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Entrevista da Semana / SEM TRAIÇÃO
14.07.2018 | 19h50
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"Não devo nada ao Taques; nunca pedi nada a ele", afirma Jaime

Ex-senador nega ter apunhalado governador e diz que compromisso era apenas para 2014

Alair Ribeiro/MidiaNews

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O ex-governador Jaime Campos (DEM), que é pré-candidato ao Senado

JAD LARANJEIRA
DA REDAÇÃO

Doze anos após disputar sua última eleição, o ex-prefeito, ex-governador e ex-senador Jaime Campos (DEM) colocou o pé na estradas nas últimas semanas em sua pré-campanha para o Senado. Animado com os números das últimas pesquisas, ele acredita que seu grupo pode conquistar o Palácio Paiaguás em outubro.

 

Considerado, até pouco tempo, um aliado do governador Pedro Taques (PSDB), ele agora adota um discurso de adversário. E nega que tenha apunhalado pelas costas o governador, ao articular a candidatura do ex-prefeito Mauro Mendes (DEM).

 

"Eu não devo nada ao Pedro Taques. Não tive esse compromisso com o Pedro Taques. Eu votei no Pedro Taques e nunca cobrei dele nada, nunca pedi um emprego a ele, nunca pedi nada  a ele", afirmou, em entrevista exclusiva ao MidiaNews nesta semana.

 

"Nós não mudamos de lado. Nós o apoiamos como um partido que o apoiou na eleição. Fomos da base aliada. O nosso compromisso é com o Estado e sobretudo foi um compromisso normal do processo. E na medida em que o partido entendeu que tinha que ter uma candidatura própria, alto lá! Então ele não tem que reclamar. O partido foi demasiadamente leal com ele. Mais do que leal. Mesmo não tendo participação nenhuma na gestão, o partido ainda o apoiou por três anos", afirmou.

 

Jaime também falou de sua relação com Mauro Mendes - e o que espera para uma nova gestão em Mato Grosso.

 

"Eu acho que o próximo governador tem uma responsabilidade muito grande, de entender que nós precisamos, de fato, fazer um Estado moderno, com uma visão  não só no presente, mas sobretudo no futuro".

 

Confira os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – Qual a análise o senhor faz deste momento da corrida eleitoral ao Governo? Como enxerga o quadro atual?

 

Jaime Campos – Eu diria que primeiro estão começando as articulações, as composições políticas. Feito isso vamos ter as convenções partidárias. A partir daí os candidatos vão se habilitar através dos seus registros, aberturas de contas e inicia-se o processo eleitoral.

 

O ponto culminante agora é todo candidato atuando para ter o maior número de partidos aliados dentro do seu arco de aliança.

 

MidiaNews – Mas falando espeficicamente dos três principais pré-candidatos, que seriam o governador Pedro Taques, o ex-prefeito Mauro Mendes e o senador Wellington Fagundes. Com um cenário destes, o senhor acredita que poderemos ter segundo turno?

 

Jaime Campos – Pelas pesquisas, que são a fotografia do momento, imagino que se desenha um segundo turno. Mas ninguém pode antecipar, na medida em que ainda há muita água para correr embaixo desta ponte. Assim poderão, eventualmente, surgir outros nomes. O próprio Procurador Mauro vislumbra essa possibilidade de ser candidato a governador. Feito isso, nesse cenário que está aí, poderá acontecer o segundo turno. É óbvio que nós vamos torcer pelo candidato do DEM, que é o Mauro Mendes. Se possível para vencer ainda no primeiro turno.

 

É óbvio que nós vamos torcer pelo candidato do DEM, que é o Mauro Mendes. Se possível para vencer ainda no primeiro turno

MidiaNews – Com relação ao Senado, parece que o nome do senhor está praticamente consolidado, não é mesmo?

 

Jaime Campos – Nós estamos trabalhando para consolidar. Não existe nenhuma eleição que se ganha por antecipação. Eu estou me esforçando o máximo possível, buscando o apoio da população, buscando o apoio de segmentos sociais, dos partidos políticos. Estou trabalhando quase 18 horas por dia, para que, de fato, nós cheguemos a uma vitória no dia 7 de outubro. Para tanto – sem falsa modéstia –, eu tenho serviços prestados ao Estado. Faço política com respeito à população mato-grossense – sobretudo aos meus companheiros. E esses números que estão sendo apontados nas pesquisas me dão sim a certeza de que nós vamos ter um bom desempenho. E se Deus quiser, uma bela vitória neste ano.

