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Você aprova ou desaprova o início da gestão Emanuel Pinheiro?

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Entrevista da Semana / DESEJO TUCANO
15.10.2016 | 20h04
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“Quero fazer o melhor mandato da minha vida”, afirma Wilson

Candidato à Prefeitura de Cuiabá se diz mais experiente e confiante na vitória no 2º turno

Ednilson Aguiar/MidiaNews

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O candidato a prefeito, Wilson Santos (PSDB), ele diz que irá vencer segundo turno na Capital

AIRTON MARQUES
DA REDAÇÃO

Apostando na experiência de ter comandado a Prefeitura de Cuiabá por quase seis anos, o candidato Wilson Santos (PSDB) chega ao segundo turno das eleições confiante de que vai vencer.

 

Mesmo com os índices de rejeição chegando aos 40%, o tucano viu nos 81.531 votos recebidos no primeiro turno uma grande chance de voltar ao comando do Alencastro e cumprir sua expectativa pessoal de fazer um mandato melhor do que aqueles conquistados em 2004 e 2008.

 

“Agora vou ter a parceria do governador Pedro Taques. Também fui deputado federal, conheço os caminhos e portas de Brasília (DF). Vou procurar os onze deputados da bancada federal, os 25 estaduais. Acredito que Deus vai nos iluminar. Quero fazer o melhor mandato da minha vida. Estou muito animado, pela maturidade, vivência e experiência. Pelos parceiros excepcionais que eu tenho. Estou muito confiante”, afirmou.

 

Acredito que Deus vai nos iluminar. Quero fazer o melhor mandato da minha vida. Estou muito animado, pela maturidade, vivência e experiência. Pelos parceiros excepcionais que eu tenho

Em entrevista exclusiva ao MidiaNews, o tucano apontou que seu adversário, Emanuel Pinheiro (PMDB), não tem a experiência para comandar a Capital, principalmente neste momento de recessão econômica. Além disso, Wilson afirmou que o peemedebista não está com as melhores companhias.

 

“No grupo deles, desvio de conduta não é exceção, é regra. De exceção do comportamento ético, nós temos no nosso grupo. Mas, esse comportamento desonesto, de desvio do dinheiro público e de aproveitar os privilégios que a política oferece é regra nesse grupo do 15”, declarou, referindo-se ao número de Emanuel na urna eletrônica.

 

A entrevista com Wilson foi feita na tarde de quinta-feira (13), um dia antes da divulgação da pesquisa Ibope, que o colocava 19 pontos percentuais atrás de seu adversário.

 

Confira os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – O senhor entrou nessa campanha com um alto índice de rejeição e com muitas críticas. A que atribui ter chegado ao segundo turno, mesmo com todas as dificuldades?

 

Wilson Santos – E nós vamos ganhar a eleição. A rejeição nunca foi superior a 50%. Precisamos de 50% dos votos mais um [para ser eleito]. Nosso concorrente também disparou a rejeição. Neste segundo turno, ele saiu de 6% e foi para 25%.

 

É natural isso. Sempre disse que até 25% não é considerado rejeição. É um padrão nacional. Então, sempre tive cerca de 12 pontos percentuais acima dessa média. O que não é nada impeditivo em uma eleição. O candidato Murilo Domingos, em Várzea Grande, venceu uma reeleição com 62% de rejeição.

 

No decorrer da campanha, mesmo com seis candidatos, foi possível mostrar experiência, realizações e preparo. Sempre disse que Cuiabá teria dois turnos e o eleitor cuiabano tem muito cuidado na escolha de seu prefeito. Aliás, é um voto com muito mais cuidado. Muito mais pela razão do que pela emoção.

 

Não discordo que nesse índice há uma confusão entre rejeição e mágoa, por eu ter deixado a Prefeitura. Essa mágoa é porque eu fazia um bom governo. Quando um gestor faz um mau governo, a população quer que ele saia logo, mas comigo era diferente. Vínhamos muito bem aprovados pela população, os cidadãos queriam a conclusão da minha gestão.

 

Com o passar do tempo, dos programas [eleitorais] e, principalmente, dos debates, ficou claro que a população queria um candidato preparado e qualificado no segundo turno, para que pudesse comparar os dois candidatos. Colocar lupa e microscópio e definir qual será o futuro prefeito de Cuiabá.

 

MidiaNews – O quanto de sua ida ao segundo turno pode ser creditada ao governador Pedro Taques, principalmente em razão do discurso conceitual dele, de combate à corrupção e organização da máquina pública?

