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Entrevista da Semana / O JUSTICEIRO
03.08.2018 | 19h53
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"O Pedro Taques foi o cara certo para dizer a todos: 'Alto lá!'"

Candidato ao Senado reconhece dificuldades para o governador, mas acredita na vitória em outubro

Alair Ribeiro/MidiaNews

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O deputado federal Nilson Leitão, que é candidato ao Senado

THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O deputado federal Nilson Leitão, candidato ao Senado pelo PSDB, usou de uma expressão forte para qualificar o governador Pedro Taques (PSDB) e seu estilo de homem público: "justiceiro político".

 

Em entrevista exclusiva ao MidiaNews, o parlamentar tucano afirmou que Taques foi o gestor que precisou dar um basta, resistir às pressões e aos interesses que levaram Mato Grosso para a lama da corrupção. E mostrar que é possível uma política diferenciada.

 

“O Pedro Taques assumiu o Governo como o grande justiceiro. Mas o que é o justiceiro político? É o cara que prende os outros? Mata os outros? Não. O justiceiro na política é aquele que consegue estancar a corrupção, aquele que não vai dar bola para ninguém, que não vai se contaminar com o poder e vai dizer não para todo mundo. A história vai contar que o Pedro foi importante para isso. Ele foi o cara certo para poder falar para todo mundo: 'Alto lá! Ninguém entra aqui dentro não! Eu vou fazer do jeito que eu quero'”, disse.

 

Questionado sobre os supostos esquemas desarticulados na gestão, a exemplo de fraudes em licitações na Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e das deúncias no Detran-MT, que levaram à prisão dois primos de Taques - Paulo Taques e Pedro Zamar Taques -, Leitão afirmou que o governador não sabia "de jeito nenhum" dos esquemas e frisou que ele não interfetiu nas investigações.  

 

“É como aquela mangueira de água que está no quintal de casa com 400 furos. Ele fechou todos os furos? Não. Mas ele fechou pelo menos 300. Tem muito furo para tapar que vem vindo, que você não consegue romper esse sistema de corporações, de cartéis, de segmentos que querem se beneficiar com o dinheiro do Estado”, afirmou.

 

Leia os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews - Dadas as circunstâncias e os apoios, o senhor concorda que há uma certa dificuldade para o governador Pedro Taques se reeleger?

 

O Pedro Taques assumiu o Governo como o grande justiceiro. Mas o que é o justiceiro? É o cara que prende os outros? Mata os outros? Não. O justiceiro na política é aquele que consegue estancar a corrupção, aquele que não vai dar bola para ninguém, que não vai se contaminar com o poder e vai dizer não para todo mundo

Nilson Leitão - Admito que é muito difícil. É uma travessia duríssima que nós vamos enfrentar. O Governo não verbalizou as coisas boas que foram realizadas e, por outro lado, foram muito potencializadas as coisas ruins que ele [Pedro Taques] fez. Ele não conseguiu mostrar para a população as grandes vantagens, como a elevação do salário do professor a um patamar acima da média nacional, bem como do policial entre os três maiores do Brasil. Apesar de tudo isso, parece que ali na base o professor, o policial não estão contentes com o Governo.

 

Então é claro que faltou diálogo, porque, por mais que ele tenha dado benefícios, a forma com que isso foi feito acabou indo para um caminho que não está dando resultado eleitoral para ele, pelo menos é o que apontam as pesquisas.

 

Mas para isso tem programa eleitoral, tem tudo que pode reverter. Os números do Pedro em vários setores são números que dão possibilidade de você convencer o eleitor de que ele fez um bom Governo nesses setores [Educação e Segurança, Saúde]. E, em outros que eventualmente teve falhas, é possível ter argumentos do porquê não foi feito. E não é querer jogar a culpa no Governo anterior, porque eu acho que tem muita culpa do Governo anterior sim, mas o momento político do Brasil também refletiu em Mato Grosso. O impeachment, o pós-impeachment, a denúncia contra o Michel Temer, a crise econômica, a crise ética do País, a falta de recurso e cumprimento da União com o Estado de Mato Grosso...