 

MidiaNews – Neste momento ninguém cogita uma chapa que não tenha o senhor para o Senado e Mauro Mendes para o Governo.

 

Jaime Campos – Essa chapa já está praticamente composta. Toda hora nós estamos discutindo isso. Os suplentes de senador - porque cada vaga de senador tem duas vagas de suplente - e o vice-governador, isso o Mauro vai anunciar no momento oportuno. Eu acho que, no máximo até segunda-feira, o candidato a governador Mauro Mendes estará anunciando. E, se possível, já com a presença de todos candidatos de sua chapa – governador, vice, senador e as duas vagas de suplente de senador.

 

MidiaNews – O senhor tem andado pelo interior de forma mais constante nas últimas semanas. Qual sua impressão sobre o Estado atualmente? O que tem visto de problema?

 

Jaime Campos – Não tenho andado o quanto eu gostaria, até porque tenho outros compromissos aqui na Região Metropolitana e vários eventos em que tenho que estar presente. Mas feito isso aí, onde eu tenho andado, tenho recebido a repercussão e a aceitação do nome da candidatura de Mauro Mendes. Em relação à minha candidatura, sem falsa modéstia, a aceitação é acima da expectativa, pelo fato de que a última eleição que disputei foi em 2006. Faz 12 anos que não disputo. Deixei o cargo de senador da República em 1º de fevereiro de 2015.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Jaime Campos 11-07-2018

"Em relação à minha candidatura, sem falsa modéstia, a aceitação é acima da expectativa"

Em relação a Mauro Mendes, é possível ver com muita clarividência que seu nome hoje está muito bem pontuado e muito bem conceituado pela população, pela sua passagem como prefeito de Cuiabá, que foi uma passagem marcante. Ele teve um trabalho exitoso como prefeito isso tem permitido que sua candidatura seja muito bem recebida pelo povo.

 

O meu nome é leve pela nossa trajetória política como senador, como governador... Tive três mandados como prefeito. Então volto a repetir: é um nome leve pela nossa trajetória política. Acima de tudo, o que o povo espera é essa maneira republicana, leal e respeitosa com que tratamos os seus aliados e companheiros. 

 

MidiaNews – Voltando às suas andanças pelo interior. Acha que o Estado está abandonado?

 

Jaime Campos – Eu tenho uma tese: a crítica, quando construtiva, é saudável ao regime democrático. Todavia o que se faz? Não vou dizer que o próximo governador, o segundo ou o terceiro vão resolver os problemas de Mato Grosso. Mas há uma demanda reprimida de inúmeros problemas. É evidente que temos um setor que, com certeza, deve ser priorizado em qualquer gestão, porque governar nada mais é do que priorizar. Feito isso aí, a atual administração tem seus pontos positivos, mas a maioria absoluta de pontos negativos.

 

Todo mundo tem acompanhado pela imprensa a questão da saúde de Mato Grosso. Hoje ela é precária, ninguém pode desconhecer. Sei perfeitamente e reconheço que a questão da saúde no Brasil, de maneira geral, é precária, mas aqui em Mato Grosso ficou ainda pior. Haja vista que hoje nós temos uma deficiência enorme em termos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), na questão dos exames de alta complexidade e a falta de remédios. Os hospitais regionais dirigidos pelo Estado também funcionando de forma precária.

 

O próprio secretário Luiz Soares tem se esforçado o máximo possível, mas é preciso que se invista mais. Mas acima disso acho que temos que ter mais gestão, porque não adianta você ter muito recurso senão tiver gestão. Se você fizer, mesmo com pouco investimento, uma bela gestão, é possível você atender a demanda que naturalmente surge. No caso em questão, a saúde de Mato Grosso precisa melhorar urgentemente.

