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Entrevista da Semana / POSSÍVEL CANDIDATURA
15.07.2017 | 20h26
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“Política é como a cocaína, não é fácil largar”, diz Júlio Campos

Com medo de morrer, Júlio Campos afirmou que já tinha feito testamento

Alair Ribeiro/MidiaNews

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Ex-governador de Mato Grosso, Júlio Campos não descarta voltar às urnas em 2018

JAD LARANJEIRA E CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Alegre, animado e esbanjando saúde. Assim está o ex-governador Júlio Campos (DEM), quatro meses após ser submetido a um transplante de fígado, em razão de uma cirrose hepática com a qual convivia há 25 anos.

 

Aos 70 anos, mas com “fígado novo” e com a bagagem política que carrega desde 1982, quando foi eleito um dos prefeitos mais jovens do País, em Várzea Grande, Júlio não descarta a possibilidade de voltar a disputar um cargo eletivo.

 

“A política é como uma cocaína, não é fácil a pessoa largar. Por mais que você queira se afastar, está impregnada no meu gênero, no meu ser.  E eu já nasci um ser político, tenho prazer em fazer política”, disse o democrata, em entrevista ao MidiaNews.

 

E mais: ele, que já passou pelo Palácio Paiaguás, pelo Senado, pela Câmara Federal e pelo Tribunal de Contas do Estado, admitiu que poderia se arriscar na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa.

 

Na entrevista, Júlio também falou sobre a gestão do governador Pedro Taques (PSDB), a quem ele tece algumas críticas e não esconde certo ressentimento em razão de, em alguns momentos, não ter sido ouvido.

 

Ele ainda falou sobre os escândalos que envolvem a gestão tucana, os cenários para o processo eleitoral do próximo ano, a administração “dos Campos” e da prefeita Lucimar (DEM), em Várzea Grande.

 

Veja os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – O senhor foi submetido a um transplante de fígado em março deste ano. Como foi o processo?

 

Júlio Campos – Eu tinha hepatite B e, há dois anos, essa hepatite virou uma cirrose hepática. Essa cirrose foi necrosando o meu fígado. Então não havia mais saída. Eu tinha que me submeter a um transplante, que era a única possibilidade de continuar vivo. Nem eu tratando com os médicos de São Paulo obtive um bom resultado. Precisava do transplante.

 

Os meus médicos então me deram um ultimato, porque até então eu tinha medo de fazer o transplante por ser uma cirurgia de alto risco. Eles me disseram que se não fizesse o transplante, eu não veria mais 2018. Então era o transplante ou era o testamento. Claro que eu decidi pelo transplante. Então começamos a ver isso.

Os médicos disseram que se não fizesse o transplante, eu não veria mais 2018. Então era o transplante ou o testamento

 

Entrei para fila de transplante, mas também não forçava muito “a barra”, porque ainda acreditava em algo alternativo. Foi quando vimos que em São Paulo não seria possível. Aí optei pelos Estados Unidos. Então ligamos para um hospital em Miami [Flórida]. Conversando com o diretor de transplante, descobri que ele era um brasileiro e esse médico me disse: “Não sei porque você quer vir para os Estados Unidos. O [presidente] Donald Trump fez uma lei agora que prioriza todos os americanos. Então estrangeiro aqui não está com nada. Você teria que vir morar aqui para, depois de seis meses, eu fazer sua inscrição, para você poder entrar na fila aqui”.

 

Aí ele me perguntou: “Por que você não faz no Ceará?” Levei um susto porque nunca ouvi falar de lá. E ele me disse: “O Ceará hoje tem um centro ultramoderno de transplante, tem grandes colegas meus transplantando lá”. Eu imediatamente saí de São Paulo e fui para o Ceará. Visitei o médico que me foi recomendado. E ele me deu firmeza, me fez sentir segurança. E ao visitar o Hospital São Carlos, fiquei encantado. Parece um hospital de primeiro mundo.