 

MidiaNews - Pedro Taques foi vítima da crise nacional? Acha que, com mais recursos, ele poderia ter feito um governo melhor?

 

Nilson Leitão -  Sim, tudo isso somou para levar o Governo a ter dificuldades. Mato Grosso produziu muito nos últimos dois anos, mas a rentabilidade disso foi muito menor. Tudo isso colaborou para se ter dificuldades.

 

Por último, quando começa a querer respirar, vem a grave dos caminhoneiros que foi legítima, mas acabou dando um impacto de mais de R$ 200 milhões no caixa de forma direta.

 

O grande problema também - e aí eu faço um comparativo com o Governo Dante de Oliveira, que na sua reeleição estava com uma rejeição altíssima, com pouquíssima chance de ganhar. E a diferença daquele momento é que o Governo Dante tinha uma equipe, um staff político que conseguia reagir rapidamente à crise. Ou pelo menos conseguiu olhar o horizonte com mais rapidez e verbalizar isso em cada secretaria. 

 

O Pedro ficou muito mais com a equipe técnica que, fora a competência, o conhecimento, tem mais dificuldade para verbalizar, não consegue ter o linguajar político para alcançar o eleitor.

 

Por isso, há muitas dificuldades a serem superadas. Mas eu acho que a nossa chapa, com a ex-juíza Selma Arruda, que é a novidade da campanha, com a minha candidatura, que vem com o peso de uma liderança nacional, e o Pedro, que é muito forte, que foi visto como o grande salvador em 2014, o justiceiro, o cara que ia passar a limpo o Estado e evoluiu muito isso, apesar de ter sido contaminado por várias situações.

 

MidiaNews – Por que o Pedro Taques, na sua opinião, foi importante nesse momento para o Estado, e por que ele pode continuar sendo importante por mais quatro anos?

 

Nilson Leitão – Mato Grosso viveu um momento terrível, que levou muita gente a cometer erros impagáveis para Estado, alguns pelo caráter e outros pelo sistema.

 

Mato Grosso arrecadava R$ 3 bilhões em 2002 e, seis, sete anos depois, estava arrecadando R$ 8 bilhões. E isso acendeu em muita gente a necessidade de aproveitar e melhorar suas vidas. Então, tudo isso foi um conjunto da obra que vinha acontencendo há muito tempo.

 

O Pedro Taques assumiu o Governo como o grande justiceiro. Mas o que é o justiceiro? É o cara que prende os outros? Mata os outros? Não. O justiceiro na política é aquele que consegue estancar a corrupção, aquele que não vai dar bola para ninguém, que não vai se contaminar com o poder e vai dizer não para todo mundo. A história vai contar que o Pedro foi importante para isso. Ele foi o cara certo para poder falar para todo mundo: 'alto lá, ninguém entra aqui dentro não, eu vou fazer do jeito que eu quero'. 

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Nilson Leitão 01-08-2018

"A história irá mostrar a importância que Pedro Taques foi para esse momento político e de gestão que Mato Grosso atravessava"

Qualquer outro teria sucumbido, pela pressão de todo mundo, pela forma do empresário, do fornecedor, de todos os setores, dos Poderes, que querem mais, que precisam de mais. Então nesse conjunto da obra ele conseguiu brigar com todo mundo. Ele foi importante para sinalizar que é possível governar sem corrupção. E aí vão dizer: mas teve o esquema da Seduc, teve o esquema do Detran. Esse sistema faz 10, 15 anos que existia. O Pedro não sabia de jeito nenhum que existia, pelo menos é o que ele me fala. É um sistema que foi entrando de governo para gverno, que foi ampliando de governo para governo.

