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ATAQUE DE NERVOS
05.06.2014 | 17h30 Tamanho do texto A- A+

Zelador de prédio admite representar contra juiz por racismo

Em depoimento à Polícia, funcionário do Bonavita diz que foi xingado e humilhado por Alexandre Pampado

Tony Ribeiro/MidiaNews

Condomínio Bonavita, em Cuiabá: juiz Pampado é apontado como pivô de confusão e acusado de racismo

ISA SOUSA
DA REDAÇÃO
Os depoimentos do zelador e do síndico do Condomínio Bonavita, em Cuiabá, à Polícia Civil comprometem a postura do juiz Alexandre Pampado, da comarca de Campo Novo do Parecis (396 km a Noroeste da Capital), acusado de racismo e de tentar comprar testemunhas a seu favor.

O zelador Haino Siqueira, inclusive, manifestou interesse em representar criminalmente o magistrado por injúria racial.

O juiz Pampado é apontado como pivô de uma discussão com funcionários do residencial e também com o delegado Gustavo Garcia Francisco, da Polícia Civil, no último sábado (31), depois de ser impedido de entrar no prédio, localizado em frente ao Pantanal Shopping Center.

"Ainda mais exaltado, o juiz começou a xingar com as seguintes palavras ‘filho da puta’, ‘zelador de merda’, ‘como uma pessoa da sua cor consegue resolver as coisas?’ ‘negão’"


Em depoimento à Polícia Judiciária Civil, o zelador Haino Siqueira relatou o caso, afirmando que, inicialmente, foi acionado via rádio, pelo porteiro do prédio, que pediu que ele fosse “imediatamente ao local”.

Ao chegar, Siqueira teria se deparado com o veículo do juiz, um automóvel Cruze Hatch, atravessado no portão. O magistrado estava “bastante exaltado” e se recusou a conversar com o zelador, alegando que não conversava com “peão”.

Sem entender o motivo da exaltação, o porteiro explicou ao zelador que o homem tentava entrar na Torre E do Bonavita e foi impedido porque o prédio ainda não foi entregue pela construtora e, portanto, não era permitido o acesso. O zelador, por sua vez, tentou explicar isso ao juiz, que respondeu com xingamentos.

“Ocasião em que este [juiz], ainda mais exaltado, começou a xingar com as seguintes palavras ‘filho da puta’, ‘zelador de merda’, ‘como uma pessoa da sua cor consegue resolver as coisas?’ ‘negão’. Neste momento, chegou ao local um morador do condomínio, Gustavo, que foi impedido de entrar na garagem”, diz trecho da declaração de Siqueira.

Ainda conforme o zelador, quando Gustavo chegou e perguntou o que estava acontecendo, o magistrado estava com “dedo em riste, proferindo xingamentos".

"O indivíduo se identificou como juiz de Direito e disse que não tiraria o veículo da entrada e que poderiam, inclusive, acionar o guincho, se tivessem interesse”, diz outro trecho do depoimento.

“Rolex”

O juiz Alexandre Pampado continuou, conforme depoimento, a afirmar, várias vezes, que era juiz de Direito.

Gustavo teria se mostrado amigável, sugerindo ao magistrado a entrar no condomínio como seu convidado, momento em que o juiz teria ficado ainda mais alterado.

"O juiz também preencheu um cheque para o encarregado da obra para ser sua testemunha. O encarregado questionou do valor, ocasião em que disse: ‘ô, idiota, o limite da minha conta é de R$ 100 mil e eu uso Rolex’"


“Ele dizia que era juiz e que podiam chamar a Polícia, mas o carro dele só sairia do local guinchado. Foi neste momento que Gustavo se identificou como delegado e pediu que o juiz retirasse o automóvel, para que ele tivesse acesso à sua residência. No entanto, ele gritava que era juiz de Direito e que não iria tirar o veículo. Gustavo o imobilizou, o levou até o solo, retirou a chave do veículo e entregou para outra pessoa que o acompanhava. O carro foi retirado, a chave restituída e Gustavo subiu para residência”, afirma trecho do depoimento.

O zelador afirmou também que não houve, por parte do delegado, agressão física. E que, logo após o policial deixar o local, Siqueira viu o magistrado com um “maço de dinheiro”, que distribuiu para funcionários da obra do Bonavita, dizendo que “estes seriam suas testemunhas”. O zelador não soube informar a quantidade.

“O juiz também preencheu um cheque para o encarregado da obra para ser sua testemunha. O encarregado questionou o valor, ocasião em que disse ‘ô idiota, o limite da minha conta é de R$ 100 mil e eu uso Rolex’”, completa o depoimento.

O síndico disse que chegou a questionar o juiz sobre o fato, ao que ele respondeu que daria voz de prisão e o teria chamado de “síndico de merda”.

O zelador, conforme o depoimento à Polícia, manifestou interesse em representar criminalmente o magistrado por injúria racial.

Síndico

O síndico do Bonavita, André Luis Baby, também prestou depoimento à Polícia Judiciária Civil sobre o caso.

Segundo relato, ele, assim como o zelador, desceram quando o porteiro ligou pelo interfone dizendo haver uma “situação grave na entrada do condomínio” e que sua presença era necessária.

No momento em Baby que desceu, o delegado Gustavo Garcia Francisco não se encontrava mais no local.

Ao sair do prédio, o síndico encontrou o juiz “preenchendo um cheque em cima do capô do veículo Cruze, conversando com o encarregado da obra”.

O síndico, então, se identificou e tentou explicar ao juiz por qual motivo sua entrada não era permitida.

Neste momento, Pampado se identificou, mais uma vez como juiz de Direito, e disse a Baby que lhe daria voz de prisão, “bem como o xingou de ‘síndico de merda’”.

No momento, André Baby também questionou se o juiz estava tentando “comprar” testemunhas, “ocasião em que respondeu que daria voz de prisão, caso ele falasse mais uma vez”.

O síndico também presenciou, assim como o zelador, o momento em que o encarregado da obra questionava ao magistrado se o cheque tinha fundo.

“Ocasião em que respondeu: ‘ô idiota, o limite da minha conta é de R$ 100 mil e eu uso Rolex’”, concluiu o depoimento.

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COMENTÁRIOS
18 Comentário(s).

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daniel  06.06.14 12h33
será que nao tem camera de segurança na entrada desse condominio ?????
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Flávio  06.06.14 11h05
Flávio, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Lailton  06.06.14 10h49
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. Filipenses 2:5-7
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Jean   06.06.14 09h38
Agora vejam, duas autoridades públicas fazendo este papelão todo. Errou o juiz ao tentar impor sua vontade como magistrado que deve cumprir a lei igualmente a todos os outros, errou o delegado ao jogar o juiz no chão e tomar dele a chave. Por que o delegado não chamou a PM? Se houve ofensa racial ao porteiro ou zelador, caberia ao delegado dar ordem de prisão ao magistrado, afinal ele é um delegado e não agredir o magistrado. Meus amigos se eles fazem entre eles imaginem com o cidadão comum? Os dois erraram e feio! Perdeu a razão o delegado também. Corregedoria neles!!!
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Ondino Lima Neto  06.06.14 09h08
Ondino Lima Neto, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas