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Entrevista da Semana / SEM CRISE
25.06.2017 | 20h30
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“Pedro Taques terá condições de se reeleger com tranquilidade”

Secretário da Setas ainda criticou filiação de Valtenir ao PSB e disse que Pasta superou mancha de Roseli

Alair Ribeiro/MidiaNews

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O secretário de Trabalho e Assistência Social, Max Russi, que acredita em reeleição de Taques

DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

Aliado de primeira hora do governador Pedro Taques (PSDB) na Assembleia Legislativa, o agora secretário de Trabalho e Assistência Social, Max Russi (PSB), acredita que o tucano, mesmo em meio às dificuldades, irá à reeleição e vencerá a disputa “com tranquilidade”.

 

Para Max, escândalos como o do esquema de interceptações telefônicas clandestinas operadas pela Polícia Militar, e com possível anuência de integrantes do Palácio Paiaguás, não mancharam a imagem de Taques.

 

“Não se comprovou o envolvimento do governador. E, politicamente, isso também não atrapalhou. Porque é um governo sério, que quer entregar, quer fazer. Acredito que o governador terá condição de disputar e ganhar a eleição do ano que vem com tranquilidade. Ele é o favorito. Mesmo com as críticas, ele está na frente”, disse em entrevista exclusiva ao MidiaNews.

 

Na entrevista, o secretário ainda avaliou o convênio firmado entre a Assembleia Legislativa e a Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual (Faespe), alvo da operação Convescote. Citou, também, que a possível conclusão da CPI do Ministério Público sem os depoimentos dos procuradores e ex-chefes do órgão, Marcelo Ferra e Paulo Prado, é deixar a investigação acabar “em pizza”.

 

Max falou, ainda, sobre a filiação do deputado federal Valtenir Pereira ao PSB. Disse que o parlamentar não tem poder sobre os membros do partido, chamou-o de “rainha da Inglaterra” e negou que deixará a Setas a pedido do deputado.

 

Por fim, citou as principais ações no comando da Setas e disse que a Pasta superou a "mancha" deixada pela ex-primeira-dama Roseli Barbosa, alvo da Operação Arqueiro.

 

Veja os principais trechos da entrevista:

 

A dificuldade é econômica. É um governo que fez muito, talvez não visto por todos, mas tem muita entrega

MidiaNews – Chegando a dois anos e meio da Gestão Pedro Taques, qual sua análise diante dos problemas enfrentados como queda de arrecadação e crise econômica?

 

Max Russi – A dificuldade é econômica. É um Governo que fez muito, talvez não visto por todos, mas tem muita entrega. É um Governo que trabalhou de forma correta, com honestidade, com muita fiscalização em todos os setores. Mas é um Governo que encontrou a maior crise da História do País, que assumiu e recebeu de herança algumas bombas da gestão passada e planejadas para estourar neste Governo. Então, tudo isso dificultou. Se não tivesse a questão financeira, não tenho dúvida de que o governador Pedro Taques estaria muito melhor avaliado.

 

MidiaNews – Silval sabotou a gestão Pedro Taques?

 

Max Russi – Ele não teve preocupação. Não teve compromisso com o Estado, com o público. Você é gestor e sai aprovando uma série de leis, de planos de cargos, para vencer daqui dois anos. Na Educação, por exemplo, tem aumento aprovado até 2022. É aumento para a gestão Taques e para a próxima gestão, que ainda não sabemos de quem será. O Fethab, por exemplo, nunca teve dinheiro repassado para o Município. Foi feita a lei lá atrás, para valer agora. Foi uma lei importante, ajudou os Municípios, mas foi programada para que este Governo tenha mais dificuldade. Então, a questão financeira tem dificultado bastante o Governo. Resolvendo a questão financeira, digo que é um Governo com muita entrega para fazer. Ainda temos bastantes entregas para fazer.

 

MidiaNews – O que fez até agora está próximo do aceitável?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Max Russi

"Resolvendo a questão financeira, digo que é um governo com muita entrega para fazer"

Max Russi – Não é compreendido como suficiente pela população, que está cada dia mais exigente. Mas quem acompanha, quem conhece, vê o tanto de entregas que foram feitas. Poderia citar o tanto de [leitos de] UTI que foi entregue, mais de 200. O tanto que fez de asfalto. Temos as escolas militares. Na Educação, o Marco Marrafon [secretário] também fez muito. Na Segurança, teve uma enorme melhora, dobrou-se o número de viaturas, aumentou o número de homens nas ruas. Mas tudo isso é recurso, é dinheiro, e, às vezes, não é compreendido. Mas o Governo avançou bastante e até o final tenho certeza que muitas entregas serão feitas.

 

MidiaNews – Do ponto de vista político, como avalia o Governo? Muitos deputados reclamaram da falta de interlocução do Executivo com a Assembleia, secretários que não dariam o devido valor nessa relação.

 

Max Russi – Melhorou muito. O governador é democrata, atende muito a população, atende muito. E a questão política tem melhorado bastante. Insatisfação sempre vai existir, sempre vai ter alguém que não vai ter todo o seu interesse atendido, porque nem sempre o Governo consegue atender. Mas tudo tem melhorado bastante, o secretário José Adolpho [Casa Civil] tem se saído muito bem. Hoje, não vejo mais as críticas dentro da Assembleia que eu vi no começo da gestão, sobre falta de diálogo.

 

MidiaNews – Como analisa o desempenho do José Adolpho na Casa Civil, após a saída do Paulo Taques?

 

Max Russi – O Paulo Taques era um secretário muito forte, tinha uma atuação muito próxima do governador. Acho que quando se muda e continua com a mesma estrutura, como é o caso da Casa Civil, não tem impacto negativo. O José Adolpho tem conversado com todos, tenho escutado elogios a ele dentro da Assembleia. Tem se saído melhor do que muitos imaginavam que ele ia sair.

 

MidiaNews – Com relação ao caso do esquema de interceptações telefônicas clandestinas, operado pela Polícia Militar e que teria conhecimento de setores do Governo, isso pode ter manchado a imagem do governador e de sua gestão?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Max Russi

"Hoje, não vejo mais as críticas dentro da Assembleia que eu vi no começo da gestão"

Max Russi – Não. Isso tudo ficou muito aqui em Cuiabá. Lá na ponta não pegou. E, além do mais, não se comprovou o envolvimento do governador. E politicamente, isso também não atrapalhou.

 

MidiaNews – Como avalia o episódio dos grampos?

 

Max Russi – É lamentável. Ruim. Precisa ser investigado, apurado e apresentado algo de concreto, porque, até agora, tem muito 'diz que me diz', mas não se viu nada de concreto. Temos o comandante detido [Zaqueu Barbosa], mas não chegou a uma definição clara do que aconteceu. Citou-se muitos, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Governo, mas ainda não se sabe quem são os responsáveis.

 

MidiaNews – Diante desse cenário de dificuldade econômica, das denúncias em relação ao grampo, o governador Pedro Taques tem condição de ir à reeleição em 2018?

 

Max Russi – Com certeza. Porque é um governo sério, que quer entregar, quer fazer. Já tivemos governador que tudo que chegava à mesa dele, pensava em fazer ‘negócios’. O Taques, muito pelo contrário, não pensa em fazer negócio. Ele pensa no Estado, quer fazer muito, tem comprometimento com isso e acredito que, acertando a questão financeira, terá condições tranquilas de disputar uma reeleição e ser analisado pela população. A reeleição é o momento que a população faz uma análise da sua gestão, o que ela espera, se entregou, se tem condição de fazer mais. Acredito que o governador terá condição de disputar e ganhar a eleição do ano que vem com tranquilidade. Ele é o favorito para ganhar eleição. Mesmo com as críticas, ele está na frente. Tem a máquina, tem um grande trabalho sendo feito, é o nome mais conhecido. Então, o Taques sai na frente em qualquer disputa.

 

MidiaNews – O senhor é próximo ao senador Wellington Fagundes. Acredita que ele tenha condições de disputar o Governo?

 

Max Russi – Condição tem. Ele é senador, tem mais quatro anos pela frente, está fazendo um bom trabalho e tem condições totais de disputar. O Wellington tem condições, o conselheiro Antonio Joaquim também, mas o Pedro Taques é favorito. E quem vai avaliar isso é a população. Eu vou estar junto com meu grupo político.

