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Entrevista da Semana / FUTEBOL DE MATO GROSSO
01.04.2017 | 20h15
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Novo presidente fará auditoria e promete acabar com amadorismo

Aron Dresch, que comandará FMF, quer dar transparência à entidade que controla o esporte em MT

Marcus Mesquita/MidiaNews

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O empresário Aron Dresch, que comandará a FMF pelos próximos 4 anos

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Eleito presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF) em votação realizada no último dia 16, o empresário Aron Dresch promete dar mais transparência para a entidade e tirar o futebol de Mato Grosso do amadorismo.

 

Em entrevista ao MidiaNews, Aron, que assume oficialmente o comando da FMF em maio, já anunciou que uma de suas primeiras medidas será a realização de uma auditoria.

 

Segundo ele, é preciso passar a limpo os números da federação, que durante décadas foi comandada pelo grupo do ex-presidente Carlos Orione.

 

Por enquanto, ele afirma que sequer tem conhecimento da situação financeira da entidade.

 

“Se existem irregularidades, vamos apurar. São 39 anos praticamente em que não temos notícia de como funciona lá dentro. Não sabemos. É tudo no escuro”, disse o empresário.  

 

Se existem irregularidades, vamos apurar. São 39 anos praticamente, que não temos notícia de como funciona lá dentro. Não sabemos. É tudo no escuro

"A gente busca essa transparência que não existe. A sociedade não sabe nada do que se passa dentro da federação. Não existem editais de esclarecimento a nível financeiro, administrativo. Não existe nada”, completou Aron.

 

Na entrevista, ele também fala sobre a realidade dos clubes do Estado, da expectativa de acesso à divisão de elite do futebol nacional e outros assuntos.

 

Confira os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – O senhor acaba de ser eleito para comandar a Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF) pelos próximos quatro anos. Quais os principais planos para sua gestão?

 

Aron Dresch – Em primeiro lugar, queremos colocar uma auditoria na FMF. A questão seria essa, em primeiro plano. Posteriormente, a execução de um planejamento para dar mais profissionalismo, acabar com esse amadorismo dentro da nossa Federação.

 

MidiaNews – Caso essa auditoria detecte, por exemplo, algum crime, o senhor vai adotar quais procedimentos?

 

Aron Dresch – Vamos fazer o que for necessário. Não há nada que nos impeça de fazer o que tem que ser feito. Se existem irregularidades, vamos apurar. São 39 anos praticamente que não temos notícia de como funciona lá dentro. Não sabemos. É tudo no escuro. Uma coisa que você não sabe o que está acontecendo.

 

MidiaNews – A princípio, pela experiência do senhor, pelo conhecimento, já é possível dizer quais seriam os principais problemas da Federação, quais as eventuais irregularidades que podem ser detectadas nessa auditoria?

 

Aron Dresch – Por enquanto, não podemos afirmar nada, pois realmente não temos conhecimento do que se passa lá dentro. De uma forma ou outra, a federação vem andando, vem seguindo o caminho dela. E a auditoria também é uma forma de eu poder me resguardar. É o correto a fazer no momento.

 

MidiaNews – Do ponto de vista financeiro, o senhor sabe qual a situação da entidade? Quanto de dinheiro há em caixa?

 

Não existem editais de esclarecimento a nível financeiro, administrativo. Não existe nada.

Aron Dresch – Não. Não tenho ideia nenhuma. É isso que a gente busca: essa transparência, que não existe. A sociedade não sabe nada do que se passa dentro da federação. Não existem editais de esclarecimento a nível financeiro, administrativo. Não existe nada. Os próprios clubes poderiam pedir esse esclarecimento financeiro da direção, mas parece que eles também não estão muito interessados em saber.

 

Mas o que mais me preocupa é prestar um esclarecimento à sociedade. Só o fato de você assumir a gestão e dar transparência, mostrar a realidade financeira da federação, já muda alguma coisa.

 

Hoje, após a eleição, a gente percebe que algumas coisas já estão mudando. Inclusive pessoas que antes até passavam desapercebidas por você e que hoje já têm algum receio do que pode acontecer [com a chegada de uma nova administração]. Pessoas que não preciso citar nomes, nem nada, mas noto que têm uma preocupação. Essa mudança, essa alternância no poder, é boa. Da mesma forma a federação não vai ficar. Isso eu tenho certeza. Mas isso é um trabalho em conjunto também. Os próprios clubes estão demonstrando apoio.

