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Entrevista da Semana / "SEM CRISE"
14.10.2017 | 19h55
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“Grampo é com a Justiça; nosso foco é nas entregas ao cidadão”

Chefe da Casa Civil minimiza efeitos de escândalos e aponta Taques como favorito para 2018

Alair Ribeiro/MidiaNews

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O secretário Max Russi: "O Executivo não pode se intrometer ou tentar esconder alguma coisa"

LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

Há pouco mais de duas semanas no comando da Casa Civil, o secretário Max Russi (PSB) minimizou os efeitos do escândalo dos "grampos" na gestão do governador Pedro Taques (PSDB), assim como o impacto das investigações na próxima eleição.

 

Apesar de Taques passar neste momento pela maior crise política de sua gestão, com ex-secretários na cadeia por suspeita de integrarem um esquema de interceptações ilegais, Russi descartou que eventuais falhas do tucano tenham levado a esta situação. Ele também disse não acreditar que Taques tenha errado ao só exonerar ou afastar tais secretários somente após terem sido presos.  

 

"Quando você faz uma escolha de um secretário, de um diretor, de alguém em um cargo comissionado, não tem como você saber se a pessoa vai ser boa ou vai ser ruim. O Governo exige os antecedentes, verifica a ficha, e é isso. O governador deu oportunidades, alguns aproveitaram, outros talvez não aproveitaram da melhor maneira possível [...] O ato de nomear e de exonerar é um ato discricionário dele, ele quem monta sua equipe, escolhe seus secretários, demite a qualquer dia e a qualquer hora. Naquele momento ele achou que não eram importantes essas exonerações, mas no momento em que ele entende que isso ia atrapalhar o Governo, ele tomou essas ações", disse.

 

Para o secretário, os eventuais crimes devem ser apurados pela Justiça para não atrapalhar os trabalhos do Executivo, que deve focar em "fazer entregas ao cidadão" e "honrar com os compromissos assumidos durante a campanha".

 

Leia os melhores trechos da entrevista:

 

MidiaNews -  Depois de três anos de gestão, o Governo Taques tem um político na Casa Civil. As recentes crises levaram a essa mudança de perfil?

 

Max Russi – Acho que não. Acho que nesse momento foi uma opção em dar uma mudada, ele mudou algumas Pastas e me convidou para ser secretário, por conta do meu trabalho à frente da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social. Então ele acabou dando esse respaldo. Lógico que eu, enquanto deputado, ex-vereador, ex-prefeito, tenho uma facilidade maior, até pelo curto espaço de tempo até o final da gestão. Então talvez haveria alguma dificuldade se colocasse alguém sem essa experiência.

Ele [Taques] pegou um Estado com uma série de problemas de corrupção, de projetos aprovados, de bombas deixadas para estourar no governo dele, parece que foi programada uma série de ações para estourar a partir de 2015

 

MidiaNews -  O senhor está entrando na Casa Civil num momento em que o Governo vive sua maior crise política, com prisões de ex-secretários, crise econômica... Há até quem diga que o Governo não chegará ao fim. O senhor tem esse temor?

 

Max Russi – O Governo tem muita entrega. O governador Pedro Taques é muito bem intencionado. Conseguiu e vai entregar muitas ações. Ele tem ações importantes na Educação, em estradas, no social, em todas as áreas. Isso sem sombra de dúvida vai ser avaliado mais para frente. Esse momento é de crise, ele [Taques] pegou um Estado com uma série de problemas de corrupção, de projetos aprovados, de bombas deixadas para estourar no governo dele, parece que foi programada uma série de ações para estourar a partir de 2015.

 

Exemplo: Fethab para o Município. Não existia. É um dinheiro que se tira do orçamento. Mais de 140 leis foram aprovadas, que deram impacto de mais de 83% a partir de 2015. As obras inacabadas da Copa, os financiamentos deixados. Estamos na maior crise da História do nosso País. Tudo isso dificultou o Governo. E tenho certeza que se fosse outro governador, teria muito mais problemas para gerir o nosso Estado. Por ser um Governo sério, o governador conseguiu  - mesmo com essas dificuldades todas - implementar uma série de mudanças e fazer uma série de entregas.

