido feito. Cada um procurando seu nicho e tentando agregar, até porque o novo player que está vindo aí [BR Malls] é um concorrente muito forte. É a maior rede de shoppings centers do Brasil. Então não veio para brincar, é melhor a turma se preparar mesmo.

 

MidiaNews – Quais as grandes empresas que estão vindo junto com o novo shopping?

 

Júnior Macagnan - Eles estão anunciando a Livraria Cultura, o [restaurante] Outback, que é um sonho dos cuiabanos, uma academia que não tem em Cuiabá. O cinema é uma rede que também não existe aqui, apesar de que hoje cidade está bem servida.

 

MidiaNews – Como estão as discussões sobre a Reforma Tributária do Governo Taques? O setor voltou a conversar sobre o tema?

Nós temos quatro shoppings centers e o número de lojas fechadas deles somadas dá um shopping

 

Júnior Macagnan - Nós tivemos várias reuniões no ano de 2016. Em 2017, o trabalho está sendo interno na Secretaria da Fazenda. E no momento estamos esperando ser chamados para que façamos novas reuniões setoriais.

 

Agora o que eu vejo: o Governo Temer vai propor uma Reforma Tributária nacional, que já estava na mão do relator Luiz Carlos Hauly - inclusive quero trazê-lo a Cuiabá, para que ele faça uma palestra sobre o tema junto à CDL [Câmara de Dirigente Lojistas].

 

Nós vivemos em 2016 o trauma do Decreto 380 [que mudava a cobrança de ICMS], que ficou um ano como se fosse uma faca no pescoço da maioria dos empresários. Até que o Governo o revogasse.

 

Agora, para não ser traumático, é melhor esperar a aprovação da Reforma Tributária nacional. E, a partir daí, começa-se a discutir a Reforma Tributária estadual.

 

Porque corremos o risco de fazer uma Reforma Tributária estadual e aí vir a federal e nos obrigar a mudar tudo de novo. Isso não é uma coisa simples. Envolve sistemas, envolve processos, envolve uma gama enorme de alterações dentro da empresa.

 

Então nós estamos pedindo ao Governo do Estado que aguardemos a Reforma Tributária federal para que, a partir daí, façamos a estadual.

 

MidiaNews – A carga tributária é um fardo muito pesado para o empresário, não é mesmo?

 

Júnior Macagnan - Hoje a carga tributária do Brasil está perto dos 40%. O que o Brasil precisa é de menos impostos, menos Estado, mais liberdade, mais desenvolvimento e mais emprego. 

 

A carga tributária é o grande entrave para o desenvolvimento do Brasil, um Estado grande. Aliás, quanto maior o Estado, mais corrupção vai haver. A gente defende um Estado menor, mais enxuto, mais focado em ajudar o desenvolvimento, em oferecer educação, saúde e segurança.

 

Deixe a iniciativa privada fazer o resto. A história mostrou que a iniciativa privada é muito mais competente que o Estado. Vide a privatização da telefonia.

 

Essa semana o ex-presidente Lula falou: “A classe média tem vergonha da empregada possuir telefone”. Poxa, mas ele foi contra a privatização da telecomunicação. Será que se as telecomunicações fossem estatais até hoje, todo mundo teria acesso a telefone como temos agora? 

 

Eu sou de uma época em que para conseguir um telefone fixo, você tinha que ficar três, quatro meses na fila da Telemat. Havia pessoas que viviam de aluguel de linha de telefone. E isso era normal. Na maioria dos casos, a privatização tem avançado em relação ao poder estatal.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Junior Macagnan

"O que o Brasil precisa é de menos impostos, menos Estado, mais liberdade"

MidiaNews – O senhor foi um dos líderes, em Cuiabá, de um movimento contra a corrupção e pela derrubada da presidente Dilma Rousseff.  Porém, em seu lugar, entrou um presidente que agora é acusado de corrupção. Como o senhor vê essa transição e o Governo de Michel Temer, que é o primeiro presidente da história denunciado por corrupção?

 

Júnior Macagnan - No dia 27 de agosto o movimento “Vem Pra Rua” vai promover no País uma marcha contra a impunidade e pela renovação na política. Aqui em Cuiabá nós estamos fazendo reuniões para saber se vamos participar.

 

Estivemos ativos no TSE [Tribunal Superior Eleitoral] pressionando os ministros para que votassem pela cassação da chapa Dilma/Temer.

 

O movimento continua, o movimento não parou. O que a gente sente é que, com a melhora na economia, muitas pessoas deixaram de se preocupar com a crise política.

 

Quanto ao presidente Michel Temer, nós estivemos no TSE, pedimos que a chapa fosse rejeitada. Por que não estamos no Fora Temer? Porque há denúncias que não foram comprovadas. E estamos a um ano da eleição, o processo de impeachment seria longo, levaria um ano, um ano e pouco para fazer, como foi o da presidente Dilma. E isso aí já desembocaria na eleição de 2018.

O movimento continua, o movimento não parou, o que a gente sente é que com a melhora na economia, muitas pessoas deixaram de se preocupar com isso

 

Então a gente está justamente nessa ida à rua pedindo o fim da impunidade, que julguem o presidente Temer como tem que ser julgado. O pedido de investigação vai agora para o plenário para ver se aprova que ele seja processado. Vamos esperar. Não temos bandido favorito.

 

MidiaNews – A economia parece estar se descolando da política. A sensação é que Temer caindo ou não caindo, se as reformas continuarem, a economia segue o seu caminho. O senhor também tem essa impressão?

 

Júnior Macagnan - Essa é a impressão. Tanto é que a gente vê na imprensa a articulação para o Rodrigo Maia [presidente da Câmara Federal] assumir a Presidência, já garantindo que vai manter a equipe econômica. Então o que a gente percebe? Que, como disse aquele marketeiro americano, “é economia, seu estúpido”. E realmente a gente percebe que a motivação das pessoas é muito movida pela parte econômica do processo.

 

MidiaNews – No caso de uma queda de Michel Temer agora, como o senhor vê esse movimento por "diretas já"?

 

Júnior Macagnan - Eu sou pela Constituição. A Constituição diz que assume o presidente da Câmara e em 30 dias ele tem que convocar eleições indiretas, via Congresso, para ser eleito o novo presidente. Nós somos pela Constituição.

 

MidiaNews – O senhor acha que uma eleição direta agora atende aos interesses da esquerda para reeleger Lula, por exemplo?

 

Júnior Macagnan - Isso está bem claro. O que eles querem é que antes que o Lula seja condenado em segunda instância e fique inelegível, se faça uma eleição direta. Nas pesquisas ele é favorito, mas também o índice de rejeição dele é muito alto. E nessas pesquisas 70% estão indecisos. Na realidade a eleição está muito aberta. Lula tem lá os 30% que o PT sempre teve.

 

MidiaNews – Recentemente o Governo do Estado acabou cedendo em relação ao pagamento da RGA [Revisão Geral Anual] aos servidores públicos e já anunciando o percentual para 2018. Como o senhor, como empresário, viu essa negociação?

 

Júnior Macagnan -  Quanto à RGA, acho que está no direito do funcionário requisitar. Porém, o que eu senti que mais pegou, que mais causou essa revolta das partes, foi a forma como isso foi negociado.

 

Acho que faltou um pouquinho de habilidade política do governador do Estado, para ele conduzir de uma melhor forma essa negociação da RGA.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Junior Macagnan

"Faltou um pouquinho de habilidade política para ele conduzir de uma melhor forma essa negociação da RGA"

MidiaNews – E pagando a RGA, para vocês também é bom, porque é mais dinheiro no mercado. 

 

Júnior Macagnan - É. Quanto mais dinheiro circular na cidade, melhor vai ser para o comércio. Sobre isso não tenho dúvida nenhuma.

 

MidiaNews – O senhor pode fazer uma avaliação do Governo Taques? O que está achando e qual a perspectiva para 2018?

 

Júnior Macagnan - A gente está praticamente finalizando o terceiro ano de gestão e eu acho que o Governo tem que parar de olhar para o retrovisor, começar a fazer entregas e mostrar para a sociedade para o que veio. Começar a dizer: “Fizemos tal obra, fizemos tal coisa”. Porque ele tem um problema crônico na saúde, ele tem um problema sério de rejeição com os funcionários públicos.

 

E agora para 2018, até o momento, ele é franco-favorito, até porque não foram colocados outros candidatos. Vamos aguardar os próximos acontecimentos.

 

MidiaNews – Olhar para o retrovisor é citar demais o Governo Silval?

 

Júnior Macagnan - Quando falo para o Governo olhar para frente, não quer dizer que temos que esquecer o passado, até porque o Poder Judiciário está fazendo a sua parte.

