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Entrevista da Semana / ROUBOS A CASAS
06.01.2018 | 18h40
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Delegado: “Ladrões agridem, amarram e, se precisar, até matam”

Caio Fernando Albuquerque lidera núcleo de roubo a residência com restrição de liberdade das vítimas

Alair Ribeiro/MidiaNews

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Delegado Caio Fernando Albuquerque, da Derf: "Os bandidos estão cada vez mais perigosos"

VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO

Nos últimos anos, o número de roubos a residência com reféns se tornou uma preocupação a mais para as autoridades em segurança na Capital mato-grossense.

 

O abrupto crescimento da prática criminosa, em razão do grande retorno financeiro, fez com que a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) criasse um núcleo especializado em roubo a residência com restrição de liberdade das vítimas.

 

Atualmente liderado pelo delegado Caio Fernando Alvares de Albuquerque, o núcleo foi criado há cerca de um ano e meio.

 

Segundo Albuquerque, desde então, os números de roubo a residência com restrição de liberdade das vítimas caiu pela metade.

 

Em 2017, foram registrados, aproximadamente, 65 casos. No ano anterior, houve 130. Apesar da redução, esta modalidade ainda mobiliza grande aparato policial, em razão do dano que pode causar.

 

Conforme o delegado, as investigações sobre os casos e as prisões dos criminosos passaram a ser recorrentes e tais fatos colaboraram para a redução da prática, que pode culminar em condenação de até sete anos, quando não há crime contra a vida, ou a partir de 14 anos, quando ocorre tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte).

 

Albuquerque ressaltou que os criminosos estão cada vez mais perigosos.

 

“A gente tem notado, nos últimos roubos, que eles têm utilizado pistolas para cometer os crimes. Esses criminosos são pessoas muito perigosas, agressivas em última instância”.

 

Segundo o delegado, bandidos cometem todo tipo de agressão e, em alguns casos, podem até matar.

 

Diante de toda essa complexidade que margeia esse tipo de crime, criou-se esse núcleo, nominado até como força-tarefa, que é de repressão a roubo de residência com restrição da liberdade

Veja os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – Por que a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos criou um núcleo específico para casos de roubos com refém?

 

Delegado Caio Fernando – Na verdade, esse setor funciona há mais de ano na Derf, principalmente por conta da complexidade que envolve o roubo a residência com restrição da liberdade. O roubo é um crime com violência, onde há constrangimento da vítima, e a situação fica ainda mais complicada quando acontece a privação da liberdade. Por isso criou-se esse núcleo. Nesses casos, a pessoa, além de roubar, agride, xinga, ameaça, bate, amarra, amordaça e, não satisfeito, até mata. Tudo para ele conseguir chegar ao seu objetivo, que é a subtração dos objetos e sair do local sem ser preso.

 

Então, diante de toda essa complexidade que margeia esse tipo de crime, criou-se esse núcleo, nominado até como força-tarefa, que é de repressão a roubo de residência com restrição da liberdade.

 

O núcleo, hoje, é composto por um delegado, que sou eu, oitos investigadores e três escrivães. Esse é o núcleo atua diretamente nessa modalidade criminosa. A gente conta com um suporte do núcleo de inteligência da Derf, para análise de vínculos e identificação de suspeitos, com o intuito de prendê-los. Então, sempre atuamos em conjunto. Em quase todas as prisões, contamos com o apoio do núcleo de inteligência. Nós trabalhamos muito unidos.

 

MidiaNews – Há levantamentos de números desse tipo de crime, nos últimos meses?

 

Caio Albuquerque – Eu fiz um levantamento de setembro a dezembro de 2017. Foram feitas 50 representações, incluindo prisões temporárias, buscas domiciliares e prisões preventivas. Foram instaurados 17 inquéritos policiais, sendo que muitos deles envolvem mais de dois indivíduos. Os relatórios, feitos quando a Polícia encerra as investigações, culminaram em 47 indiciamentos, sendo que em setembro foram nove, em outubro foram 17, em novembro quatro e em dezembro 17 indiciados.

