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Entrevista da Semana / VIDRAÇA
10.09.2016 | 21h00
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“Fiz muitas agressões no passado; hoje sou o mais agredido”

Wilson Santos defendeu eleição sem ataques, mas acredita que adversários podem “descambar para baixaria”

Marcus Mesquita/MidiaNews

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O candidato a prefeito de Cuiabá, deputado Wilson Santos, que se diz mais maduro para assumir Palácio Alencastro

DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

Quase dois anos após voltar para a vida pública, o deputado estadual Wilson Santos (PSDB) disputa, novamente, o comando da Prefeitura de Cuiabá. Dizendo-se mais amadurecido, o tucano acredita estar pronto para voltar ao Alencastro e retomar os projetos implantados em sua gestão.

 

Para isso, porém, terá a missão de reverter o alto índice de rejeição do eleitorado. Segundo pesquisa Ibope*, 54% dos eleitores não votariam de jeito nenhum em Wilson.

 

“Essa rejeição é natural para quem tem o tempo de vida pública que tenho. Mas ela vem caindo. E vamos terminar a eleição com uma rejeição abaixo dos 25%. E acho que, a partir de semana que vem, já estaremos assumindo o primeiro lugar. Estou muito seguro de que estarei no segundo turno”, afirmou em entrevista exclusiva ao MidiaNews.

 

Apelidado de "Galinho", por sua postura de embate, Wilson disse fazer uma campanha propositiva, sem ataques, mas relatou que é, diariamente, provocado pelos adversários. “O eleitor está cansado das agressões. Eu mesmo fiz muitas agressões no passado. Hoje sou o candidato mais agredido. Mas o que o eleitor quer, hoje em dia, é ideias”, disse.

 

Na entrevista, Wilson explica, ainda, a ausência do prefeito Mauro Mendes (PSB) em sua campanha, a conclusão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores do Município e que será um prefeito que irá lutar pela taxação da soja em Mato Grosso.

 

Confira os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – A nova legislação reduziu pela metade o tempo da campanha eleitoral. Como avalia esta campanha de “tiro curto”? E o que prepara para este último mês?

 

Wilson Santos – É uma campanha inédita. Muito curta, com pouquíssima estrutura, pouquíssima logística, sem dinheiro, um eleitorado desanimado, um terço não quer nem saber em falar de campanha, e, nem bem começou, já estamos na reta final. Essa diminuição é boa, mas a primeira experiência é cheia de dúvidas, incerteza, insegurança. Esta geração de candidatos a prefeito e vereador está sendo cobaia. Daqui a dois anos, os candidatos a deputado, governador, senador e presidente terão visto essa experiência e vão ter referência. Nós, agora, não temos referência. É a primeira vez que a legislação que proíbe doação do empresariado acontece, que limita contratação, que diminuiu em mais da metade o tempo da TV e da rádio. Então, é uma experiência nova e é natural que seja cheia de inseguranças.

 

Talvez, seja o único político deste Estado que faça mea-culpa publicamente. E vou morrer reconhecendo que sou humano, tenho falhas, tenho erros

MidiaNews – Com essas mudanças na forma de arrecadação, as doações de campanha estão 43% menores em relação a 2012. Sua candidatura declarou R$ 350 mil até o momento. É possível tocar uma campanha com esse recurso?

 

Wilson Santos – Eu concordo e aplaudo esse novo formato, porque a gênese da corrupção está nessa relação do empresariado com o político quando há o financiamento privado. Como isso acabou e o financiamento só pode ser por pessoa física, ficou bom. É uma questão de tempo para se acomodar e entender que, daqui para frente, não tem mais campanha com dinheiro. É o mínimo. Não se vê campanha na rua, nem dos majoritários ou dos vereadores. E a sociedade está aplaudindo isso. Vai prevalecer a campanha na TV, rádio, nos debates e nas redes sociais. Esse corpo a corpo está cada vez menos presente.

 

MidiaNews – E como está enfrentando essas mudanças?