 

Alguém criticou esses dias dizendo que a Secretaria de Estado de Infraestrutura só fez duas licitações. Isso é ruim? Claro que é ruim do ponto de vista de gestão, de desenvolvimento. Mas é bom por outro lado, porque a Sinfra era um local de corrupção enorme, de um cartel enorme. Então tudo isso a história vai contar que ele fez um grande trabalho para Mato Grosso, estancando em vários pontos. É como aquela mangueira de água que está no quintal de casa com 400 furos. Ele fechou todos os furos? Não. Mas ele fechou pelo menos 300. Tem muito furo para tapar que vem vindo e você não consegue romper esses sistemas de corporações, de cartéis, de segmentos que querem se beneficiar com o dinheiro do Estado.

 

MidiaNews  - O senhor utilizou a expressão "justiceiro político". Pode explicar melhor?

 

Nilson Leitão – A história vai mostrar a importância que Pedro Taques teve para esse momento político e de gestão que Mato Grosso atravessava. Um Estado rico, mas que também ficou famoso pelos desvios.

 

O que aconteceu no Governo dele de coisa ruim, de prisões e tudo mais, o Governo não tentou interferir. Muitas pessoas até dizem que ele não tem compaixão, companheirismo, solidariedade com ninguém, está vendo acontecer isso com os companheiros dele e o que ele faz é mandar investigar.

 

O adversário pode falar que os primos dele estão presos, mas ele vai poder afirmar que não impediu, não interferiu, não tentou atrapalhar, ao contrário, pediu que fosse feita justiça.

O Governo do Mauro não foi esse suprassumo. Em 2013, 2014 ele não estava bem. O Mauro começa a decolar em 2015, com o governo Pedro Taques

 

E ele fala que dói nele todos os dias, como parente, amigo, mas ele não interferiu.

 

MidiaNews - Mas é fato que os adversários políticos vão usar os supostos casos de corrupção na gestão para atingir Pedro Taques. De que forma a coligação vai defender o Governo?

 

Nilson Leitão - Ninguém, nem seus inimigos, pode dizer que o Pedro Taques é corrupto. Ninguém. Até porque o Pedro continua sendo o Pedro. Ele tem um relacionamento duro, difícil, mas ele é autêntico, é aquilo lá. Ele mesmo fala que nunca mudou, que nunca se vendeu, que é o mesmo Pedro de 2010, 2014 e de 2018, cada qual no seu cenário, mas com o mesmo Pedro. Então, por mais que possa te existido corrupção no Governo, não houve corrupção do governador.

 

MidiaNews – A afirmação que ele faz de que não mudou é positiva? Com o passar do tempo, ele não deveria ser um pouco mais complacente em algumas situações, recuar, dialogar?

 

Nilson Leitão – Eu acho que quando ele fala que não mudou é em relação a quem quer participar do Governo de uma forma que ele não concorda. Mas eu concordo que o político tem que evoluir, ser mais aberto para ouvir a opinião alheia. A política é muito mais um trabalho de ouvir, do que falar, porque com certeza você vai ter resultados muito mais rápidos e eficientes.

 

O Pedro é o Pedro. Assim como ele tem suas qualidades e seus defeitos, os outros candidatos também têm. Acho que o grande desafio do Pedro Taques é mostrar humildade e reconhecer isso. Aliás, qualquer político que conseguir alcançar esse patamar de grandeza consegue dialogar com o eleitor com muito mais facilidade.

 

MidiaNews – Ele errou onde na sua opinião?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Nilson Leitão 01-08-2018

"Ninguém, nem seus inimigos, pode dizer que o Pedro Taques é corrupto"

Nilson Leitão – Eu acho que ele errou muito mais na relação, e não só na relação pessoal, mas na relação da equipe com a classe política, com a base, com os seus correligionários. A política tem que ser feita com todo mundo, mas obviamente você tem que ter um relacionamento muito mais forte com aqueles que te ajudaram a ganhar a eleição. E não é para dar benefício para alguém. Ao contrário disso, é para justamente ter respeito.