 

MidiaNews – Mas e quanto às crises geradas nesse Governo, como o escândalo dos grampos, de esquemas na Seduc, prisões e afastamento de secretários?

 

Max Russi – Nenhuma crise é boa, mas faz parte do processo. Houve esses acontecimentos e o Governo deve continuar trabalhando, continuar fazendo as entregas. A Justiça deve continuar a fazer o trabalho dela. Se teve algum problema, a Justiça está agindo. A Justiça no Brasil está muito enérgica, está em cima, está cobrando, está fiscalizando. Acredito que tudo isso faz parte do processo. Lógico que o Governo não gostaria que tivesse esses incidentes com pessoas que fizeram parte da gestão, mas são fatos que aconteceram, o Governo tomou as providências e essas pessoas vão responder na Justiça pelos problemas que tiveram.

 

MidiaNews - O senhor assumiu a Casa Civil há poucos dias no lugar do José Adolpho, que também ficou pouquíssimo tempo no cargo após a prisão de Paulo Taques. Essa situação têm atrapalhado o andamento dos trabalhos?

 

Max Russi – Vamos retomar o ritmo com bastante conversa, com bastante diálogo. Na Casa Civil a gente tem que atender todos os setores, todos os segmentos, fazer a interlocução com o Poder Legislativo, com o Poder Judiciário e com os demais Poderes, com as secretarias também. E eu tenho procurado fazer isso nesses poucos dias que estou lá, fazendo esse atendimento, ouvir bastante principalmente, para que a gente possa realmente fazer aquilo que é o principal para o Governo: avançar e fazer as entregas que o governador Pedro Taques quer que sejam feitas.

 

MidiaNews – Até por conta das investigações sobre os grampos, criou-se uma tensão entre os Poderes. Como o senhor pretende amenizar esse conflito?

 

Max Russi – Eu não vejo muito isso. Na verdade, o governador conversa muito bem com o procurador-geral de Justiça [Mauro Curvo], com o presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Rui Ramos vem fazendo um grande mandato à frente daquele Poder. Existem algumas divergências pontuais, mas nada que interfira na relação harmoniosa que existe entre os Poderes e que precisa existir para que o Estado mato-grossense possa continuar avançando e ofertando qualidade de vida à sua população.

 

MidiaNews -  Mas, secretário, a tensão não é evidente? O desembargador Orlando Perri e membros do MPE trocaram farpas várias vezes. O governador criticou publicamente a atuação do Perri e, mais recentemente, ainda reclamou que o MPE e o Judiciário estão investigando seus secretários, mas não os próprios membros...

Alair Ribeiro/MidiaNews

Max Russi 13-10-2017

"Lógico que o Governo não gostaria que tivesse esses incidentes com pessoas que fizeram parte da gestão, mas são fatos que aconteceram, o Governo tomou as providências e essas pessoas vão responder na Justiça pelos problemas que tiveram"

 

Max Russi – Não, eu acho que foram problemas pontuais. Isso aí já foi superado. O Judiciário tem que fazer as investigações, as análises, e o Poder Executivo tem que fazer as entregas. Tem que trabalhar para fazer as entregas para a população, melhorar a qualidade de vida da população. E eu acho que isso vem sendo feito pelo Governo. Não podemos ficar só focando na notícia ruim. Mato Grosso é um Estado que começa a dar sinais de que está saindo da crise. Começa a gerar mais emprego, o seu PIB [Produto Interno Bruto] já se destaca em relação aos outros Estados do País. Então eu tenho certeza que a gente vai poder dar sinais mais positivos ao País e à nossa população, de uma forma mais rápida do que outros Estados.

 

MidiaNews – No início da gestão, tivemos uma situação que causou espanto de ver ex-governador e ex-secretários presos. Mas agora temos um momento ainda mais inédito: secretários presos, afastados e delatados durante a gestão.  Como o senhor avalia isso?

