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Entrevista da Semana / ALFINETADA EM EX-JUÍZA
09.06.2018 | 19h15
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“Não adianta combater a corrupção e receber auxílio-moradia”

A empresária Margareth Buzetti, pré-candidata ao Senado, alerta para desindustrialização e critica Taques

Alair Ribeiro/MidiaNews

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A empresária Margareth Buzetti, que é pré-candidata ao Senado

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

“Penduricalhos” que são sinônimos de corrupção. Assim a empresária Margareth Buzetti (PP) define os pagamentos de auxílio-moradia e auxílio-alimentação a uma parcela de magistrados que usam tais recursos como forma de complementarem seus salários.

 

“Eu falo do todo: auxílio-moradia, auxílio-alimentação, na minha avaliação, é para quem não tem moradia e não para complementar salário. Defendo que o juiz ganhe bem, muito bem. Mas ele não pode usar dessas artimanhas para aumentar seu salário. O que é isso? Pra mim é corrupção”, disse a pré-candidata ao Senado.

 

O posicionamento é na verdade, uma crítica direta a uma de suas possíveis adversárias na eleição deste ano, a juíza aposentada Selma Arruda (PSL).

 

“Nós lutamos para que o Estado diminua. E aí você, ao mesmo tempo,  é uma juíza que combate a corrupção e defende auxílio-moradia para complementar salário. Eu não consigo entender isso. Você está defendendo que não haja corrupção, mas ao mesmo tempo você usa esses penduricalhos”, afirmou Buzetti.

 

Defendo que o juiz ganhe bem, muito bem. Mas ele não pode usar dessas artimanhas para aumentar seu salário. O que é isso? Pra mim é corrupção

Nesta semana, em entrevista exclusiva ao MidiaNews, a empresária avaliou o cenário eleitoral, falou de sua pré-candidatura, do "grave" processo de desindustrialização no Estado e ainda fez duras críticas ao Governo Pedro Taques (PSDB), a quem ela disse ter apoiado na última eleição.

 

Na avaliação de Buzetti, o governo tucano “travou” o Estado. Disse ainda que Taques sequer conseguiu efetivar um dos principais discursos de sua campanha: o combate à corrupção.

 

“Ele foi a ‘pessoa que combateu a corrupção’. Mas a corrupção estava do lado do gabinete dele, com parente dele. O cara está preso. Já ouvi muito que o Pedro Taques é honesto. Que, apesar de tudo, as denúncias não chegaram a ele. Mas gente, como tu separa Pedro e Paulo? Está um do lado do outro, um defendendo outro. Não vejo como dissociar”, afirmou.

 

Veja os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – Você já se definiu como uma ativista política que sempre atuou nos bastidores. Por que decidiu dar um passo adiante e colocar seu nome à disposição de um projeto de candidatura?

 

Margareth Buzetti – Na realidade fui colocada nessa posição. Quando o ministro Blairo Maggi decidiu não concorrer – até tentei trazer outras pessoas para o PP, mas não deu certo –, o partido não abriu mão da vaga e lançou meu nome. Muitos colegas acham que esse momento exige mudança, renovação e que eu posso ocupar esse cargo. Aceitei essa missão. Mas falo com toda clareza e tranquilidade, não tenho essa vaidade, se surgirem outros nomes, posso apoiá-los também.

 

MidiaNews – Em relação a essa desistência do Blairo, e sabendo que ele é uma pessoa próxima a você, como foi esse momento? Como avalia essa decisão dele?

 

Margareth Buzetti – Nossas famílias são amigas há muito tempo. Acho uma pena para Mato Grosso (saída de Blairo da política). Mato Grosso perde, e o Brasil também perde, considerando a envergadura dele. Ele está fazendo um trabalho fantástico à frente do Ministério da Agricultura, enfrentando várias situações difíceis e saindo delas bem. Se não fosse uma pessoa com o conhecimento dele à frente do Ministério, nós estaríamos numa situação muito pior. Então, acho uma pena. Respeito a decisão dele, mas sinto por nós mato-grossenses. Penso que fica uma lacuna.