 

Wilson Santos – Para tocar uma campanha com menos recurso, tem que usar criatividade. Quem tem serviço para mostrar, que mostre, quem tem ideia e propostas, que as apresente. Os veículos de massa continuam à disposição dos candidatos. Eu fui o último candidato a entrar na disputa. Estou com tudo atrasado e tenho que correr mais, trabalhar mais que todos os outros. Mas estamos passando uma boa mensagem e, como resultado, estamos crescendo em todas as pesquisas. Na Voice Pesquisas**, saímos com 14% das intenções de voto, no Ibope pulamos para 18% e estamos com 20% na Gazeta Dados***. Sinto na rua todo dia esse crescimento, com demonstrações de carinho, apoiamento. Em que pese a pouquíssima estrutura financeira, está dando para se apresentar e crescer nas intenções de voto.

 

MidiaNews – Há críticas com relação ao seu programa eleitoral, que estaria muito focado em pedir desculpas aos eleitores, ao invés de apresentar propostas de governo.

 

Wilson Santos – O nosso programa está correto. É de minha natureza reconhecer erro. Aprendi isso com meus pais. Ser homem é assumir os seus erros. E eu, desde menino, sempre assumi meus erros. Eu, talvez, seja o único político deste Estado que faça mea-culpa publicamente. E vou morrer reconhecendo que sou humano, tenho falhas, tenho erros. Agora, essa fase, na TV e rádio, já passou. Estamos na fase de mostrar serviço, apresentando a Avenida das Torres, o que fizemos na Educação, o CuiabáVest, a política salarial que colocamos na Prefeitura, as construções. E a terceira etapa virá a partir da semana que vem, que são as propostas, que serão feitas com responsabilidade, dizendo quanto custa, de onde sairá o dinheiro, sem utopias, sem desespero para ganhar aplausos fáceis e votos. Vamos fazer propostas pé no chão.

 

MidiaNews – Apesar de sua campanha ter bons apoiadores, de poder mostrar em seu programa os feitos de sua gestão, a sua rejeição nas pesquisas é gigantesca. A Pesquisa Ibope apontou 54% de rejeição. Isso não pode inviabilizar suas chances de vitória?

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Wilson Santos 080916

"Somos a única candidatura que cresce permanentemente, não oscilamos ou congelamos em nenhum momento"

Wilson Santos – O Ibope apontou 54%, mas a Gazeta já caiu para 40%. Então, em poucos dias, reduzimos 14 pontos. Até 25% não é considerado rejeição. Calculo que tenho 10% acima do limite, mas isso vai cair naturalmente. Já iniciei campanha com mais do que isso. E temos o exemplo de Várzea Grande, em que o Murilo Domingos começou a campanha com 72% de rejeição, mas venceu as eleições. Depende da capacidade do candidato em apresentar boas propostas, explicar as acusações que lhe pesam. Então, não tenho nenhuma preocupação com relação a isso. A cada dia sou recebido melhor em Cuiabá, a cada dia nossos votos aumentam. Tenho revertido muitas situações e trazido importantes apoios. E acho que, a partir de semana que vem, já estaremos assumindo o primeiro lugar. Estou muito seguro de que estarei no segundo turno.

 

MidiaNews – Entre essas situações citadas pelos adversários, estão o Rodoanel, o fato de deixar a Prefeitura antes de terminar o mandato e até por ter criticado o prefeito Mauro Mendes e agora querer tê-lo a seu lado.

 

 Wilson Santos – Eu não considero que tenho adversários, tenho concorrentes. E tenho certeza de que eles ganhariam mais se concentrassem a campanha deles em propostas, em ideias para resolver os problemas de Cuiabá. Eu não tenho agredido ninguém, não tenho ferido nenhum colega candidato e espero continuar até o final desta forma. E, por isso, acho que nosso programa de TV é tão bem avaliado. O programa de rádio é um show, e tenho constantemente crescido. Somos a única candidatura que cresce permanentemente. Não oscilamos ou congelamos em nenhum momento. Porque o eleitor está cansado das agressões. Eu mesmo fiz muitas agressões no passado. Hoje, sou o candidato mais agredido. Mas o que o eleitor quer, hoje em dia, é ideias. Quer proposta de como terminar o Rodoanel, quanto vai custar, de onde sairá o dinheiro, como vai retornar o CuiabáVest, a partir de quando, como terminar o novo hospital da Capital, quando vai inaugurar, etc. Temos concentrado em ideias e soluções para a cidade, mas alguns concorrentes não entenderam que a população cansou das agressões. Eu sou disparado o candidato mais agredido. Todo dia, no rádio e na televisão, sou agredido. Tenho me mantido sereno, não tenho tomado a iniciativa de agredir ninguém e espero terminar a campanha de modo tranquilo e favorável.