 

Após isso, me inscrevi. E ele me disse que após 45 dias ia me transplantar. Fiquei sem acreditar que seria tão rápido, mas aí eu descobri que lá existe uma lei que diz que quando o cidadão tira a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou o Registro Geral (RG), pode declarar que quer ser doador. Quando entrei [na fila], era o 20º. E em um mês já era o 5º.  No dia 13 de março passei pelo transplante e recebi o fígado de um mototaxista que sofreu um acidente e morreu.

 

MidiaNews – Em algum momento o senhor acreditou que poderia morrer?

 

Júlio Campos – Entrei no centro cirúrgico tendo a certeza que Deus estava ali junto comigo, porque a cirurgia foi muito longa. Mas graças a Ele, foi tudo bem. A operação foi normal. Fui para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e acordei no final do dia, após oito horas.

 

Fiquei no Ceará mais 70 dias para me recuperar e depois fui liberado para voltar a Mato Grosso. Hoje estou aqui completamente recuperado. Graças a Deus, recuperei todas as minhas funções. Hoje sou um homem apto para qualquer atividade - o que não vinha ocorrendo antes. Eu estava preocupado, já tinha até feito um testamento para evitar briga por causa de herança, porque eu conheço os meus filhos. (risos).

 

MidiaNews – O senhor disse que está se sentindo regenerado. Isso significaria um retorno à vida pública?

 

Júlio Campos – Tudo é possível. Meu pensamento é voltar às minhas atividades empresariais, à minha atividade familiar, mas também quero voltar às minhas atividades político-partidárias, ajudando o meu partido. Tentando junto com o presidente da sigla, Dilmar dal Bosco (DEM) e o senador Jaime Campos (DEM), que são duas grandes lideranças, a colaborar para o crescimento do Democratas e viabilizar uma participação mais efetiva do nosso partido nas eleições de 2018.

 

MidiaNews – Além de ajudar, o senhor sente vontade de ser candidato?

 

Júlio Campos – Política é como a cocaína: não é fácil a pessoa largar. Por mais que você queira se afastar, você faz de tudo para parar de pensar, mas pensa o dia inteiro, está impregnado no meu gênero, no meu ser.  E eu já nasci um ser político, eu tenho prazer em fazer política.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Julio Campos

"Eu já nasci um ser político, eu tenho prazer em fazer política"

Eu mentir agora e falar que não quero seria uma incoerência. Então eu gostaria, mas não é nada forçado, porque Deus já me deu muito mais do que eu merecia. Um cidadão que nasceu há 70 anos e com 25 foi eleito prefeito da segunda maior cidade de Mato Grosso, que é Várzea Grande, depois com 30 foi para Brasília e se tornou o deputado mais votado da História de Mato Grosso, depois o mais jovem governador do Estado eleito pelas forças populares.

 

Então se eu tenho vontade ou ambição de voltar? Tenho, mas também não é caso forçado. Se não der, não vou ficar magoado ou sentido - isso não vai acontecer. Se der, gostaria de disputar um mandato, mas só gostaria que fosse um mandato aqui em Mato Grosso, porque ir para Brasília já é um pouco cansativo, mas mesmo assim aceitaria a missão.

 

Hoje o quadro político brasileiro e mato-grossense está muito precário. Políticos da velha guarda, que sobreviveram a essa tempestade que ocorreu no Brasil – Lava Jato, Odebrecht e agora o Joesley Batista da JBS – são poucos. E graças a Deus eu sou um deles. Em Mato Grosso, só restaram três “velhões”: Júlio Campos, Jaime Campos e o nosso decano Frederico Campos. De resto, muitos estão comprometidos. Uns estão com tornozeleiras e outros prestes a recebê-la.

 

A gente tem que ter muita calma neste momento. O governador Pedro Taques tem me provocado bastante, dizendo: “Acho que Júlio vai voltar”. Mas não está decidido nada. Eu posso sim, mas o Jaime Campos, meu irmão, é contra um possível retorno meu. Ele acha que eu já dei minha colaboração. Eu também entendo que já dei minha colaboração, mas se tiver a oportunidade de voltar a colaborar, posso até voltar a disputar. Se acontecer, será sem nenhuma ambição.