 

Max Russi - Eu avalio que a Justiça está atuando, o governador Pedro Taques não coloca nada para debaixo do tapete, não esconde nada. E a Justiça tem atuado, se de forma correta ou não, os julgamentos irão dizer e a gente tem que estar apoiando. O Executivo não pode se intrometer ou tentar esconder alguma coisa.  

 

MidiaNews -  Esse panorama não evidencia que houve escolhas equivocadas do governador, tendo em vista a quantidade de provas, depoimentos e evidências contra os envolvidos? Alguns até confessos, como o Permínio Pinto, que atuava na Seduc?

 

Max Russi – Quando você faz uma escolha de um secretário, de um diretor, de alguém em um cargo comissionado, não tem como você saber se a pessoa vai ser boa ou vai ser ruim. O Governo exige os antecedentes, verifica a ficha, e é isso. O governador deu oportunidades, alguns aproveitaram, outros talvez não aproveitaram da melhor maneira possível, mas foi dada a oportunidade para trabalhar pelo seu Estado.  Ser um secretário é muito gratificante para qualquer um que assume função pública. Quem tiver deslizes, o governador tem que tomar as providências, fazer as exonerações, o que já foi feito.

 

MidiaNews - O ex-secretário Paulo Taques é investigado nos grampos por acusações gravíssimas. José Adolpho já foi citado. O senhor pretende fazer uma varredura na secretaria para averiguar a possível ocorrência de atos ilícitos cometidos no âmbito da Pasta?

 

Max Russi – Não, essa não é a minha função. A minha função é de tocar bem a Casa Civil. A Justiça já está investigando, já está tomando providências e esse tipo de apuração tem que tramitar na Justiça, onde é de direito.

 

MidiaNews - O Governo não fica em uma situação extremamente delicada com um secretário de Segurança [Rogers Jarbas], primeiro, usando tornozeleira e, depois, sendo preso. E ainda com o ex-secretário de Justiça [Airton Siqueira] e o ex-chefe da Casa Militar [Evandro Lesco] na cadeia? É possível dar alguma explicação plausível para a população depois disso?

 

Max Russi – Todo mundo está passível de cometer algum erro, isso em qualquer função pública que venha a ter ou a assumir. A Justiça tem que investigar e nós, enquanto Estado, temos que trabalhar, fazer entregas para os cidadãos. É isso o que o governador quer, acho que devemos deixar essa questão de ‘grampos’ e outros problemas para trás, para ser resolvidos pela Justiça. Quem errou, tenho certeza de que será cobrado e será punido. O Estado precisa atender o cidadão e mostrar serviços públicos de qualidade.

Acho que devemos deixar essa questão de ‘grampos’ e outros problemas para trás, para ser resolvidos pela Justiça. Quem errou, tenho certeza de que será cobrado e será punido

 

MidiaNews -  Mas o senhor não concorda que é uma situação diferenciada, que causa até perplexidade na população ao ver o secretário de Segurança preso?

 

Max Russi – Ele está sendo investigado e defendo a continuidade das investigações da forma como está ocorrendo.

 

MidiaNews – O governador errou ao praticamente aguardar os secretários serem presos, um por um, para só então afastá-los, mesmo depois de saber que havia suspeitas fortes contra eles?

 

Max Russi – Essa é uma decisão muito pessoal do governador. O ato de nomear e de exonerar é um ato discricionário dele. É ele quem monta sua equipe, escolhe seus secretários, demite a qualquer dia e a qualquer hora. Naquele momento ele achou que não eram importantes essas exonerações, mas no momento em que ele entende que isso ia atrapalhar o Governo, ele tomou essas ações.

 

MidiaNews -  No caso específico do secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Avalone, não seria mais prudente o governador afastá-lo, tendo em vista que foi citado na delação de Silval Barbosa em esquemas, inclusive com a apresentação de documentos que o incriminariam, além de ter sido alvo de buscas por decisão do STF? O que mais precisa para o afastamento?