 

MidiaNews – Em algum momento, você já recebeu sinalização de que ele poderá apoiar sua candidatura, caso ela se concretize?

 

Margareth Buzetti – O Blairo já falou o seguinte: cada um põe seu carro para andar. Foi o que ele nos disse, ‘não esperem por mim, pelo meu apoio’. Porque sempre foi assim, todo mundo esperava por ele, que ele decidisse, que ele apoiasse e aí, realmente você fica numa dependência da outra pessoa. E ele, desde a coletiva dele, disse pra cada um colocar o seu carro pra andar, correr atrás de suas conquistas, seus sonhos.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Margareth Buzetti 08-06-2018

"O Blairo já falou o seguinte: cada um põe seu carro para andar"

 

Lógico que se ele me apoiar será ótimo, mas ele deixou claro que deve ficar mais neutro. Esses dias até conversamos, ele me aconselhou a deixar as coisas irem acontecendo, que lá na frente tudo vai se ajeitando. A candidatura é um projeto que você vai construindo. Lá na frente vê o que vai dar.

 

MidiaNews – Como a senhora não recusou de cara o “lançamento” da pré-candidatura, pode-se dizer que a senhora pelo menos cogita a ideia?

 

Margareth Buzetti – É um desafio. O Senado é onde os Estados se igualam. Sabemos que na Câmara, Mato Grosso tem oito deputados, São Paulo tem 70, se não me engano. É uma diferença monstra. Então, lá no Senado, é onde você vai travar as lutas, defendendo os Estados em pé de igualdade. Falo que é um desafio e não tenho medo de desafio, de jeito nenhum.

 

MidiaNews – Ainda falando nesse campo das pré-candidaturas, temos três mulheres cogitadas. Além de você, a ex-reitora da UFMT, Maria Lucia Cavalli e a juíza aposentada, Selma Arruda. Do ponto de vista da participação feminina na política, acredita que essa é uma boa notícia? Sinaliza a abertura de mais espaço a essa participação?

 

Margareth Buzetti – Sim. Pela primeira vez temos três mulheres que têm condições de concorrer. Porque anteriormente, víamos mulheres para preencher cotas, o que é muito ruim. Até por isso sou contra a cota, porque ela já é uma forma de segregar, já diz que você é diferente. E eu não acho que sejamos diferentes. Somos iguais em capacidade. Então, é muito positivo a mulher estar preenchendo esses espaços na política.

 

Pra mim, foi até uma surpresa o PP ter indicado meu nome, porque normalmente eles não indicam mulheres para cargos majoritários. Fiquei surpresa e, ao mesmo tempo, reiterei que é algo que precisa ser construído e que tem que ter viabilidade. Veja bem, não tenho medo de perder, mas se eu entrar, eu vou entrar para ganhar. Assim que tem que ser. Se não, você nem vai para disputa.

 

Quem é uma grande incentivadora minha é a senadora Ana Amélia, do Rio Grande do Sul, que é do PP. Ela até fez um vídeo me convidando para disputar, esse vídeo caiu na rede e eu nem sabia. Eu a encontrei numa defesa dos hospitais filantrópicos e ela fez esse vídeo: “bem-vinda à política”. E ela é uma referência pra mim, uma mulher que respeito muito na política, que passou 8 anos no Senado sem problema algum, com um trabalho belíssimo. Pra mim ela é uma referência.

 

Veja bem, não tenho medo de perder, mas se eu entrar, eu vou entrar para ganhar

MidiaNews – Voltando às pré-candidatas aqui do Estado, é possível perceber outra semelhança: o discurso de ser o novo na política. O que significa esse novo na sua opinião?  