 

Eu acho que, quando você assume um governo, no primeiro ano você até tem recordações da gestão passada, mas a partir de então você tem que olhar para frente. A gente não consegue evoluir, desenvolver, se nós ficarmos o tempo inteiro olhando o retrovisor.

 

O parabrisas do carro é muito maior que o retrovisor justamente para que a gente olhe pra frente. Eu acho que é o momento de olhar pra frente, começar a fazer as entregas. Acho que o Governo tem que entregar obras, mostrar realmente a que eu veio.

 

MidiaNews – Como o senhor vê a questão dos grampos?

 

Júnior Macagnan - Os grampos têm que ser investigados, até porque o direito à vida, direito à liberdade e direito à privacidade, esses direitos são sagrados e foram violados. Comenta-se que tem muito mais do que foi mostrado até hoje. A gente acredita que tem que ser apurado, doa a quem doer.

 

MidiaNews – Acha que o governador pode estar envolvido ou gente próxima a ele?

 

Júnior Macagnan - Vamos ver o que vai dar a investigação. Espero que o MP não arquive e continue a investigação.

Direito a vida, direito a liberdade e direito a privacidade, esses direitos são sagrados e foram violados

 

MidiaNews – Recentemente o senhor se filiou ao PSDB e depois se desfiliou. Como foi essa sua passagem pelo partido? Existia uma perspectiva de candidatura e houve uma fritura?

 

Júnior Macagnan - Eu fui convidado por amigos para me filiar ao PSDB e até aquele momento não existia uma perspectiva de candidatura. Na realidade eu me filiei ao PSDB, fiquei um ano, mas nunca participei do partido.

 

Chegou em julho do ano passado e eu achei melhor me desfiliar e ficar no “vamos escolher um partido mais pra frente”.

 

Realmente tenho recebido incentivo de muitos amigos para postular uma candidatura, mas não sei se esse é o momento. Acho que muitas vezes a gente, até como sociedade civil, pode contribuir mais até do que como parlamentar.

 

MidiaNews – Caso entre na política, qual seria um cargo que o senhor disputaria e por qual partido?

 

Júnior Macagnan - Eu nunca pensei em um cargo, mas estou analisando um partido novo, que foi criado recentemente, o Podemos.

 

Eles têm a pré-candidatura do senador Álvaro Dias ao Palácio do Planalto. Uma pessoa que passou pela Lava Jato, passou pelo Mensalão, passou por Governo, já foi senador, governador, prefeito e até o momento nunca houve nenhuma denúncia, uma mácula em sua História. Talvez seja uma pessoa a se analisar.

 

Acredito que a saída seja pela política. Não adianta nós demonizarmos a política, porque a saída é por ela, não tem outra saída. Ou é pela política ou é pela porrada, pela ditadura. Então nós temos que fazer essa saída política, não tem jeito.

 

MidiaNews – O senhor acredita que a sociedade também está pecando em não cobrar melhorias no Governo?

 

Júnior Macagnan - Nós temos que, como empresários, fazer a nossa parte e continuar pressionando. Essa manifestação do dia 27 de agosto é contra o fundo partidário, porque querem elevar o fundo partidário em mais R$ 3 bilhões e querem fazer uma reforma política como se fosse o “distritão”. Isso vai levar a uma pequena renovação do Congresso.

 

Na nossa opinião, como movimento, isso é porque a maioria dos deputados federais são presidentes dos partidos em seus Estados. O fundo partidário vai vir, vai cair na mão dele e muito provavelmente ele vai ser reeleito.

 

E nós, como Movimento Vem Pra Rua, defendemos a renovação política. Achamos que se o candidato quer fazer política, ele que vá pedir dinheiro para os amigos, apoios.

 

Nós temos que voltar à velha política do político que realmente está na rua, está presente, assumindo posições, mostrando quem ele é. Eu acho que o Brasil tem essa oportunidade nesse momento.

 

Agora com o fundo partidário de R$ 3 bilhões na mão dos presidentes dos partidos locais, dificilmente vai haver essa renovação que a gente espera.

 

 

 




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CARLOS   26.07.17 12h03
CARLOS , seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Prof. Dr. Haroldo Arruda Junior  22.07.17 22h29
Excelente entrevista. A reforma trabalhista é a salvação para os 14 milhões de desempregados.
16
25
Jair  22.07.17 21h17
Jair, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas

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