 

Max Russi – O fato de ele [Carlos Avalone] estar sendo investigado não quer dizer que tenha ou não culpa. Se tiver algo mais concreto que aponte algo nesse sentido, acho que o governador vai tomar a decisão de afastar. O que eu sei é os setores estiveram com o governador e pediram que o Carlos Avalone ficasse na secretaria, porque estão gostando do trabalho dele, porque ele está sendo importante em algumas ações para o desenvolvimento econômico de Mato Grosso. Desde a Fecomércio, setores da indústria, dos produtores, pedindo pela permanência do secretário Carlos Avalone.  

 

MidiaNews -  Quais são as suas metas agora na Casa Civil?

 

Max Russi – Conversar muito, aproximar muito a Casa Civil dos prefeitos, dos vereadores, das lideranças comunitárias, enfim, conversar para que a gente possa fazer com que as secretarias e com que o Governo ande, que faça as entregas, que esteja presente nos Municípios, com ações rápidas, que realmente tragam melhora para a população. Trabalhar para que o Governo tenha essa harmonia e a gente consiga, com isso, fazer com que a população de Mato Grosso reconheça o trabalho dos gestores públicos do Estado.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Max Russi 13-10-2017

"O fato de ele [Carlos Avalone] estar sendo investigado não quer dizer que ele tenha ou não culpa. Se tiver algo mais concreto que aponte algo nesse sentido, acho que o governador vai tomar a decisão de afastar"

 

MidiaNews -  Há alguns meses, dizia-se que Pedro Taques seria imbatível em 2018, caso conseguisse passar a crise econômica sem arranhão. Mas os salários começam a ser escalonados, o Governo está envolvido em escândalos e chega na reta final com uma avaliação mediana, de quem não entregou muita coisa. Ao menos esse favoritismo não existe mais, não é mesmo?

 

Max Russi – Não, ele tem o apoio da Assembleia, de 19 deputados, tem uma base forte. Os partidos políticos que estiveram com ele na campanha continuam com ele ainda. A gente tem conversado bastante com muitos atores políticos. A reeleição dele no próximo ano, se ele for candidato, é em vista do trabalho que ele fez das entregas que ele fez, e isso a população vai saber avaliar muito bem. Nesse momento o Governo tem que fazer as entregas, focar nas ações que precisam ser entregues, isso o governador tem nos cobrado bastante, de honrar os compromissos assumidos durante a campanha. Para que desta forma a população, no ano que vem, possa fazer a melhor análise.

 

O governador é muito bem-intencionado. Tem muita vontade de fazer muito pelo Estado no qual ele nasceu, ao qual ele tem um carinho muito grande. Então não tenho dúvidas de que se não fosse toda essa dificuldade que ele encontrou, hoje o Governo teria muito mais entregas. Ele ainda é o favorito, com certeza.

 

MidiaNews - Esses momentos de fragilidade são propícios para as traições. O senhor teme que aliados de agora construam uma candidatura adversária no ano que vem? A informação é de que a base está frágil. Isso pode enfraquecer o projeto de reeleição do governador?

 

Max Russi – O grupo está unido, está bem sólido. O governador tem um grupo político bom, forte, e tenho certeza de que ele irá trabalhar a partir do próximo ano, se a reeleição for o projeto, acredito que a grande maioria estará com ele novamente.

 

MidiaNews - Onde o senhor acha que o Governo conseguiu avançar mais?  O que foi de fato entregue?

 

Max Russi – Escolas em período integral, escola militar, mais de 2.100 km de asfalto, agora concluímos a primeira licitação do Estado da PPP [Parceria Público Privada] do Ganha Tempo, que vai ser construída na região do CPA, em Sinop. Lucas [do Rio Verde], Cáceres, Barra do Garças, Rondonópolis. No social temos o Pró-Família, que está tendo um alcance muito grande com um fundo que já existia e que está sendo melhor aproveitado. Na agricultura familiar há entregas sendo feitas nos assentamentos no interior de Mato Grosso. Ações da Saúde com mais de 200 leitos de UTI, a construção do Pronto-Socorro de Cuiabá. São ações que estão impactando e vão impactar muito a vida dos mato-grossenses.

