ENQUETES

Como você vai gastar seu 13º salário?

PUBLICIDADE

Entrevista da Semana / "ANGÚSTIA"
18.11.2017 | 20h11
Tamanho do texto A- A+

"É preciso 300 leitos para evitar pacientes nos corredores do PS"

Elizeth Araújo defendeu decreto que cria regras para atendimento de pessoas de outras cidades

Alair Ribeiro/MidiaNews

Clique para ampliar

A secretária municipal de Saúde, Elizeth Araújo, que defende remanejamento de pacientes do interior

VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO

Filas de pessoas aguardando por atendimento em unidades de saúde. Nos corredores do Pronto-Socorro, pacientes se amontoam em macas. Na Farmácia de Alto Custo, faltam medicamentos. E a dívida do Estado com a saúde municipal beirando os R$ 44 milhões.

 

Em meio ao caos no setor, a secretária municipal de Saúde, Elizeth Araújo, lidera a Pasta considerada desde sempre uma das mais problemáticas da Capital. Além das dificuldades no Município, Cuiabá sofre com o “efeito dominó”, ocasionado pelas dificuldades enfrentadas na saúde pública do interior do Estado, que faz com que os pacientes de outras cidades sejam transferidos para a Capital.

 

Nos últimos meses, a quantidade de pacientes no Pronto-Socorro aumentou e a unidade tem atendido um número 168% maior que o adequado. Com a superlotação, o corredor também passou a abrigar dezenas de macas, nas quais os pacientes são colocados em leitos improvisados. A secretária lamenta.

 

“É triste. Eu passo por ali e aquilo me angustia.O prefeito Emanuel Pinheiro também sente uma angústia constante”, pontua.

 

Em Cuiabá praticamente todos os serviços são municipais. Poucos são de gestão estadual, pois ou eles são próprios ou contratualizados pelo Município

Leia abaixo a entrevista:

 

MidiaNews –  O que acontece com a saúde pública de Cuiabá? Por que é um setor tão problemático?

 

Elizeth Araújo – A saúde pública em Cuiabá não é diferente das outras Capitais do Brasil. O que acontece aqui, especificamente, é que, diferente de Goiânia, São Paulo e outras Capitais, nas quais há serviços próprios do Estado, em Cuiabá praticamente todos os serviços são municipais. Poucos são de gestão estadual, pois ou eles são próprios ou contratualizados pelo Município. Ao longo do tempo, o repasse do Ministério da Saúde, que é o repasse SUS [Sistema Único de Saúde], não tem mais conseguido pagar o custo da Saúde. A tabela não paga mais o custo da Saúde. Então, ao longo desses últimos anos, foi sendo necessário o aporte de contrapartida. Desde 2003, o Estado sempre tem portarias de complementação de recursos, de contrapartida para Cuiabá para auxiliar, sobretudo no Pronto-Socorro ou em outros serviços.

 

De outubro pra cá, a gente não estava mais conseguindo receber essa contrapartida do Estado para o Pronto-Socorro. Além disso, as unidades filantrópicas, que realizam mais de 70% dos procedimentos de alta complexidade, entraram, há alguns meses, em um processo de redução da oferta de serviços, em decorrência de um não cumprimento de um acordo que tinham com o Estado desde 2014.

 

Houve várias reuniões. O governador, dentro das possibilidades, assumiu o compromisso de pagar alguns valores de contrapartida. Houve acordo entre as filantrópicas e o governador, na Casa Civil, mas mesmo depois disso, houve dificuldades para cumprir em dia o repasse daqueles valores. Então isso impactou na resolutividade dos serviços. Os pacientes passaram a ficar superlotados no Pronto-Socorro.

 

MidiaNews – De que modo os problemas nos hospitais regionais afetaram as unidades de saúde da Capital?

 

Elizeth Araújo – Nós tivemos, ao longo dos anos, uma situação cada vez mais agravada dos hospitais regionais, sejam eles sob gestão estadual ou municipal. Eles passaram a ter muita dificuldade de cumprir com os contratos por conta dos atrasos nos repasses. As empresas médicas que prestavam serviços saíram e passaram a não dar mais assistência aos pacientes da sua região. A única alternativa que sobrou para esse paciente do interior foi vir para Cuiabá, para o Pronto-Socorro ou para as UPAs. Com isso, o Pronto-Socorro está com a lotação 168% acima de sua capacidade, o que ocasiona aqueles corredores inacabáveis de pessoas.

