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Entrevista da Semana / CORTE NA CARNE
24.09.2018 | 09h00
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"Poderes devem fazer mea culpa e firmar pacto contra mordomia"

Candidato a vice-governador na chapa de Mauro Mendes, empresário Otaviano Pivetta (PDT) defende fim de desperdícios

Alair Ribeiro/MidiaNews

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Prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos e candidato a vice-governador, o empresário Otaviano Pivetta (PD

JAD LARANJEIRA E CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos, o empresário Otaviano Pivetta (PDT), vice na chapa de Mauro Mendes (DEM), acredita que sua experiência administrativa poderá ser importante em uma eventual gestão democrata em Mato Grosso.

 

“Eu sou mais adepto de fazer. Penso que a minha contribuição poderá ser muito mais na execução do que nas palavras. Gosto e me dou muito bem com a realização”, afirmou Pivetta, em entrevista dada ao MidiaNews nesta semana.

 

Ele, porém, disse que é pouco provável que venha a ocupar uma secretaria no Governo. “Eu sei que a vontade que ele sempre expressou foi de ter minha contribuição por um esforço conjunto de reconstrução de Mato Grosso”.

 

Existem mordomias em todos os poderes e é preciso que cada um faça a sua mea culpa e comecemos a fazer uma mudança comportamental imediatamente

Na entrevista, o candidato a vice afirmou que uma das principais medidas de um eventual Governo Mauro Mendes é combater as mordomias de todos os poderes, começando pelo Executivo.

 

“E importante que [Mendes] dê o exemplo e que acabe com todo e qualquer desperdício no Palácio [Paiaguás] e ao redor do Palácio para poder esperar que os outros poderes se sensibilizem e façam sua parte”, disse o pedetista.

 

"Porque existem mordomias em todos os poderes e é preciso que cada um faça a sua mea culpa e comecemos a fazer uma mudança comportamental imediatamente”, completou.

 

Em relação a corte de gastos, Pivetta falou na formalização de um grande pacto entre os poderes, para controlar os gastos, se possível reduzindo os doudécimos. Segundo ele, não é possível, por exemplo, que a Assembleia continue recebendo quase R$ 500 milhões ao ano.

 

Pivetta falou ainda de sua experiência em educação, criticou o governador Pedro Taques (PSDB), seu ex-aliado, e disse por que resolveu entrar para a vida pública.

 

Confira os principais trechos da entrevista:

  

MidiaNews – Pelas pesquisas, o senhor acha que a eleição caminha para uma definição no primeiro turno?

 

Otaviano Pivetta – É muito difícil falar sobre o resultado de uma eleição. Nós estamos trabalhando e fazendo uma campanha propositiva, nos esforçando bastante para uma campanha de dois turnos, entre um governador em exercício, um senador em exercício e o ex-prefeito da Capital [Mauro Mendes]. Então, são três nomes bem conhecidos e é difícil prever, mas nós vamos trabalhar com essa intenção, preparados para enfrentar essa eleição, seja ela em primeiro ou segundo turno.

 

O Mauro lidera todas as pesquisas, e não há nenhuma contestação nesse sentido. Para nós, é isso que importa

MidiaNews – Nos últimos dias, tem-se notado que a campanha de Mendes está centrando muito as críticas no candidato Wellington Fagundes. Ele passou a ser o principal adversário de vocês?

 

Otaviano Pivetta – Eu não cuido do marketing. Realmente não tenho acompanhado se estão surgindo ataques a candidato A ou B. Realmente não estou sabendo. O que eu faço na campanha é cobrir agenda de vice-governador. Foram me atribuídas algumas cidades para eu trabalhar, fazer campanha e outras funções operacionais. Essa é a minha função. Nós temos nossas críticas, as quais nos levaram a nos candidatar, que são públicas, e se nós tivéssemos alinhado tanto com o candidato A como o B, nós estaríamos apoiando eles e não o Mauro.

 

MidiaNews – O senhor acha que o Wellington pode ser o adversário de vocês no segundo turno?

 

Otaviano Pivetta – Se for analisar as pesquisas que estão sendo divulgadas, é possível qualquer das alternativas. O importante - e parece que está muito cristalizado - é que o Mauro lidera todas as pesquisas, e não há nenhuma contestação nesse sentido. Para nós, é isso que importa.