 

MidiaNews -  O senhor citou a Saúde, que é um dos setores essenciais e que possuem graves problemas, tanto que houve até a prisão do secretário Luiz Soares por descumprir decisão judicial. Hospitais filantrópicos fechando, sem os equipamentos e condições mínimas para atender, as pessoas só conseguindo acesso à Saúde após judicializar...

 

Max Russi – O problema da Saúde não é de hoje. São problemas antigos, que a mídia mesmo tem relatado de Governo a Governo. As dificuldades da Saúde são os recursos. Para o próximo ano, vamos aumentar o orçamento da Saúde de 12% para 14%. Então teremos mais recursos.

 

Acredito que estamos avançando. O secretário Luiz Soares está implementando algumas ações importantes na Saúde, que são gradativas, mas devem melhorar a situação.

 

MidiaNews – Há rumores de que o ex-prefeito Mauro Mendes pode romper com Taques em razão desses desgastes da gestão, e lançar uma candidatura própria ao Governo. Existe uma movimentação nesse sentido?

 

Max Russi – Eu acho que é só um rumor. Não existe nada nesse sentido em termos de candidatura do ex-prefeito Mauro Mendes. É um grande companheiro do governador Pedro Taques. Desde 2010, Pedro Taques e Mauro Mendes andam juntos e acredito que vão andar juntos novamente no próximo ano.

 

MidiaNews – Também há uma disputa intensa de nomes que querem disputar o Senado: o ministro Blairo, o próprio Mauro Mendes, Nilson Leitão. Já há disputas internas dentro dos grupos para viabilizar nomes?

 

Max Russi – Blairo, Nilson, Mauro, são todos nomes fortes. O que vai definir quem será o candidato é o grupo político, no próximo ano. Aqueles que chegarem melhor até o próximo ano em termos de aceitação serão os candidatos a senador, provavelmente na chapa do governador Pedro Taques.

 

Desde 2010, Pedro Taques e Mauro Mendes andam juntos e acredito que vão andar juntos novamente no próximo ano

MidiaNews - Qual o efeito da delação do ex-governador Silval sobre essas candidaturas?

 

Max Russi – O que for comprovado pode gerar efeitos negativos. Agora, o que falar por falar... Silval Barbosa é o maior inimigo do Pedro Taques. São inimigos declarados. Ele [Silval] falar algo que não tem consistência nenhuma não tenho dúvida de que não irá afetar em nada. Agora, o que houver comprovação, de que realmente aconteceu algo em termos de corrupção, isso aí tenho certeza de que vai prejudicar sim.

 

MidiaNews – O senhor acha que alguns desses políticos citados estão com a candidatura comprometida pelo que viu até agora? A exemplo do Blairo, que o próprio procurador Rodrigo Janot citou como o líder da organização criminosa...

 

Max Russi – Eu acho que as investigações têm que ser feitas de forma célere, rápida, para mostrar para a população o que é verdade e o que não é. Não pode um delator vir falar e a gente achar que é tudo verdade. Ainda mais de quem fez um Governo de muita corrupção, isso é comprovado, tanto é que ele [Silval] assumiu em várias entrevistas, dizendo que ele era o chefe de uma quadrilha. É a mesma coisa que um traficante chegar e dizer ‘ah, eu vendo droga para o João, para o Pedro e para o Emanuel’, e aí alguém achar que isso é verdade. Acho que a Justiça tem que apurar de forma rápida para que nenhuma injustiça aconteça.

 

MidiaNews -  Nos bastidores, o comentário é de que o maior empecilho para a reeleição do governador é ele mesmo, com seu temperamento forte, cabeça-dura, de não aceitar críticas, não ouvir ninguém. Há esse problema de fato?