 

A equipe técnica, que inclui enfermeiros, médicos e demais profissionais, está extremamente sobrecarregada. O estoque que nós tínhamos de medicamento e insumos também vem diminuindo. A gente está tendo dificuldades de receber itens dos fornecedores em dia, também por não estar recebendo as contrapartidas do Estado. Só o recurso federal e a contrapartida municipal não estão sendo suficientes para a gente cumprir a demanda. Então é isso que vem acontecendo. Além disso, em Cuiabá, ao longo dos anos, não houve praticamente investimento em atenção básica. O que segura a saúde da população é ter uma rede com unidade básica nos bairros, onde a pessoa possa ser assistida no seu local e evitar o adoecimento, a cronificação da saúde.

 

MidiaNews – Como a saúde pública da Capital vem sendo impactada após o início da crise econômica no País?

 

Elizeth Araújo – Essa crise, que vem ao longo dos anos e se intensificou no último ano, fez com que várias pessoas que tinham planos de saúde - particulares ou em suas empresas - deixassem esse plano e voltassem para o SUS. Nós temos um levantamento prévio, e a gente está finalizando em janeiro, que nos aponta um aumento de demanda de 38% no último ano. O que a gente coloca é que são diversos fatores que impactaram diretamente na nossa condição de oferta de serviço hoje.

 

A gente tem um Pronto-Socorro com uma lotação muito superior à sua capacidade. Há riscos em relação a isso. O Pronto-Socorro deveria estar atendendo a população da Baixada Cuiabana, os casos de alta complexidade do interior e poucos casos de média complexidade de outras regiões. Mas ele está atendendo vários casos de média complexidade, que deveriam ser feitos nos hospitais regionais, que acabam vindo para a Capital. Essa somatória de valores chegou ao que a gente tem hoje.

 

Na semana passada, a situação se complicou mais com o fechamento de Pontes de Lacerda; com o fechamento da UTI neonatal e pediátrica de Rondonópolis; a diminuição do atendimento em Sinop; o hospital de Barra do Bugres atendendo apenas eletivos e com Diamantino fechado também. Então, tudo isso impactou aqui e a gente teve que tomar providências, porque senão ia acabar comprometendo a vida das pessoas.

 

MidiaNews – Quais o valores recebidos pela saúde da Capital atualmente?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Elizete Araújo 16-11-2017

Secretária lamentou falta de repasses do Governo do Estado para a Capital

Elizeth Araújo – Do governado estadual, a gente tem, em geral, contrapartida de mais de R$ 9 milhões mensais. Hoje, sem fechar o mês de outubro, a gente tem passivo de R$ 43,7 milhões. Havia mais de R$ 50 milhões, mas, na semana passada, o Governo pagou mais de R$ 9 milhões e a dívida foi reduzida.

 

O repasse do Governo Federal é em torno de R$ 17 milhões para média e alta complexidade. Há também outros valores. No total, o valor é em torno de R$ 20 milhões mensais para todas as ações. Os repasses federais estão em dia.

 

MidiaNews – Desde quando o Estado deixou de fazer repasses?

 

Elizeth Araújo – Há setores em que está sem repasse desde agosto do ano passado, como a atenção básica. O do Pronto-Socorro está atrasado desde outubro de 2016, tendo dois repasses neste ano, em junho e julho. Isso acontece em todos os Municípios do Estado, não é apenas em Cuiabá. Isso acontece por conta da crise.

 

 

MidiaNews – Atualmente, quantos médicos atuam na rede pública em Cuiabá?

 

Elizeth Araújo – São mais de 700. No último relatório que fechamos, estávamos com 340 efetivos e pouco mais de 400 contratos.

 

MidiaNews – Este número é suficiente para atender a demanda?

 

Elizeth Araújo – É preciso melhorar a produção deles, mas não faltam médicos. É necessário redimensionamento, porque há médicos sobrando em uma unidade e faltando em outras. O problema é que grande parte dos médicos são especialistas, preferem ficar no Pronto-Socorro ou na policlínica, e não querem ir para a atenção básica. A gente tem essa dificuldade e vamos trabalhar no redimensionamento desses profissionais.