 

Acho que temos que ter mais gestão, porque não adianta você ter muito recurso. Se você fizer, mesmo com pouco investimento, uma bela gestão, é possível atender a demanda que naturalmente surge

Mas também temos outras necessidades. Por exemplo, Mato Grosso é um Estado de dimensão continental. Tem uma vasta malha rodoviária, cuja grande parcela já está deteriorada, até pelo passar dos anos. De obras que foram construídas, por exemplo, nas gestões de Júlio e Jaime Campos e pelo próprio ex-governador Dante de Oliveira. E o que acontece? Essas obras precisam ser restauradas. Muitas delas têm praticamente que fazer desde a recuperação da base. Então é uma questão muito séria.

 

Nós temos que, neste exato momento, destinar recursos para recuperar as obras já existentes. Temos dezenas de obras paralisadas -  acho que pela falta de planejamento. E o fato mais grave que eu vejo, particularmente, é a escassez de recursos. Mato Grosso não tem quase nada para investir. Se não me falhe a memória, do Orçamento que está sendo encaminhado para Assembleia Legislativa, parece que vai sobrar apenas 1% para investimento. Na minha visão, você nunca pode gastar mais do que arrecada. E aqui em Mato Grosso dá a sensação de que o Governo está ‘almoçando a janta’. Já antecipou a janta. É preciso ter pelo menos uma sobra razoável daquilo que ele arrecadou. Acho que nós temos que fazer um trabalho muito competente no sentido não só de viabilizar as receitas, mas, sobretudo, abaixar o custo operacional da máquina.

 

Então mesmo que o Estado tenha hoje uma bela arrecadação -, não só através da receita, mas também de outros fundos como o Fethab, que é razoável -, não está conseguindo atender a necessidade da sociedade. Então a visão que eu tenho é que a sociedade está esperando um Governo que faça com certeza um bom aproveitamento da arrecadação através dos investimentos.

 

MidiaNews – O senhor acha que o Governo Taques travou o Estado, como muitos dizem?

 

Jaime Campos – O Brasil vive uma quadra muito ruim. A crise política, o nosso PIB baixo há três, quatro anos, tendo inclusive sido negativo... Temos que apostar no crescimento da economia brasileira. Isso melhora para o Estado não só a arrecadação, como também as próprias transferências federais. Grande parcela dos entes vive das transferências do Governo Federal. Mato Grosso, em sua receita, tem se comportado muito bem, acima da média nacional. A receita de Mato Grosso tem crescido na ordem de 12% ou 13% ao ano. É quase surreal e inusitado. 

 

Agora o Estado tem que se discutir como um todo. Acho que tem que ser discutida uma nova gestão pública. A tese que eu tenho é que nós temos que discutir o tamanho da máquina pública, racionalizar as nossas despesas – esse é um ponto de vista meu, pessoal. Assim vai sobrar mais recursos para investimento na saúde, na segurança, na educação, nas obras de importância para o Estado. Mato Grosso tem uma das cargas tributárias mais pesadas do Brasil. Só na energia e telefonia chega quase a 42%. O nosso Estado tem uma carga tributária pesadíssima. Entao não adianta arrecadar essa bela receita e não sobrar quase nada para investimento.

 

MidiaNews – Em sua opinião, qual é o perfil ideal para o próximo governador?

 

Jaime Campos –  Nós precisamos fazer uma nova reforma administrativa em Mato Grosso. O governador Pedro Taques teve tudo na mão para fazer. Ele foi eleito com uma bela votação, sabia das dificuldades que poderia enfrentar no futuro. E é aquela velha história: você tem que cortar o mal pela raiz. E talvez o Pedro pecou aí, na minha visão. Porque achou que seria só festa, só alegria. É aquela velha história: dia de muito véspera de nada. Então você tem que articular como a prefeita Lucimar Campos fez aqui em Várzea Grande. Ela encontrou a Prefeitura literalmente falida, com um déficit gigantesco, a parte fiscal arrebentada. Ela buscou equilíbrio, receita e despesa, e hoje a Prefeitura está saudável. São poucas as prefeituras no Brasil hoje que estão com todas as suas contas em dia, com todas as certidões... E Várzea Grande ainda tem R$ 25 milhões aplicados para atender as demandas das obras.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Jaime Campos 11-07-2018

"Nós precisamos fazer uma nova reforma administrativa em Mato Grosso"