 

Wilson Santos – Não sou um homem de transferir responsabilidades para os outros. Credito a rejeição à minha vida pública de 30 anos. É natural que alguém que passou pelo cargo do Executivo, como passei cinco anos e três meses, deixe de fazer algumas coisas, discordar e contrariar interesses.

 

Adquiri um crédito com o governador Pedro Taques. Quero que ele pague esse crédito em favor a Cuiabá. Não a mim ou a minha família

Quando deixei a Prefeitura para disputar o Governo [do Estado], disse que a culpa era exclusivamente minha. Aprendi desde criança que o homem deve assumir as responsabilidades por todos os seus atos. Tanto os bons quanto os ruins.

 

Quanto à participação do governador na minha chegada ao segundo turno, ele tem me ajudado muito. Colocado a cara, gravado [para os programas eleitorais] e me acompanhado em reuniões.

 

Debito boa parte dessa votação que tivemos à ajuda do governador e de sua equipe.

 

MidiaNews – Em uma entrevista recente, o senhor disse que tem uma dívida a receber do governador. Esse crédito é pelo desgaste enfrentado na liderança do Governo na Assembleia Legislativa?

 

Wilson Santos – Pela intensidade com que defendi o Governo nesse um ano e meio em que passei na liderança, adquiri um crédito com o governador Pedro Taques. Quero que ele pague esse crédito em favor de Cuiabá. Não a mim ou à minha família, mas me ajudando a retomar e concluir as obras do Rodoanel, a concluir o novo Hospital Pronto-Socorro da Capital, a manter o Hospital São Benedito, a avançar o programa Novos Caminhos.

 

Esse crédito que considero ter com ele, quero que o governador possa devolver a Cuiabá.

 

MidiaNews – Desde o primeiro turno, nós vemos a participação efetiva dos secretários de Estado. Essa participação foi como o esperado pelo senhor?

 

Wilson Santos – Até superou [a expectativa]. O governador se entregou de corpo e alma. O secretariado participou dentro do tempo possível. Dedicou-se e está se dedicando.

 

Então, tudo isso me surpreendeu, pelo empenho e a consciência de grupo que o secretariado demonstrou nessa campanha. Foi uma surpresa agradável.

 

MidiaNews – A campanha do senhor está associando fortemente seu adversário ao grupo do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), a ex-secretários presos, ao prefeito de Sinop [Juarez Costa] e ao ex-presidente da Câmara Federal, deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB). Por que associa Emanuel a esse grupo?

 

Wilson Santos – Acredito que há dois grupos políticos disputando o comando da cidade. Um grupo constituído pelo governador Pedro Taques, Wilson Santos, família Dante de Oliveira, Roberto França, Mauro Mendes e seu secretariado.

 

E outro o grupo, que é representado pelo PMDB em Mato Grosso: Silval [Barbosa], Carlos Bezerra, Valtenir [Pereira]. Esse grupo também tem a deputada Janaina Riva, o ex-deputado José Riva. Não tem como esconder isso. O 15 representa esse grupo. O 45 representa o outro que citei.

 

Está muito nítido para a população que há esses dois grupos distintos e diferentes no trato da coisa pública, disputando o comando da Capital. Um desses grupos irá vencer. Espero que seja o nosso.

 

Ednilson Aguiar/Midia News

Entrevista Wilson Santos

"Está muito nítido para a população que há esses dois grupos distintos e diferentes no trato da coisa pública"

MidiaNews – Então o senhor considera que existe um grupo do bem e um grupo do mal?

 

Wilson Santos Isso quem irá definir é o cidadão, no dia 30 de outubro.

 

MidiaNews  - Em uma eventual vitória de Emanuel, o senhor teme que esse grupo indique secretários e participe da tomada de decisões? É um risco para Cuiabá?

 

Wilson Santos – Às vezes até não indica secretário, mas tem outras formas de influenciar.

 

MidiaNews – De que forma?

 

Wilson Santos – Há inúmeras formas políticas de influenciar. É um grupo que trouxe enormes prejuízos ao Estado. O modelo de gestão é extremamente comprometido, ultrapassado, desonesto com o erário estadual. Não é à toa que um dos principais representantes do grupo [Silval Barbosa] está preso há mais de um ano. No grupo deles, desvio de conduta não é exceção, é regra.

 

De exceção do comportamento ético, nós também temos no nosso grupo. Mas esse comportamento desonesto, de desvio do dinheiro público e de aproveitar os privilégios que a política oferece é regra nesse grupo do 15.

 

MidiaNews – Além desse risco que o senhor ressalta, a eventual vitória de Emanuel significa uma descontinuidade do trabalho realizado pelo prefeito Mauro Mendes (PSB)?