 

Porque o eleitor está cansado das agressões, eu mesmo fiz muitas agressões no passado. Hoje, sou o candidato mais agredido. Mas o que o eleitor quer, hoje em dia, é ideias

MidiaNews – O fato de não “bater” em nenhum outro candidato é por conta da sua alta rejeição?

 

Wilson Santos – Não. Essa rejeição é natural para quem tem o tempo de vida pública que eu tenho. Mas ela vem caindo. E vamos terminar a eleição com uma rejeição abaixo dos 25%, que é o ideal. Porque se você tem 40% que te rejeitam, admite que tenha 60% que podem votar em você. E com essa percentual você vence uma eleição.

 

MidiaNews – Mas nessa ideia, os candidatos com menor rejeição têm mais eleitores.

 

Wilson Santos – Sim, mas não estão convertendo em votos. Neste momento, quem vem convertendo e ganhando votos é nossa candidatura.

 

MidiaNews – O senhor chegou a questionar a metodologia do Ibope, que apontou os 54% de rejeição.

 

Wilson Santos – Foi o nosso jurídico que questionou isso. E questionou bem, porque o Ibope, por não ser daqui, acabou pegando um número de entrevistados das classes A e B mais que o dobro do que é de fato esse extrato social em Cuiabá. Isso teve um diferencial. As classes A e B não representam 31% da população, mas, sim, 15%. Porém, o Ibope colheu esse percentual dessa classe e distorceu a rejeição. E onde tenho a maior rejeição é na elite cuiabana.

 

MidiaNews – Por quê?

 

Wilson Santos – Não sei. Mas estamos revertendo. A cada 24 horas, é impressionante o número de adesões, de telefonemas que recebo, de mensagens no WhatsApp vibrando com o programa. O grosso da minha rejeição está na elite. Não sei os motivos, só a sociologia explica. Mas tenho segurança de que esse movimento de reversão está acontecendo e, nas próximas pesquisas, a rejeição irá diminuir e a intenção de votos aumentar. E o que interessa não é a rejeição, é a eleição. E na última pesquisa já apareço como o segundo, com um empate técnico com o primeiro, e a tendência é assumir a liderança já na semana que vem.

 

MidiaNews – As pesquisas qualitativas da sua coligação apontam isso?

 

Wilson Santos – Sim. Apontam que estamos no caminho certo, fazendo uma campanha propositiva, de ideias, propostas, para resolver os problemas da sociedade. Os eleitores não querem baixaria, agressão, tanto que não fiz isso nos debates, não tenho feito na TV e no rádio, mas tenho apanhado. Os concorrentes não perceberam ainda que uns pararam de crescer e outros começaram a cair por conta disso. A sociedade quer o embate de ideias. Não quer agressão, não quer saber se há cinco anos joguei pedra no cachorro ou na cruz. É daqui para frente, quer saber qual vai ser o futuro com esse cidadão que se propõe a ser prefeito. Mas os concorrentes não perceberam, estão presos no passado.

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Wilson Santos 080916

"Sou disparado o candidato mais agredido. Todo dia, no rádio e na televisão, sou agredido. Tenho me mantido sereno"

A população já saiu daquela primeira fase de conhecer os candidatos, e está, agora, na fase de comparação. E é o que peço, que compare os seis candidatos, veja que grupo cada um representa, veja o que cada candidato já prestou de serviços a Cuiabá, analise as suas propostas para resolução dos problemas da cidade e quem, com segurança e maturidade, pode construir as melhores parcerias para equacionar essas dificuldades que nossa cidade atravessa. É isso que o cidadão quer, mas alguns candidatos insistem em olhar o retrovisor.

 

MidiaNews – Adversários, então, estão focados em pessoalizar a campanha?