 

Então, o vereador lá, a liderança, o presidente de um partido, às vezes, se sentiu um pouco distante, não pelo Pedro Taques, mas pelo Governo, aqueles que chegaram lá e não deram o devido respeito, o prestígio que precisava.

 

MidiaNews -  O senhor não acha que o governador agiu mal na questão da RGA [Revisão Geral Anual] e isso o fez perder apoio de uma parcela grande da população?

 

Nilson Leitão – Titubeou. Poderia ter chegado em janeiro, diante do cenário, e dito que não ia dar. Mas ficou em cima da hora para discutir se ia dar ou não. Na campanha eleitoral de 2016, eu lembro que visitando e ajudando os prefeitos, pois eu era presidente do PSDB à época, cada cidade em que chegava você não discutia outro assunto. Era só RGA.

 

E olha que parece que ele não pagou. A impressão, quando se olha para trás, é de que ele não deu esse benefício ao funcionalismo. Mas ele deu! Quer dizer, houve o benefício, houve o chamamento de concursos públicos, houve tudo aquilo que um Governo talvez nem fizesse na crise que Mato Grosso vivia. E o Pedro Taques fez, mas não teve o conhecimento.

 

MidiaNews – E o que fazer para reverter isso?

 

Nilson Leitão – Gratidão a gente não cobra. Mas na política, você precisa apenas lembrar o que fez. Dizer assim: olha, eu atendi o seu pleito, eu melhorei a sua vida, eu não deixei você para trás. É isso que tem que ser colocado de forma muito clara.

 

Por isso que eu acho que o programa eleitoral do Pedro deveria ser muito mais focado em resgatar a memória daqueles que foram beneficiados e também mostrar como ele melhorou o Governo em relação ao anterior, do que fazer promessas.

 

MidiaNews – Mas o senhor não acha que o eleitor é muito passional? Isso não irá dificultar?

 

Nilson Leitão – É aí que entra o reconhecimento da desculpa e o governador tem feito isso nos últimos meses de forma muito forte. E tem que reconhecer mesmo, isso não é nenhum demérito, não. Aliás, isso é muito bom, bonito, melhora a pessoa como ser humano.

 

O governador Pedro Taques vai partir do princípio de que não tem nele a cara do corrupto, que pegou o Estado cheio de armadilhas para ser consertado, pegou um Estado que passava 50% a menos para a saúde básica dos 141 municípios. E com apenas três meses de gestão conseguiu dobrar esse valor. Além disso, abriu mais de 200 UTIs num momento de crise.

 

O Pedro foi sempre um cara muito duro, um cara que nunca teve assim aquela coisa de afetividade, mas é uma boa pessoa, ele não consegue ser ruim, não consegue tomar aquilo que é seu, roubar o seu dinheiro

O Pedro teve as suas vantagens exatamente porque ele foi corajoso de instalar, implantar e atender aquilo que era o básico, como na segurança, onde houve o chamamento de 3 mil policiais. Você imagina o caos que estaria Mato Grosso sem esses 3 mil policiais nas ruas.  Então, é claro que teve muito benefício.

 

Só que a forma, o tratamento, a irritação da crítica - e eu falo sempre para o Pedro: pare de jogar pingue-pongue com seus adversários. Você não pode devolver a bola para esse tipo de coisa. Está errado. E ele diz: "Eu não posso deixar que me ofendam". Mas eu ressalto: há muito tempo eu aprendi com um padre que se alguém te ofende, te xinga, você deve colocar a mão no ouvido para não se contaminar com coisas negativas .

 

MidiaNews – Em relação aos pedidos de desculpas que o senhor disse que Taques têm feito de uns tempos para cá, isso não pode soar um pouco "fake" nesse período eleitoral?

 

Nilson Leitão – Eu já vi homens muito duros, brutos que às vezes nunca abraçaram um filho, uma filha. Mas que ao se verem numa situação ruim, acabam ficando mais vulneráveis, sensíveis... E nesse momento, o ser humano se transforma.