 

Ele é o favorito para ganhar eleição. Mesmo com as críticas, ele está na frente

Estamos apoiando o Governo. E eu devo disputar a Estadual de novo. Preciso melhorar os meus votos. Tive 20 mil votos, fui eleito no menor colégio eleitoral de Mato Grosso, que é Jaciara. Fui eleito em 17 municípios. Tenho ampliado meu trabalho e quero sair desses 20 mil votos, melhorar essa votação, para poder na próxima pleitear uma candidatura de federal.

 

Assembleia e Valtenir no PSB

 

MidiaNews – O senhor comandou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Ministério Público. Depois que deixou a Assembleia, a CPI foi assumida pelo deputado Oscar Bezerra, que já mandou concluir os trabalhos sem ouvir os procuradores Marcelo Ferra e Paulo Prado, ex-chefes do MPE. Como analisa esse fim melancólico?

 

Max Russi – Ainda não acabou. Vi isso pela imprensa. Acho que o Oscar se decepcionou muito com a CPI das Obras da Copa, da qual também foi presidente, e não está com interesse de tocar essa CPI. Não sei se a Assembleia vai designar um novo presidente, se vai continuar, mas nos encaminhamentos, enquanto eu estava como presidente, iriamos fazer essas oitivas, ampliar a investigação. Tive que parar no período das eleições. Os membros Wilson Santos e Zé do Pátio foram candidatos e ficamos desfalcados. Tão logo voltamos, prorrogamos, aumentamos o objeto. Foi feito o trabalho. Agora cabe aos deputados darem os encaminhamentos que acharem melhor, mas, com certeza, a sociedade e a imprensa vai cobrar isso.

 

MidiaNews – Qual seu conselho?

 

Estamos apoiando o Governo. E eu devo disputar a Estadual de novo. Preciso melhorar os meus votos. Tive 20 mil votos

Max Russi – Eles têm que mostrar para a sociedade o que existe, o que está errado e o que está correto. A população quer saber. Se o Oscar não tem interesse de tocar nenhuma CPI, como ele já disse, porque acredita que as CPIs não dão resultado, o que eu discordo totalmente, que troque. Eu vejo que as CPIs na Assembleia são muito fortes, é um instrumento fundamental. Na CPI dos Incentivos Fiscais, por exemplo, apuramos mais de R$ 1 bilhão de sonegação, que foram encaminhados aos órgãos de controle, providências serão tomadas, recursos voltarão ao caixa do Estado. Então, qualquer CPI dá contribuição, ajuda, mas, muitas vezes, o que a gente pensa não é o que pensa os demais integrantes, porque é um colegiado.

 

MidiaNews – Vai acabar em pizza a CPI do MPE?

 

Max Russi – Se acabar da forma que for, sem essas convocações [Ferra e Prado], com certeza.

 

MidiaNews – A Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual (Faespe) foi alvo da Operação Convescote. Mantinha contrato com a Assembleia e cuidava das CPIs. Qual a participação na CPI do MPE?

 

Max Russi – A Faespe contratou também os profissionais. Estou a par disso, é lamentável. É um valor muito alto para um contrato. Isso precisa ser apurado. O que a gente viu até agora, igual a questão dos grampos, é muito pouco. Se houve desvio, tem que penalizar quem cometeu. Na CPI, ninguém define o contratado ou o valor. O que acontece é que o presidente da CPI diz suas necessidades, por exemplo, um auditor, um contador, etc. A Mesa Diretora contrata e dá a mão de obra para o período.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Max Russi

"A Faespe contratou também os profissionais. Estou a par disso, é lamentável. É um valor muito alto para um contrato"

E outra, essa questão da Faespe há um bom tempo vem sendo comentada e só agora saiu a operação, não sei por que demorou tanto. Todo mundo sabia, desde o ano passado, que teria uma operação, que algo estava de errado, que tinha R$ 50 milhões desviados. Agora, quanto disso é verdade, por que demorou em estourar e sair da forma que saiu, porque foi bem timidazinha, não sei.

 

MidiaNews – Como avalia a chegada do Valtenir Pereira no PSB? É legitima a forma como assumiu o comando do partido?

 

Max Russi – Para o partido, é muito ruim no Estado. Nacionalmente, há o interesse do atual presidente Carlos Siqueira, que nunca disputou uma eleição, em querer continuar comandando o partido, tem seu salário, seus interesses, e quer continuar nisso. A eleição está bem próxima, ele está querendo aproximar o PSB ao PT, coligar com o Lula. Nós, daqui, temos mais a ver com o vice-presidente, Marcio França. Mas, foi uma péssima decisão. Agiram muito mal, agiram pensando no umbigo, por interesses próprios.

