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Economia / MERCADO CAMBIAL
18.05.2017 | 18h30
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Dólar dispara e chega a R$ 3,43, após denúncias envolvendo Temer; BC interfere

Na véspera, a moeda norte-americana fechou em alta 1,23%, cotada a R$ 3,1337 na venda.

Do G1

O dólar opera em forte alta em relação ao real nesta quinta-feira (18), com os mercados reagindo à forte turbulência política iniciada na noite de quarta-feira, quando o jornal "O Globo" publicou notícia de que o dono da empresa JBS gravou o presidente da república, Michel Temer, dando aval para comprar silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Às 15h20, a moeda norte-americana subia 7,01%, cotada a R$ 3,3533 na venda, após chegar a operar a R$ 3,43 mais cedo. Veja a cotação do dólar hoje.

A alta desta quinta supera os picos de nervosismos da crise de 2008. Pela manhã, a moeda chegou a subir 9,45%.

O dia nos mercados de câmbio e juros do Brasil é típico de momentos de pânico, e nas mesas de operações predomina um clima de incerteza, pois o mercado não precificava tamanha crise política no país e, diante de uma reversão do cenário doméstico, os agentes financeiros buscam zerar suas posições no câmbio.

Os negócios no mercado à vista demoraram a acontecer pela manhã, com os investidores evitando tomar posições. Diante disso, o Banco Central anunciou nova intervenção no mercado, com 2 leilões de contratos de swaps tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, e que não eram voltados para rolagem de contratos já existentes.

O economista Roberto Troster credita a forte alta desta quinta-feira não apenas às incertezas geradas pelas turbulências políticas, mas também ao chamado “efeito manada”. “Não existe nada mais covarde que o dinheiro, e há uma coisa que se chama comportamento em manada”, afirmou em entrevista ao G1.

Ele explica que a primeira reação dos investidores é comprar dólar. “Primeiro porque as pessoas buscam refúgio no dólar e segundo porque os investidores estrangeiros, que entendem menos de Brasil, estão vendendo suas ações. Essa saída de dólares da Bovespa afeta o câmbio.”

Intervenção do BC

Em meio à forte turbulência, o Banco Central anunciou nova intervenção no mercado, com leilão de swaps tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, e que não eram voltados para rolagem de contratos já existentes.

"Depois do pânico inicial, o mercado está aguardando novos desdobramentos. Os leilões do BC aliviaram suavemente as cotações", afirmou à Reuters o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.

 

Segundo a agência, o BC vendeu integralmente, em dois leilões, a oferta integral de até 40 mil swaps tradicionais. O BC também vendeu a oferta total de 8 mil swaps para a rolagem do vencimento de junho, no valor total de US$ 4,435 bilhões.

Em novembro do ano passado, o BC também havia feito oferta adicional de swap para tentar conter a volatilidade do mercado após a vitória de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.

Mais cedo, o Tesouro Nacional e o BC publicaram notas afirmando que estão atentos ao mercado e que atuarão para manter sua plena funcionalidade. O Tesouro suspendeu o leilão de venda de LTN e LFT programado para esta sessão.

Dólar futuro

O dólar futuro atingiu o limite máximo permitido de R$ 3,3235 para este pregão. Os temores eram tão grandes que as negociações do dólar à vista demoraram para acontecer, com os investidores optando por não tomar posições no início do dia.

O dólar futuro é um produto negociado em bolsa (um derivativo) que representa o quanto as instituições financeiras acreditam que a moeda norte-americana estaria valendo no futuro. O que está sendo negociado nesta quinta-feira tem vencimento para 1º de junho.

Esses contratos têm um alto volume de negociação e, por isso, acabam sendo referência para definir quanto o dólar está valendo hoje. Porém, para evitar oscilações excessivas, a bolsa estipula um limite diário para variação do dólar futuro. Para hoje, esse limite está em 5,63%, (R$ 3,32), segundo a B3.

"As negociações feitas hoje atingiram esse limite máximo, mas o mercado acredita que a oscilação deveria ter sido maior e os bancos não sabem precificar quanto. Como os bancos perderam a referência de quanto deve estar valendo esse dólar para 1º de junho, também acabaram perdendo a referência de quanto vale o dólar hoje, então ninguém vende”, explicou ao G1 o economista Alexandre Cabral.

"Quem é que vai vender dólar a R$ 3,20 se amanhã ele pode estar a R$ 3,90?", afirmou à Reuters o superindente de câmbio do Banco Ourinvest, Ralph Bigio.

Na véspera, o dólar avançou 1,23%, a R$ 3,1337 na venda, depois de ceder 3,14% em 6 pregões. Na máxima da sessão, a moeda norte-americana atingiu R$ 3,1357.

Crise

Na noite passada, o jornal O Globo noticiou que Joesley Batista, um dos controladres do frigorífico JBS, gravou Temer concordando com pagamentos para manter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso.

Assim que a notícia chegou ao Congresso, a oposição não perdeu tempo para pedir o impeachment de Temer, enquanto líderes governistas, pegos de surpresa, pediam cautela com a informação, evitando fazer defesas mais taxativas.

Especialistas afirmaram à Reuters que o governo foi fortemente abalado e, assim, as reformas consideradas essenciais, sobretudo a da Previdência, para recuperar a economia serão afetadas.

Até então, os mercados financeiros estavam vivendo uma espécies de lua de mel com o governo Temer, apostando que ele conseguiria angariar votos suficientes para aprovar as reformas no Congresso Nacional. O dólar, nesta semana, chegou a fechar abaixo do patamar de R$ 3,10.

Além disso, a economia vinha dando alguns sinais de recuperação, depois de dois anos seguidos de forte recessão. A inflação também vinha perdendo fôlego e possibilitando que o BC fizesse reduções importantes na taxa básica de juros, o que tem potencial para estimular o consumo.

 

Fonte       http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/cotacao-dolar-18-05-17.ghtml




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