 

Wilson Santos – Não quero falar dos concorrentes. Já participei de eleições mais agressivas, de nível mais baixo que esta. Mas a continuar nessa toada, esta eleição pode descambar para a baixaria. E ninguém ganha com isso. Absolutamente, ninguém ganha com isso.

 

MidiaNews – Não teme, ao não responder os adversários, deixar que as acusações contaminem sua campanha?

 

Wilson Santos – Depois dos 50 anos, você fica mais tolerante, mais calmo, filtra com mais rigor, pesa e vê que certas acusações não merecem sequer resposta. O cidadão é sábio. Acredito que a melhor resposta, às vezes, é o silêncio.

 

MidiaNews – O candidato a prefeito Julier Sebastião criticou o fato de o senhor e o Emanuel Pinheiro abandonarem os mandatos na Assembleia para disputar a Prefeitura. Disse que vocês devem explicar isso aos eleitores. Como responde a essa crítica?

 

Wilson Santos – Não vou responder o Julier.

 

MidiaNews – Mas os eleitores não merecem uma resposta sobre o fato de estar deixando o mandato na Assembleia pela metade?

 

Já participei de eleições mais agressivas, de nível mais baixo que esta. Mas a continuar nessa toada, esta eleição pode descambar para baixaria

Wilson Santos – Porque o mandato no Legislativo não coincide com o do Executivo. As eleições não coincidem. Por isso defendo a unificação das eleições de todos os mandatos eletivos. Enquanto não coincidir, sempre alguém estará no meio do mandato disputando eleições majoritárias. Então, é normal. Assim como magistrados abandonam suas carreiras para disputar eleição.

 

MidiaNews – Então, não acredita que esse seja mais um dos motivos da rejeição à sua candidatura?

 

Wilson Santos – Não. O povo é mais sábio do que os políticos pensam. O povo sabe analisar. Cuiabá precisa de um gestor qualificado, esteja onde estiver. E a sociedade saberá buscar esse gestor.

 

MidiaNews – Nessa reta final, o governador Pedro Taques terá uma participação mais ativa? Qual será a estratégia?

 

Wilson Santos – A tendência é que o governador Pedro Taques e o grupo do prefeito Mauro Mendes intensifiquem a presença na campanha. Nós temos a presença dos dois grupos. E, tanto do meu lado, quanto dos outros, a tendência é que cada um busque os seus apoios. E vamos intensificar a presença dessas lideranças.

 

MidiaNews – Mas o prefeito Mauro Mendes tem se mostrado resistente em participar. A essa altura da campanha, ainda é possível tê-lo em seu palanque?

 

Wilson Santos – Eu desejo, espero e trabalho para isso. Assumi o compromisso de concluir as obras do prefeito Mauro Mendes, de preservar parte do secretariado, que tem uma avaliação muito boa, de manter o padrão Mauro na qualidade das obras. Assumi o compromisso de prestigiar a chapa de candidatos a vereador do PSB, nosso vice é do PSB. E eu sou um homem paciencioso, já do alto dos meus 55 anos, aprendi a ter paciência. Além disso, o grupo do prefeito está de cabeça na campanha, os secretários estão todas as noites, finais de semana, fazendo reuniões, representando o prefeito, pedindo votos, fazendo depoimentos nos veículos de massa. Então, a gestão Mauro Mendes está presente na minha campanha. Isso é o que qualquer um dos seis candidatos gostaria. Tenho o privilégio de ter o apoio dos dois melhores grupos políticos da Capital.

 

MidiaNews – Mas o fato da figura Mauro Mendes não estar na sua campanha, pedindo voto, não vai ser fator determinante?

 

Wilson Santos – Isso é uma questão de semântica. O Mauro está na minha campanha. Inclusive nos nossos programas de TV e rádio, nas músicas. Claro, esta aparição pode ser ampliada, mas ela já existe. Você pode ligar para todos os secretários que eles vão confirmar estar na campanha e que eu sou o candidato deles. Quem insiste que ele não está na minha campanha são os adversários, que gostariam de tê-lo nessa mesma intensidade que eu tenho.

 

MidiaNews – Rusgas do passado pesam nessa aproximação?