 

Nós não vamos sair do partido. Gostamos do PSB. Agora, se chegar lá na frente o momento que não tenha mais condição de conviver bem dentro do PSB, vamos, em grupo, para algum partido. Convites existem vários, inclusive para assumir a direção, montar diretórios. Temos uma composição política muito boa e vamos andar juntos. O Valtenir não à toa vem diminuindo seus votos a cada eleição. Porque a população não aceita, em dois anos e meio, mudar quatro vezes de partido. O que justifica mudar tanto de partido? Só pode ser interesse financeiro. E outra, tudo que é de forma ditatorial, de forma imposta, não dá certo. Política é a arte da conquista, da conversa, de mostrar sua ideia, o seu conhecimento e trazer a pessoa para junto de você. E o Valtenir não faz isso.

 

Ele perde. Não vejo como ele vai crescer. Se ele ficar no partido, e disputar deputado federal, será o menos votado dos três [contando Fábio Garcia e Adilton Sachetti]. Se sairmos, ele vai ficar sozinho, porque 90% do partido vai sair junto. Se ele quer ser membro, bacana, agora isso não pode ser em uma canetada. Essa época de ditadura já passou.

 

MidiaNews – Então, a presidência dele não é legitima?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Max Russi

"Nacionalmente, há o interesse do atual presidente Carlos Siqueira, de continuar comandando o partido, tem seu salário, seus interesses, e quer continuar nisso"

Max Russi – Nem um pouco. Tanto é que vamos à Justiça, brigar. Não vamos entregar o partido sem luta. O Fábio Garcia vai entrar com uma ação, nós, deputados, vamos entrar com ação e, tenho certeza, que o Ministério Público também deve entrar com ação. Ele terá dificuldade de manter seu mandato e ainda vai ficar sem partido. Em outubro, o PSB fará uma eleição interna para decidir o comando do diretório nacional, o presidente pode mudar, e ele pode ser retirado. Então, tem muita água para rolar. Se nada mudar, temos até março para escolher um partido [época em que abre a janela eleitoral para troca de partido].

 

MidiaNews – Uma esperança é que o Carlos Siqueira não retorne ao comando do partido?

 

Max Russi – Exatamente. O que pode acontecer. O vice-presidente, Marcio França, quer disputar contra o Siqueira. A tendência, caso ele ganhe, é reconduzir o Fabio Garcia.

 

MidiaNews – O Valtenir declarou que deve disputar o Senado pelo PSB.

 

Max Russi – Ele não tem chance nenhuma. Só se for para disputar. Disputar, qualquer um pode. Ele vai ter o partido. Mas não vejo condição nenhuma de ganhar. Acho, mesmo, que ele diz querer disputar para estar na mídia, ganhar evidência. Mas, se duvidar, ele vai é disputar para deputado estadual (risos).

 

MidiaNews – O projeto do PSB, antes, era o ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, disputar o Senado?

 

Max Russi – O Mauro era nosso candidato ao Senado e será nosso candidato, não, talvez, no PSB.  Com o Valtenir de presidente, o Mauro não tem como disputar o Senado. Nós não vamos ficar no PSB com Valtenir de presidente. Ele pode ser um filiado, mas presidente, só aceitamos se tiver uma eleição dos filiados, prefeitos e vereadores. Com Valtenir imposto, não vamos aceitar.

 

Valtenir perde. Não vejo como ele vai crescer. Se ele ficar no partido, e disputar deputado federal, será o menos votado dos três

MidiaNews – E sobre a possibilidade de o Valtenir levar o partido para o oposição e pedir que entreguem os cargos da Gestão Taques?

 

Max Russi – Chance nenhuma de eu acompanhar. Só deixo a secretaria a pedido do governador Pedro Taques e o dia que eu terminar o meu programa. Fui para lá entregar um trabalho, enquanto não estiver pronto, não saio. Agora, nenhuma ordem do Valtenir será cumprida, acredito que por ninguém. Ele não terá poder sob nenhum parlamentar. É uma rainha da Inglaterra.