 

O Pedro foi sempre um cara muito duro, um cara que nunca teve assim aquela coisa de afetividade, mas é uma boa pessoa. Ele não consegue ser ruim, não consegue tomar aquilo que é seu, roubar o seu dinheiro.

 

E a eleição também deixa o cara vulnerável. E outra, ninguém consegue enganar ninguém, na expressão você nota se a pessoa fala a verdade ou não. 

 

Midia News- E com relação à acusação do cabo PM Gérson Corrêa, que afirmou que o governador era “dono” do esquema de grampos?

 

Nilson Leitão – Eu sou muito cuidadoso com isso. Há uma diferença enorme entre a delação, a citação e a menção. Eu não entendo do processo, mas acho que a Justiça tem que acelerar isso para não deixar nenhum culpado sem ser responsabilizado e também não atrapalhar um inocente no período eleitoral como esse. Não se pode deixar isso no ar, é muito ruim.

 

Infelizmente nos últimos tempos a acusação tem virado uma sentença.

 

MidiaNews – O senhor acha que pode haver algum ingrediente político no sentindo de tentar prejudicar Taques nesse momento, com essa questão da grampolândia?

 

Nilson Leitão – Eu acho que tem uma guerra de poderes sem dúvida nenhuma, mas não posso acreditar que o Ministério Público Estadual faria isso para prejudicar o Pedro politicamente. Eu sou um político que já me senti prejudicado pelo Ministério Público, mas sempre votei no Congresso a favor de ampliar as investigações, a estrutura do Ministério Público. Sempre votei a favor deles.

 

MidiaNews – Diante de todas essas denúncias de esquemas no Governo, o senhor acha que ele entra nessa campanha com a mesma estatura no quesito moral que ele entrou na anterior?

 

Nilson Leitão – Não. O Pedro Taques é outro Pedro Taques. Eu disse a ele com toda tranquilidade, que ele ainda é um político diferente, mas agora ele é um político. Antes nós tínhamos duas linhas, a linha do Pedro e a linha da classe política. Hoje ele está na linha da classe política - e não é nenhum demérito também.

 

Em 2014 praticamente todos os grupos se uniram a ele porque todas as pesquisas indicavam que ele era o cara que o eleitor queria, por ser diferente, austero, justiceiro. O Pedro continua sendo isso, mas agora precisa explicar o que fez durante esses três anos e oito meses de gestão. Ele não é o mesmo Pedro que foi para eleição de 2014. Ele é um Pedro com outros problemas, com novos problemas e que ele tem que explicar o governo dele. Ele não pode mais se comparar ao governo anterior.

 

MidiaNews – Como o senhor define esse novo Pedro Taques?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Nilson Leitão 01-08-2018

"Eu não faço política pensando em carreira, não"

Nilson Leitão – O novo Pedro que vai dizer o que aprendeu nesses três anos e oito meses. Ele sabe como estancar corrupção, mas ele tem que aprender a lidar com os três Poderes, com a sociedade civil organizada, com a classe política. Acho que agora, numa eventual reeleição, ele vai entender esse quadro. E esse novo quadro com o governo consertado, com a casa arrumada, será muito melhor.

 

MidiaNews – Mas ao tentar consertar o senhor não acha que ele criou outros problemas? O próprio Mauro Mendes afirmou que ele engessou o Estado ao nomear técnicos para as secretarias. O senhor admite que de certa maneira ele engessou o Estado?

 

Nilson Leitão – Eu acho que o jeito dele governar foi o jeito dele governar, como o Mauro teve o jeito dele na Prefeitura. O Governo do Mauro não foi esse suprassumo. Em 2013, 2014 ele não estava bem. O Mauro começa a decolar em 2015 com o governo Pedro Taques, que começou a investir no Parque Tia Nair, no novo Pronto-Socorro, no Hopsital São Benedito, na revitalização da Avenida do CPA, nas obras de bairro.