 

MidiaNews – O setor da saúde está sobrecarregado? De quanto seria essa sobrecarga?

 

Elizeth Araújo – O Pronto-Socorro está atendendo 168% a mais do que deveria. Com isso, os profissionais ficam sobrecarregados. E assim, onde deveria haver um técnico para cada cinco pacientes, existe um técnico para dez. Isso traz sobrecarga na oferta de insumos e medicamentos e também nos leitos. E ocasiona a permanência dos pacientes nos corredores.

 

MidiaNews – Como está a proporção entre pacientes da Capital e do interior no Pronto-Socorro?

 

O Pronto-Socorro está atendendo 168% a mais do que deveria atender. Com isso, os profissionais ficam sobrecarregados

Elizeth Araújo – Variando de um mês para o outro, a gente colocou uma média de que 57% dos atendimentos no Pronto-Socorro foram feitos a pacientes do interior e 43% da Capital. Nos últimos meses, os problemas no interior foram se agravando e aumentaram esses números. Isso está acontecendo desde o final do ano passado. O secretário da gestão anterior já havia feito um alerta sobre esse assunto. Esse excedente sempre aconteceu, mas agora ele está de uma forma que se a gente não tomasse medidas, as coisas ficariam descontroladas.

 

MidiaNews – O prefeito anunciou que vai determinar a “devolução” dos pacientes do interior, sem gravidade, aos seus Municípios. Como a senhora avalia essa decisão?

 

Elizeth Araújo – Não é que ele vai determinar. Ele fez a fala de que vai criar um comitê, e o decreto inclusive prevê isso, composto pela AMM, pela Secretaria de Saúde do Estado, pelo Conselho Estadual de Saúde, pela Secretaria Municipal de Saúde e pelo prefeito. O objetivo é dar as alternativas e pensar as diretrizes para as equipes técnicas do Pronto-Socorro e da Central de Regulação, junto com a atenção básica e secundária. Porque não é uma transferência que vai envolver apenas o paciente do interior do Estado. Vai envolver também o paciente de Cuiabá que vai para o Pronto-Socorro sem o perfil, sem a necessidade. Neste caso, a gente vai orientar o paciente para que ele retorne, para que agende atendimento em um centro de saúde próximo à casa dele ou para que procure serviço de urgência da atenção secundária. A gente vai fazer esse tipo de orientação.

 

O paciente do interior também vai passar por uma triagem, que é a classificação de risco. Isso é feito em qualquer hospital particular, que também avalia os pacientes e diz se a pessoa vai ser atendida na hora ou se vai ter que aguardar até três horas.

 

Em vez de a gente deixar esse paciente aguardando atendimento, a gente vai orientá-lo a procurar outro serviço. Se ele vier de outro Município, a gente vai olhar o quadro dele e vamos fazer a contrarreferência para que ele possa voltar ao seu Município e resolver seu problema.

 

Por exemplo, às vezes a pessoa vem com uma fratura no braço, que representa uma situação ortopédica de menor gravidade e essa cirurgia pode ser feita no Município, na região do paciente. Então a gente vai orientar e fazer a devolutiva, porque ele não é perfil do Pronto-Socorro. O perfil do PS é de uma situação de maior complexidade de trauma, que exige atendimento que pode ser realizado no Pronto-Socorro ou nos dois hospitais de referência, que são o Metropolitano, que é estadual, e o São Benedito, que é municipal.

 

Há outras situações de pacientes que estão no leito, que a gente pode mandar desospitalizar, contrarreferenciá-los para os seus Municípios, mandando kit de medicação.

 

Outro exemplo é o paciente com osteomielite, que é uma infecção óssea. Esse paciente precisa passar por um procedimento cirúrgico, mas antes disso ele pode passar por tratamento de antibioticoterapia, que pode levar 90 dias ou, em alguns casos, até seis meses, conforme a complexidade. E esse paciente fica ali, no hospital, segurando leito por seis meses, conforme a complexidade. Esse é um perfil de paciente com condições de ser assistido pelo Município de origem antes de realizar a cirurgia.