 

Gestão na Setas

 

MidiaNews – O senhor assumiu a Setas em janeiro deste ano. O que pode destacar como as ações mais significantes nesse período?

 

Max Russi – A criação do programa Pró-Família, que é uma rede de proteção social, que conseguimos avançar bastante; a abertura de dois novos postos do Sine [Sistema Nacional de Empregos] em Nova Mutum e Canarana; demos seguimentos a licitação de uma PPP [Parceria público-privada], vai ser a primeira do Governo. Estamos finalizando e, acredito, nas próximas semanas vamos abrir a proposta de preço. Vai atender sete municípios de Mato Grosso; começamos a documentação de indígenas, quilombolas, chegando a algumas regiões que não tinham nenhuma ação, a Setas está chegando.

 

MidiaNews – O Pró-Família terá orçamento de aproximadamente R$ 50 milhões. Como irá funcionar esse programa?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Max Russi

"Nenhuma ordem do Valtenir será cumprida, acredito que por ninguém. Ele não terá poder sob nenhum parlamentar. É uma rainha da Inglaterra"

Max Russi – O programa vai atender 35 mil famílias, em 141 municípios, que estão em situação de vulnerabilidade, por meio de um critério técnico. Cada município tem um percentual de família atendida. Vamos fazer a transferência de renda, por meio de um cartão alimentação: só poderá comprar alimentos, em mercados e mercearias. E vamos trabalhar para que o município, através do CRAS (Centros de Referência da Assistência Social) e agências de saúdes, possa identificar políticas públicas para trabalhar junto a essas famílias e tirá-las da situação em que se encontram.

 

Vamos fazer um planejamento familiar, porque estudos indicam que famílias com maior poder aquisitivo estão diminuindo o número de filhos, isso não acontece com as famílias de baixa renda. Vamos fazer orientação, instrução, dentro do programa. Por meio das agências de saúde, queremos identificar trabalho escravo, trabalho infantil. Teremos seis mil agentes dentro do programa. E, por fim, a qualificação profissional.

 

Por exemplo, em Várzea Grande teremos duas mil famílias, mil mulheres já serão qualificadas de forma imediata. Talvez uma parte conseguirá espaço no mercado de trabalho, mas nossa ideia é, em 12 meses, conseguir tirar o máximo de famílias de dentro do programa. Alguns, não vão conseguir, por ter parentes com deficiência na família, idosos, acamados, sem instrução nenhuma em termos de educação, o que será trabalhado junto a Seduc (Secretaria de Educação). Cada família tirada do programa será um sucesso alcançado.

 

Para ser inserida no programa, tem que estar no Cadastro Único da Assistência Social, tem que ter o número do NIS. Existe uma parte das famílias vulneráveis que não se encontram nesse cadastro, são as famílias invisíveis. São famílias que têm direito ao benefício social, mas não conseguem alcançar. Então, os agentes de saúde nos ajudarão nessa questão. Um agente cuida em torno de 80 a 150 famílias. Queremos que esse agente identifique, dentro de sua região, as cinco famílias mais vulneráveis. Vai levar ao CRAS do município, que vai analisar se a família realmente precisa de ajuda, vai validar, aí tem um comitê municipal, formado por pessoas que gostam de ajudar no social, que vai validar esses nomes. Depois, esses nomes serão encaminhados à Setas, que também tem um comitê que irá validar a lista. Por fim, os nomes serão encaminhados à empresa que fará o cartão, que será emitido e entregue a família. A renda máxima é de 1/3 do salário mínimo, algo em torno de R$ 303.

 

MidiaNews – O programa não pode ser visto como assistencialista-eleitoreira?

 

Max Russi – Essa é uma crítica que existe. O Banco Mundial, recentemente, afirmou que qualquer programa de transferência de renda para melhorar os indicadores sociais é o que existe de melhor. Esse é um programa assistencialista que chega na ponta, que atende a família, mas também busca tirá-la dele. Não vamos comemorar a entrada, a vitória do programa é a saída da família. Não acredito em questão eleitoreira. O governador me disse que precisávamos criar uma rede de proteção social na época em que Mato Grosso havia perdido 16 mil vagas de emprego, uma crise grande, e ele pediu isso. Não é eleitoreira.