 

MidiaNews – Como o senhor avalia essa possibilidade de um governador em exercício ficar de fora de uma possível disputa do segundo turno? A que atribui essa possibilidade?

 

Otaviano Pivetta – É a colheita do que ele plantou. Eu acho que nós colhemos o que plantamos. E se existe essa possibilidade é porque a sociedade está muito insatisfeita com ele, coisa que está expressa em todas as pesquisas de opiniões. Infelizmente não é um bom Governo e todo mundo sabe disso.

 

 

MidiaNews – Nessas andanças que vocês têm feito, qual é o sentimento que percebem da população em relação ao atual Governo?

 

Otaviano Pivetta – É de desencanto e falta de confiança. Houve uma quebra de confiança entre o Governo que está aí e a sociedade. E isso é público, é generalizada a insatisfação com o Governo.

 

 

MidiaNews – O senhor teve três mandatos como prefeito de Lucas do Rio Verde. Tem muita experiência administrativa. De que maneira pretende usar essa experiência num eventual Governo Mauro Mendes?

 

Otaviano Pivetta – Se for da vontade de Deus, como diz Mauro Mendes, e ele for eleito, o que eu tenho palavreado com o Mauro é que justamente para não só ganhar a eleição, mas para fazermos um trabalho de mudança de rumos na governança do Estado. Eu tenho realmente uma experiência bastante grande de gestão pública, foram 12 anos em Município. Mas o organograma é mais ou menos o mesmo. Então é uma questão apenas de escala, que o Estado demanda muito mais. Mas as experiências e o aprendizado que nós tivemos ao longo dos anos, acredito que são úteis e poderão servir para nós aplicarmos no Estado.Também passei como deputado na Assembleia Legislativa e é importante  conhecer como ela funciona, para que nós possamos evoluir nas reformas e ter o apoio do Legislativo para produzir as grandes reformas que precisam ser feitas.

 

MidiaNews – O senhor quer uma "ponte" entre o Governo e a Assembleia?

 

Otaviano Pivetta – Não sei se dessa maneira. Eu sou mais adepto de fazer. Penso que a minha contribuição poderá ser muito mais na execução do que nas palavras. Gosto e me dou muito bem com a realização.

 

 

MidiaNews – Então em outras palavras, pode-se dizer que é possível em um eventual mandato o senhor ocupar alguma secretaria?

 

Otaviano Pivetta – Pouco provável. Posso ajudá-lo, ainda não sabemos de que forma. Eu sei que a vontade que ele sempre expressou foi de ter a minha contribuição para um esforço conjunto de reconstrução de Mato Grosso. Nós temos que ter a capacidade e é um desafio grande, que é reconquistar a confiança dos servidores públicos, fazer essa nova conciliação entre o Estado e o servidor público, que essa força de trabalho está desprezada hoje. Portanto acho que posso ser útil para isso, motivar a equipe, definir novos rumos, estabelecer métrica para medir a eficiência e o desempenho do Estado nos serviços e nas obras públicas.

 

MidiaNews – O senhor é do setor do agronegócio e conhece todos os gargalos. Também seria outra área em que poderia atuar?

 

Otaviano Pivetta – Sim. Nós temos bastante experiência. Desde de 2003 nós começamos a fazer os programas na época do Governo Blairo Maggi, das PPPs [parcerias público-privadas] caipiras, que são as rodovias intermunicipais e até as estaduais. Em consórcio, usando as forças dos interesses locais, das lideranças e dos municípios, produtores ou não, e o Governo como líder, estimulando, vendendo a ideia e alavancando esses investimentos que são necessários para melhorar a capacidade de locomoção, de transporte, entre os municípios mato-grossenses, não esquecendo dos eixos estruturantes, que são uma necessidade. Mato Grosso continua muito isolado dos centros de consumo e dos portos. Nosso escoamento de safra continua sendo um dos mais caros do Brasil e do mundo. Perdemos cerca de 5% do PIB hoje na diferença do frete que pagamos para aquilo que nós poderíamos pagar. E 5% do PIB nós estamos falando de R$ 5 bilhões ou R$ 6 bilhões que poderiam permanecer na economia regional, na base de Mato Grosso, circulando, gerando novos investimentos, empregos e rendas. São riquezas que se perdem hoje pela falta de infra-estrutura. 