 

Wilson Santos – Quem não quer passar dissabores, quem não quer ter desconfortos, não venha para a vida pública. Esse é um território em que, durante os períodos de disputa, acontece de tudo, de ambos os lados. Esse é um território em que as pessoas precisam pensar antes de vir. Todos estão testemunhando que estou sendo agredido há vários dias, diuturnamente, pelos meus concorrentes, mas não tenho reagido. Então é da natureza do meio político esse tipo de debate, de entrave que, às vezes, extrapola um pouco. Mas não tenho mágoa de ninguém. Essa é minha 13ª eleição. Fui agredido, respondi e meu coração é limpo e puro em relação a isso. Faz parte do processo. Torço para viver em um Brasil em que a política tenha um nível melhor.

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Wilson Santos 080916

"Depois dos 50 anos, você fica mais tolerante, filtra com mais rigor e vê que certas acusações não merecem sequer respostas"

MidiaNews – Ainda com relação às pesquisas, o Procurador Mauro aparece em primeiro lugar nas intenções de voto. Muitos apontam que isso é resultado de um cansaço da população com a política tradicional. Como analisa isso?

 

Wilson Santos – Prefiro não analisar e deixar que o eleitor analise. Minha análise seria completamente contaminada e suspeita. Mas não vejo que seja somente isso. O Procurador tem méritos também, tem créditos. Já participei de eleição com ele, nunca baixou o nível comigo, sempre se posicionou de maneira respeitosa. Então, não creio que toda essa expressão de intenção de votos seja, exclusivamente, protesto. Ele também tem qualidades e precisamos respeitar.

 

MidiaNews – Ele é um candidato que não faz coligação com outros partidos. Em uma eventual gestão, não poderia ficar isolado na Prefeitura?

 

Wilson Santos – Hoje, ninguém governa sozinho. Em Campo Grande, o radialista Alcides Bernal ganhou a eleição praticamente sozinho e foi cassado em pouco tempo. O Parlamento Municipal, por dois terços, pode cassar o prefeito. Com uma base governista ampliada já há dificuldade, imagina completamente isolado do Parlamento Municipal, Estadual e Nacional. A cidade é muito grande, com quase 600 mil pessoas, um orçamento de R$ 2,2 bilhões, com apenas 3% de capacidade de investimento. Então, é complexo o quadro da Capital. É preciso ter parceiros, alianças, fazer política com “P” maiúsculo. E em um isolamento desses, é muito difícil, complexo, até para vencer as eleições.

 

MidiaNews – Então, não acredita em uma vitória isolada?

 

Wilson Santos – Não acredito. Ainda mais em Cuiabá. O cuiabano preza muito mais pelo voto a prefeito do que a governador. Basta ver as pesquisas. Há um alto índice de indecisão, porque o cuiabano vai aguardando, vendo os debates, acompanhando com calma, de modo silencioso. E na hora certa, dá um voto responsável. Pode até, durante a campanha, sinalizar um voto mais solto, descomprometido, mas quando se trata dos próximos quatro anos, da sua vida, do seu cotidiano, coloca racionalidade e vota com a razão. Basta ver os prefeitos: todos deram de tudo o que podiam pela Capital.

 

O problema é que Cuiabá foi cidade-estado por quase 250 anos. Todas as demandas do Estado recaíam sobre Cuiabá. Havia uma carga de pressão enorme, principalmente na área da Saúde, da Educação, Infraestrutura. E mesmo com toda essa demanda, Cuiabá não recebeu dos governos Estadual e Federal apoiamento para superar suas fragilidades. E passou por um processo de urbanização explosivo. Mas o que Cuiabá tem de melhor é o futuro. Podemos fazer desta cidade algo extraordinário. Podemos transformá-la na Capital mundial da industrialização do agronegócio. Por isso sou a favor da taxação do agronegócio. Uma das metas não é só aumentar a arrecadação do Estado, defendo taxar o agro para impor a industrialização. Temos que parar de nos contentarmos em sermos produtores de matéria-prima barata.

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Wilson Santos 080916

"A gestão Mauro Mendes está presente na minha campanha. Isso é o que qualquer um dos seis candidatos gostaria"

MidiaNews – Como prefeito, qual seria sua atitude?