 

Wilson Santos – Sim, é um risco, pois Emanuel nunca foi gestor. Pode fazer da Prefeitura um laboratório.

 

Vai vivenciar a primeira experiência como ordenador de um orçamento tão elevado como o de Cuiabá. É um risco!

 

O prefeito já disse que o município corre o risco de atrasar os salários no ano que vem. Então, não se pode, diante de um cenário de crise como esse, arriscar ou brincar com coisa séria.

 

Eu vivi em um cenário como esse, de enorme crise, e consegui atravessar esse barco até um porto seguro, com firmeza, tranquilidade, dialogando com a sociedade. E terminei o ano pagando quase 17 salários aos servidores e com um superávit superior a R$ 50 milhões, só no primeiro ano de gestão.

 

Ao longo dos outros anos, esse mesmo pulso firme continuou e fui muito mais gestor do que político. Disse muito mais não do que sim. Essa mão de ferro no comando das finanças permitiu que pudéssemos ter construído obras seculares na infraestrutura da cidade. A ETA [Estação de Tratamento de Água] Tijucal, que atende a 120 mil pessoas; a Avenida das Torres, que atende a mais de 100 mil pessoas; o início do Rodoanel, uma obra importante; uma política social fantástica, que elevou expressivamente o desenvolvimento humano da cidade. Fizemos uma revolução silenciosa na educação, em que ganhamos quatro prêmios nacionais.

 

Tudo isso porque agi na Prefeitura mais como um gestor do que como político.

 

Agora, tenho certeza que esse grupo, que está sem o Governo do Estado – despojado do poder há anos -, vai ter na Capital, sem dúvidas, a sua praia e seu porto. Podem ter certeza que vão cometer loucuras.

 

MidiaNews – O senhor fala da falta de experiência de Emanuel no Poder Executivo, mas nós temos o exemplo do governador Pedro Taques, que assumiu o Estado também sem nunca ter exercido um mandato de gestor.

 

Wilson Santos – Isso é verdade. No entanto, o gestor Taques tem ao lado dele Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin. E Emanuel tem o Silval, o Riva, a Janaina, o Eder Moraes. É da diferença de grupos que eu falo.

 

Agora, tenho certeza que esse grupo, que está sem o Governo do Estado – despojado do poder há anos -, vai ter na Capital, sem dúvidas, a sua praia e seu porto

MidiaNews – O que principalmente o diferencia de Emanuel Pinheiro?

 

Wilson Santos – Começa na nossa origem. Vim de um berço pobre. Sou filho de uma costureira e um topógrafo. Minha vida foi, desde cedo, trabalhando, não aceitei aposentar pela Assembleia Legislativa com 30 e poucos anos. Pelo contrário, sou o coveiro do FAP [Fundo de Assistência Parlamentar], em Mato Grosso. Essa é uma diferença gritante.

 

Já fui gestor de Cuiabá, aprovado pela população. Governei quatro anos. A população gostou e me reelegeu com oito pontos percentuais a mais de votos.

 

Sempre fiz mais política da perimetral para fora, para os desassistidos. Fiz políticas sociais importantes na Prefeitura, como o CuiabáVest – que colocou mais de 5 mil pessoas nas universidades -, a Bolsa Universitária Municipal, a melhoria na Educação, o Restaurante Popular, programa de moradia e regularização fundiária.

 

Sempre tive um aspecto social. Se pegar toda minha carreira, desde vereador, sempre tive um trabalho voltado a fundação de bairros em Cuiabá, luta com os sem-teto, a favor dos estudantes e dos mais humildes. Tenho um perfil social diferente do meu concorrente.

 

MidiaNews – No último levantamento do instituto Voice Pesquisas, o senhor estava a 12 pontos percentuais do seu concorrente e, mesmo assim, comemorou o resultado. Por quê?

 

Wilson Santos – Porque, no segundo turno, 12 pontos percentuais são seis. É jogo de seis pontos. Um ponto que caiu de um vai para o outro, pois são apenas dois candidatos.

 

Nós estamos muito confiantes. Temos feito os nossos levantamentos diários, que têm nos apontando um caminho certo. Tanto é que nosso concorrente está tentando evitar, ao máximo, os debates.

 

Essa atitude vem desde o primeiro turno. Nos debates da TV Record, e, principalmente, da TV Centro América, ele teve várias perguntas livres e sempre evitou o Wilson.

 

Em um desses debates ele teve três perguntas livres e não me questionou. Eu, toda vez que eu tinha perguntas livres, o questionava e também ao Procurador Mauro (PSOL), que eram nossos principais adversários.