 

MidiaNews – Com o que o senhor acha que pode contribuir para Mato Grosso?

 

Júlio Campos – É justamente pela minha maturidade e experiência nessa área. Acho que o que está havendo em Mato Grosso é que muitos jovens que entram para política estão entrando com muita precipitação. Antigamente, quando você entrava na política, você tinha um ideal. Quando se elegia prefeito, já sonhava em ser deputado estadual. Aí quando se tornava estadual, sonhava em ser federal, ou sonhava em ser governador ou senador. Hoje não: a maioria não tem ideal nenhum, quer entrar para ficar rico, para usar o poder para completar-se.

 

Hoje o quadro político mato-grossense está muito precário. Uns estão com tornozeleiras e outros prestes a recebê-la

Está na hora de entender que o Brasil mudou - e muito. Não vai haver retorno nessa mudança na ética da política. Quem não quer ter uma vida aberta, transparente e limpa não pode entrar mais na política. Porque a política não vai servir mais para aqueles que querem usá-la em benefício próprio, ou empresarial do seu grupo. Acredito que, com essa experiência que já tive, posso colaborar nesse sentido.

 

Caso isso não aconteça, penso em ir às universidades, fazer palestras, para incentivar os jovens a entrar na política. Porque hoje a gente está tendo muita dificuldade em fazer com que o jovem aceite participar da vida pública. Eu tenho convidado muitos jovens que eu vejo que são inteligentes, que têm carisma e que eu sei que se dariam muito bem na política. Mas dificilmente conseguimos atraí-los porque eles dizem: ‘Não, está muito sujo’. Essa geração nova está muito arredia para participar da vida pública. Então posso montar um grupo de estudos em prol disso dentro do meu partido, para estimular essa nova geração.

 

Posso também colaborar com os atuais para terem um sucesso maior durante o exercício de seu mandato.

 

MidiaNews – Sendo candidato novamente, tem algum cargo de sua preferência?

 

Júlio Campos – Eu preferiria disputar uma eleição para deputado estadual, porque nunca fui e seria uma experiência nova para mim. Mas também poderia ser vice-governador e colaborar muito com o governador, para não fazer tanta besteira, para ter uma abertura maior com a sociedade, com a classe política... E também posso até ser candidato a governador se Pedro Taques desistir de uma reeleição, porque contra a reeleição eu não vou disputar. Já sei como é disputar com um governador em exercício. É muito difícil.

 

Também posso disputar o Senado Federal, que serão duas vagas e não seria tão difícil. Só que não faço questão, que fique bem claro! Também não estou morrendo de amores. Hoje eu estou muito bem de saúde, empresarialmente também está tudo controlado. Acho que ainda posso colaborar, direta ou indiretamente, como estou fazendo hoje com meu partido.

 

MidiaNews – O governador Pedro Taques já admitiu certa vez que tem pouco traquejo político, no sentido de ser mais simpático. O senhor também pensa assim?

 

Júlio Campos – Com certeza. Qual é a origem dele? Ele vem do Ministério Público Federal. Então é um homem do MPF, nunca foi político, sempre foi punitivo, pedindo punição. Um cidadão, para ser um político hábil nessas situações, tem que seguir um caminho: vereador, prefeito, deputado estadual... Ele precisa fazer uma escala de carreira para chegar no topo – que é o governador –  com aquela experiência e sensibilidade.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Julio Campos

"Quem não quer ter uma vida aberta, transparente e limpa, não pode entrar mais na política"

 

Com o governador Pedro Taques ocorreu que ele saiu do MPF com a cara e a coragem – porque ele é muito corajoso. Renunciou a um cargo vitalício, que ele poderia chegar logo depois em São Paulo e, de lá, ir para Brasília, junto com as grandes cabeças do MPF.