 

Começamos o programa em uma prefeitura do PMDB, as famílias selecionadas pelo agente de saúde não tem envolvimento nenhum da Setas. O que fazemos é repassar o recurso e fazemos a última aprovação. Todo o resto do procedimento é lá no município. Eu acredito que todo programa que tenha resultado direto nas pessoas, é importante. Hoje, a dificuldade do Governo é que se gasta muito no meio e pouco na ponta. E esse programa não, vem para mudar isso. Dos R$ 50 milhões, vamos transferir diretamente para as pessoas quase 95%. Isso evita uma série de rolo.

 

Não é um programa eleitoreiro. Começamos o programa em uma prefeitura do PMDB, as famílias selecionadas pelo agente de saúde não tem envolvimento nenhum da Setas

MidiaNews – A Setas se revelou foco de corrupção na gestão do ex-governador Silval Barbosa, sob o comando da então primeira-dama Roseli Barbosa. O que a atual gestão tem feito para mudar esse cenário e evitar que novos casos de corrupção ocorram dentro da Pasta?

 

Max Russi – Nós fomos a primeira secretaria a chamar o Gabinete de Transparência para dentro, estamos criando um compliance, trabalhando com os servidores efetivos para detectar práticas que possam ter desvio ou desperdício de recurso público. Inclusive, estamos trabalhando muito a questão da transparência. Hoje, tenho certeza que não temos os problemas que tiveram no passado. Inclusive, o programa Pró-Família estamos encaminhando a todos os órgãos de controle para que estejam juntos conosco, que nos acompanhem. Então, esse cenário hoje não existe. Na Setas não existe, com certeza.

 

MidiaNews – Um dos esquemas descobertos na gestão passada era a contratação de Oscips [Organização da Sociedade Civil de Interesse Público], como o Instituto Concluir. A farra das Oscips acabou na Setas?

 

Max Russi – Não existe mais nenhuma Oscip trabalhando na Setas. Nenhuma. Temos alguns serviços terceirizados, por exemplo, segurança, limpezas da secretaria, etc. Mas não existe nenhuma Oscip dentro da Sentas.

 

MidiaNews – A gestão da ex-primeira-dama Roseli Barbosa,manchou a imagem da Setas?

 

Max Russi – Com esses episódios de corrupção, óbvio que a imagem ficou bastante ruim, mas temos recuperado isso, temos mostrado um trabalho de forma transparente, que consiga fazer um trabalho importante, atendendo o cidadão, procurando chegar à ponta. E tudo isso acaba recuperando a credibilidade, coloca a Setas no papel que tem que cumprir. A Setas é a secretaria de Trabalho e Assistência Social, temos que olhar para os menos favorecidos.

 

MidiaNews – A imagem que a Setas teve com a gestão Roseli foi superada?

 

Max Russi – Com certeza. Ficou para trás, é do governo passado. Não tenho dúvida de que o trabalho que o Valdinei Arruda [ex-secretário] fez e que eu venho tentando fazer, com os nossos servidores, não tenho dúvida que essa mancha ficou para trás. Macha da corrupção e todos esses problemas.

 

MidiaNews – Como o senhor avalia esse período que se encontra no comando da Setas? Acredita que tenha aumentado o ritmo da Pasta?

 

Max Russi – O Valdinei deixou trabalhos importantes enquanto esteve na Setas. Talvez, pelo pouco tempo na secretaria, por já ter sido gestor público [foi prefeito de Jaciara por dois mandatos], por saber como é a burocracia no governo, tenha entrado acelerado. Tenho pouco tempo, tenho que fazer e acontecer, tem que dar certo e preciso entregar. Eu gosto daqui e quero sair da Setas no início do ano que vem sabendo que deixei uma marca boa.




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Gilda  26.06.17 10h33
Vencer com tranquilidade? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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edson diniz  26.06.17 09h03
edson diniz, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Eduardo  26.06.17 08h22
O secretário foi muito franco e direto. Espero que faça um bom trabalho pelos menos favorecidos.
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amiga  26.06.17 08h00
amiga, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
jose ricardo  26.06.17 07h48
O governador deveria se preocupar menos com a reeleição e mais com a administração do estado. Não recebe prefeitos do interior, não conversa com senadores do estado e agora acha que vai ter apoio politico para reeleição? Não vai. É uma pena, porque as expectativas em relação ao seu governo eram grandes. Um líder não pode deixar jamais que a vaidade seja maior que a a inteligência.
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