 

MidiaNews – O senhor acredita que a falta de alternância no comando da federação nas últimas décadas explica a atual situação do futebol mato-grossense?

 

Aron Dresch – Ajuda a explicar, mas não é o principal motivo. O motivo é que o futebol está generalizado. Diria que o futebol caiu um pouco no descrédito. Com a própria seleção aconteceu isso. E esses problemas ocorrem em todas as regiões, não só aqui em Mato Grosso. Não é só em Cuiabá, por exemplo, que a Arena está vazia.

 

MidiaNews – Com relação ao mandato do senhor, não corremos o risco de vê-lo se perpetuar no comando da FMF, tal como ocorreu com o ex-presidente Carlos Orione?

 

Aron Dresch – Faço o seguinte compromisso, desde que a gestão faça a satisfação dos filiados, me coloco à inteira disposição. Mas eu não tenho essa dependência de federação. Faço isso porque gosto do futebol. Não estou fazendo por questão financeira. Nem com pretensões de obter status, como é o que muitos almejam. Isso pra mim não importa. Se não estiver bom para a maioria, eu me retiro, sem problema algum. Não faço questão de reeleição, ainda que eu tenha uma boa administração.

Marcus Mesquita Imagens

Aron Dresch

"Não tenho essa dependência de federação. Faço isso porque gosto do futebol"

 

MidiaNews – Quando poderemos ver um time de Mato Grosso de volta à série A do Campeonato Brasileiro?

 

Aron Dresch – Acredito que esteja muito perto. Hoje, o Luverdense está numa boa fase, de ascensão. Sei que eles fazem um trabalho sério, por isso acredito que essa chegada não vá demorar muito. Se não for neste ano, nos próximos dois ou três anos tenho certeza que vai chegar. Os demais times estão um pouco mais distantes, nas séries C e D. Tem uma escada mais longa. O que está mais próximo, de fato, e que está bem organizado, é o Luverdense.

 

MidiaNews – Por que em Mato Grosso os times mais novos - e com menos torcida - estão conseguindo mais sucesso do que aqueles antigos, os chamados "times de massa", como Mixto e Operário?

 

Aron Dresch – Acho que o futebol desses clubes maiores não se modernizou, ficou no mesmo patamar da época do estádio Verdão. O Verdão colocava 40 mil pessoas, mas não coloca mais. Acabou a era das coisas fáceis para o futebol. Tirando times do interior, como o Sinop, por exemplo, o União, os times daqui saíram numa fase lá atrás. Acredito que há uma gestão muito antiga. Muito fazem ainda uma gestão da época do Orione. O Helmute Lawisch, por exemplo, que preside o Luverdense, é diferente. Ele interage com tudo, ele está dentro da CBF, ele faz um curso de gestão. Ele tem gestão. Muitos outros times não investem nisso. O Helmute profissionaliza o clube dele. O que é necessário ele coloca lá. Dentro do nosso futebol, ele é disparado o exemplo de profissionalismo.

 

MidiaNews – Mas o dinheiro do agronegócio também ajuda um pouco esses times do interior?

 

Aron Dresch – O dele [Lawisch] ajuda. O Luverdense é do agronegócio. Até onde eu sei, como ocorreu com o próprio Cuiabá, eles também colocaram dinheiro. O Dom Bosco também coloca dinheiro. Não tem como fazer futebol se alguém não colocar dinheiro. Pode ser um médico, um empresário, mas alguém investe dinheiro, ajuda todo mês com alguma quantia.

 

MidiaNews – Do ponto de vista financeiro, o que times como Mixto e Operário devem fazer para conseguir recursos, conseguir uma sobrevida?

 

Marcus Mesquita Imagens

Aron Dresch

"Luverdense está numa boa fase, de ascensão. Sei que eles fazem um trabalho sério, por isso acredito que essa chegada [série A] não vá demorar muito"

Aron Dresch – Exatamente a profissionalização. [Mixto e Operário] Ainda estão no tempo do Verdão e nós já estamos na era da Arena. Muitos clubes não andaram junto com o futebol. O futebol deu um salto, mas alguns times não. A própria CBF parou de fazer política com a seleção. Antes colocavam um técnico que era politicamente bom para eles. Hoje não, colocam um profissional, o melhor que existe.