 

Ele renunciou, deixou de ter salário fixo, para disputar uma eleição de senador da República. Ele teve sucesso, ficou lá quatro anos e ficou naquela linha da Constituição e Justiça. Entrou numa linha de enfrentamento muito grande e teve um bom desempenho como senador.

 

Ele teve uma campanha de governador muito fácil. Porque, além de ser oposição, teve o apoio das maiores lideranças do Estado. Mas ao formar o Governo – talvez por inexperiência, ou também por certa vaidade, por ter sido eleito no primeiro turno com 52% dos votos –, ele não quis ouvir os seus aliados políticos.

 

O primeiro secretariado dele foi totalmente jovem e técnico e terminou que não deu certo, porque ninguém tinha experiência de governo. Hoje tem certas secretarias que já estão na quarta mudança de secretário, o que não é uma boa técnica administrativa.

 

O que ocorre é que isso deu a ele uma intranquilidade, um desgaste. E só a partir do final do ano passado que ele começou a entender que precisa do apoio da classe política e de uma participação ampla da Assembleia Legislativa, dos partidos que o elegeram, de seus aliados. Se ele continuasse naquela linha de “não converso com político, nem administro com políticos”, ele ficaria sozinho. Mas ele entendeu, refletiu e fez algumas mudanças pontuais que melhoraram a participação dele em nível de política e também da população.

 

Se disputar a reeleição, ele tem uma grande possibilidade de ganhar, porque não há adversário.Temos o senador Wellington Fagundes, o conselheiro Antônio Joaqum, o deputado Ságuas Moraes e o próprio Lúdio Cabral, que é um candidato que disputou com sucesso mas tem um problema sério: está no PT. Por isso Taques tem condições de ser reeleito tranquilamente.

 

MidiaNews – Recentemente, o senhor falou que os nomes mais fortes para disputar o Governo em 2018, contra Pedro Taques, estão em seu grupo político. Seriam o ex-prefeito Mauro Mendes e o ex-governador Jaime Campos. Em que cenários esses dois nomes romperiam com Taques?

 

Júlio Campos – Do Jaime eu posso falar, porque é meu irmão. Eu acho muito difícil isso, porque nós temos uma linha de lealdade. O Mauro é um quadro com quem eu não tenho tanta ligação. Mas ele é do PSB. E com essa crise do PSB em Mato Grosso - com a intervenção federal baixada pelo diretório nacional, nomeando o deputado Valtenir Pereira, que não é muito próximo e tem alguma dificuldade de relacionamento com o Mauro Mendes -, ele vai ter que optar por um novo partido. E por falar nisso, nós até convidamos todo o pessoal do PSB (Mauro Mendes, deputado Adilton Sachetti, deputado Fábio Garcia, deputado Eduardo Botelho, deputado Mauro Savi, deputado Max Russi) para vir formar conosco no DEM, que há um caminho aberto, com livre trânsito.

 

Em relação ao Mauro, há boatos de que ele poderia disputar o Governo, mas não sei se é verdade. Para os amigos mais próximos, ele diz que, enquanto não acertar a sua situação financeira com suas empresas, não vai disputar. Então, neste momento, não vejo nenhum encaminhamento do Mauro Mendes.

 

MidiaNews – O Jaime Campos poderia então entrar para uma disputa como vice-governador ou senador?

 

Júlio Campos – Ele pode ser governador, senador. Ele não faz questão também. Não é uma meta. Só eventualmente se tiver necessidade dele compor o quadro.

 

MidiaNews – E, mantendo-se a unidade deste grupo, o senhor vê o governador como favorito?

 

Júlio Campos – Qualquer governador com uma administração razoável já tem 30% do eleitorado ao seu lado.