 

Ele quer evitar os debates. Está fugindo.

 

MidiaNews – E sobre esse otimismo apresentado desde o primeiro turno?

 

Wilson Santos – Depois dos 50 anos de idade, não é otimismo, é segurança. Falei três coisas nessa campanha e duas já aconteceram. Disse que seria uma eleição de dois turnos, que eu estaria no segundo turno e que eu vou vencer as eleições em Cuiabá.

 

Das três, duas já aconteceram.

 

MidiaNews – O senhor disse que seu alto índice de rejeição também se deve ao fato de ter deixado a Prefeitura de Cuiabá no meio do mandato, em 2010. O senhor admite que errou? Por que decidiu interromper sua gestão?

 

Wilson Santos – Qualquer ser humano almeja o crescimento. Já tinha sido vereador, secretário municipal, deputado estadual e federal, prefeito duas vezes. Era natural ter o sonho de chegar ao Governo do Estado. Não vejo nada que macule a minha imagem.

 

Mas também tinha o componente de o prefeito de Cuiabá, sem o apoio do governador, ser meio prefeito. Não tive a sorte de ter um governador parceiro. Tive dificuldades na relação com o Governo.

 

Era disparado o líder nas pesquisas. Liderava em 140 municípios. Chegava a ter, em alguns municípios, mais de 40 pontos percentuais de intenção de voto.

 

Chegamos a março de 2010 na liderança. A direção do PSDB exigiu minha candidatura, alegando que em duas eleições para prefeito o PSDB nos ajudou de maneira muito forte, e que era a hora de ajudarmos a eleger o José Serra para presidente.

 

Houve uma pressão forte do partido e eu conhecia o grupo do Silval Barbosa. Fiz um longo debate com ele, sobre a divisão do Estado - ele defendia a divisão e eu era contra. Conhecia bem o modus operandi de Silval e quem o cercava.

 

Justamente o mesmo grupo que está cercando Emanuel. É o [José] Riva, Carlos Bezerra e outros. Mesmo grupo de Silval, que mandou no Governo, que nomeou secretários, definiu orçamentos, canalizava recursos de Brasília. A mesma gente que apoiava e cercava o Silva também cerca Emanuel.

 

Em debates, cheguei a dizer ao Silval que ele comandava o Governo mais corrupto do Brasil, e que a reeleição dele representava a continuação da corrupção em Mato Grosso

Então, conhecia e entendia que era preciso fazer o enfrentamento a esse grupo. Em debates, cheguei a dizer ao Silval que ele comandava o Governo mais corrupto do Brasil, e que a reeleição dele representava a continuação da corrupção em Mato Grosso.

 

Alertava a sociedade que ali estava o representante do que havia de mais grave em corrupção nacional. Mas poucos me deram ouvidos. E aconteceu o que sabemos. Está aí o VLT e o Silval preso há mais de um ano.

 

Esse mesmo grupo está no entorno de Emanuel.

 

MidiaNews – Este desgaste de sua imagem também pode ser creditada ao fato de ter deixado o vice-prefeito Chico Galindo (PTB) em seu lugar? Ele que foi responsável pela vinda da CAB Cuiabá.

 

Wilson Santos – Vou evitar comentar o governo do Galindo. Vou apenas dizer que Chico Galindo apoia Emanuel Pinheiro.

 

Em relação à CAB Cuiabá, não tenho nenhuma relação. Comigo a CAB não fica. Será o decreto número dois que vou assinar, caso seja eleito. Um dos argumentos é a caducidade do contrato. A CAB não cumpriu sua parte.

 

Tenho dois caminhos. Um é uma parceria público-público: a Sabesp [Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo] com a Sanecap [Companhia de Saneamento da Capital]. Já conversei com o governador [Geraldo] Alckmin e já passei um dia na Sabesp. Há essa possibilidade, já que a companhia tem uma superintendência de novos negócios.

 

E o outro caminho é a licitação nacional, para trazer outro parceiro, capitalizado e com credibilidade. Além disso, a Sabesp também aceita participar de um consórcio com a iniciativa privada para participar dessa licitação.

 

Quanto ao Francisco Galindo, é o povo que analisa o seu governo. Mas hoje ele apoia o Emanuel. Não está em meu palanque.

 

Não sou de dividir rejeição. Quando é bom, eu dou o crédito, mas quando é ruim, assumo sozinho. Fui criado em um modelo de educação espartana. Servi ao Exército. Meu coro é grosso e assumo os meus acertos e defeitos.