 

Além disso, também cumprimos prisões por meio de mandados. A gente trabalha, quase sempre, com mandados de prisão. É até uma particularidade do núcleo. Procuramos não trabalhar muito com prisões em flagrante, porque, claro, que se a pessoa está em situação de flagrante, a lei determina que ela seja presa. Mas há particularidades. Como, por exemplo, a pessoa pode não estar mais em posse do objeto roubado e pode ser presa depois. Se prender agora, vai fragilizar a descoberta do conjunto de comparsas.

 

MidiaNews – Atualmente, parece haver um consenso de que os criminosos estão cada vez mais violentos. O senhor também tem essa sensação?

 

Caio Albuquerque – Sim. Eles estão cada vez mais violentos. Vejo que o criminoso não se importa se, no curso do roubo, tenha que dar uma coronhada na cabeça da pessoa, amordaçá-la ou até mesmo matar a vítima. O que ele tiver que fazer para roubar e sair impune, fará.

 

MidiaNews – Como os casos chegam ao núcleo?

 

Caio Albuquerque As ocorrências que chegam aqui são aqueles casos que, em sua maioria, foram originados por meio do registro de um boletim de ocorrência. Grande parte das vezes, aqui começa e aqui termina a ocorrência. A pessoa liga no Ciosp, a Derf tem um atendimento imediato em relação às vítimas. Há uma equipe que vai ao local, faz o primeiro atendimento, requisita perícia, se necessário, colhe dados, relaciona materiais roubados e faz checagem imediata da tornozeleira eletrônica, se necessário, porque a incidência [de ladrões monitorados por tornozeleira] é constante. A equipe faz todo apanhado e vítimas são apanhadas para que, no primeiro momento em que ela se sentir melhor, possa fazer as oitivas.

 

MidiaNews – Como o núcleo conduz as apurações sobre os crimes?

 

Caio Albuquerque – Geralmente, em roubo a residência, quando pouco, são três [criminosos]. Então, se você for inclinar para sempre fazer o flagrante, vai pegar um e os demais vão saber que o comparsa foi preso. Isso vai prejudicar, e muito, a descoberta em relação aos outros participantes do crime. Então, procuramos sempre fazer um trabalho mais técnico, com calma, com capacidade probatória maior, para dar um tempo, oportunizar que as vítimas venham com tranquilidade, para prestar depoimento com mais qualidade. Aqui, elas terão calma para fazer os reconhecimentos fotográficos.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Caio Albuquerque DERF

Delegado afirma que número de crimes reduziu após criação de núcleo

 

Temos aqui, na Derf, um álbum com milhares de fotografias, de indivíduos e tantas vezes que eles foram conduzidos, para que as pessoas visualizem a foto deles hoje, de um jeito, e amanhã, de outro. Tudo isso para melhorar o reconhecimento fotográfico. Dando esse tempo para a vítima, você melhora a produção de prova, o reconhecimento fotográfico e a qualidade do conjunto probatório que vai subsidiar um pedido de prisão.

 

Isso tudo demanda um tempo. Não tem condição de fazermos tudo isso em 24 horas, período de um flagrante. Preferimos sempre instaurar o inquérito por portaria, ouvir as vítimas, analisar as provas, fazer os vínculos entre os suspeitos, depois fazer as ordens de serviço, para posteriormente identificar todo o conjunto de elementos. Representamos pelas prisões. As pessoas são presas. É um trabalho mais técnico, longe da pressa e com mais calma para trabalhar. Então, a gente procura fazer esse trabalho demorado, porém mais exitoso.

 

MidiaNews – Qual o perfil dos criminosos que invadem casas e fazem reféns?