 

Margareth Buzetti – Acho que o eleitor quer a renovação dos políticos que estão nos cargos. A gente observa que as pessoas vão se perpetuando nos cargos, vão colocando filho, esposa, a cunhada, é uma sucessão. Quer dizer, a pessoa só sai de lá quando morre. Acho isso horrível. Não há uma renovação. E isso não é só na política, você vê também nas instituições que defendem comércio, indústria, por exemplo. É um amor ao cargo que não consigo entender. Então, acho que o eleitor procura isso e é uma experiência nova até para o próprio eleitor. Como será esse novo?

 

Aí você vai me perguntar que projetos eu tenho para o Senado? Qual a área que tem que ser defendida para Mato Grosso? Todas. - Falo isso com a maior tranquilidade porque militei na política, sem ter cargo público, sem aposentadoria. Vivo do meu dinheiro. Minha empresa não é incentivada, nunca foi. Os projetos em que atuei sempre foram com dinheiro da iniciativa privada. - E penso assim, é preciso projetos para Saúde, Segurança, Infraestrutura, Ação Social, Educação. Tudo você tem que defender para Mato Grosso. O combate à corrupção tem que existir sempre. Ele não pode parar. Mas tem que atuar nas causas da corrupção. E hoje vejo que não está acontecendo isso.

 

MidiaNews – Hoje em dia, muito se fala do receio do cidadão comum em entrar na política, porque se tornou um ambiente muito agressivo. Você sente isso?

 

Margareth Buzetti – A política é muito difícil. Essa semana vimos novamente uma pessoa sendo agredida no avião [o deputado federal Ezequiel Fonseca]. Acho errado isso. A Justiça está aí para fazer o papel dela. Vivemos um momento de muito acirramento, a política está muito agressiva mesmo.

 

Tenho medo é da campanha, porque você não consegue controlar tudo que acontece. Todos os dias, convivemos com gente corrupta, seja empresário, servidor público, trabalhador da iniciativa privada, juiz ou promotor. Em todas as classes, você vê corrupção e, às vezes, você está do lado, mas não precisa se lambuzar. Por isso tenho medo da campanha, não de estar lá e sofrer pressão para me corromper.

 

Esse é outro problema que acho que a política enfrenta. O político falar o que o eleitor quer ouvir. Não é assim, temos que falar o que o eleitor não quer ouvir. É uma reforma política, uma reforma tributária, a própria reforma da previdência. O eleitor não quer ouvir e nem quer falar sobre isso, mas você tem quem falar e os políticos, infelizmente, não fazem isso. A maior parte faz tudo em troca de voto, porque tem que ficar lá se perpetuando no poder. Até por isso acho que, se eu for eleita, serei senadora de uma legislatura só.

Em todas as classes você vê corrupção e, às vezes, você está do lado, mas não precisa se lambuzar

 

MidiaNews – Quando você cita o medo da campanha, isso também está relacionado a eventuais ataques que você possa sofrer? Campanhas difamatórias, as próprias fake news....

 

Margareth Buzetti – Também. Isso não é agradável e é uma das práticas mais usadas na política. Costumo dizer que minha vida é tão certinha que chega até a ser sem graça. Aí você ver alguém te difamando é muito ruim. Nunca consegui nem furar fila, porque não tenho coragem. Se alguém me chamar de ladra, acho que eu saio dando bolsada (risos).

 

Mas não é nem por isso. Meu medo mesmo, por exemplo, é a prestação de contas de campanha, você tem partidos envolvidos, coligações. Não quero sujar meu nome depois de 58 anos de idade. Lutei muito para chegar até aqui. Trabalho todos os dias, das 6 às 18 horas. O meu temor é quanto a algumas questões que fogem do meu controle, por envolver uma série de pessoas.

 

MidiaNews – Voltando a questão da disputa eleitoral e suas concorrentes, você chegou a fazer alguns apontamentos em relação a juíza Selma. Você mencionava a necessidade de se reduzir o tamanho do Estado e criticava aqueles que defendem ganhos como o auxílio-moradia, auxílio-alimentação. Como você vê essa questão?