 

MidiaNews – Esse encaminhamento dos pacientes aos seus Municípios de origem não seria contrário à Constituição, que diz que o Sistema Único de Saúde é universal?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Elizete Araújo 16-11-2017

Elizeth Araújo nega que "devolver" pacientes ao interior do Estado seja atitude irresponsável

Elizeth Araújo – Não, porque não estamos restringindo o acesso. Uma das diretrizes e princípios do SUS é a hierarquização, que é a identificação de onde o paciente precisa ser atendido. A universalidade, conforme a Constituição, é você jamais deixar de ser atendido em qualquer lugar. Mas se a gente não criar critérios de acesso, que é a regulação, que também é um dos princípios do SUS, a gente não consegue dar conta do serviço. Aí você pode ter uma pessoa morrendo de infarto, por não ter o risco devidamente classificado, enquanto outro, com risco menor, é atendido na frente. Por isso existe a necessidade da classificação de risco e da regulação do acesso. O que vamos estar cumprindo são os princípios que regulamentam o acesso ao SUS.

 

MidiaNews – Essa devolução dos pacientes não é uma medida irresponsável?

 

Elizeth Araújo – Não. Estamos chamando todos para exercer suas funções e dizer que não basta dizer que não tem mais condições de atender, fechar hospital e mandar para Cuiabá. Nós estamos vivendo uma crise, cada Município está enfrentando dificuldades. A maior parte deles está colocando muito acima de 25% em recursos próprios para a saúde, não é apenas em Cuiabá. A gente sabe que a Secretaria de Saúde do Estado vem sofrendo, ao longo dos anos, um déficit financeiro e orçamentário muito grande, que impacta no cumprimento dessa contrapartida. Por isso é necessária a criação do comitê, que é a junção de vários espaços que têm discutido isso de forma separada. Nós vamos sentar, discutir juntos e tomar medidas.

 

 

MidiaNews – A senhora não acha que é desumano ver tanta gente "jogada" nos corredores do Pronto-Socorro?

 

Elizeth Araújo – Com certeza. É triste. Eu passo por ali e aquilo me angustia. O prefeito Emanuel Pinheiro também sente uma angústia constante. Uma das primeiras visitas que ele fez, após começar sua gestão, foi ao Pronto-Socorro. Ao confiar a mim a Secretaria de Saúde, ele me pediu para pensar medidas para isso. A gente tem pensado, mas esbarramos em outro problema. Cuiabá tem um déficit de leito muito grande. Mesmo contando com a parceria das filantrópicas, temos um déficit de mais de 590 leitos. Isso sem considerar fatores como o aumento da demanda para o SUS, a crise no interior e outros fatos.

 

Hoje precisamos de uma ampliação de mais de 300 leitos, que vão nos auxiliar a diminuir essa situação, que é desumana, da pessoa ficar no corredor do Pronto-Socorro. Acreditamos que a abertura do novo PS vá resolver isso. Mas na situação em que estamos, não dá para esperar. Então estamos criando medidas. Entre essas medidas está a criação de critérios para conversar com hospitais para cumprimento de contrato, identificando espaços administrativos do Pronto-Socorro, onde a gente possa liberar para colocar mais leitos, onde o paciente ficará em um lugar privado em vez de permanecer no corredor. Então, a gente está adotando algumas medidas emergenciais.

 

Essa situação do Pronto-Socorro só vai ser resolvida com a ampliação dos leitos em Cuiabá e com a organização dos serviços de saúde no interior do Estado. Mas acima de tudo, o que temos colocado como bandeira da gestão Emanuel Pinheiro é a ampliação da atenção básica. Somente quando conseguirmos colocar unidade de saúde básica próxima aos bairros, para que cada pessoa possa fazer seu acompanhamento médico, vamos avançar.

 

MidiaNews – Como a senhora vê a situação de saúde pública no Estado?

 

Elizeth Araújo – É um problema que não vem com a gestão atual, porque tem se arrastado ao longo dos anos. Mato Grosso, até meados de 2003, chegou a ser exemplo de modelo de organização de saúde, com centrais de regulação e serviços no interior. De lá pra cá, infelizmente, algumas medidas adotadas não deram certo. Infelizmente comprometeu muito a saúde financeira da Secretaria Estadual de Saúde, que trouxe esse problema que vivemos hoje.