 

Assumi um filho quando ele tinha nove anos. Sou fã do Pelé, mas não aceito o que ele fez, não reconhecendo a filha. Errar todos nós erramos, mas, tomando o conhecimento do erro, tem que ser homem de assumir.

 

MidiaNews – O grupo de Emanuel fala de uma campanha de baixo nível desde o primeiro turno por parte de seu marketing. O que o senhor tem a dizer sobre essa acusação?

 

Wilson Santos – Não é verdade. Foi Emanuel que começou essas agressões. Não me preocupo com essa questão.

 

Sei que eles tinham muito receio e se culpam por terem me deixado ir para o segundo turno. Eles lamentam, profundamente, não terem tido uma ação mais dura para evitar minha chegada.

 

MidiaNews – Suas eleições à Prefeitura sempre foram polêmicas, com programas eleitorais contundentes, como em 2004 [venceu Alexandre César] e 2008 [venceu Mauro Mendes]. O senhor não teme ficar com a fama de um político que faz de tudo pelo poder?

 

Wilson Santos – É uma coisa que não me preocupa. Toda campanha é dura. Uma guerra.

 

MidiaNews - O juiz Paulo de Toledo [ da 1ª Zona Eleitoral de Cuiabá], em uma decisão que suspendeu mais de um minuto do programa eleitoral do senhor, criticou o tom da campanha. Falou de “barbárie” e que o senhor parece não estar assistido por uma equipe jurídica e de marketing. Na quinta-feira, ele suspendeu dois dias de programa do senhor [decisão depois suspensa pelo Tribunal Regional Eleitoral]. Isso não é um forte indício de que a campanha na Capital não está, digamos, com um bom nível?

 

Wilson Santos – Respeito os magistrados, mas eles não têm formação política. Acham que campanha é só para mostrar propostas.

 

Ednilson Aguiar/Midia News

Entrevista Wilson Santos

"Respeito os magistrados, mas eles não têm formação política"

Campanha é para mostrar propostas, o histórico de cada candidato. Quem quer vir para a vida pública tem que saber que sua vida será devastada. Isso é da natureza política. O eleitor tem o direito de saber tudo sobre em quem ele vai depositar confiança por quatro anos.

 

O eleitor tem o direito de saber que Wilson teve um filho antes de casar e como ele agiu perante este fato. Tem que saber por que o deputado Emanuel Pinheiro, aos 30 e poucos anos, aceitou se aposentar com um salário de R$ 25,3 mil. É um direito saber com quem Wilson anda. Quem são os meus parceiros e quem irá frequentar o gabinete. Assim como quem irá influenciar as suas decisões.

 

Tem magistrado de extraordinário conhecimento jurídico, mas que carece de uma formação política. Lutei pelo fim da ditadura no País, para que o direito à informação e o veto à censura acontecessem. Não pode mais existir censura. Você faz o que quiser, mas pague pelos seus atos.

 

Meu programa foi tirado do ar porque uma senhora diz que é imoral se aposentar aos 32 anos de idade. Por isso eu fui punido. Não acho essa decisão justa. Acho profundamente injusta e está cerceando o direito de o cidadão ter conhecimento profundo de cada um dos candidatos que disputam as eleições de Cuiabá.

 

MidiaNews – Então, o senhor acha que foi vítima de censura?

 

Wilson Santos – Não, o que falo é sobre a redução do espaço político. Isso é política: um candidato informar sobre o outro.

 

Por que ele se aposentou aos 30 e poucos anos e eu não me aposentei? Isso vai levar o eleitor a fazer um juízo de valor, para definir o seu voto. Isso é relevante. A sociadede precisa tomar conhecimento de quem se aproveitou do exercício do poder para servir a si mesmo e à sua família.

 

MidiaNews – Mas o senhor também reclamou de um programa de Emanuel – que chegou a ser penalizado por isso -, por ele ter apresentado depoimento de médicos que o acusam de ter deixado a Saúde da Capital no “fundo do poço” e transformado a área em “caso de polícia”.

 

Wilson Santos – Primeiro que um dos médicos, o doutor Mario Espóstio, é primo dele. Aliás tem pouco costume de trabalhar e nunca foi reconhecido como um bom profissional em Cuiabá.

 

Se fosse tudo isso que falaram, eu não teria sido reeleito em 2008, quase no primeiro turno.

 

Então, é a política pequena. É o uso de mais um parente legislando em causa própria e o juiz acabou o punindo.

 

MidiaNews - O prefeito Mauro Mendes alertou para a situação financeira da Prefeitura no próximo ano. Disse que não haverá espaço para a “politicagem”, que isso poderá mergulhar a Prefeitura em dificuldades. O senhor acredita que é capaz de enfrentar todos esses desafios?