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Otaviano Pivetta 20-09-2018

"Existe um cenário de terra arrasada e precisa de atitude do novo governante, para não só dar o exemplo, mas estimular os outros Poderes"

MidiaNews – Há muitos estrangeiros, especialmente os chineses, querendo investir no Estado. O senhor vai atrás disso?

 

Otaviano Pivetta – Nós somos favoráveis e achamos que já perdemos muito tempo. Nós temos importantes ferrovias, por exemplo, que nunca saíram do papel pela falta de visão e de capacidade do Governo de atrair investidores privados. Tem o ramal da Ferrovia Norte-Sul, que a partir do Campinorte pode vir até a BR-158 e permitir que o Araguaia triplique a produção sem derrubar nenhuma árvore. Tem a Ferrogrão, de Sinop a Miritituba, que também é investimento com interesses privados, que tem alto retorno financeiro. E portanto cabe ao Governo de plantão apenas mostrar isso e abrir as portas do Estado, estimulando esses investimentos. Nem para tudo o Estado precisa de dinheiro. Eu sempre digo que fazer com o dinheiro no bolso é fácil. O difícil é você estimular e provocar para que as coisas aconteçam com ideias boas, arrumando os parceiros ideais para fazer, coisa que este Governo não tem feito, e nós pretendemos fazer. Vender boas ideias, atrair investidores e permitir que todo mundo ganhe com isso.

 

MidiaNews – Se assumir o Paiaguás no dia 1º de Janeiro, que medidas o Mauro Mendes teria que tomar para dar um choque de gestão dentro das contas do Estado? Vocês já pensaram em alguma coisa nesse sentido?

 

Otaviano Pivetta – Nós falamos muito sobre essas questões: quais as primeiras medidas. Se eu fosse o [candidato] principal, falaria, mas como o protocolo exige um vice comportado, não posso falar o que vamos fazer, porque não estarei com a caneta. Mas acredito muito na determinação do Mauro. As medidas serão rápidas e eficazes, porque nós não temos tempo a perder. Se formos eleitos, nós vamos assumir o Governo com R$ 4 bilhões de dívidas vencidas e não pagas e isso vai demandar ações pontuais, a busca de todas oportunidades dentro do Governo, e sabemos que tem muitas. Teremos que estancar imediatamente tudo isso, eliminar pela metade os cargos comissionados, fazer um chamamento de todo servidor público de carreira para mostrar a situação do Estado e convocar esses servidores para a nova reconstrução de Mato Grosso, dando as mãos para os servidores, e não de arrepio, porque no arrepio não dá. Há muitas coisas a serem feitas. Há um entendimento comum que o futuro governador vai ter que estabelecer com os outros poderes especialmente com o Legislativo, mostrando claramente que não tem para onde correr. E nós vamos ter que cada um fazer seu esforço. E importante que [Mendes] dê o exemplo e que acabe com todo e qualquer desperdício no Palácio [Paiaguás] e ao redor do Palácio para poder esperar que os outros poderes se sensibilizem e façam sua parte. Porque existem mordomias em todos os poderes e é preciso que cada um faça a sua mea culpa e comecemos a fazer uma mudança comportamental imediatamente.

 

Então são inúmeras ações que precisam ser tomadas, não é uma só, não existe uma receita pronta e rápida. O que existe é um cenário de terra arrasada e precisa de atitude do novo governante, para não só dar o exemplo, mas estimular os outros Poderes e conscientizar que cada um precisa fazer o seu esforço e trabalhar duro para tirar Mato Grosso dessa situação difícil em que se encontra hoje.

 

 

MidiaNews – O senhor está falando em cortar dinheiro dos Poderes? Vocês vão mexer nisso?

 

Otaviano Pivetta – Eu não tenho dúvida. Não há justificativa, não há como argumentar que são necessários R$ 500 milhões por ano para que a Assembleia consiga exercer o seu dever de legislar em favor da sociedade. É como eu falei: o governador vai ter que dar o exemplo e convidar os demais poderes para fazer um mutirão total de austeridade para poder sobrar recursos para continuar atendendo a sociedade naquilo que é dever do Estado. Melhorando a qualidade dos serviços, como a saúde, a segurança e a educação, principalmente. A infra-estrutura a gente vai ter que buscar parceria privada e nisso nós já temos uma experiência boa, conhecemos os caminhos. Mas saúde, educação e segurança não tem pra onde correr. O Estado tem que realmente buscar as condições para isso. Esse Governo está inviabilizando o Estado geral, em todas as suas dimensões.