 

Caio Albuquerque – Hoje, vejo que o roubo a residência é uma das modalidades mais lucrativas. Eu ouso dizer que pode ser até mais lucrativo que o roubo exclusivamente a veículos. Esses criminosos são pessoas muito perigosas, agressivas em última instância. Tivemos um caso recente no qual o indivíduo entrou na residência, onde estava a família, rendeu os moradores e ele entendeu que a vítima fosse para cima dele e deu três tiros no peito do pai da família. Graças a Deus, a vítima está viva e foi ouvida aqui. Mas é importante dizer que essas pessoas têm alto grau de periculosidade.

 

A faixa etária dessas pessoas varia de 18 a 22 anos. Não são pessoas velhas. Em alguns casos raros, há criminoso de 25 anos. Porém, os casos mais incidentes são de jovens de 19 ou 20 anos

 

Muitos são usuários de droga, mas nem todos. Eles não roubam a residência para saciar o vício. Eles roubam porque sabem que é uma modalidade criminosa que vai dar dinheiro, porque eles roubam a casa, levam eletrônicos, que são facilmente pulverizados [revendidos], o que dificulta a materialização do crime e a identificação deles. Além disso, é um crime considerado rápido, em muitos casos, pois tem o período de duração de, geralmente, 30 minutos. É um período mínimo, pois houve roubos que duraram 13 horas.

 

MidiaNews – O núcleo tem mapeamento das quadrilhas? Quantas atuam em Cuiabá?

 

Caio Albuquerque – Não dá para saber quantas quadrilhas atuam. Geralmente, quem atua no roubo a residência também costuma agir no roubo a veículo, porque são duas práticas interligadas. Mas você vê que, às vezes, alguns não costumam ficar com os veículos, então esses cometem crimes apenas a residências.

 

MidiaNews – Qual o ‘modus operandi’ desses grupos criminosos?

 

Caio Albuquerque – Os grupos sempre utilizam arma de fogo, grande parte revólver, mas não a maior parte. Há bastante uso de pistola. Isso é até um fator de mais atenção das vítimas. Eles estão agindo com considerável uso de pistola. É um fator alarmante porque a pistola tem um poder maior de munição. Já a arma branca é pouco utilizada, geralmente ela é uma segunda arma, que um ou outro utiliza, para não ficar desarmado. Mas, geralmente, utilizam mesmo o revólver e, em segundo lugar, pistola.

Os grupos sempre utilizam arma de fogo, grande parte revólver, mas não a maior parte. Há bastante uso de pistola. Isso é até um fator de mais atenção das vítimas

 

No mínimo três pessoas agem nesses crimes, ao menos entre os que a gente consegue identificar como os que entraram na casa. Mas também convém identificar aqueles que dão o suporte. Nesse contexto, os que dão suporte – olhando se a polícia está vindo ou qualquer movimentação – às vezes são do próprio bairro da vítima, mas não entram na casa para não serem reconhecidos. Já houve casos em que o que estava no suporte era morador do bairro e os demais entraram para fazer o roubo.

 

MidiaNews – Esses crimes são planejados ou definidos de última hora?

 

Caio Albuquerque – São crimes planejados. Não é nada de ‘sopetão’. Geralmente, eles monitoram a vida da vítima. Os criminosos analisam os horários de saída e chegada, quantas pessoas moram na casa, se há cachorros, quantas mulheres e quantos homens, até pela questão de reação.

 

Esses roubos, geralmente, ocorrem nos horários em que as pessoas estão em casa, porque o crime de roubo, necessariamente, tem que ter a vítima presente. Porque é preciso constranger ou violentar alguma pessoa. Essa é a diferença do furto, onde não há a violência ou grave ameaça contra a vítima, porque as pessoas arrombam, entram, pegam o objeto e vão embora. Já no roubo, há uma grave ameaça contra a vítima, para que ela ceda os objetos.

 

MidiaNews –  Não é mais seguro, para os criminosos, cometer o furto do que o roubo?

 

Caio Albuquerque – Mas se você parar para pensar, como vai roubar um veículo? É preciso utilizar arma porque o criminoso precisa da chave. Por isso, a questão de furto de veículos é mínima, porque hoje em dia os veículos possuem, muitas vezes, dispositivos elétricos e há carros que nem chave têm.