 

Max Russi – Na gestão pública você aprende muito. Se você pegar a cabeça de um jovem de 20 anos e de uma pessoa de 40 anos, é totalmente diferente. Com o tempo, a pessoa vai adquirindo experiência. A gestão pública também faz com que a pessoa adquira experiência. O governador Pedro Taques cada dia está mais preparado, é uma pessoa muito inteligente.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Max Russi 13-10-2017

"Ele [Silval] falar algo que não tem consistência nenhuma não tenho dúvida de que não irá afetar em nada. Agora, o que houver comprovação, de que realmente aconteceu algo em termos de corrupção, isso aí tenho certeza de que vai prejudicar sim"

 

Quem está de longe talvez tenha uma imagem um pouco distorcida, diferente do que realmente é o governador Pedro Taques. Agora, quem está próximo vê que ele não é um governador centralizador, ele pega e deixa os secretários fazer os seus trabalhos em suas Pastas. É um governador que dá essa autonomia de forma muito clara, cujas ações visam a população de Mato Grosso. Tivemos casos passados de que para se conseguir alguma coisa com o governador, tinha que fazer ‘negócio’. Ele não é um governador que faz negócio. É muito bem-intencionado, uma pessoa simples, tranquila. É alguém que quer o bem do nosso Estado.

 

Lógico que os problemas dificultaram muito esses três anos de mandato. Mas agora com a aprovação da PEC do Teto de Gastos, com as medidas que estão sendo tomadas, tenho certeza que ele estará preparando o Estado de Mato Grosso para um novo momento.

 

MidiaNews – Então ele melhorou esse temperamento? Diminuíram as reclamações?

 

Max Russi – É muito difícil achar um governador que atende como o Taques. Ele atende todos os deputados, ligações, audiências com todos os deputados, com prefeitos. Se você pegar a agenda do Palácio, você vai ver que todos os dias têm três, quatro, cinco, seis, reuniões com prefeitos das mais diversas regiões de Mato Grosso. Então ele tem feito o papel de governador. Tem atendido, tem administrado o Estado, tem sido um governador acessível, tem ido ao interior através das Caravanas da Transformação, conversando com os moradores lá dos rincões. Ele tem feito um Governo não só de gabinete, mas sim um Governo que anda o Estado de Mato Grosso.

 

MidiaNews -  Há comentários de que os empresários do agronegócio não estariam satisfeitos com o desempenho de Taques e já estariam trabalhando uma eventual candidatura ao Governo para Mauro Mendes ou para o próprio vice Carlos Fávaro, que é do setor. É verdade?

 

Max Russi – Não acredito nisso. O Fávaro está alinhado com o governador Pedro Taques. Os dois administram juntos o Estado, não é uma administração separada. O Fávaro tem uma identificação e uma liderança muito forte no agronegócio e essa força que ele tem no agronegócio ajuda muito o governador na tomada de decisões.

 

MidiaNews - Os servidores estão intransigentes em relação à PEC dos Gastos e muito tempo passou até que o texto fosse enviado. O Governo corre o risco de não conseguir aprovar esse texto a tempo?

 

Max Russi – Eu acho que a PEC do Teto de Gastos vai ser aprovada. Primeiro porque os deputados entendem que é importante para Mato Grosso. Segundo que eu vejo o governador Pedro Taques com muita coragem de aprovar um projeto como esse. Isso demonstra que ele está pensando no futuro do Estado de Mato Grosso, porque ele vai apoiar um projeto que em ano de eleição diminui gastos que poderiam ser bons eleitoralmente. Ele está tendo coragem de fazer esse enfrentamento. Mas ele entende de forma muito clara, assim como os secretários, que se a gente não fizer isso, nós vamos comprometer o Estado de Mato Grosso nos próximos anos. Ou seja, nós vamos ter um Estado rico, um Estado produtor, mas um Estado sem capacidade de investimento. Isso aí vai sufocando e até o próprio servidor vai ter prejuízo em um futuro muito próximo. Com atraso de salários, não conseguir reajustes, aumentos... Então a PEC vem para diminuir o tamanho do Estado e manter o Estado em um tamanho em que as receitas subam e haja capacidade de fazer os investimentos que precisamos.