 

 

MidiaNews – O senhor não acha que essa discussão em torno de um eventual corte no duodécimo dos poderes pode trazer uma crise institucional para o Mauro, já nos primeiros meses de gestão?

 

Otaviano Pivetta – Acho que não. O Mauro sabe como fazer isso. Ele já tem uma experiência boa, que é a Prefeitura de Cuiabá, que tinha muitos problemas, que no seu mandato ele conseguiu eliminar, sempre com diálogo e muita habilidade. E ele tem habilidade de fazer o que é preciso fazer no consenso com os demais poderes. Sabemos que não podemos fazer isso com gritos ou mentiras. É a hora da verdade, botar os números na mesa, colocar os outros poderes para discutir e chegar a conclusões. Ou então chegar a denominadores comuns. Matemática é ciência exata. Não tem mais como ficar mentindo para o povo. Se por um lado está faltando dinheiro para medicamentos de alto custo, está faltando dinheiro para manter UTI aberta, e de outro há poderes em que sobra dinheiro, não há como explicar isso. É uma contradição que não tem como levar adiante.

 

Temos que acabar com as contradições, precisamos eliminar os equívocos. Há muito equívoco. E pelo que eu conheço do Mauro, vai vir pra mesa. Nós temos que enfrentar, com a devida diplomacia, dentro dos ditames da lei, mas nós precisamos fazer um novo pacto entre sociedade e Estado. Porque a sociedade está sendo representada pelo futuro governador, pelos novos deputados que vão se eleger. A sociedade vai estar dando um mandato para esses novos eleitos resolver o problema do Estado e tornar o Estado eficiente, menos burocrático, menos regulamentações, menos peso, porque ninguém mais aguenta carregar esse peso.

 

O que houve foi um desgoverno geral, uma falta total de critérios com o gasto público, desordem geral nas contas públicas, falta de austeridade, falta de responsabilidade fiscal, falta de responsabilidade social

MidiaNews – Esse eventual novo Governo então vai propor um pacto entre os poderes para salvar as finanças do Estado?

 

Otaviano Pivetta – Um pacto para uma nova cultura na governança do Estado. Eu vou citar apenas um exemplo. Esse Governo que está aí gastou R$ 70 milhões

em aviões a jato para passear pelo Estado e fora. O que eu tenho conversado com o Mauro é que o dia em que ele precisar ir a Brasília para alguma audiência, ele vai de avião de carreira. E eu faria a mesma coisa. Isso pode não ser muito expressivo em termos de finanças, mas é muito expressivo em termos de exemplo. E nós precisamos dar exemplo para poder esperar que todo mundo caia na realidade e use mais a austeridade, que é um dever do governante e do servidor público. Impessoalidade, economicidade, não roubar, não deixar roubar... São fundamentos básicos, não só para o gestor público, mas para o servidor público - e aí eu falo dos três poderes.

 

MidiaNews – Há quatro anos o senhor falava com o mesmo entusiasmo em relação a Pedro Taques, a quem apoiou. O senhor não teme que também se decepcione com o Mauro Mendes? 

 

Otaviano Pivetta – A vida é cheia de recomeço, graças a Deus. Nós confiamos há quatro anos e tínhamos todos os motivos para esperar que esse Governo fosse conveniente para sociedade, porque até então as tarefas que ele tinha assumido parecia terem sido bem sucedidas, tanto na Procuradoria Geral da República, tanto como senador da República, que foi muito bem avaliado pela crítica, no período em que exerceu o cargo de senador. Nós tínhamos todas as razões para acreditar que seria um grande governador, ainda mais naquele momento que parecia que o mundo ia acabar em corrupção, em negociata. Então 57% dos mato-grossenses acreditaram que ele era a solução. Com o tempo, fomos nos desencantando e perdendo as esperanças. Infelizmente, porque hoje ele poderia estar se reelegendo com muita facilidade.