 

Wilson Santos – Como prefeito vou exercer uma função que não exerci nos mandatos anteriores. Fui tímido nisso. Agora serei mais ousado. Cuiabá precisa de mais que um prefeito, precisa de um líder. E o Leonardo [Oliveira, vice na chapa] vai ser muito importante. Vai ajudar a tocar o dia a dia da cidade, para que eu fique em questões macro. Vamos repor Cuiabá no lugar que ela merece, que é a de grande líder deste Estado. Cuiabá precisa voltar a ocupar um lugar de destaque no cenário regional e nacional e vamos liderar um grande movimento nesta cidade pela taxação do agronegócio. Temos perdido para o interior, constantemente, a participação no PIB estadual. Isso precisa ser revertido.

 

MidiaNews – Como reverter?

 

Wilson Santos – Com definição da vocação econômica, com um processo de industrialização forte, com o ecoturismo, programas de incentivo que atraiam indústrias de tecnologia, até porque temos capital humano que pode servir essas indústrias.

 

MidiaNews – O senhor tem citado muito em sua campanha o fato de ter criado o CuiabáVest e o Bolsa Universitária e que pretende retomá-los.  De onde vai tirar recursos para esses dois projetos, já que a Prefeitura tem problemas de caixa?

 

Wilson Santos – O CuiabáVest volta até 31 de março de 2017. Em 90 dias, voltará em vários polos de Cuiabá. Será 100% financiado pela iniciativa privada. Não haverá recurso público. Em relação ao Bolsa Universitária, ainda estou estudando uma alternativa para trazer de volta.

 

MidiaNews – Por que passará a ser feito pela iniciativa privada?

 

Wilson Santos – Porque vou priorizar o dinheiro público para a Educação infantil e fundamental, que á primeira obrigação do Município.

 

MidiaNews – Mas há empresas interessadas?

 

Wilson Santos – Não tenho dúvida. Sou desse meio. Vou buscar universidades privadas, editoras, gráficas, bancos. Até 31 de março, podem cobrar, estará de volta, com camisetas, material escolar. Não é um programa caro. Um aluno custava em torno de R$ 800 por ano. A relação custo/benefício é extraordinária. Foram mais de cinco mil jovens pobres que mudaram para sempre suas vidas. Isso é mudar, transformar. Eu adoro inaugurar obra, mas prefiro inaugurar gente, inaugurar pessoas. Esses dias, mostrei em meu programa um rapaz que era garçom e passou a ser dentista.  Esse país só vai tomar rumo através da Educação.

 

Tenho o privilégio de ter o apoio dos dois melhores grupos políticos da Capital

MidiaNews – E qual sua proposta para esse setor?

 

Wilson Santos – Vou fazer da Educação de Cuiabá a melhor do Brasil até 2020. Cuiabá terá o melhor Ideb (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico) do país dentre as 27 capitais. Eu sei fazer isso. Como fiz da primeira vez, tirando a Capital da 20º posição para a 7ª. Vai ser 24 horas em cima da Educação. Será a minha prioridade. Temos algumas imposições legais, temos que chegar em 2023 com 50% das crianças em creche. Mas espero chegar com 50% até o fim da gestão, em 2020. Mas a maior meta é a qualidade na Educação da Capital.

 

MidiaNews – A Segurança é um dos motes da campanha de Emanuel Pinheiro e Julier Sebastião. Qual será a participação da Prefeitura neste setor em sua eventual gestão?

 

Wilson Santos – A Constituição estabelece que todos têm responsabilidade com a Segurança, inclusive o cidadão. A Prefeitura, na minha gestão, será parceira do Estado na melhoria da Segurança Pública em Cuiabá. Essa é uma função específica do Estado, mas nas próximas semanas apresentarei minha proposta para área. Será interessante, fora desse arroz com feijão que tenho visto nas campanhas. Será uma proposta responsável, sem utopias. A Prefeitura vai ter uma participação importante, mas no limite das responsabilidades, sem utopia e sem assumir atribuições que pertencem ao Estado e União. Vamos fazer o que é dever nosso e tenho certeza que a sensação de Segurança irá melhorar na cidade.