Aqui em Várzea Grande há 91 obras. Todas estão em execução, todas honradas, não só com os pagamentos dos empreiteiros em dia, como as contrapartidas, que são muito importantes. Se você não tem deposita a contrapartida, a Caixa Econômica Federal não libera o recurso. Hoje o maior programa de creches está aqui em Várzea Grande. São 5 mil novas vagas. São 16 creches para atender a demanda de crianças que não tinham acesso. Mas é necessário colocar a contrapartida. A obra do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] está sendo executada. Já pavimentou vários bairros, está fazendo drenagem, meio-fio, galeria, sarjeta, esgotamento sanitário... Nesse programa, ela está colocando 40% de contrapartida. Via de regra normalmente é 4%. E tudo isso por quê? Fez gestão. Hoje a Prefeitura está equilibrada. Então o que o Estado tem que fazer é equilibrar receita e despesa. Onde está o pulo do gato? Imagino que quem está lá dentro vai ter que ter conhecimento de causa para fazer um programa de Governo que contemple a população de uma maneira geral.

 

Então eu acho que o próximo governador tem uma responsabilidade muito grande de entender que nós precisamos de fato fazer um Estado moderno, com uma visão pensando não só no presente, mas sobretudo no futuro. E tem que pensar num projeto de Governo que viabiliza o Estado não para os quatro anos, mas sobretudo para 20, 30 anos. Essa é a visão que eu tenho.

 

MidiaNews – O senhor falou de obras em Várzea Grande. Muitas obras aqui na cidade foram feitas em parceria com o Governo  do Estado...

 

Jaime Campos – (Interrompendo) Muito pouco né? Criou-se quase uma lenda de que aqui nós fizemos alguns convênios com o Governo do Estado. A obra da Avenida da FEB foi conveniada com a Prefeitura e a Prefeitura pagou a sua contrapartida. O Estado até hoje não pagou o convênio da Avenida da FEB. Na verdade temos uma obra com o Estado. É a duplicação da Avenida Felinto Müller. Ele [o Estado] põe a parte dele e o Município a dele. Então estamos colocando na devida proporção. O que o Estado coloca nós estamos colocando conforme o convênio já acordado.

 

Sobre as demais, passou-se uma impressão de que as realizações da prefeita Lucimar Campos todas elas tinham a participação do Estado. Mas é pouco ou quase nada. Mas mesmo assim a prefeita é muito grata. Tanto é verdade que está aí um ginásio de esportes chamado Fiotão. Há um convênio assinado de R$ 2,2 milhões que foi combinado através de emenda do deputado Gilmar Fabris. Vieram só R$ 137 mil.

 

A Prefeitura já botou R$ 6 milhões nesta missão. Então se você mandou R$ 137 mil e seu compromisso é de R$ 2,2 milhões, você não está sendo correto. Eu não vou dizer que o Governo tem falhado com Várzea Grande. Eu sei das necessidades, dos problemas que ele tem passado. Mas o duro é você assumir compromisso e não honrar. Isso para mim é um defeito gigantesco. Acho que tudo que é combinado não sai caro. E ele não honrou. Tanto é verdade que ele fez três convênios para três colégios para nós construirmos para a rede estadual de ensino.

 

A Prefeitura adquiriu o terreno, fez toda terraplanagem, sondagem... Pediram para a prefeita licitar, ela licitou. Pediram para ela colocar a contrapartida, ela colocou. Por incrível que pareça, eu tenho 67 anos e nunca ouvi falar que Município deu dinheiro para o Estado construir um colégio. Para mim, isso é surreal. Mas a prefeita foi lá com toda disposição e colocou a contrapartida. Tanto é que ela fez a licitação. A obra estava prevista em R$ 8 milhões, baixou para R$ 7,4 milhões. Ela deu a ordem de serviço. A empreiteira entrou, executou a primeira medição, a prefeita já pagou e mandou suspender a obra porque ela não vai passar como mal pagadora. O Estado lamentavelmente não passou um centavo.

 

Dá a impressão que o Pedro Taques fez tudo aqui em Várzea Grande. Alto lá!

Nós agradecemos muito, pelo pouco, quase nada. Mas pelo pouco que fez, somos gratos. Só que evidentemente não pode passar essa impressão para a opinião pública. Assim dá a impressão que o Pedro Taques fez tudo aqui em Várzea Grande. Alto lá!