 

Não tenho dúvidas de que a PEC do Teto será aprovada, e vai fazer uma economia importante de recursos, de dívidas só no próximo ano na ordem de R$ 1 bilhão. Dívidas essas feitas pelos governos anteriores e que o governador Pedro Taques está pagando. Acho que tudo isso dará condição para nós vivermos um novo momento. O governador, tendo essa dificuldade dos três primeiros anos, manda um projeto importante agora para a Assembleia, que está sendo melhorado pelos deputados, que estão fazendo emendas importantes, com o objetivo de melhorar, mas sem desfigurar o projeto. Escutando todos os setores, todos os segmentos. Acredito que com a aprovação da PEC do Teto, teremos um Estado com mais capacidade para fazer investimentos na ponta.

 

MidiaNews - A oposição tem uma postura muito contrária à essa PEC. O senhor já tentou conversar com os deputados Zeca Viana e Janaina Riva sobre esse assunto?

 

Max Russi – Eu tenho conversado, sou aberto e converso com os 24 deputados. Tenho um relacionamento muito bom com a situação e com a oposição. É um direito da oposição criar manobra, trabalhar pensamentos diferentes, mas tenho certeza que mesmo os deputados de oposição entendem a importância que é a PEC do Teto.

 

Porque a gente não pode pensar só na eleição do próximo ano, temos que pensar que temos um Mato Grosso que está crescendo, que está desenvolvendo, que precisa de investimentos. E se a gente for inconsequente, nós não teremos investimentos nos próximos anos para fazer estradas, fazer escolas, para melhorar a Saúde. Tenho certeza que os deputados da oposição também terão condições de trabalhar melhor o projeto e, se não for com todos os deputados, conseguir a aprovação com a grande maioria.

Porque a gente não pode pensar só na eleição do próximo ano, temos que pensar que temos um Mato Grosso que está crescendo, que está desenvolvendo, que precisa de investimentos

 

MidiaNews -  Qual o cenário o Governo projeta caso não consiga aprovar a PEC? Será o caos econômico? Ou existe um plano B?

 

Max Russi – Eu acho que dificulta muito para os próximos anos. Talvez se o governador Pedro Taques pensasse na eleição do próximo ano, ele não mandaria o projeto para a Assembleia nesse momento. Mas ele está preocupado com os próximos cinco, 10 anos, em ter um Estado que realmente consiga não só cobrar impostos dos cidadãos, mas cobrar impostos e entregar serviços de qualidade.

 

MidiaNews – A questão eleitoral que o senhor citou não tem um certo peso na Assembleia?

 

Max Russi – Eu não acredito, porque a PEC é importante para Mato Grosso. Tenho certeza que os 24 deputados pensam no Estado de Mato Grosso. Se nesse momento eles pensassem neles, talvez não votassem de forma favorável à PEC. Mas o principal agora é pensarmos no nosso Estado. Um exemplo é que gastaram mais de R$ 1 bilhão nesse VLT, que está só o buraco aí, não fizeram nada, mas a conta da dívida está vindo para o Governo pagar. Com o dinheiro que será viabilizado pelo Teto, teremos recursos para melhorar a Saúde, para fazer mais investimentos em estradas, para trabalhar os programas sociais. Tenho certeza de que o projeto será aprovado pela maioria. Tenho conversado com todos e este é o sentimento.

 

MidiaNews - Neste mês, houve escalonamento dos pagamentos de salários. Vinte e dois por cento dos servidores não receberam no dia 10. Esse problema tende a persistir nos próximos meses?

 

Max Russi – Existe uma dificuldade financeira, os recursos do Governo Federal diminuíram para Mato Grosso. Com isso, a folha de pagamento subiu muito mais do que a arrecadação, com leis [de ganhos salariais] deixadas na outra gestão. O governador cumpriu todas. Ele poderia muito bem, no primeiro ano de mandato, tentar cancelar essas leis, mas ele é constitucionalista, cumpriu todas as leis e essas leis deram ganhos reais aos servidores.