 

MidiaNews – Como deputado, o senhor sofreu desgastes com servidores do Estado durante o embate da Revisão Geral Anual (RGA). Como está o diálogo com essa categoria durante a campanha?

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Wilson Santos 080916

"Cuiabá precisa voltar a ocupar um lugar de destaque no cenário regional e nacional e vamos liderar um grande movimento nesta cidade pela taxação do agronegócio"

Wilson Santos – Terei muitos votos de servidores. A ficha está caindo. O Governo está tendo dificuldade, inclusive, para repassar duodécimo aos Poderes e instituições. Quando nós dizíamos em junho que a situação econômica do Estado era grave, muitos não acreditavam. Hoje já encontro servidor concordando, alguns até pedindo desculpas.

 

O servidor é consciente. Esse é um direito legal, mas nem sempre o Estado pode pagar. Sou consciente do papel que desempenhei, sou leal e intenso em tudo que faço. Em nível de município, já fui prefeito por mais de cinco anos. O servidor conhece Wilson Santos. Não é à toa que crescemos em todas as pesquisas. Tem candidato que defendeu a RGA que está caindo, nós temos só crescido. Quando fui prefeito, paguei todas as RGAs, criei a data-base para o pagamento e fiz planos de cargos, carreiras e salários para quase todas as categorias.

 

No primeiro ano, paguei 16 folhas salariais. Em valores atuais, tirei aproximadamente R$ 162 milhões do orçamento. A folha salarial é de R$ 54 milhões, tirei três folhas para quitar os atrasos que se arrastavam havia 11 anos. Logo no início da gestão, decretei moratória a todos os fornecedores e credores da Prefeitura, não paguei ninguém enquanto não quitasse o atraso. Então, o servidor me conhece. Sabe que voltarei com responsabilidade, sem maluquice, sem utopia, sem demagogia, fazendo o que é possível. Sou um gestor austero. Quando assumi, peguei uma Prefeitura com 14,5 mil funcionários e deixei com 14 mil. Os tucanos têm como marca arrumar casa, somos especialistas em arrumar casa. Lembro que, em 1986, quando Dante de Oliveira assumiu a Prefeitura, havia cinco folhas atrasadas. Eu peguei com três folhas atrasadas. Então nós, tucanos, temos o dom de arrumar.

 

MidiaNews – Mas o senhor pegou a Prefeitura de um tucano, Roberto França. Ele não teve o dom de arrumar?

 

Wilson Santos – Ele também pegou a Prefeitura com cinco folhas atrasadas. Também herdou atraso.

 

O servidor conhece Wilson Santos. Não é à toa que crescemos em todas as pesquisas. Tem candidato que defendeu a RGA que está caindo, nós temos só crescido

MidiaNews – Ainda na questão da RGA, o prefeito Mauro Mendes decidiu conceder a integralidade da reposição. Então, em 2017, a Prefeitura já estará próxima dos limites estabelecidos na Lei de Responsabilidade Fiscal. Qual será sua política salarial na Prefeitura?

 

Wilson Santos – Sou um arrumador de casa. Saberei garantir os direitos dos servidores e saberei não comprometer o equilíbrio fiscal da Prefeitura, como fiz antes, durante cinco anos e três meses. O servidor sabe que pago em dia, que sou rigoroso com a folha, que acompanho a folha semanalmente. Checo todos os penduricalhos e audito, periodicamente, a folha. Prefeito que não domina a folha se perde. Até porque essa é a grande despesa da Prefeitura.

 

MidiaNews – Então, vai pagar a RGA somente se for possível?

 

Wilson Santos – Vou pagar sempre. Na minha gestão eu sempre paguei. No meu primeiro ano paguei 16 salários. Peguei o CuiabáPrev com zero em caixa. Fiz uma promessa de campanha de que não descontaria os 11% de previdência dos inativos e não descontei. E deixei o CuiabáPrev com mais de R$ 50 milhões em caixa. Então nós, tucanos, entendemos de gestão pública.

 

MidiaNews – Com relação ao Veículo Leve sobre Trilhos, o senhor sempre foi crítico enquanto deputado. Caso eleito, como irá se portar diante desse assunto?