 

MidiaNews – Muita gente ligada ao governador sugere uma certa traição da parte do senhor, já que o governador foi seu aliado nestes anos de mandato.

 

Jaime Campos – Eu não devo nada ao Pedro Taques! Não tive esse compromisso com o Pedro Taques. Eu votei no Pedro Taques e nunca cobrei dele nada, nunca pedi um emprego para ele, nunca pedi nada a ele. Eventualmente que ele teria que dar alguma coisa, mas era para o partido. E ele não deu nada para o Democratas. O Democratas o apoiou. O líder dele por dois anos foi o deputado Dilmar Dal Bosco, e não fomos tratados como tal. Procure pelo Democratas se teve algum secretário, diretor na gestão do Pedro Taques. Nunca teve. Então eu não tenho esse compromisso. Nós o apoiamos. Na medida em que o partido lançou uma candidatura, é óbvio que o mínino que eu tenho que fazer é apoiar o candidato do meu partido. Então aqueles que estão pensando dessa forma, primeiro são caolhos politicamente. E segundo, são levianos de pensar desta maneira. Que me desculpe o termo, mas eu nunca firmei compromisso com o senhor Pedro Taques de que o apoiaria. O partido não tem esse compromisso com ele e nunca assumiu esse compromisso.

 

Nós não mudamos de lado. Nós o apoiamos como um partido que o apoiou na eleição. Fomos da base aliada. O nosso compromisso é com o Estado e sobretudo foi um compromisso normal do processo. E na medida em que o partido entendeu que tinha que ter uma candidatura própria, alto lá! Então ele não tem que reclamar. O partido foi demasiadamente leal com ele. Mais do que leal. Mesmo não tendo participação nenhuma na gestão, o partido ainda o apoiou por três anos. E eu pergunto se um dia ele deu alguma atenção de chamar o DEM para oferecer um cargo? Nunca teve essa oportunidade, sempre fazendo daquela velha história: me engana que eu gosto.

 

MidiaNews – Nós últimos dias o noticiário tem sido ruim para Mauro Mendes. A Justiça acabou de anular um leilão supostamente fraudado do qual ele participou. Há também acusação de calote em trabalhadores das empresas dele. O senhor não teme que isso possa afetá-lo eleitoralmente?

 

Jaime Campos – Essa resposta a pessoa mais indicada a responder é o próprio Mauro Mendes, por ser questão íntima pessoal e empresarial dele. Confesso que não estou habilitado a responder de forma precisa isso, na medida em que não conheço o problema. Isso só ele para responder.

 

MidiaNews – Suponhamos que amanhã é 1 º de janeiro de 2019 e o Mauro Mendes ganhou a eleição. Como um político experiente, qual o conselho que o senhor daria a ele em seu primeiro dia de governo.

 

Jaime Campos – Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia. Eu posso dar no momento certo. Mas após uma campanha é que você vai saber primeiro o sentimento da população, o que deseja e o que espera do próximo governador. Após todas essas andanças que teremos que fazer obrigatoriamente, que atinge 70% ou 80% dos municípios, aí você tem um conceito do que a população espera do seu próximo governador. Feito isso, eu acho que o Mauro tem a capacidade, tem a experiência para fazer um Governo que conseguirá transformar esse sentimento popular em fatos concretos de realizações. Eu torço e espero que as pessoas que estiverem participando da campanha dele sejam ouvidas. 

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Jaime Campos 11-07-2018

"Eu acho que o Mauro tem a capacidade, tem a experiência para fazer um Governo que consegue transformar esse sentimento popular em fatos concretos de realizações"

Eu, quando fui governador, estabeleci algumas prioridades e essa realidade foi concretizada. Meu sonho como governador era levar linha de transmissão para o Norte do Estado, e consegui levar até Alta Floresta. Meu sonho era fazer uma universidade estadual e criei a Unemat, que hoje tem 20 mil alunos. E muitos, quando criei, me chamaram de doido da cabeça porque ainda não tínhamos grande investimento no ensino médio e fundamental. E eu fui lá e criei a Unemat.

 

Estabelecemos uma prioridade de um percentual da receita de Mato Grosso, porque eu entendia e entendo também que o filho do trabalhador tem direito ao acesso do ensino de 3º grau. Ou seja, são prioridades de construção que estabeleci.