 

Na casa, pode ser melhor entrar sem ninguém, mas como eles vão saber onde estão os objetos? Para furtar uma residência, eles vão ter um espaço maior, vão torcer para que as vítimas não cheguem e com isso vai ter que agir mais rápido. Mas no roubo a residências, não. Porque eles rendem os moradores e assim já têm informações sobre onde estão as joias, o dinheiro e a chave do carro.

 

No furto, as vítimas podem chegar e acionar a polícia. No roubo, as vítimas já estão ali dentro, a possibilidade chamar a polícia é menor e a chance de impunidade é maior.

 

MidiaNews –  Em geral, os criminosos sabem que há gente em casa?

 

Caio Albuquerque – Sabem. Ultimamente está acontecendo uma sequência de roubos na qual os criminosos entram na madrugada, aguardam as pessoas acordarem, rendem as vítimas e praticam os roubos pela manhã. Na grande maioria das vezes são crimes que acontecem no início da manhã, quando as pessoas estão acordando para sair para o trabalho, ou na chegada em casa, à noite. Vez ou outra, acontece durante o dia. Mas os períodos mais críticos são os da manhã e da noite.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Caio Albuquerque DERF

Caio Albuquerque explica que criminosos analisam rotina das vítimas, durante cerca de um mês

 

MidiaNews –  Geralmente, por quanto tempo eles ficam analisando a rotina das vítimas?

 

Caio Albuquerque – Segundo o que eles mesmos dizem, às vezes fazem essa análise durante um mês ou um pouco menos. Mas seguramente há uma investigação prévia da casa. Eles não entram sem saber o que os espera.

 

MidiaNews –  Que conselho o senhor dá para as pessoas que se deparam com um bandido dentro de casa?

 

Caio Albuquerque –  A primeira coisa é não reagir, em hipótese alguma, e atender aos pedidos dessas pessoas. Eles podem pedir para entregar a chave do carro e para entregar os objetos. Não tente reagir. A gente tem provas recentes de que um eventual comportamento repentino da vítima, como se mexer um pouco rápido, pode ser entendido como uma reação e os bandidos já efetuam disparos. É importante se manter o mais calmo possível e obedecer às ordens, para que a ação seja o mais rápido possível e, com isso, o tempo de ameaça seja menor.

 

MidiaNews –  Quais recomendações a pessoa deve seguir para evitar que sua residência seja alvo dos criminosos?

 

Caio Albuquerque – A recomendação da Polícia Civil é de que as pessoas tenham mais cautela. Não apenas ao chegar em casa, mas em qualquer local. Se for sair do trabalho e pegar o carro, dá uma olhada, para ver se não há ninguém te vigiando. Se for chegar em casa, dá uma olhada. Se houver alguém suspeito, acione a Polícia Militar para fazer uma abordagem.

 

Está chegando em casa e tem portão, não coloque o carro imediatamente em frente ao portão. Geralmente, a pessoa abre e logo entra com o carro. Não faça isso, espere com o carro na rua, porque, se necessário, você tem tempo para fugir, com margem de segurança. Mas se você já está inclinado em direção ao portão, não há nada a fazer. Isso são regras de segurança que as pessoas podem tomar para evitar que sejam alvos dessas ações.

 

MidiaNews –  O senhor falou que o roubo é planejado. Então, é importante que as pessoas percebam se há algum veículo suspeito pela região?

 

Caio Albuquerque – É importante, sim. As pessoas que moram em residência, geralmente há o presidente de bairro e bases comunitárias da Polícia Militar, que podem auxiliar. Em regra, quanto menor o bairro mais as pessoas se conhecem. Então as pessoas vão saber que tem alguém que nunca foi visto na região e podem chamar a Polícia Militar. Se houver um trabalho preventivo, a pessoa não vai mais roubar ali.

 

MidiaNews –  Em geral, como estão as vítimas quando a polícia chega?