 

Vejo hoje, na equipe que conduz a secretaria estadual, a coragem para implantar algumas medidas que neste momento estão impactando, mas pode melhorar lá pra frente. São necessárias algumas atitudes como romper contratos que estão muito acima do valor e organizar os serviços. Mas até lá, para que façam isso, eles precisam de recursos financeiros do Governo e por parte da Secretaria Estadual de Fazenda, para pagar o passivo e organizar os serviços daqui pra frente. É uma situação urgente. Os Municípios, sozinhos, não dão conta de tocar somente por meio de recurso federal.

 

Essa situação do Pronto-Socorro só vai ser resolvida com a ampliação dos leitos em Cuiabá e com a organização dos serviços de saúde no interior do Estado

O orçamento é tripartite e o Estado também tem o seu papel. Mas sem rever esses valores altos dos contratos com as OSs, ficava praticamente insustentável a continuidade da gestão da saúde. É preciso rever também a situação de alguns hospitais estadualizados, onde o Estado assumiu toda a responsabilidade da condução da unidade e aquele Município passou a não contribuir financeiramente mais para a saúde.  Há vários casos como esses, que precisam ser revistos. A saúde é tripartite: a União é responsável por 50% do financiamento, os municípios por 25% e o Estado também por 25%.

 

MidiaNews – Uma das medidas para melhorar a situação da saúde em Cuiabá é a inauguração do novo Pronto-Socorro. Como estão as obras e qual o prazo para que ele seja entregue à população?

 

Elizeth Araújo – O novo Pronto-Socorro vai trazer ampliação de leitos desde que a gente mantenha a estrutura, com um perfil diferenciado do atual. Mas nós também precisamos ampliar e melhorar a rede de atenção básica resolutiva.

 

MidiaNews – Mas como estão as obras?

 

Elizeth Araújo – Do ponto de vista da estrutura física, estão avançadas. O que estamos decidindo, em equipe, é sobre os equipamentos, pois agora é a fase de equipar, colocar automação, toda a parte elétrica, incluir elevadores e todo o resto da estrutura. É uma parte muito cara e representa 70% da meta restante para concluir a obra.

 

MidiaNews – A bancada federal irá encaminhar R$ 80 milhões para equipar o novo PS. Porém, houve a informação que Cuiabá poderia perder o repasse, pois não tinha feito um plano de ação para utilizar tais recursos. Como a senhora enxerga essa situação? Isso realmente aconteceu?

 

Elizeth Araújo – Não, isso não é verdade. Posso dizer que é uma mentira. Quem falou isso mentiu ou não tinha informações para afirmar. Estamos trabalhando com esse plano de ação desde fevereiro. A pessoa que disse isso falou por ignorância ou porque não quis pegar as informações. Esse plano está pronto no setor de licitação, mas só não publicamos essa licitação porque precisava discutir a fonte do recurso. Não estava protocolado porque não tinha espaço, porque o site do Ministério da Saúde, no caso de emenda parlamentar, só abre para cadastrar se tiver destinação daquele deputado ou senador para aquele Município. Eles [os parlamentares federais de Mato Grosso] ainda não tinham decidido se aquele recurso viria para o Município ou para o Estado e se era para investimento ou custeio. Era necessário decidir isso para cadastrar. Nós estávamos com o projeto pronto desde 31 de julho, aguardando decidirem esse fato para abrir o sistema, para a gente cadastrar.

 

Inclusive, um engenheiro-clínico fez uma visita, nesta semana, para avaliar a questão do projeto. A gente tomou o cuidado de elaborar o documento e trazer uma consultoria para avaliá-lo, para não correr risco de erros. O processo está pronto, na diretoria de licitações. O prefeito, inclusive, já apresentou isso.

 

Nós pedimos vagas em um curso do Ministério da Saúde, em fevereiro. O Ministério cedeu três vagas para nós, para que três servidores efetivos pudessem fazer o curso de engenharia-clínica, justamente para realizar o projeto de forma adequada.