 

Wilson Santos – Assumi a Prefeitura em uma situação muito mais grave do que essa, com três salários atrasados, todos os servidores em greve e a coleta de lixo parada por duas semanas. Eu sou gestor e fiz um superávit, naquele ano, superior a R$ 50 milhões.

 

Conheço a Prefeitura de Cuiabá. Então essas palavras não servem para mim.

 

Vou pegar uma Prefeitura com salários em dia, com equilíbrio fiscal. Aparentemente muito bem tocada.

 

Se em 2005 eu peguei uma Prefeitura muito mal, fiz o que fiz e fui reeleito, imagina o que podemos fazer agora, em um quadro muito mais favorável?

 

Mauro está certo em fazer esse alerta. Se fizer como o PT fez, e partir para o populismo tributário, não termina o ano, e o salário está atrasado.

 

MidiaNews – Mas agora nós temos um quadro de crise nacional, que não existia em 2005. O senhor tem compreensão do momento que o País está passando?

 

Wilson Santos – O Brasil atravessa a pior crise econômica dos últimos 126 anos. Nesse cenário, o eleitor tem que parar para pensar. Por isso estou confiante na vitória. Estou vendo muito voto sendo mudado.

 

Ednilson Aguiar/Midia News

Entrevista Wilson Santos

"A Capital tem que estar nas mãos de quem dá a confiança que irá atravessar esse período conturbado com rédeas curtas"

Muitos até dizem: “Wilson, eu tenho mágoa de você, porque deixou a Prefeitura, não fez a obra que eu queria, mas não posso brincar com Cuiabá”.

 

Cuiabá não pode ser experiência ou laboratório. A Capital tem que estar nas mãos de quem dá a confiança que irá atravessar esse período conturbado com rédeas curtas, pagando os salários em dia, nunca gastando mais do que arrecada e com uma parceria importante com o Governo do Estado.

 

Isso tem trazido muitos votos. Me sinto muito seguro para fazer essa travessia. E não é uma travessia de um ano. O Brasil vai retomar, de fato, um crescimento sustentável, segundo os principais economistas, a partir de 2020.

 

Esse mandato de prefeito será um dos mais difíceis dos últimos tempos. Naquele tempo de 2005, tínhamos o País surfando na onda do crescimento mundial.

 

Essa situação exige um bom gestor, que diz mais não do que sim. Experimentado e que tenha bons parceiros. E eu acho que, modéstia à parte, vivo esse momento. Aprendi muito. Errei. Sou o candidato que tem menos chances de errar.

 

MidiaNews – O senhor acredita que há risco de atraso nos salários dos servidores do município?

 

Wilson Santos – Com Wilson não haverá atraso de salário. Sou gestor. Tenho experiência. Governei Cuiabá 63 meses. Só no primeiro ano paguei quase 17 folhas salariais e todas as RGAs [Revisão Geral Anual]. Criei data-base e fiz o Plano de Carreira de quase todas as categorias. Com Wilson, esse risco é zero.

 

MidiaNews – O senhor não acha que os candidatos estão vendendo muita ilusão para o cuiabano, já que haverá pouco dinheiro em 2017?

 

Wilson Santos – Todos os candidatos sonham em, um dia, administrar a cidade. É um sonho legítimo. A empolgação e entusiasmo, na maioria das vezes, leva a sonhar com um cenário que não é real.

 

Se pegarmos minhas propostas de 2004, achava que era o super-homem. Acreditava que, quando sentasse naquela cadeira, eu resolveria todos os problemas de Cuiabá. Essa fase passou.

 

É natural de quem nunca sentou do outro lado da mesa, achar que pode resolver todos os problemas com uma varinha de condão.

 

O Wilson que volta agora tem doze anos a mais. Assumi a Prefeitura com 43 anos, sonhando que poderia arrumar o mundo. Hoje, eu volto maduro, sabendo que não vou conseguir fazer tudo, que depois de deixar a Prefeitura, muitas coisas ficarão por fazer. O que me suceder também não fará tudo, assim como o que suceder o meu sucessor também não fará. É infinito o número das carências e dificuldades.

 

MidiaNews -  O fato de o prefeito Mauro Mendes não ter declarado apoio à sua candidatura lhe constrange?

 

Wilson Santos – Sou um homem de 55 anos, já avô. Disse no começo da entrevista que depois dos 50 a gente se assusta com pouca coisa.

 

O Mendes tem me apoiado. Se não de boca, de fato. Liberou todo o seu secretariado, que está envolvido até a medula na campanha. Dando depoimento, gravando programa, adesivando carro, participando de arrastões, me orientando e preparando para os debates. Todos os 22 candidatos do PSB defenderam nossa candidatura nas ruas. De fato, e na prática, o prefeito tem nos apoiado.