 

Caio Albuquerque – Visivelmente abaladas. Por isso, preferimos fazer um trabalho mais demorado, até para conduzirmos as investigações de modo mais humanitário com a vítima. Essa é uma das nossas cobranças. Aqui a vítima não espera para ser ouvida, ela marca um horário. Esperamos o tempo que for necessário. Em muitos casos, ainda que passem alguns dias, elas têm dificuldades em dizer o que aconteceu, tamanha a agressividade à qual foram submetidas. Então, a gente prefere dar esse tempo e ter esse tratamento com a vítima. Aqui, sempre procuramos fazer o melhor trabalho possível com a vítima, para depois prendermos os criminosos.

 

MidiaNews –  Nesse tipo de crime, são comuns atos de violência sexual contra as vítimas?

 

Caio Albuquerque – Não é comum, mas não é descartado. Às vezes, alguns dos comparsas têm esse perfil de personalidade. O crime de patrimônio tem uma linha, um desdobramento de conduta, como a pessoa age, o perfil do larápio. Ele vai lá porque quer roubar para depois revender, para ter dinheiro. A pessoa que age nesse crime de violência sexual tem outro tipo de caráter. Mas, às vezes, um desses se infiltram nesse tipo de quadrilha e, infelizmente, a gente consegue ver que eles chegaram, ao menos, a tentar abusar sexualmente de algumas vítimas. Ainda que não consumam o ato, eles demonstram que pretendiam praticar uma violência sexual.

 

MidiaNews –  Em qual região de Cuiabá os crimes costumam acontecer com mais frequência?

Não há como dizer que há aquele bairro que é atacado ou aquele que não é. Costumava-se dizer, um tempo atrás, que o Boa Esperança era um bairro muito atacado. Mas todos os bairros, hoje, são alvos

 

Caio Albuquerque – Não há como dizer que há aquele bairro que é atacado ou aquele que não é. Costumava-se dizer, um tempo atrás, que o Boa Esperança era um bairro muito atacado. Mas todos os bairros, hoje, são alvos de roubo a residência. Há roubo no Tijucal, no Doutor Fábio I e II, no Santa Rosa, no Cidade Alta, no Parque Cuiabá, enfim, em todos os lugares acontece isso. Eles não estão mais escolhendo o bairro. Não há vítimas ilesas para esse tipo de crime. Por isso, independente de onde a pessoa morar, é importante ficar atenta.

 

MidiaNews – Uma das críticas constantes é de que, quando a polícia prende, a Justiça solta. Como o senhor avalia essa afirmação em relação a esse tipo de crime?

 

Caio Albuquerque – Procuramos exercer um trabalho técnico, com grande quantidade de provas, para que quando um inquérito policial for concluído, haja todo um arcabouço de provas para que a gente leve, ao promotor ou ao juiz, elementos contundentes para que essas pessoas continuem presas. No núcleo de repressão a roubo de residência, a quantidade de pessoas presas e soltas é bastante reduzida. Em audiências de custódia, grande parte das prisões é mantida. Isso porque existe um trabalho técnico, com calma e humanitário com as vítimas, sem pressa.

 

MidiaNews – O senhor também acredita que a legislação sobre esse tipo de crime é branda? As penas poderiam ser maiores?

 

Caio Albuquerque – Não é que a pena seja ruim para o roubo a residência. O problema é que existem muitas possibilidades para a pessoa sair, pois há várias chances de conseguir a soltura. A pena não é ruim, mas poderia ser mais rigorosa, para que eles não conseguissem liberdade provisória. Partindo do conceito de que são crimes de roubo, com arma, com concurso de pessoas e com restrição da liberdade, são três majorantes do artigo 157 do Código Penal. Então, não é um simples roubo na rua, na qual tomam a carteira e vão embora, que também tem gravidade. Mas o roubo a residência justifica, por si só, que as pessoas fiquem presas, no mínimo, até que cumpram a fração mínima para conseguir progressão de regime. A pena é boa, mas deveria melhorar o enrijecimento na análise da possibilidade de soltura.