 

Acredito que, com essa renegociação que ele fez com o servidor público, concedendo as vantagens que o servidor queria, como RGA [Revisão Geral Anual], um compromisso de pagar em dia a folha, ajudou bastante. Porque temos que ver que ele está vivendo um momento de crise. Nós temos que dizer que Mato Grosso está sendo privilegiado, e o servidor público tem que entender é que nós ainda estamos recebendo os salários em dia, porque dez dias de atraso não é atraso. A lei diz que pode ser pago até dia 10 de cada mês. E não é obrigado a pagar no quinto dia útil. Então, o Estado ainda está cumprindo com as suas obrigações, não só previdenciárias como também o salário do servidor público.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Julio Campos

"Você pode falar tudo do Pedro Taques, mas ninguém pode falar da sua honestidade"

Se ele continuar melhorando com esse acordo e ter a satisfação do servidor público, automaticamente essa dificuldade que ele teve aqui na Capital, onde o voto do servidor pesa numa eleição, ele pode já sair bem avaliado e disputar uma reeleição com sucesso.

 

MidiaNews – Na sua avaliação, quais seriam as principais deficiências do Governo Pedro Taques?

 

Júlio Campos – Eu acho que é a concentração de poder. Ele, por foro íntimo, por questões pessoais, concentra muito poder e muitos secretários que participaram do seu Governo pediram para sair porque não tinham autonomia. E até um ano atrás, o pessoal achava que o Governo vivia em função do Pedro e Paulo Taques.

 

Então muitos secretários preferiram sair a continuar. E nisso aí temos exemplos de tantas mudanças de secretarias que já houve.

 

Ocorre que ele, por inexperiência administrativa e pela sua própria origem de MPF, não deu flexibilidade, não tinha um núcleo de poder. Por exemplo: eu, quando fui governador - muito jovem com 36 anos -, tinha uma equipe de alto nível composta por pessoas mais velhas e mais experientes do que eu. E isso me deu tranquilidade.

 

Eu saí do Governo sem nenhum processo, sem nenhum inquérito, sem nada. Andei, graças a Deus, na linha e graças à equipe que eu tinha. Eu era cercado de gente experiente, não de ilustres figuras que nunca tiveram experiência administrativa. Então acho que o problema do Pedro foi esse: muita gente que nunca tinha participado do Governo. Ele foi renovador? Sim, tudo bem. Mas renovar também quer dizer colocar pessoas experientes. E não teve isso, o que ocasionou esse desgaste todo, que ele tem possibilidade de recuperar a partir de agora.

 

MidiaNews – Então o senhor acha que ele errou ao não nomear o ex-senador Osvaldo Sobrinho, que teve grande participação na transição, como chefe da Casa Civil?

 

Júlio Campos – O Osvaldo foi a nossa indicação. O que ocorreu foi que logo que passou a eleição, lá em Brasília três parlamentares apoiaram o Pedro Taques - Jaime Campos e os deputados Júlio e Nilson Leitão.

 

Então quando fomos nos reunir para discutir o novo Governo, nós falamos: “Pedro, a Casa Civil é a alma do Governo. Você tem que colocar ali uma pessoa experiente. E nós temos um nome a sugerir, que é um consenso entre todos seus aliados, que seria o professor Osvaldo Sobrinho”. Só que ele disse: “Ah, não me serve, quero uma pessoa nova”. Então ele não quis e nomeou o Paulo Taques, que, na verdade, era o homem ideal para a Segurança Pública ou para a Justiça, que era condizente com a capacidade dele por ser um grande advogado e um grande jurista. Mas a Casa Civil tinha que ter alguém com habilidade política, coisa que ele não tinha.

 

MidiaNews – Então o senhor acredita que lá atrás ele pagou o preço por ter se cercado desses ilustres desconhecidos?

 

Júlio Campos – Os que saíram eram gente boa, mas não tinham conhecimento do que é um Poder Público, porque o serviço público muito é mais complicado do que você pensa.

 

Agora está começando a colocar as pessoas certas, nos lugares certos. Por isso eu acho que agora ele tem possibilidade de se reeleger com chances total de vitória.

 

MidiaNews – Até que ponto questões como as escutas clandestinas na PM e o esquema de fraudes em licitações na Seduc, investigado na Operação Rêmora, por exemplo, afetam a imagem do governador?