 

MidiaNews – Dias atrás, a juíza Selma Arruda falou que o senhor representa a política ultrapassada. O que tem a dizer a respeito?

 

Jaime Campos – Eu tenho pena de pessoas como essas aí. Eu prefiro nem responder, porque eu faço debate em alto nível, com propostas e sobretudo com respeito. Agora quem faz política com baixaria, eu prefiro não participar desse tipo de debate, porque eu debato idéias e propostas, como sempre fiz. Até porque disputei cinco eleições marjoritárias e ganhei as cinco. E a eleição em que menos tive voto foi a que disputei para prefeito de Várzea Grande. E tive 62% dos votos. O resto foi tudo acima da média nacional. A última de senador eu tive 77,4% de votos aqui em Várzea Grande. Para governador eu tive 68%.

 

Elegi os oito deputados federais. E dos 24 estaduais, elegi 21. Isso é um sinal de que nosso trabalho é reconhecido pela população. Nós não estamos aí como alguns candidatos oportunistas, que muitas vezes se escondem atrás de uma ferramenta. E nesse caso em particular vem tentar, depois de tudo isso, ser candidato. Não somos como aqueles que usam o poder da caneta e depois quer vir ocupar, exercer algum cargo. Depois de muitas vezes usar artifícios maléficos.

 

MidiaNews – Que tipo de ascendência o senhor pretende ter sobre um eventual Governo Mauro Mendes. 

 

Jaime Campos – Não terei ascendência nenhuma. Eu faço política por respeito e quero ser respeitado. Não serve pra mim se não for dessa forma, porque eu não vivo de política, é bom que se esclareça isso. Eu vivo de minhas atividades empresariais. Tenho 274 funcionários, desde engenheiros, pilotos, contadores, veterinários, economistas... Eu não vivo de política. Agora, eu faço política com prazer e respeito. E eu tenho certeza que o Mauro Mendes vai fazer política com grandeza, mas acima de tudo respeitando com muita lealdade aqueles que direta e indiretamente ajudaram a elegê-lo.

 

Eu não faço política de forma individual. Eu faço política em grupo, via meu partido. Tanto é verdade que eu iniciei na política quando ainda era moço, com 28 anos eu já era prefeito pela primeira vez nessa cidade aqui. Não era político. Eu era apenas o irmão do moço que já tinha disputado uma eleição de deputado federal. Eu o ajudava na coordenação da campanha. Feito isso, alguns senhores me procuraram e perguntaram se eu não tinha pretensões de ser candidato a prefeito de Várzea Grande. E nunca tive. Mas depois de muita insistência, meu pai me liberou. E eu nunca me esqueço da frase que ele me falou, quando o Júlio já era candidato a governador. Num almoço na minha casa, meu pai falou: ‘Num saco que vai um vão dois. Pode muito bem você ser candidato a prefeito, Jaime, e o Júlio a governador’. E foi assim, ganhei as eleições e fiz a maior política que já existiu aqui nessa cidade.

 




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35 Comentário(s).

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antonha  20.07.18 09h46
Sou Cuiabana e não gostei. O Taques ja esta falando mal da nossa culinaria, o cozidão é prato rico em vitaminas e que faz bem a saúde do povo cuiabano. O seu governo vou comparar com com as lindas flores, mais que são altamente tóxicas e até matam como a Kalmia latifolia,Cerbera odollam é conhecida como “árvore do suicídio”, e a raiz de sangue, a Sanguinaria. Para não correr o risco fique longe delas.
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joao  20.07.18 08h32
CHEGA DE FAMILIA CAMPOS, RAPOUSAS VELHAS, VAMOS RENOVAR.
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ANA MARIA  18.07.18 17h32
Neste caso cabe a máxima: "me diga com que tu andas que direis quem tu es" - apoiar Mauro Mendes e se aliar ao MDB já diz tudo.
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João Paulo   17.07.18 10h17
Pobre Mato Grosso. Ter esse cidadão como favorito a uma das vagas de senador significa que o Estado vive uma pobreza extrema de candidatos. Triste.
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Elano  16.07.18 15h52
Começou antes da hora, a turma do Taques começou a detonar o Jayme. Talvez por isso ele retribui por enquanto com luvas de pelica.
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7
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