 

MidiaNews – O senhor acredita que essa resistência apresentada pelo prefeito à sua candidatura pode resultar em uma dificuldade no processo de transição, caso o senhor seja eleito?

 

Wilson Santos – Não, de forma alguma. Somos pessoas maduras e civilizadas. Mendes já é um cinquentão. Tanto ele quanto eu fomos bem recebidos nessa terra, que nos proporcionou momentos de felicidade. Nós saberemos fazer essa transição de forma madura, colocando os interesses de Cuiabá acima de qualquer pequena divergência que haja.

 

MidiaNews - Essa campanha é uma das mais humildes nos últimos anos, com poucos recursos e poucos doadores. O candidato a prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), ganhou no primeiro turno. Acha que o PSDB nacional pode lhe ajudar com mais recursos por causa disso?

 

Wilson Santos – Não há nem mais tempo para chegar recursos, pois a campanha praticamente acabou. Estamos nas horas finais.

 

MidiaNews – Mas o senhor está com um rombo de mais de R$ 1,2 milhão em sua campanha. Como vai fazer?

 

Wilson Santos – Mas isso será coberto, com certeza. Nós podemos até fazer arrecadação após a eleição. A lei permite fazer jantar e outras formas de arrecadar fundos, depois da votação, em um determinado período. Não vejo preocupação nisso.

 

MidiaNews - Em sua propaganda eleitoral, o senhor anunciou a abertura de novas vias em Cuiabá. Acha que terá dinheiro para obras num cenário de crise como o que o Brasil vive?

 

O Mendes tem me apoiado. Se não de boca, de fato. Liberou todo o seu secretariado, que está envolvido até a medula na campanha

Wilson Santos – Eu creio que sim, pois sou gestor. Sei economizar apertando o cinto. Nós já fizemos uma ETA Tijucal, obra de mais de R$ 20 milhões; a Avenida das Torres, que custou na época R$ 42 milhões; iniciei o Rodoanel, gastei mais de R$ 20 milhões.

 

Essas obras que colocamos no programa são mais baratas. Temos segurança de fazer a Avenida Parque Gumitá e a Circular Sul. E estou sonhando com uma terceira, que é a ligação do Bairro Doutor Fábio com o polo do Osmar Cabral.

 

Agora vou ter a parceria do governador Pedro Taques. Também fui deputado federal, conheço os caminhos e portas de Brasília. Vou procurar os onze deputados da bancada federal, os deputados estaduais. Acredito que Deus vai nos iluminar, quero fazer o melhor mandato da minha vida. Estou muito animado, pela maturidade, vivência e experiência. Pelos parceiros excepcionais que eu tenho. Estou muito confiante.

 

MidiaNews - Em São Paulo, o prefeito eleito João Doria, de seu partido, quer fazer concessão de vários serviços e bens públicos. Em Cuiabá existe espaço para essas concessões?

 

Wilson Santos – A Capital paulista é muito maior do que a nossa. Ali está 50% do PIB nacional e o mercado tem interesse nessas obras.

 

Aqui, a Prefeitura de Cuiabá tem bem menos. Mas sou um devoto do Estado necessário. Quanto menor o Estado, menor a corrupção. Quanto menor o Estado, maior a velocidade.

 

O Governo está conseguindo investir 1% de tudo o que arrecada e a Prefeitura, 3%. Qual a qualidade dos serviços que os nossos Estados prestam ao cidadão nas áreas de educação, saúde e segurança? São ruins.

 

Então, o Estado não tem, praticamente, nenhuma capacidade de investimento próprio e o que presta de serviço é de baixa qualidade. Por que manter esse modelo de Estado? A quem interessa esse modelo? Em que se gasta 97% de tudo o que a Prefeitura arrecada com o pagamento de dívidas, salários, encargos sociais e custeios da máquina. Para prestar que qualidade de serviço?

 

Esse modelo de Estado tem que ser desmontando, pois não atende às necessidades, é ultrapassado. Um modelo que serve a meia dúzia.

 

MidiaNews – Mas não teme que esse modelo que o senhor defende possa concentrar riqueza, cada vez mais, nas mãos dos grandes empresários, aumentando a desigualdade?

 

Wilson Santos – Mas, então, o Estado deve fazer o papel de regulador. Esse papel eu não defendo que ele perca.