 

Wilson Santos – O VLT é o maior roubo do dinheiro público nos 300 anos de Mato Grosso. Nunca se roubou tanto nesses 300 anos. É o maior escândalo da nossa história. O VLT precisa ser concluído e será, mas a Prefeitura sabe que não tem condições de assumir algo gigantesco. O orçamento do ano que vem é de R$ 2,2 bilhões, com uma capacidade de investimento de 3%. Isso é menos de R$ 70 milhões. Então, seria assumir uma responsabilidade inexequível. Essa obra pertence ao governo do Estado e à União. Nós vamos trabalhar cobrando esses dois entes da federação para que terminem a obra. Estive com o ministro das Cidades, Bruno Araújo, e com o presidente Michel Temer, que prometeram ajudar o Governo do Estado a concluir a obra. Essa é nossa participação. Assumir uma obra de R$ 2 bilhões, com uma capacidade de investimento de R$ 70 milhões, é achar que a população é boba. É o poste fazendo xixi no cachorro.

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Wilson Santos 080916

"Sou um arrumador de casa. Saberei garantir os direitos dos servidores e saberei não comprometer o equilíbrio fiscal da Prefeitura"

MidiaNews – O senhor citou a questão do caixa da Prefeitura. Está a par da condição financeira do Município? Como reverter essa tendência de as despesas crescerem mais que a receita?

 

Wilson Santos – Logo no início vou auditar com rigor a folha de pagamento, todos os contratos. E, dentro da legalidade e da possibilidade, reduzir custos, renegociar com fornecedores e credores. Vamos trabalhar, junto à bancada federal, emendas parlamentares, trazer dinheiro novo. Vamos consolidar a parceria com o Governo Estadual. E, por fim, modernizar a máquina para melhorar a arrecadação, sem aumentar impostos, cobrar com mais eficiência a dívida ativa e qualificar o gasto.

 

MidiaNews – Vai auditar contratos?

 

Wilson Santos – Vamos auditar tudo, porque sempre há a possibilidade de economia. E vou buscar essa possibilidade diuturnamente.

 

MidiaNews – Não é no sentido de encontrar irregularidades?

 

Wilson Santos – Não. De forma nenhuma. O prefeito Mauro Mendes não responde a nenhuma ação por improbidade em sua gestão. Suas contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas e pela Câmara Municipal. É no sentido de economia, gastar cada vez menos para dentro, para gastar mais com o cidadão.

 

* A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) sob o protocolo MT-04797/2016.

** A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) sob o nº MT-08665/2016.

*** A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) número 07453/2016

O levantamento foi registrado junto à Justiça Eleitoral sob o protocolo número 07453/2016 - See more at: http://www.sonoticias.com.br/noticia/politica/gazeta-dados-procurador-mauro-wilson-e-emanuel-estao-tecnicamente-empatados-em-cuiaba#sthash.C9l4cMEd.dpuf
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Francisco Antonio de Almeida  14.09.16 12h41
Como diz um certo político: Quem planta vento colhe tempestade.
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joão carlos  14.09.16 09h55
Vale a pena ver de novo. O voto do funcionário publico que vai decidir essa eleição em Cuiabá. Lembra da eleição do Dante e do Antero, pois é, judiaram com o funcionalismo, colheram o que plantaram.
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ismael   13.09.16 10h20
Como diz os mais experientes e sábios... quem com Ferro fere com o mesmo Ferro será Ferido... que a surra politica que vc terá espero que tenha aprendido a lição
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Jorge  12.09.16 16h39
Sr WS deixa de hipocrisia, os servidores ainda lembram de como foram tratados pelo sr na questão do RGA, e se o estado está quebrado a culpa é do servidor? Não seria problema causado por má gestão de políticos? Todos queremos um estado, um país politicamente melhor, e com o Sr fora dela já teremos uma pequena melhora e seu grande apoiador, o Imperador tbem terá seu devido reconhecimento se ainda ousar ser candidato.
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Geraldo  12.09.16 15h21
Você sempre agrediu todo mundo e seus contratados continuam agredindo. Não vai mudar. Não adianta.
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