 

 

MidiaNews – As residências que têm um pouco mais de estrutura de segurança inibem os roubos?

 

Caio Albuquerque – Creio que algumas medidas de segurança ajudam, mas não dificultam de vez o roubo. Há crimes que são praticados em casas completamente fechadas, com cerca elétrica, portão, grade e tudo.

 

Se você pega uma casa totalmente fechada, os criminosos entram, fecham o portão e têm o palco perfeito para cometer um crime. Não que a residência tenha que ser aberta, tem que ser a mais bem fechada possível, mas isso não evita o crime, porque eles esperam a vítima chegar para abordar e entrar.

 

MidiaNews – Então, o aparato de segurança não é garantia de estar ileso?

 

Caio Albuquerque – Não. A melhor garantia de estar ileso é o aspecto preventivo.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Caio Albuquerque DERF

Delegado: "Aparato de segurança não é garantia de sair ileso dos crimes"

 

 

MidiaNews – Muitas vítimas deixam de registrar o B.O. por acreditarem que o caso não será solucionado?

 

Caio Albuquerque – Com esse tipo de trabalho que estamos desenvolvendo, as vítimas acreditam que, embora sejam poucas as possibilidades de os objetos serem recuperados, por facilidade de pulverização, elas creem que as pessoas que cometeram o crime podem ser responsabilizadas. Elas acreditam no trabalho da Polícia.

 

A gente percebe que a cada vez mais que a gente consegue ter resultados satisfatórios, as vítimas têm comportamentos mais ao encontro do trabalho da Polícia Civil. 

   

 




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7 Comentário(s).

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Graci Ourives de Miranda  17.01.18 00h45
Dr. Caio Fernando, bela entrevista, e realista. O Estado abandonou as policias, instrumentos de trabalhos obsoletos, então todos nós trabalhadores sofremos. O poder Central só se preocupa em se defender. E nós sociedade vivendo nestas condições de insegurança total, os dignos e bons policiais brasileiros também estão necessitando de apoio.Acorda Estado. Graci Ourives de Miranda. Escritora
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Wilson Marques  10.01.18 14h49
Eu e minha família fomos assaltados nesta modalidade, passamos por todas essas torturas amarrados dentro de casa, no começo de Dezembro/2017, no CPA em Cuiabá; além do BO que fizemos no plantão no dia, ninguém nos procurou para saber mais detalhes ou ajudar e posteriormente ao buscar uma cópia das oitivas, fiquei sabendo que o inquérito foi distribuído para a DERFVA (roubo de veículos), decerto porque tentaram levar os veículos; provavelmente não está nem nas estatísticas elencadas pelo Delegado!
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Walter  10.01.18 13h32
Todos da imprensa se perguntam por que o Bolsonaro cresce nas pesquisas. Mas pro povo honesto trabalhador é fácil dizer, sempre que a Globo coloca o bandido como herói e o policial como vilão, ele cresce um ponto. Quando colocam os homossexuais como superiores aos héteros ele cresce mais um ponto, quando coloca que devemos considerar os negros inferiores e lhes oferecer facilidades só por serem negros, ele cresce mais um pontinho. Ai até Outubro de 2018 a Globo já terá elegido o nosso presidente, sem nem saber o que lhe atingiu.
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Silva  07.01.18 22h47
Na verdade estamos a mercê dos bandidos. O crime sempre existiu, mais ficou pior, pois tiraram o direito do cidadão de poder ter uma arma de fogo dentro do carro e na sua casa. Polícia creio que sempre fará segurança do lado de fora . Hora que o cidadão de bem, trabalhador, pai de família tiver tudo roubado, humilhado e estendido ensanguentado no chão ela só vem fazer ocorrência. O sofrimento fica pra quem tá velando seu ente querido.
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Cláudio  07.01.18 14h45
Bolsonaro 2018!
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