 

MidiaNews –  Como vai funcionar o novo Pronto-Socorro? Os números de atendimentos realizados e as demandas continuarão sendo os mesmos?

 

Elizeth Araújo – Não posso dizer que vai continuar do mesmo jeito, do ponto de vista da qualidade, porque vamos ter um espaço novo, mais amplo, arejado, com todas as condições e equipamentos novos, para melhor condição de trabalho e assistência ao paciente. Mas do ponto de vista quantitativo, ele é do mesmo tamanho que o Pronto-Socorro atual, na quantidade de leitos. Inclusive são até menos leitos de UTI. Por isso eu digo que para melhorarmos a assistência, não podemos pensar em fechar o atual. Nós temos que reformar o atual, melhorar as condições dele, mas temos que manter a oferta de leitos.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Elizete Araújo 16-11-2017

Secretária de Saúde acredita que novo Pronto-Socorro auxiliará nos problemas enfrentados em Cuiabá

 

MidiaNews – Então há a possibilidade de Cuiabá possuir dois prontos-socorros?

 

Elizeth Araújo – Não serão dois prontos-socorros. Vamos ter quatro UPAs, a partir do ano que vem, que irão atender bem cada região de saúde dos serviços de urgência, que é de competência da UPA. Sobre o atual Pronto-Socorro, estamos trabalhando em um projeto para que ele seja voltado para o público materno e infantil, com a maternidade, a pediatria, o pronto-atendimento pediátrico e também com leitos clínicos de retaguarda para situações específicas, tendo em vista que a gente vai ter que manter a UTI, porque se a gente diminui-la, vamos reduzir os números de leitos.

 

MidiaNews – O novo Pronto-Socorro vai atender apenas a demanda do antigo ou aumentará o atendimento?

 

Elizeth Araújo – Ele vai atender mais, porque vai ter uma estrutura melhor para o setor de queimados, com mais leitos. Vamos organizar o atendimento à pediatria em outro local. Então os leitos destinados às crianças poderão ser utilizados para atendimento de adulto. Ele vai ter serviço de cardiologia, com setor específico de unidade coronariana, que não tem atual. Então, ele não é a mesma coisa que o atual. Ele amplia os serviços e fará um atendimento mais qualificado, com melhores condições.

 

MidiaNews – A senhora acredita que o Pronto-Socorro ficará pronto em abril do próximo ano, conforme foi anunciado?

 

Elizeth Araújo – Há todo um esforço do prefeito. Ele tem alinhado com o governador Pedro Taques para não haver atrasos nos repasses. Ele está envolvendo todos os setores da Prefeitura para acompanhar a execução e para que a gente possa tomar medidas que acelerem a execução do serviço.

 

MidiaNews – Então a senhora pode dizer que o novo Pronto-Socorro vai reduzir o sofrimento dos pacientes?

 

Elizeth Araújo – Com certeza. Nós passaremos a ter um espaço mais adequado e um número maior de leitos.

 

MidiaNews – Nesta semana a imprensa divulgou o furto de 100 computadores no almoxarifado da Saúde de Cuiabá, no Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos (CDMIC), que ocorreu há quase um mês. Por que esse crime veio à tona somente agora? A impressão que dá é de que houve interesse em esconder o caso.

 

Elizeth Araújo – Na época, nós tomamos as providências. A gente não tem falado disso para, justamente, facilitar o processo da investigação. É uma apuração que precisa ser feita com todo o cuidado. Nós temos as câmeras. A polícia está cuidando disso. É um caso que agora pertence à polícia, que investigará e dará os encaminhamentos. Depois dos resultados das investigações, nós vamos dar os nossos encaminhamentos.

 

MidiaNews – Mas por que esse crime só veio à tona agora?

 

Elizeth Araújo – Como eu disse, não foi interesse em ocultar. É uma situação de rotina, que passamos para a polícia cuidar, porque é patrimônio público, houve o furto e precisa ser investigado. Eu sempre tive a postura de pensar que quando você alardeia, prejudica a investigação. Esse caso precisa ser melhor investigado, principalmente por se tratar de um bem público. É de interesse coletivo que as investigações sejam bem feitas, que se apure e que seja punido quem quer que seja.