 

Apesar da recessão no cenário nacional, Mato Grosso continua crescendo, a receita pública, para a nossa surpresa, continua crescendo também, teve ganho real além da inflação. Então o que houve foi um desgoverno geral, uma falta total de critérios com o gasto público, desordem geral nas contas públicas, falta de austeridade, falta de responsabilidade fiscal, falta de responsabilidade social. Nosso sistema de educação tudo indica que não evoluiu; nosso sistema de saúde retroagiu; a segurança recebeu investimento, isso é verdade, mas a gestão da segurança não deu nenhuma sensação de melhoria, apesar de estarem divulgando permanentemente que diminuiu a violência. Mas a sensação de medo da sociedade nunca foi tão latente como é hoje. Na parte de infra-estrutura não aconteceu nada de importante. Sequer conseguiram licitar uma obra nesse período. Foi executado parte do que havia sido licitado no Governo anterior, do Silval Barbosa, mas nem executaram tudo que tinha pra executar. Então a demonstração de inoperância e de falta de habilidade é em todas as áreas, infelizmente.

 

MidiaNews – Também houve casos de corrupão envolvendo o atual Governo. O senhor acredita que havia conhecimento ou participação do governador?

 

Otaviano Pivetta – Eu não gosto de falar muito disso, porque são suposições. Eu acho que algumas coisas foram muito perto do gabinete, só isso.

 

MidiaNews – Há áudio que vazou tempos atrás em que o senhor chamou o governador de vagabundo. Por que o senhor falou aquilo?

 

Otaviano Pivetta –  Esse áudio foi porque fui surpreendido com uma entrevista dele, em que ele chamou de escravagista e autoritário. E eu rebati com o áudio, acho que bem educado, na época até, por ele ter me tratado de escravagista e outros atributos que graças a Deus não me cabem. Mas isso é passado. Eu já perdoei.

 

MidiaNews – Muito se fala que a Educação de Lucas do Rio Verde é um exemplo para o Brasil. De que forma um governo seu e de Mauro Mendes poderia replicar aquele modelo para o Estado inteiro? Isso seria possível com tão pouco dinheiro para investimento?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Otaviano Pivetta 20-09-2018

"O problema não é falta de recurso, é falta de gestão mesmo. E a forma de gerir nós temos"

Otaviano Pivetta – Planejamento e execução com rigor. O que nós fizemos em Lucas não se faz do dia para a noite. É preciso ter política, é preciso definir um sistema de educação que queremos para o País, na verdade. Mas já que não conseguimos no País, vamos fazer em Mato Grosso, assim como fizemos em Lucas. A partir de um tripé, que é ambiência, que é uma escola bem concebida, bem construída, um ambiente arejado que permita que todo mundo se sinta bem e respeitado, não num ambiente insalubre que é a maioria das escolas do Estado. Segundo é que os professores precisam se sentir valorizados e motivados. E o Estado tem um dos melhores salários do Brasil e nós vamos chegar a ter o melhor salário do Brasil para os professores, o que me deixa muito feliz. Acho que é um avanço muito importante poder remunerar bem os professores. O que nós precisamos em contrapartida é ter a melhor Educação do Brasil, melhor qualidade. E nós vamos fazer isso através de boas escolas, ambiente adequado, professores motivados, que é salário, mais ambiente, e mais respeito e qualificação continuada para, hoje, com as tecnologias, nós precisamos estar permanentemente atualizados. E o nosso sistema de ensino muitas vezes não consegue evoluir proporcionalmente ao que evolui o mundo da informação e dos acontecimentos.

 

Nós podemos fazer isso no Estado com o dinheiro que nós temos. Mato Grosso está gastando nesse ano R$ 7 mil por aluno. Se dividir por dez, isso dá R$ 700 por mês cada aluno. Portanto o dinheiro está sendo gasto. O problema é a qualidade do gasto. Quando eu chego em Tangará da Serra e vou visitar uma escola qualquer e vejo que tem cinco sala de aulas apenas, aí eu vejo a falta de planejamento, e a falta de no mínimo sensibilidade que tem a gestão da educação do Estado. Porque uma escola no Estado pode ter [cinco salas], mas em uma agrovila ou distrito, no interior de uma cidade, onde não tem gente. Agora numa cidade de 80 mil habitantes, que tem mais de 20 mil alunos, desde a creche até o ensino médio, não pode ter escola com cinco sala de aulas. Não tem nem escala para você adotar equipamentos para proporcionar um bom ambiente. A escola precisa ter boa alimentação, precisa ter espaço para esportes e lazer e precisa ser um bom ambiente para as crianças e os trabalhadores se sentirem bem, para ter vontade de ficar na escola e não ter pressa de voltar pra casa. É assim que as escolas de Lucas são. As crianças não têm pressa de ir para casa. Lá nós fizemos tudo que fizemos por menos de R$ 6 mil por aluno ao ano. E o Estado gasta mais do que isso e não tem nada disso. Então, o problema não é falta de recurso, é falta de gestão mesmo. E a forma de gerir nós temos. É claro que vai ter que ser feito um novo pacto com o sistema da Educação para construir um modelo que nos orgulhe e nos permita a ter confiança na escola pública. 