 

Margareth Buzetti – Nós lutamos realmente para que o Estado diminua. Realmente, o público não cabe mais no privado, isso é fato. Ontem mesmo fiz uma reunião na associação [Associação das Empresas do Distrito Industrial de Cuiabá – AEDIC], com a prefeitura, representantes de várias pastas para tratar desse assunto, porque não dá mais para continuar do jeito que está.

 

Vejo assim, elas [Maria Lúcia e Selma Arruda] são duas pessoas públicas. O público é muito diferente do privado. Se você vê o salário público e o da iniciativa privada, as diferenças são enormes. E aí você vê, ao mesmo tempo, uma juíza que combate à corrupção, defendendo auxílio-moradia pra complementar salário. Eu não consigo entender isso. Eu falo do todo, auxílio-moradia, auxílio-alimentação, na minha avaliação é pra quem não tem moradia e não para complementar salário. Defendo que o juiz ganhe bem, muito bem. Mas ele não pode usar dessas artimanhas para aumentar seu salário. O que é isso? Pra mim é corrupção. Você está defendendo que não haja corrupção, mas ao mesmo tempo você usa esses penduricalhos.

 

Temos que diminuir o Estado. Vai chegar uma hora, aliás, já estamos nesse momento: o público não cabe mais no privado. Só ver o que está acontecendo no Estado.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Margareth Buzetti 08-06-2018

"O que mais gera emprego é a indústria. E, infelizmente, a indústria está acabando, a indústria está fechando"

 

MidiaNews – E aí, entrando na sua seara de atuação como presidente da Associação, o Brasil vive um processo de desindustrialização, indústrias fechando e o Brasil se tornando um país de prestadores de serviço. Isso se repete também em Mato Grosso e lá no Distrito Industrial?

 

Margareth Buzetti – O que mais dá dignidade a uma pessoa é ela ter seu salário, ter seu sustento. O que mais gera emprego é a indústria. E, infelizmente, a indústria está acabando, a indústria está fechando. No Distrito, por exemplo, tínhamos três esmagadoras de soja. Todas fecharam. Aquilo movimentava muito.

 

Ao mesmo tempo, temos que falar da verticalização da indústria, você diversificar. Por exemplo, o agronegócio aqui é muito forte. E agora está começando a agroindústria, que é o correto. Mas aí enfrentamos a questão da logística complicada. O incentivo fiscal hoje dado às indústrias só paga a logística. Aliás, essa demonização que foi feita dos incentivos é péssima. Houve os incentivos ilegais, que eu não defendo de maneira alguma, e aí o Governo fez certo em cortar. Mas, ao mesmo tempo, se não tiver incentivo para indústria aqui em Mato grosso, não fica uma.

 

Hoje estamos vendo indústrias indo para o Paraguai. Isso é péssimo. Então, vejo que a política não está se encontrando.

 

O que o Donald Trump está fazendo nos EUA? Está trazendo as indústrias de volta. Enfrentando uma coisa que ninguém queria enfrentar. As indústrias americanas foram todas para China e ele falou: voltem pra cá. Aqui estamos fazendo o contrário, as indústrias estão indo embora. Quando você poderia imaginar que o Paraguai seria melhor para indústria do que o Brasil? É triste isso.

 

MidiaNews – Sobre o recente protesto dos caminhoneiros, o que acha que significa para a classe política de uma maneira geral? Foi um sinal de alerta?

 

Margareth Buzetti – Acho que Brasília levou um susto, ficou em alerta. A pauta foi anunciada, uma pauta justa, mas se o Governo tivesse agido no começo, tudo teria sido muito diferente. Entraram outras pautas que não eram o intuito inicial. Vi uma falha do Governo Federal, as medidas necessárias deveriam ter sido tomados logo no início.

As indústrias estão indo embora. Quando você poderia imaginar que o Paraguai seria melhor para indústria do que o Brasil?