 

A Prefeitura de Cuiabá não tinha dinheiro para nada. O Governo do Estado pôs dinheiro nessas obras e fez essas obras acontecerem. E assim levantou a popularidade do Mauro naquele período. Eu acho que o Mauro reclama muito mais do tratamento do que da gestão. Os secretários do Pedro são os mesmos que foram do Mauro. O Mauro não pode apenas querer atirar essa pedra no Pedro dizendo que vai ser melhor. Ele nunca provou que é melhor, só teve um mandato e 50% do seu mandato no período de sucesso foi com parceria com o Pedro Taques. Não foi sozinho. Sem o Pedro Taques, o Mauro não teve sucesso. Não estou aqui dizendo que o Mauro não pode ser um grande gestor. Poderá ser, mas ele ainda não está experimentado de fato para isso.

 

MidiaNews – O senhor acredita que o Mauro Mendes foi ingrato com o Pedro Taques ?

 

Nilson Leitão – Não é nem ingrato a palavra. Acho que faltou reconhecimento. O reconhecimento de dizer que ele é adversário do Pedro, que vai disputar a eleição por não concordar com isso e aquilo, mas reconhecendo que o Pedro foi importante para o mandato dele.

 

Ele tem que reconhecer também que o Pedro Taques foi importante no combate à corrupção. Mas vamos combinar né, a corrupção em Mato Grosso estava em todos os lugares. Eu posso falar isso com tranquilidade porque eu fiquei 12 anos na oposição, criticando e apontando. 

 

Só falta o Mauro querer me dizer também que o Pedro não foi importante para eleição dele em 2012. O Pedro bombava com 80%, 90% da opinião popular, com uma credibilidade enorme e ajudou. Mas tudo isso não tira o direito de Mauro de ser candidato. Agora, só não tem o direito de não reconhecer.

 

Só falta o Mauro querer me dizer também que o Pedro não foi importante para eleição dele em 2012. O Pedro bombava com 80%, 90% da opinião popular, com uma credibilidade enorme e ajudou

MidiaNews – O senhor citou a reeleição do Dante de Oliveira. Naquele ocasião o slogan utilizado foi “Casa arrumada, hora da virada”. O senhor vê semelhança com a reeleição do Pedro Taques?

 

Nilson Leitão – Tem muita coisa parecida, mas em situações diferentes. O Dante na época pegou um Governo com uma gestão muito explodida. A cada R$ 100 arrecadados, R$ 90 eram gastos com folha. Era um caos instalado. A Cemat era do Estado, o Dante mandou 8 mil funcionários embora de uma pancada só. Tem gente que odeia ele até hoje por conta disso. Mas esse enxugamento é que levou o Estado a ter o equilíbrio com superávit financeiro, orçamentário e patrimonial.

 

Depois disso o Estado inchou de novo. Cresceu muito o orçamento, mas também os gastos. Por que Mato Grosso é incontroverso? Porque ele cresceu muito na área rural, a tecnologia, a expertise e muito mais. E a área urbana ficou com essa carência de estrutura da saúde, educação e segurança.

 

Veio se estruturar nessas áreas agora. Um exemplo que o Pedro Taques me deu nesses dias, que reforça tudo isso, é a salvação de uma criança em um incêndio em Lucas do Rio Verde. Aquela criança só foi salva porque o Governo modernizou os equipamentos do Corpo de Bombeiros e comprou um capacete novo que proporcionou ao bombeiro a adentrar no local e resgatar a criança. Se não fosse esse capacete, essa criança estaria morta.

 

Então são detalhes da modernização e não se pode dizer que não melhorou. O Governo corrigiu a casa, modernizou em muitos pontos, avançou em muitos pontos. Ninguém pode perder a memória de como o Pedro Taques assumiu em janeiro de 2015 com todas as intervenções na saúde, intervenções essas que não eram técnicas, eram políticas. As intervenções nos hospitais do Estado eram caso de polícia, pois foram feitas no final de novembro de 2014, faltando 40 dias para entregar o mandato. Tudo para manter os contratos.