 

Júlio Campos – Em tudo, arranha muito. Embora eu, pessoalmente, não acredito no envolvimento pessoal do governador nesses dois assuntos. Jamais o governador iria autorizar esse tipo de atividade, ainda mais pela origem dele. Você pode falar tudo do Pedro Taques, mas ninguém pode falar da sua honestidade e eu também então acho que pela própria tradição familiar dele, é um homem sério.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Julio Campos

"Toda vez que nós governamos, Várzea Grande cresce, fica bonita e bem cuidada"

Então essa operação na Educação está sendo investigada pelo Judiciário e vai ter as devidas punições responsáveis. Eu acredito que teve políticos envolvidos sim. Agora, não acredito que seja com o consentimento e participação do Pedro Taques.

 

Com relação à “grampolândia”, também penso a mesma coisa. Esses grampos parecem que não são de agora, vem de antes, dos outros governos. No meu tempo não tinha, porque não tinha essas tecnologias, não tinha nem computador. Mas que têm pessoas do Governo envolvidas, isso tem. Tanto é que a Justiça já tomou algumas providências e acredito que vai chegar a alguém que foi responsável por isso.

 

MidiaNews –Vamos falar um pouco da política Várzea-grandense. O senhor tem muita vivência na política. Não acha que está na hora de VG virar a página dos Campos? Não acha que a família Campos já deu a sua contribuição e que a cidade precisa de novas lideranças?

 

Júlio Campos – Eu acredito que já demos nossa contribuição, e muito. Embora haja uma oposição radical, um núcleo de 25% ou 30%, que são extremamente contra os Campos. Então mesmo que nós tornemos todos os várzea-grandenses milionários, esse grupinho será contra. Não adianta, tudo eles são contra, é aquele ódio mortal. Aqueles 30% sempre estão zangados, são frustrados e despeitados contra a família Campos. Agora há 70% que sempre entendeu que toda vez que a família Campos saiu do Governo, a cidade “acabou”.

 

Nós já tivemos vários prefeitos em Várzea Grande e não foi só da família Campos. Então ocorreu que sempre que entravam os adversários, eram quatro anos ruins para a cidade.

 

Hoje Várzea Grande é um encanto, porque nós temos seriedade com o dinheiro e a administração pública. Várzea Grande não aumentou nenhum imposto, continua arrecadando os R$ 30 mil por mês, mas está tudo em ordem: folha de pagamento em dia, as obras estão encaminhadas. O povo de lá está feliz, se a Lucimar sair da prefeitura com esse processo da Justiça de agora [cassação], vai ser um escândalo, a cidade vai voltar a ter uma nova eleição e ninguém sabe quem vai ganhar.

 

Então a família Campos faz a sua contribuição, mas não faz questão de impor nada. Acontece que não tem muitas opções. Nós estamos  tentando preparar alguns sucessores para a Lucimar, convidando alguns políticos importantes para somar conosco, porque toda vez que nós governamos, Várzea Grande cresce, fica bonita e bem cuidada.

 

MidiaNews – O senhor teme que a prefeita Lucimar Campos seja cassada e isso gere alguma instabilidade política ou financeira?

 

Júlio Campos – Não, eu acredito que o Tribunal Regional Eleitoral vai julgar com mais serenidade esse fato.

 

Porque a Lucimar gastou  ao invés de R$ 210 mil, que seria permitido? Não é propaganda institucional dela, é que nos anos anteriores o prefeito Wallace [Guimarães] não tinha nada o que mostrar, tanto que ele não gastou com propaganda, gastou somente R$ 52 mil. É justo uma prefeitura que tem 300 mil habitantes, que é o segundo maior orçamento do Estado, gastar R$ 52 mil com publicidade o ano inteiro? É porque ele não tinha o que divulgar. Somando isso aí, a Lucimar, em 2016, além de gastar com propaganda institucional da prefeitura, teve que gastar com as campanhas de saúde pública. Então ultrapassou mais de R$ 700 mil, por causa desses gastos e não teve retorno político.




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