 

Os servidores, com a PEC do Teto, não vão perder a RGA, continuarão recebendo a RGA, todas as leis aprovadas serão executadas. Acontece que o Governo terá que diminuir o tamanho da máquina pública. E isso é o que todo mato-grossense quer, precisamos de uma máquina pública enxuta e que dê resultado ao cidadão.

 

MidiaNews - Nesta semana, a Secretaria de Fazenda revelou que as despesas cresceram mais de 14% neste ano, enquanto as receitas não cresceram nem 4%. Porque o Governo está tendo dificuldade em fazer a arrecadação subir?

 

Max Russi – O foco é diminuir as despesas. Nós não podemos criar mais impostos, a população já está saturada de impostos. Eu particularmente sou contrário a novos impostos. Acho que o Estado tem que diminuir o seu tamanho e cobrar os impostos de todos. Cobrar para que não ocorra sonegação, para que a gente consiga receber de forma igualitária os impostos de todos. Mas aumentar a receita através do aumento da tributação eu sou contrário.

 

Está subindo muito a despesa em pessoal. Se você pegar de 2008 a 2015, subiu 70%, 80% a mais do que a receita. É igual você ter um funcionário na sua casa e todo ano o salário dele subir mais do que o seu. Chega uma hora que estrangula. O Estado está estrangulado. O governador Pedro Taques diminuiu os cargos comissionados, os cargos comissionados não tiveram reajustes nos últimos quatro anos. Para caber dentro da lei, precisamos da PEC do Teto.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Max Russi 13-10-2017

"Os servidores, com a PEC do Teto, não vão perder a RGA, continuarão recebendo a RGA, todas as leis aprovadas serão executadas. Acontece que o Governo terá que diminuir o tamanho da máquina pública"

 

MidiaNews -  Há outras alternativas para reduzir o impacto da folha?

 

Max Russi – Diminuir o tamanho do Estado. Após a aprovação da PEC do Teto, nós teremos dois anos para fazer uma reforma administrativa, uma reforma tributária também. Ou seja, cobrar melhor os impostos que já existem, sem aumentar a carga tributária, mas cobrar de forma igualitária de todos.

 

MidiaNews -  Como está o diálogo com os sindicatos nesse sentido?

 

Max Russi – Temos conversado com muitas categorias. Lógico que não é fácil, em um momento de dificuldades de pagar salários, em que estamos acima do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal - inclusive o Tribunal de Contas já notificou a gente a não criar nenhum benefício, senão vamos incorrer em improbidade. Fica muito difícil a nossa margem de atuação e de conversa.

 

O sindicato representa a sua categoria específica e é lógico que se ele conseguir trabalhar para que aquele sindicalizado consiga aumentos todos os dias, todos os anos, todos os meses. Ele faz essa luta, tenta de todas as formas possíveis. Mas precisamos mostrar para a sociedade que existe no serviço público a valorização do servidor. O governador Pedro Taques deu as RGAs que a maioria dos Estados não deu. Cumpriu todas as leis de carreira. Estamos com os salários pagos, têm Estados que estão devendo dois, três meses. Existem realidades em outros Estado muito piores do que a de Mato Grosso. O governador tem valorizado os servidores, muitas vezes não compreendido por uma maioria deles.

 

MidiaNews -  Sem a aprovação da PEC do Teto, Mato Grosso corre o risco de se tornar um novo Rio de Janeiro ou Rio Grande do Sul?

 

Max Russi – Com certeza. Se nós não tivermos algo concreto, firme, forte, que dê condição do Governo ajustar o Estado dentro daquilo que cabe à nossa receita, tenho certeza que em um futuro muito próximo, se não tivermos essa aprovação, vamos virar um Rio Grande do Sul, um Rio de Janeiro, dentre outros Estados que estão parcelando salários, 13º.




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Deyvison Alberto Rosa do Carmo  20.10.17 13h13
isso ai deputado e chefe casa civil parabens pelas belas palavras falou tudo amigo sucessos nessa nova jornada tenho certeza que vai longe continue assim sempre tem a resposta certa para o povo matogrossense sucessos amigo tamu juntos
1
2
Pedro  15.10.17 15h27
Pedro, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas

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