 

Além disso, a quantidade de obras paradas, escolas paradas, empreiteiras sem receber no Governo anterior. Uma situação horrível. E digo mais: com a lei aprovada na Assembleia para que em maio fosse paga a RGA e aumento de salários. Então, se você quiser elogiar o Governo dele, você tem argumentos de sobra. Se quiser criticar, você também terá.

 

Por exemplo, o Otaviano Pivetta foi o coordenador da transição do Pedro Taques, com muita competência, mas o que ele entregou em janeiro de fato? Esse debate precisa ser um debate honesto. Um debate [mostrando] que de fato existem falhas do governo, mas não pode dizer que Pedro Taques engessou o Estado. Quem engessou o Estado foi o governo anterior. E quem não conseguiu entrar, inaugurar o governo com uma condição melhor foi quem coordenou, quem comandou toda a transição, porque dia 1º de janeiro quem manda é a transição, não é o governo.

 

Eu não faço política pensando em carreira, não. Eu fui vereador, deputado estadual, prefeito duas vezes, deputado federal por dois mandatos e acho que estou preparado para o Senado

MidiaNews – Com relação ao Senado, como que fica a sua situação tendo a ex-juíza Selma Arruda ao seu lado no palanque?

 

Nilson Leitão – Eu sempre disputei eleição sem me preocupar muito com concorrente. Você não pode escolher adversário e, nesse caso, nem seria porque são duas vagas. Eu sou candidato a senador desde 2015, com o Blairo Maggi candidato, em um momento em que ele não estava tão bem. E depois em um momento que ele se tornou o maior líder e hoje é o nome mais lembrado de Mato Grosso. Se ele fosse candidato a senador, dificilmente ele perderia uma vaga.

 

O resultado pode ser favorável como pode ser desfavorável, mas a caminhada é que tem que ser boa. Eu acho que a Selma não me atrapalha, e eu acho que eu não a atrapalho. Na situação que ficou, acho que ela atrapalha muito mais quem está em outras chapas.

 

Tentei de tudo para que outros companheiros estivessem na chapa, e a Selma sabe disso, fui muito aberto o tempo todo. Tentei trazer o Adilton Sachetti, o Carlos Fávaro, mas não consegui. Quando bateu o martelo com a Selma, eu aceitei.  Acho que ela tem boas possibilidades, por ser uma personalidade nova na política e eleitor querer o novo. 

 

MidiaNews - Por que o senhor resolveu não tentar uma reeleição quase certa na Câmara e optou por concorrer a uma vaga no Senado?  Não teme ficar sem mandato?

 

Nilson Leitão – Eu não faço política pensando em carreira, não. Eu fui vereador, deputado estadual, prefeito duas vezes, deputado federal por dois mandatos e acho que estou preparado para o Senado.  

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Nilson Leitão 01-08-2018

"Muita gente acha que o índio não gosta de mim. É o contrário disso, eu tenho uma relação com nação indígena fantástica"

Eu sou líder do meu partido nacionalmente, fui presidente do maior frente parlamentar do Congresso que é da Agricultura, fui o único deputado durante esse período que conseguiu transformar os projetos em lei, tenho mais lei do que todos os presidenciáveis.

 

Essa leis beneficiam o pequeno e médio empresário, o produtor rural, o setor de comunicação. São muitas vitórias que consegui alcançar. Estou pronto para representar Mato Grosso no Senado. Não há razão para dizer que irei desistir apenas porque para deputado federal eu ganho e para Senado há um risco.

 

Eu prefiro correr o risco de ganhar e ser senador, ou perder, porque não vai mudar nada na minha vida ficar sem mandato. Vou tocar minha vida como qualquer brasileiro.

 

MidiaNews – O senhor admite que, em razão dessas suas funções no Congresso, afastou-se da sua base e isso posse prejudicá-lo na eleição?