 

MidiaNews – Acha que ainda há onde cortar na carne com relação a servidores comissionados?

 

Otaviano Pivetta – Servidor comissionado não há dúvida. São mais de 4,5 mil cargos comissionados e isso tem que diminuir radicalmente. Eu tiraria no mínimo uns 50% desses cargos, acho até que dá para tirar mais. Mas isso também em termos de valor, não vai salvar o Estado, tudo são somas. “É de grão em grão que a galinha enche o papo”. Então, por exemplo, nós temos 700 policiais militares à disposição dos poderes. A Polícia não existe para servir os poderes, a Polícia existe para servir a sociedade. Acredito que o Mauro vá fazer um pacto com os poderes para devolver a Polícia para a sociedade, porque é patrimônio da sociedade, para devolver essa Polícia para as ruas, para servir a sociedade e defendê-la.

 

 

MidiaNews – O Mauro também tem falado da intenção de reduzir o número de secretarias. O senhor também concorda com essa ideia? Acredita que é possível?

 

Otaviano Pivetta – Tenho certeza que há um excesso de secretarias. A minha vontade é de dividir por três o número, deixar um terço só. Ainda não temos nada “maduro” sobre isso, mas acredito que o número deva diminuir muito, até para a gestão. Não existe governador que possa despachar com 27 secretários. Não tem como governar se você tem 27 pessoas para atender todos os dias, a cada dois dias. Não tem com fazer, é impossível governar. Até para a governança é preciso diminuir o número de secretarias e torná-las mais eficientes, mais enxutas. O Estado precisa ser menos executivo e delegar mais, interiorizar mais as ações, usar mais os municípios, que são naturalmente preparados para servir a sociedade. O Estado é virtual, ele não existe para a vida do cidadão, o Estado existe na Constituição. O governo inteligente é aquele que usa os caminhos mais curtos para chegar no cidadão, que é o Município.

 

O que não dá é o governo licitar uma obra aqui para fazer uma escola em Peixoto de Azevedo de R$ 5 ou R$ 6 milhões e não fiscalizar quando recebe a escola, que já está tendo infiltração, já está tendo problema elétrico. É o que o governo consegue fazer, gastar bastante e fazer obra ruim, superfaturada. E o poder local, a sociedade, nem sabe quanto pagou, não sabe qual é o compromisso. Nós precisamos da transparência nas ações, por isso nós precisamos usar o poder local. Não dá mais pra viver com essa aberração, com essa falta de respeito com o dinheiro público. Nós temos que atribuir a responsabilidade e o orçamento para fazer às autoridades locais e cobrar o serviço bem feito, porque o Estado não sabe fazer nada e o pouco que se atreve a fazer, faz mal feito. Eu desafio a me dizer onde há uma obra do Estado bem feita. Onde? Qual o prédio público? Seja na capital ou no interior. Me mostre um prédio público que sirva para a gente copiar, que o Estado tenha feito ao longo de sua existência. Não há nenhum. Pelo contrário, a gente vai na delegacia e são os piores prédios que há na cidade, as rodovias e as escolas são todos os piores prédios que existem na cidade. Por que isso? Será que é coincidência? Está na hora de acabar com isso, nós precisamos dar exemplo.

 

Mas como é que vamos conseguir fazer isso? Se tiver inteligência de fazer bons projetos e eleger os parceiros locais adequados para fazer. Lá em Lucas tem prédios públicos muito bem feitos, são as obras que se destacam na cidade e não são as mais caras.

 

 

MidiaNews – O governador falou há um tempo atrás que perdeu aliados nos últimos tempos porque alguns queriam mandar nele. Essa carapuça serviu para o senhor?