 

Agora, o presidente atendeu a pauta e, ainda assim, não consegue fazer o país andar. Por exemplo, pra essa diferença do combustível chegar à bomba, em todos os Estados, existe o problema do ICMS. Num lugar é mais alto, em outro é mais baixo. Aí você vê também que a tabela do frete mínimo ficou muito alta, parou o transporte. Nossa indústria é diretamente ligada ao transporte e parou. Quer dizer, as tradings não estão levando para os portos, está tudo parado.

 

Porque se aplicar essa tabela, você não tem competividade. E aí é outra coisa que eu questiono, nós vivemos pedindo para o Estado não interferir nos nossos negócios. Daí você vai lá e coloca uma tabela de preço mínimo. A livre concorrência tem que existir. O frete baixou muito, porque é muito caminhão. Mas enfim, que foi um recado que assustou Brasília, isso eu não tenho dúvida.

 

MidiaNews – Então, nessa atuação do Governo Federal houve um erro?

 

Margareth Buzetti – Com certeza, deveria ter atuado logo de cara, o que não aconteceu. Daí abriu espaço até para aqueles pedidos de intervenção e toda a história que nós vimos. Debates que não tinham nada a ver com a pauta do caminhoneiro e que eram desnecessários.

 

MidiaNews – Na eleição passada para o Governo, o candidato vencedor usou esse mote do "novo" e, quando assumiu, usou o slogan da transformação. Quase quatro anos depois, qual sua avaliação da gestão Taques?

 

Margareth Buzetti – Está aí um Governo que só “combateu a corrupção”. Não agiu na causa. Houve corrupção dentro do gabinete dele, com a família dele. Apoiamos porque tinha que dar um basta no que estava acontecendo. Mas, o Estado está travado, o Estado não anda.

 

O governador é uma pessoa muito inteligente, ele sabia, lá atrás, de tudo que aconteceu. Dos roubos, desvios. Agora eu tenho que ficar quatro anos ouvindo a mesma coisa? Não dá, né? Ele foi a “pessoa que combateu a corrupção”, mas a corrupção estava do lado do gabinete dele, com parente dele. O cara [Paulo Taques, primo do governador e ex-chefe da Casa Civil] está preso.

 

Esse sistema punitivo que temos hoje, ele varre o chão com a torneira aberta. A corrupção continua. Como fechar a torneira? Temos que fazer isso, temos que diminuir o Estado, para que você realmente possa atuar na Educação, Saúde, Segurança. O resto não é problema do Estado? Por que o Detran tem que ser problema do Estado? Não entendo e olha o que houve dentro do Detran.  

Ele foi a 'pessoa que combateu a corrupção'. Mas a corrupção estava do lado do gabinete dele, com parente dele. O cara [Paulo Taques] está preso

 

MidiaNews – Nessa linha de raciocínio, acredita que o governador foi “engolido” pelo próprio discurso?

 

Margareth Buzetti – Então, já ouvi muito que o Pedro Taques é honesto. Que, apesar de tudo, as denúncias não chegaram a ele. Mas gente, como tu separa Pedro e Paulo? Está um do lado do outro, um defendendo outro. Não vejo como dissociar.

 

MidiaNews – Você citou o Estado travado, no setor industrial, quais os reflexos dessa falta de gestão do Governo Taques?

 

Margareth Buzetti – Talvez por ele ter vindo do MPF, falo que ele saiu do MPF, mas o MPF não saiu dele... Acho que já passaram uns quatro secretários pela Sedec (Secretaria de Desenvolvimento Econômico), tudo é uma dificuldade para se concretizar. Você demora seis, oito meses, um ano. Tem um problema de uma indústria no Distrito Industrial que há um ano e meio não consegue resolver, porque perdeu prazo de renovação do Prodeic e até hoje não resolveu. Não está parada, mas enfrenta dificuldade muito grande de competitividade, porque perdeu o Prodeic. Aí o governador foi ao Distrito, secretário de Fazenda, secretário de Desenvolvimento, parecia que tudo ia se resolver. Passado um ano e meio, nada aconteceu. Penso que as coisas tem que ser mais ágeis. Para as indústrias, foi sofrido.