 

Defendo um Estado necessário, que mantenha sob seu controle a regulação e fiscalização. Anunciei o congelamento da tarifa de ônibus, por um ano. De 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2017, se eu for prefeito, não haverá majoração na tarifa do ônibus.

 

Esse é o papel do poder público. Durante esse um ano nós vamos discutir, com as empresas, sociedade, universidade, estudantes, trabalhadores e patrões. Esse é o papel do Estado.

 

O Estado tem que ser forte na defesa do cidadão. Temos que entender que ele não é capaz de tudo, pois não tem capital. O Estado é completamente descapitalizado, não tem dinheiro para nada.

 

Nós vamos reposicionar a Capital nos aspecto político e econômico. Cuiabá, mais que um prefeito, precisa de um novo líder

Veja os 27 Estados, ajoelhados de pires nas mãos, destruídos e falidos. Esse modelo levou a falência das 27 unidades da federação.

 

MidiaNews - Voltando ao cenário eleitoral: o senhor tem noção de para onde estão indo os votos do Procurador Mauro?

 

Wilso Santos – Nesse momento há um crescimento da minha candidatura de forma lenta e constante, e uma queda lenta e constante de Emanuel. São os nossos levantamentos internos.

 

Como foi no primeiro turno. O eleitor cuiabano demora a definir o voto. Esse voto será definido nas últimas duas semanas, após os debates. Vamos chegar a um número de eleitores indecisos e com perspectiva de mudança de votos em torno de 20%. É esse percentual de eleitores que vão decidir a eleição de Cuiabá. Essa expectativa vai se manter até o dia da eleição. Será uma disputa por poucos votos.

 

MidiaNews - O que o senhor diria para o eleitor do Procurador Mauro e dos outros candidatos que ficaram no primeiro turno?

 

Wilson Santos – Que votem em mim. Que tenham juízo e votem em quem tem mais experiência, o melhor grupo e parceiros para governar a cidade. Vote em quem já errou, tem experiência e não vai errar mais.

 

Vote em quem conhece, profundamente, Cuiabá, e que tem autoridade para defender a sociedade cuiabana.

 

Nós vamos reposicionar a Capital nos aspecto político e econômico. Cuiabá, mais que um prefeito, precisa de um novo líder, que reposicione e coloque a importância do município no cenário estadual, regional e nacional.

 

Cuiabá tem perdido ao longo das décadas muita importância para o interior do Estado. Esse líder ter que recolocar a Capital no seu lugar. Tenho essa consciência.

 

Não tenho mais nenhuma vaidade. Se forem em meu apartamento, na minha sala, no apartamento que vivo ha doze anos, é o mesmo sofá de quando tomei posse na Prefeitura, no dia 1º de janeiro de 2005.

 

O meu patrimônio material hoje é menor do que há doze anos. Não tenho interesse em crescer o meu patrimônio. Não tenho essa vocação. Meu desejo é entrar para a história como um dos melhores prefeitos de Cuiabá. Fazendo uma gestão que supere a minha primeira, quando ganhei quatro prêmios nacionais.

 

Essa é a minha paixão: pagar minhas dívidas com Cuiabá, corrigir o que errei, melhorar a qualidade de vida da minha cidade.

 

 

 

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36 Comentário(s).

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Antonio Benedito de Assunção  20.10.16 15h05
Cuiabania: Neste comentário estou me dirigindo ao Sr. Romildo Gonçalves, forte e assiduo defensor do candidato Wilson Santos, uma vez que em todas as matérias referidas ao Wilson, ele sai em defesa do mesmo. Romildo, é seu direito e, com com certeza você faz uso dele. Mas, com certeza, a grande maioria dos cuiabanos,já decidiu em quem votar neste segundo turno, prova disso, são as pesquisas, pois em todos elas o senhor Wilson perde para o Emanuel. Sabe o porque dessa derrota? simples: O Wilson , por duas vezes teve a chance de governar Cuiabá mas, infelismente o ex- galinho entregou a prefeitura ao galindo. Agora vai ter que amargar com uma derrota histórica em seu curricum.
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Carlos  17.10.16 18h48
Carlos, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
alexandre  17.10.16 16h40
Que tal terminar seu mandato de Deputado Estadual ? já vai abandonar ?
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JEFERSON MATOS  17.10.16 15h49
Teve 02 oportunidades e não aproveitou pra ser no mínimo um prefeito razoável. Não terá uma 3ª.
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Clarice Costa  17.10.16 14h50
Vai sonhando galinho que você vai ganhar...é melhor se conformar com a derrota...vc teve oportunidade de mostrar trabalho e não fez...porque só agora esse interesse? Tá achando que o povo é bobo? Fora WS e TAQUES....
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