 

MidiaNews – Frequentemente surgem comentários no sentido de que seria bom se os times de Cuiabá se unissem e formassem um só time para disputar o Campeonato Brasileiro, para ter mais competitividade. O que o senhor acha dessa ideia?

 

Aron Dresch – Isso é uma utopia. O futebol é cheio de vaidades, todo mundo quer o topo. Ninguém quer ficar no "rabo da cobra". No meu modo de ver, não teria como. Associar um time ao outro seria uma dificuldade, há uma disparidade de pensamento, inclusive. A gente não está aqui para criticar ninguém, mas como vai unir, por exemplo, Luverdense com Mixto? Nunca vai dar certo: o pensamento de cada um é diferente do outro. Mas esse é só um exemplo. Talvez um tem um pensamento mais político e o outro não. No Cuiabá, por exemplo, eu sei mais do que ninguém, não existe política, não envolve político. Outros times, politicamente, é o que manda. Tem gente, por exemplo, que vira presidente de clube para se eleger, como já aconteceu no próprio Mixto.

 

MidiaNews – Já que tocou nesse assunto, na avaliação do senhor, o Eder Moraes, que presidiu o Mixto, faz falta ao clube?

 

Aron Dresch – Faz. Porque, queira ou não, ele fomenta o futebol. Sem entrar no mérito dos recursos, mas essa questão de fomentar o clube é importante, é fundamental. O futebol é como o Carnaval, precisa ser fomentado. Lá no Rio de Janeiro, tem alguém que aparece com dinheiro para fazer fantasias, etc. No futebol é a mesma coisa. Futebol não se faz sem dinheiro.

 

MidiaNews – Uma das críticas que a gente ouve por parte dos clubes é em relação ao sigilo do contrato da TV Centro América com a Federação pelos direitos de transmissão. O senhor já teve acesso a esses números? Sabe quanto os clubes e a FMF recebem?

 

Aron Dresch – Esse contrato foi fechado pelo doutor Orione. Se não me engano, são quatro anos. Em 2018 terá um novo contrato, com novos parâmetros, nova negociação. Hoje os valores são em torno de R$ 30 mil para cada time participante. Muito pouco. O mesmo para a Federação. A Federação é "premiada" ou "cotada" como se fosse um time.

 

MidiaNews – Essa divisão é justa?

 

Aron Dresch – Não. A divisão deveria ser, no meu modo de pensar, por meio de um ranqueamento. É algo a ser pensado e que, claro, deveria ter a concordância dos clubes. Queremos colocar isso em prática. Pode não ser de forma imediata, mas tem que melhorar essa situação. Não é só dizer vamos fazer isso e pronto. Às vezes pode prejudicar alguém. Então tem que ser algo bem pensado.

 

Não cabe à federação captar recursos para distribuir. Isso não é função da federação. A função da FMF é organização, ter um campeonato organizado, para não ter esses imbróglios judiciais, como ocorre frequentemente. Ter um tribunal que funcione. Não podemos deixar o campeonato cair no descrédito.

 

Não cabe a federação captar recursos para distribuir, isso não é função da Federação

MidiaNews – Ainda sobre o contrato com a Centro América. Outro motivo de críticas é o fato de a emissora transmitir, para Cuiabá, jogos disputados aqui na Arena. Segundo os torcedores, isso afugenta o público. O senhor concorda com essa visão?

 

Aron Dresch – Quem gosta de futebol vai ao estádio. Ele não fica na cadeira em casa, mesmo tendo um conforto. Acredito que quem gosta - e se for um bom espetáculo -, vai ao estádio. Ainda mais com os preços praticados aqui. Temos preços acessíveis para o campeonato.

 

Na minha visão, o que falta é o espetáculo. Coisas como o que está acontecendo agora, com Dom Bosco e União brigando no "tapetão", aí o torcedor não gosta. O futebol cai no descrédito. O torcedor pensa: de que adianta eu ir ao estádio assistir ao jogo se querem decidir no "tapetão"?.

 

MidiaNews – O senhor acha uma boa política a Globo deixar de transmitir jogos dos campeonatos Carioca e Paulista para exibir os daqui? Não haveria uma alternativa?

 

Aron Dresch – Acho bom. Não vejo alternativa. Se transmitir na televisão um Corinthians e São Paulo, por exemplo, aí é que o torcedor não vai ao estádio aqui. A Globo detém os campeonatos estaduais creio que pra isso, para segurar o público. Para o público valorizar o estadual.