 

MidiaNews – E em relação essa disputa ao Governo, como tem sido as conversas do seu partido? Como vocês estão se posicionando?

 

Margareth Buzetti – Aí é uma questão do partido mesmo. O que eu vi que o partido definiu é que não irá apoiar a reeleição do governador Pedro Taques. Mas quem vai apoiar ainda é uma incógnita, está tudo muito indefinido ainda.

 

Wellington Fagundes se diz candidato, Mauro Mendes não sei se vai ser, Otaviano Pivetta se lançou, mas quem sabe se o Mauro for candidato, Pivetta não é. Está uma eleição atípica, tanto em nível estadual, quanto federal.

 

MidiaNews – Pessoalmente, independentemente das conversas do PP, você já chegou a se reunir com alguns desses nomes?

 

Margareth Buzetti – Todos falaram comigo, mas tenho reiterado que é uma definição partidária e que temos que ver também a viabilidade desse projeto. Estamos na porta de uma eleição curta.

 

Estou achando um cenário bem atípico, sempre trabalhei em eleição, mas é diferente quando você é candidata. Por exemplo, sempre trabalhei com questões sociais, para os outros eu posso pedir qualquer coisa, pra mim é mais difícil. Vou ter que aprender.

 

Eu nunca falei dos meus projetos sociais, nunca deixei partido se apropriar disso. Mas na política você tem que mostrar, falar, então, pra mim é uma coisa nova.

 

MidiaNews – Até porque, pela forma como um projeto social é montado, ele pode indicar um caminho, uma ideia que possa ser usada no Senado. Você acredita que sua experiência em projetos sociais pode ser útil em num eventual mandato?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Margareth Buzetti 08-06-2018

"Você tem que ir onde está a necessidade das pessoas. E aí acho que o Senado pode ajudar e fazer com que o dinheiro público chegue onde é necessário"

Margareth Buzetti – Eu comecei com o doutor Paulo Rabello de Castro [economista e ex-presidente do BNDES], em 2001. Ajudava uma Oscip dele lá no bairro Pedra 90. Dávamos inclusão digital. Saíamos com carro de som chamando os alunos, porque ninguém sabia o que era um computador. Passado um tempo, levei o projeto para dentro de uma escola municipal. Tive durante muitos anos um projeto de leitura e esporte.

 

Mantenho nessa escola 90 crianças no futsal, que são a coisa mais querida do mundo. Penso que você deve ir onde está a necessidade. E os institutos normalmente têm uma sede grandiosa e isso custa dinheiro. Não precisa disso. Eu preciso de uma sala. Esse dinheiro que você iria pagar conta de luz, água e afins, você pode aplicar no projeto.

 

Na Santa Casa, por exemplo, fizemos toda parte de nefrologia infantil. O que aconteceu? Eu estava lá, mobilizando o pessoal para a causa de uma criança que estava com câncer e havia uma mãe com um bebê que foi transferida para São Paulo, porque não tinha hemodiálise infantil no Estado. Dois dias depois, casualmente, cheguei na Santa Casa e essa criança estava voltando a São Paulo porque não tinha vaga e a mãe estava desesperada. A criança teve que ir para a UTI adulta. Eu pensei, não é possível isso. E aí comecei um projeto, sensibilizei mais um amigo e nós começamos a construção da hemodiálise infantil. Quer dizer, está lá, funcionando. Várias pessoas ajudaram.

 

Você tem que ir onde está a necessidade das pessoas. E aí acho que o Senado pode ajudar e fazer com que o dinheiro público chegue onde é necessário. O papel do gestor público é orientar, advertir e punir a pessoa, nunca a instituição. A instituição é permanente.  

 

Na área da Cultura, acho que faz uns 25 anos que ajudo os artistas mato-grossenses de várias formas. Um povo que não tem Cultura, não tem memória, não tem história. Mas como apoiar a cultura com o caos na Saúde? Com escola caindo? Aí você esquece a Cultura. Então, acho que podemos ir onde a necessidade está.