 

Nilson Leitão – Não. É o estilo de cada um. Quando eu era prefeito, por exemplo, eu não nunca ia na festa da igreja na esquina da minha casa. Eu não sou aquele político de tapinha nas costas. Gosto do resultado. Eu sempre peço aos meus amigos prefeitos, às lideranças, que não me convidem para festa. Sábado e domingo eu quero estar na minha casa, com a minha família.

 

Mas se tiver uma reunião domingo de manhã lá em Rondolândia para tratar de um assunto de interesse da população, eu vou. Eu sempre fui assim. Eu coloquei emenda nos 141 municípios de Mato Grosso, todos os municípios do Estado têm recursos encaminhados pelo o meu gabinete. Mas eu nunca fui de ficar falando de emenda, essas coisas.

 

Eu consegui fazer projetos importantes e levantar bandeiras que atendem diretamente o Estado de Mato Grosso. Por exemplo, os conflitos indígenas do Araguaia. Fui eu que liderei o debate, não a favor de um ou de outro, mas a favor da justiça, protegendo o índio, protegendo o produtor. Eu fui muito votado na Araguaia em 2014 e, com certeza, serei de novo porque continuei lutando por aquilo em que acredito.

 

Muita gente acha que o índio não gosta do deputado Nilson Leitão. É o contrário disso. Eu tenho uma relação com nação indígena fantástica, não tenho com alguns que são bancados por ongs. Esses eu nem quero.

 

Então, eu acho que minha ausência física em determinados lugares foi preenchida com muito trabalho, trabalho duro.

 

MidiaNews – Por que o senhor acha que está credenciado para representar Mato Grosso no Senado?

 

Nilson Leitão – Eu cheguei em Brasília em 2011 atrasado. Perdi sete meses do meu mandato [por causa de uma disputa judicial pela vaga] e, com quatro meses lá, já virei presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, que foi aquela comissão que convocou seis ministros da Dilma Rousseff para explicar desvios e corrupção. E os seis caíram.

 

No ano seguinte, em 2012, eu virei vice-líder da oposição vice-presidente da Comissão de Agricultura. Em 2013, eu viro líder da oposição na Câmara Federal com a Dilma com 80% de aprovação. Nós éramos 80 opositores contra 400 da situação.

 

Depois veio o impeachment, que eu liderei, junto com mais quatro, cinco ou seis. E após o impeachment, assumo a Frente Parlamentar da Agricultura e tudo isso me credenciou para crescer. Então, no Senado, quero tirar da gaveta a redução da maioridade penal, quero rediscutir a legislação que engessa o Estado, engessa o País em relação às demarcações, a questão fundiária e da Lei Kandir.

 

O cidadão terá um representante à altura, focado e incansável na defesa dos interesses de Mato Grosso. Minha história como político me credencia para este desafio.

 




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20 Comentário(s).

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Gaspareto Silva  28.08.18 14h36
O triste é ter que ouvir esse tipo de argumento, quem fala por Taques são seus atos, e estes estão sendo noticiados todos os dias pra quem quiser ver e ouvir. Mal gestor e comprometido com seus secretários.
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1
Tatiane   08.08.18 09h29
Pra quem pegou um estado sucateado, falido, ele foi homem de coragem Sim, não teve aliados, teve erros e acertos, mais ele não teve medo, enfrentou tudo de cabeça erguida, conta comigo governador👏
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4
Jonas  06.08.18 07h19
Jonas, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Carlos Sampaio  05.08.18 22h13
FALOU TUDO SENADOR!!! SIGA EM FRENTE DESTEMIDO QUE SERAS ELEITO!!!
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Julian  05.08.18 19h46
Muitos aqui estao metendo o pau no governador o povo nao gosta dele porq nao cedeu aos aliados corruptos o povo ta acostumado ser roubado a tomar no c... por isso nao gosta do taques poe o mauro com a galera dele que esta por tras ai vao ficar ate sem a bera da cueca o povo tem oq merece acho e pouco mais infelismente os q nao colocam os mala tambem paga o pato junto.
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