 

A gente não tem falado disso para, justamente, facilitar o processo da investigação. É uma apuração que precisa ser feita com todo o cuidado

Nós vivemos em uma situação de grande violência, tivemos roubos em várias unidades, por isso estamos fazendo parceria com a Secretaria de Ordem Pública, para ampliar o contrato com os profissionais da PM, do “Projeto Jornada Voluntária”, para justamente dar mais segurança nas unidades de saúde. Então, esse roubo no Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos tem acontecido, infelizmente, em outras unidades, inclusive rendendo profissionais. Acontece que ali houve um crime de forma concentrada e a gente precisa apurar melhor esse caso.

 

MidiaNews – Nos últimos dias, ganhou repercussão a mobilização de profissionais de saúde de Rondonópolis, que protestaram contra o fechamento da UTI Pediátrica de um hospital local. Corremos o risco de ver algo parecido aqui? Há algum serviço ameaçado?

 

Elizeth Araújo – Não. Nós botamos o pé no freio no ponto de vista da ampliação. Mas nós vamos manter o que temos.

 

MidiaNews – Nos últimos meses, os hospitais filantrópicos quase pararam suas atividades, em razão da falta de repasse do Governo do Estado. Como está a atual situação dessas unidades? Os problemas foram sanados?

 

Elizeth Araújo – Ainda não foi resolvida essa situação. Por isso a gente colocou os hospitais filantrópicos nesse processo para melhorar o sistema de regulação e de supervisão. Criamos uma equipe de supervisão de leitos de urgência e outra equipe de supervisão de leitos de UTI. Esses grupos são formados por médicos e vão in loco identificar a existência de lugares vagos, quando se tem um paciente precisando de leito.

 

MidiaNews – O que a atual gestão tem feito para melhorar a saúde pública em Cuiabá?

 

Elizeth Araújo – A gente pretende organizar uma rede de atenção básica mais resolutiva. Então para isso estamos recuperando projetos perdidos de construção de unidade básica de saúde e de reforma das unidades existentes. Estamos trabalhando na organização dos serviços em rede nas regionais de saúde, para melhorar tanto o serviço de urgência como o de atenção básica. O prefeito Emanuel tem colocado todo o esforço para que a gente possa melhorar, mesmo com todas as limitações, as condições de atendimento do pronto-socorro atual. Estamos trabalhando muito para conseguir entregar o novo Pronto-Socorro em abril de 2018. Fizemos a aquisição de vários equipamentos, como por exemplo, compramos três aparelhos de ultrassom, que não eram adquiridos há mais de 20 anos. Também estamos capacitando dos profissionais.

 

São situações que estamos avançando conforme as condições financeiras. Não ficamos parados. A gente está conseguindo atender o paciente do interior e de Cuiabá, sem devolver ninguém, mas com dificuldade, por isso o problema de leitos no corredor. E tem faltado, sim, material. Nunca me privei de falar isso, porque a população precisa saber o que está acontecendo. Com toda a dificuldade que temos, estamos tentando suprir o essencial.

 

MidiaNews – A senhora colocaria seu filho para ser atendido em uma unidade de saúde pública da Capital?

 

Elizeth Araújo – Colocaria, tanto é que já coloquei. Eu mesma já fui atendida. Inclusive neste ano recebi atendimento na policlínica por três vezes, por problemas na pressão arterial, pois sou hipertensa. Já levei filho na policlínica. Meus filhos tomam vacinas na unidade básica, não compro vacina no particular. Minha mãe é assistida na rede do SUS. Sempre utilizei o Sistema Único de Saúde. Inclusive, eu mesma fiquei internada no Pronto-Socorro, no ano passado. Vinte anos atrás eu também fiquei internada no PS durante uma semana e a situação não era diferente do que está hoje, mas a complexidade está maior atualmente.

 

MidiaNews – A senhora tem plano de saúde?

  

Elizeth Araújo – Hoje eu tenho o MT Saúde, mas utilizo a rede pública também, quando preciso.