 

Otaviano Pivetta – Eu nunca tive a pretensão de mandar nele. Eu acho ele ruim para tudo, inclusive para mandar. Eu servi a sociedade enganado, como todo mundo foi, achando que ele pudesse ser um líder para fazer história em Mato Grosso e infelizmente não deu certo. Nunca pedi nada a ele, nunca esperei nada que não fossem os compromissos públicos que ele assumiu e isso está tudo gravado nos programas que ele fez na campanha passada.

 

MidiaNews – Então o senhor não foi um dos que perderam o “leitinho” de que ele está falando?

 

Otaviano Pivetta – Eu sou um dos que trabalha desde os 14 anos. Arrumei a minha vida antes de enveredar para a vida pública. Com 36 anos eu já tinha minha vida arrumada. Por isso eu fui candidato a prefeito pela primeira vez em 1996. E eu já tinha satisfeito meus sonhos de consumo, estava me sentido realizado no plano pessoal. Por isso que eu fui para a política.

 

Nunca usei um almoço de dinheiro público, nunca andei com carro público, nunca enchi o tanque na conta da Prefeitura, nem como deputado. Então, eu trabalho pela honra, sempre cumpri meus mandatos pela honra de ter sido escolhido e ter recebido a confiança daqueles que votaram em mim. Essa é a remuneração e é por isso que eu estou aqui de novo. Se for a vontade de Deus que o Mauro se eleja e ele me chamar para ajudar, eu vou ajudar pela honra de ter sido, junto com ele, eleito vice-governador.

 

 

MidiaNews – O senhor acha que de certa forma é um ato de covardia dele, quando dá declarações dessa natureza e não indica quem seriam essas pessoas, não dá nomes?

 

Otaviano Pivetta – É difícil falar. Eu acho que ele falta muito com a verdade. Lá atrás a gente não percebia, ao longo do tempo fomos percebendo isso, que ele falta muito com a verdade.

 

Nós temos experiência e temos muita vontade de servir Mato Grosso e tirar o Estado desse ambiente de intriga e conflito

MidiaNews – O Mauro tem dado declarações que há indícios fortes de que o governador tenha usado a máquina pública contra a candidatura de vocês. O senhor também avalia dessa forma?

 

Otaviano Pivetta – Eu discordo do Mauro. Acho que ele [Pedro Taques] não tem competência para isso.  Acho que ele não sabe o que faz, essa é a firme impressão que eu tenho. Ele é totalmente desorientado.

 

MidiaNews – Mais alguma coisa que gostaria de falar?

 

Otaviano Pivetta – Aproveito para pedir para os leitores, que confiem no Mauro Mendes, ele foi testado e aprovado durante a sua gestão como prefeito de Cuiabá e nós temos a nossa história materializada no Médio-Norte do Estado, principalmente nos  municípios de Lucas, onde fui prefeito por três mandatos e na regiao toda, em que eu trabalhei muito para desenvolver aquela região.

 

Nós temos experiência e temos muita vontade de servir Mato Grosso e tirar o Estado desse ambiente de intriga e conflito, acabar com essas lambanças que Mato Grosso foi colocado por esse Governo que está aí. Libertar Mato Grosso do isolamento, construir a infra-estrutura necessária, estimular o desenvolvimento através de um Estado leve, simples, com menos burocracia e com muito mais serviço público de qualidade. É isso que eu espero contribuir com um novo Governo se for a vontade de Deus.

 




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5 Comentário(s).

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Graci Ourives de Miranda  23.09.18 15h13
Se o povão paga meios de transporte etc..., então qual o motivo que `chefes` ganham excesso de auxílio?
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3
Antonio  23.09.18 11h51
A chapa é pesada, tem vários caciques, que por sua vez possuem centenas de pessoas aguardando pra serem acomodadas nos cargos comissionados. Como vão diminuir esses cargos e as Secretarias? Vai ser briga de foice no escuro...
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Ana  23.09.18 09h20
E a COOPERLUCAS? Povo tem memória fraca quando lhe convém.
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Pedro  23.09.18 08h28
Realmente o bolo está mal fatiado, tem poder que já pagou a urv, e a diferença da mesma. Enquanto outros brigam pelo mísero RGA.
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3
Kleber  23.09.18 06h15
TEM QUE DIMINUIR OS CARGOS DE SECRETÁRIO ADJUNTO, SÃO TANTOS QUE OS SERVIDORES NEM OS CONHECEM E NEM SABEM PRA QUE SERVEM.
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1
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