 

MidiaNews – Voltando a história dos direitos de transmissão. O senhor é que vai negociar esse contrato. Quando sentar à mesa, o que vai pedir?

 

Aron Dresch – Isso ainda não está decidido. Mas posso dizer que esse dinheiro pago atualmente é pouco e eles sabem disso. Foi uma negociação feita lá atrás, mas nosso futebol evoluiu. O Luverdense mesmo está aí disputando uma série B, que tem uma visibilidade grande por parte da CBF.

 

MidiaNews – Então esse montante do contrato é muito baixo, na avaliação do senhor?

 

Aron Dresch – Os valores chegam a quase R$ 400 mil. Diria que, para a época que foi negociado, era bom. Agora pode não ser mais. Não diria que vou "peitar" a Globo. Vou negociar, porque tudo é negociável. Vamos pedir algo. Em contrapartida eles querem o espetáculo. Não adianta nada eu ir lá pedir valor X e continuar a mesma coisa. Querem mudança, querem espetáculo.

 

Quem gosta de futebol vai ao estádio, ele não fica na cadeira em casa, mesmo tendo um conforto

MidiaNews – O senhor tem algum plano para a Arena Pantanal, em que pese o estádio ser do Estado? Acredita que ela seja viável economicamente?

 

Aron Dresch – O Governo tem um projeto. Eu não pensei em nada para a Arena, não. A certeza que eu tenho é que tem que ter espetáculo. Já tentaram o futebol americano. Uma vez dá certo. O cara quer conhecer, depois não volta mais. Está provado. Você coloca um ingresso a R$ 1, vai colocar 16 mil, 20 mil pessoas em um jogo. No outro jogo, você vai colocar mil, independente do valor do ingresso.

 

MidiaNews – Tem gente que defende que a Arena deve ser usada somente nas fases finais, em grandes jogos e deixar as "partidas menores" para estádios pequenos, como o Dutrinha. O senhor defende essa ideia?

 

Aron Dresch – Não. O custo é o mesmo. Para o time, o custo é o mesmo. Os times pagam 8% sobre a renda como alguel na Arena. Se a renda não é nada, problema é de quem cobra.

 

Os clubes pagam stewards [seguranças], pagam polícia, os juízes. Igual no Dutrinha, não tem diferença. O Governo cobra 8% [sobre renda] do clube quando vai jogar. Também assinamos um termo de compromisso para o caso de depredação. Isso ninguém sabe. É importante ser colocado. Todos pensam que usamos a Arena e que é de graça. Não é. Se alguém estragar catraca, banheiro, cadeira, qualquer coisa, o prejuízo é cobrado do clube.

 

MidiaNews – Muito já se falou que os presidentes de federações estaduais, para não se rebelar contra a CBF, receberiam uma espécie de “mensalinho”. O que há de verdade nisso?

 

Aron Dresch – Não tenho conhecimento.

 

MidiaNews – A CBF é envolvida em muita polêmica, denúncias de corrupção. O senhor defende que as federações façam um movimento para tentar mudar a CBF?

 

Aron Dresch – Acho que não precisa desse movimento. Penso que o que tem que ser mudado, na verdade, é o futebol. A essência do futebol tem que voltar, a competição, não é só o lado comercial.

 

MidiaNews – O senhor pode dizer para o torcedor mato-grossense que, a partir de agora, o futebol de Mato Grosso pode entrar numa nova era?

 

Aron Dresch – Vai entrar. A Federação tem a função de organizar campeonatos, fazer com que eles sejam mais transparentes, profissionalizar. Na nossa federação, temos uma cota de TV que não dá nem para a logística [viagens, hospedagens, etc]. Então vamos nessa linha. O que se pretende fazer? Conseguir algo que faça a logística dos clubes, que organize. Mas não dá para manter financeiramente os clubes. Isso eu não vou conseguir. Os clubes têm que se virar. O que já há de garantia é que vamos conseguir proporcionar essa logística.




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2 Comentário(s).

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JOAO P K  04.04.17 14h21
Pela teoria achei estupendo, agora vamos ver na prática. Boa sorte Presidente!
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Edivaldo da Silva Santos  03.04.17 08h53
parabéns está certo presidente . e todos seja punido pelos erros que cometeram. por conduzirem os Benefícios dela como meio de vida.
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