Clique aqui e faça seu comentário


14 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Matheus Assad Daher  24.11.17 17h17
Concordo com o Joelson e com o Edy Marcos : tem que parar de gastar com bobagens e superfluos e investir o "nosso dinheiro" que já foi pago em impostos em "nossas prioridades". Festa de aniversário de 300 ou de 1000 anos não é mais importante do que dotar os hospitais, policlínicas e pronto socorro de um minimo de condições de atendimento aos cidadãos. Carnaval de rua, quem gosta que vá e banque.
0
0
EDY MARCOS  24.11.17 15h10
Quantos foi arrecadação? OS GOVERNOS TEM QUE COMEÇAR A ENTENDER QUE NOSSA PRIORIDADE TEM O IMPOSTO JÁ PAGO ENTÃO DEVOLVE DO LOCAL PARA ONDE FOI, QUEREMOS DE VOLTA, NÃO INTERESSA PARA ONDE FOI E COLOCA NAS NOSSAS PRIORIDADES AI DÁ. MAS SÓ HONESTOS POR AI.
1
0
Elisa vera vieira de Araujo  20.11.17 21h35
E segue a baixa capacidade de crítica. Agora vem a pergunta : por quê o tribunal é bonito e o hospital é feio ?
0
0
Alex r  20.11.17 13h27
Primeiro lugar não estarei defendendo o prefeito... Segundo- recursos não são infinitos, Terceiro- o Estado não está repassando nada, Quarto a culpa é da população que permite calada os desmandos políticos como corrupção...Aceitamos quieto. Agora Cidadão o que faz você?
0
0
luiz mario  20.11.17 11h15
CAROS AMIGOS, EU LI A ENTREVISTA DO COMEÇO AO FIM, E EM NENHUM MOMENTO EU VI A DIGNÍSSIMA SECRETÁRIA FALAR NO SEGUINTE PONTO: POR EXEMPLO; ELA RECLAMOU QUE VEM PACIENTE DE OUTROS MUNICÍPIOS PARA SER ATENDIDO EM CUIABÁ CERTO????BOM ATÉ AI EU CONCORDO, PORQUE SE A SITUAÇÃO NÃO ESTÁ BOA AQUI NA CAPITAL, IMAGINE LÁ NO MUNICÍPIO. BOM, MAIS NÃO É SÓ O POVO QUE VEM DO INTERIOR QUE FEZ LOTAR O PRONTO SOCORRO DESSE JEITO. POQUE???? PORQUE, POR EXEMPLO, NÃO SEI SE É EM TODAS, MAS A POLICLÍNICA DO PASCOAL RAMOS POR EXEMPLO, BEM OU MAU MAS ATENDIA MUITA GENTE, AGORA COM A TAL DE UPA FECHOU A MESMA, PARA ONDE FORAM AS PESSOAS QUE ALI ERA ATENDIDA? FORAM PARA O PS. AS OUTRAS UPAS FUNCIONADO DESTE JEITO, SÓ VAI COM CERTEZA SOBRECARREGAR OUTRO ESPAÇO QUE NO CASO É O PSM. OUTRA COISA A PESSOA VAI NO POSTO DE SAÚDE OU SEJA PSF PROCURAR ATENDIMENTO MÉDICO, TEM O MÉDICO, MAS ELE ATENDE SOMENTE VINTE PESSOAS, E O RESTO DO PESSOAL QUE PRECISA DE MÉDICO VÃO PARA ONDE??? PORTANTO A QUESTÃO NÃO É TÃO SOMENTE ENCHER DE PESSOAS DE OUTRO MUNICÍPIO, MAS TAMBÉM DE CUIABÁ, PORQUE SE ELAS FOREM NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE E A PORTA TIVER FECHADA, ELAS VÃO PROCURAR OUTRO MEIO, QUE NO CASO ENTRA O PRONTO SOCORRO. PORTANTO, PODE FAZER QUANTOS PRONTO SOCORRO QUISER, QUE VAI SER O MESMO PROBLEMA, A SOLUÇÃO ESTÁ NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE, SE NÃO FUNCIONAR LÁ, PODE ENCHER O PSM DE LEITO QUE NÃO VAI DAR CONTA DO RECADO. PORTANTO TEM QUE INVESTIR NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE, É LÁ QUE ESTÁ A PONTA DO PAVIO.
2
0

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

1999-2017 MidiaNews - Credibilidade em Tempo Real - Tel.: (65) 3027-5770 - Todos os direitos reservados