 

MidiaNews – Você falou desse cenário atípico aqui no Estado. Para o Governo Federal, o que se espera é uma eleição também imprevisível. Qual o papel do eleitor neste momento de tanta indefinição? O que é fundamental neste momento?

 

Margareth Buzetti – Vamos ter uma eleição que, acredito, terá um dos maiores índices de abstenção. O eleitor está com desesperança, não acredita mais na política. E ao mesmo tempo, vejo uma coisa boa: todo mundo falando de política, discutindo política. Sempre falei que não adianta apontar e ficar em casa. Tem que participar, de uma forma ou de outra, pois é a política que define a sua vida, que dá o norte.

 

Só que aí a gente olha e vê um Bolsonaro da vida, que provavelmente vai se eleger. Ele fala o que o povo quer ouvir. O povo, de fato, está precisando de disciplina. Costumo dizer que a gente não inventou a corrupção, mas a impunidade parece que é uma coisa enraizada no brasileiro. E isso está fazendo com que o Bolsonaro cresça nas pesquisas. Fico olhando e não sei se terá outro para batê-lo.

 

No Executivo, a pessoa pensa que pode fazer, mas não pode. É frustrante

MidiaNews – E se, numa dessas composições, o Bolsonaro ficar ao seu lado no palanque?

 

Margareth Buzetti – Ah, que difícil pra mim. Não acredito em nada que seja muito radical. Uma das únicas coisas que concordei com ele foi quando, na greve dos caminhoneiros, disse que a intervenção militar não é o caminho.

 

Mas o Bolsonaro fala demais. E isso aconteceu com o nosso governador: entre falar e fazer, há uma distancia enorme. O Bolsonaro está cometendo esse erro, está falando muito, coisas que ele não terá condições de fazer, coisas que sequer são atribuição de um presidente. Fala o que o povo quer ouvir e aí é o populismo do lado contrário do Lula. Sinceramente, eu tenho medo disso. Uma coisa que me assusta. Ficar no mesmo palanque que ele, acho que eu não subo.

 

MidiaNews – Não sendo possível viabilizar a candidatura ao Senado, você pode disputar outro cargo?

 

Margareth Buzetti – Já foi cogitado meu nome como vice do Wellington, vice do Pivetta. Andaram me sondando, falei: olha, quem tem que perguntar pra mim é o Pivetta. E aí eu respondo pra ele. Não creio que precise de intermediário para isso.

 

Mas não gostaria de cargo no Executivo, justamente porque sempre trabalhei no Executivo. Seria uma experiência nova pra mim, um desafio. No Executivo, a pessoa pensa que pode fazer, mas não pode. É frustrante. É uma limitação tão grande das leis, das licitações, que tudo trava e as coisas não andam.




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marta braghin serra  16.06.18 10h29
Bom dia,realmente a cada dia vejo que nosso Brasil nao tem solucao ,acho que a Senhora que tem o interesse de ser canditada a Senadora deveria se preocupar em fazer sua campanha mostrar suas propostas,nao percebe que estamos cansados dessa sujeira de um querendo derrubar o outro?? Eu jamas votaria nesse tipo de candidato como a senhora !!
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Pirmo Neto  14.06.18 08h51
Excelente entrevista.Precisamos de candidatos que têm proposta concreta.O Brasil necessita de uma reforma política urgente.
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leonir luiz viebrantz  12.06.18 09h56
otima entrevista, sensata, sem apelo populista,falou uma coisa absolutamente concreta, maioria dos politicos tem o mesmos defeitos, falam demais, prometem muitos e chega na hora nao fazem absolutamente nada.
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Ana  12.06.18 08h53
Finalmente uma pessoa que olha para o futuro sem tirar o pé do chão.
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Osny Oliveira  11.06.18 17h46
Quem é a loira, nunca ouvi seu nome!!! O que ela já fez pela comunidade ?? O que ela quer são holofotes para sair do ostracismo, às custas de quem construiu um nome com trabalho !!! Cai fora !!!
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