ENQUETES

Você já decidiu em quais candidatos irá votar nestas eleições?

PUBLICIDADE

Cotidiano / REFUGIADOS
15.04.2018 | 08h14
Tamanho do texto A- A+

“Um salário dava para comprar um quilo de arroz”, diz venezuelana

No início do mês, 69 venezuelanos desembarcaram em Cuiabá a procura de uma vida digna

Alair Ribeiro/MídiaNews

Clique para ampliar

Denis Gonzales, 39 anos, diz que não há como sobreviver na Venezuela

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

“Um salário dava para comprar um quilo de arroz. Como vou sobreviver apenas com um quilo de arroz?”, resume a pedagoga, Denis Gonzales, de 39 anos, ao falar sobre a crise em seu país de origem, a Venezuela. 

 

Integrante do grupo de 69 refugiados que desembarcou em Cuiabá no último dia 6 de abril, ela diz que tomou uma "decisão desesperada". “Seu filho precisa de comida e você não consegue comprar nada para ele”, relata. 

 

O País passa por uma das maiores crises de sua história. Após a morte do presidente Hugo Chávez, e a chegada ao poder de Nicolás Maduro, a economia do país, que já não vinha bem, degringolou.

 

Atualmente, a inflação do País está acima de 800% ao ano. Com isso, a população tem pouco acesso a insumos básicos, como comida e ítens de higiene. Há escassez de alimentos nas prateleiras dos mercados e oferta baixa faz os preços subirem muito. 

Foi uma decisão desesperada. Seu filho precisa de comida e você não consegue comprar comida para ele

 

Para fugir dessa situação, milhares de venezuelanos se arriscam e cruzam a fronteira com Brasil, pelo Estado de Roraima. Esse percurso, muitas vezes, é feito a pé. 

 

A pedagoga Denis chegou ao Brasil há sete meses. Durante esse tempo, ficou abrigada na capital, Boa Vista. Até que, com a interferência do Governo Federal, houve a realocação dos refugiados.

 

“Em Roraima, nós vivemos em uma casa com 1.350 pessoas. Então, aqui em Mato Grosso é o paraíso. Paraíso completo”, conta.

 

Denis diz que seu objetivo é se fixar no Estado e trazer o filho de cinco anos que deixou em seu país aos cuidados de uma tia. “Quero ter minha vida reestabelecida para poder trazer o meu filho. Essa é a minha meta. Quero também fazer um curso para falar português”, afirma.

 

À reportagem, Denis relata que acabava de voltar de uma entrevista de emprego em uma escola de Cuiabá. Ela conseguiu uma vaga para trabalhar na instituição e deve começar nesta semana.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Venezuelanos Pastoral do Migrante 11-04-2018

A manicure, Rosanyl Calzadilla, 33 anos, cruzou a fronteira, com o marido, de carona

A manicure Rosanyl Calzadilla, 33, também conseguiu um emprego na mesma escola. Ela e o marido chegaram ao Brasil viajando de carona.

 

“Foi difícil principalmente porque eu estava com meu marido, e muita gente não queria parar”, relembra.

 

Rosanyl deixou o filho de cinco anos com a tia, e conta que essa foi a alternativa que encontrou para driblar a crise econômica e política do País. 

 

“Na Venezuela, o salário mínimo é insuficiente para comprar as coisas. Mesmo se a gente conseguir três empregos, o dinheiro não dá para nada. Não temos acesso à saúde, a nada”, diz.

 

Em razão da escassez de insumos básicos, conta ela, formou-se um “mercado negro” de alimentos no país. As pessoas trazem comida comprada nos países vizinhos e revendem a preços exorbitantes.

 

“Muitas vezes temos que comprar alimento dessas pessoas. E aí, eles colocam o preço que querem”, revela a manicure. 

 

“Eu estava morrendo”

 

Além da falta de alimentos, o país também enfrenta uma crise na saúde. Faltam médicos e medicamentos. Cindia Rodrigues, 35, conta que contraiu malária e não conseguiu tratamento. À beira da morte, juntou as malas dos quatro filhos e do marido, e veio ao Brasil.

 

“Não havia medicamento, e eu estava morrendo. Eu vim para cá e graças a Deus me atenderam, me deram os medicamentos, e me curaram. Isso foi uma peleja horrível”, diz.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Venezuelanos Pastoral do Migrante 11-04-2018

A venezuelana, Cindia Rodrigues, 35 anos, teve malária e ficou a beira da morte

Cíndia chegou a Roraima no dia 9 de janeiro, após cruzar a fronteira com a família, sendo um filho de um ano de idade.

 

“Nós viemos por falta de tudo. Não existe trabalho, nem alimento, nem saúde. Tudo foi caindo e as necessidade foram aumentando”, conta.

 

A meta, afirma ela, é conseguir trabalho para todos e, com isso, ajudar os familiares que continuam no país. “Nós viemos para cá para conseguir trabalho e ajudar minha mãe e minha avó que estão na Venezuela”.

 

Casa do Migrante em Cuiabá

 

As três mulheres, e os outros 66 refugiados venezuelanos estão abrigados na Casa do Migrante  de Cuiabá.

 

Na casa, que também abriga refugiados do Haiti, eles têm acesso a alimento, abrigo e orientação.

 

A coordenadora, Eliana Vitalino, conta que o trabalho abrange desde a validação de passaporte e o cadastramento para emprego, até doação de roupas e materiais de higiene.

 

"Quando o Ministério de Desenvolvimento Social nos procurou, avaliou que o nosso espaço seria adequado para receber as famílias. Em muitos abrigos, os quartos são divididos por gênero, então para a família é um pouco mais difícil”.

 

Agora, a Casa deve redirecionar e orientar os refugiados para a conquista de um emprego no Estado. 

 

“Foi um desgaste muito grande, eles fizeram uma caminhada de mais de 200 km a pé, entre Venezuela e Boa Vista. Chegaram em uma cidade sobrecarregada, muitos destes que estão aqui estavam na praça, não tinham nem abrigo lá. Então, há um ansiedade muito grande de conseguir trabalho, porque a família que ficou precisa do recurso”.




Clique aqui e faça seu comentário


7 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Robson  16.04.18 15h20
Do fundo do meu coração,eu queria ver aquelas pessoas que apoiam o governo de Maduro,nossos politicos que querem implantar a mesma politica aqui,aqueles estudantes do levante estudantil que dançaram em homenagem ao Maduro,queria ver esse povo recebendo esses refugiados para conversarem com eles.
8
0
Cuiabano Indiginado  16.04.18 13h31
O socialismo já deveria ter deixado de existir a muito tempo, mas ele nunca deixou de existir, mesmo com o fim da URSS, o que ocorreu foi apenas um fim aparente, pois todos àqueles que comandavam a ex-URSS continuaram no poder, até mesmo o Putin, que era agente da KGB. O socialismo/comunismo nunca esteve tão forte como está hj, exemplo disso é o Brasil, que temos um caos social, uma luta de diversas classes e categorias, legislativo e judiciário compromissados apenas com seus interesses. O socialismo é responsável por mais de 100 milhões de mortes no mundo,entre essas mortes computam-se às que ocorreram devido ao regime Nazista na Alemanha, pois o Partido Nazista como era conhecido é na verdade o Partido Nacional SOCIALISTA dos Trabalhadores Alemães. Tomem muito cuidado com candidados que dizem serem contra o comunismo, lembrem-se que o Foro de São Paulo, foi criado para implementar um regime igual ao Cubano e hoje igual da Venezuela, em toda a América Latina. Entre esses partidos está o PDT, do candidato Ciro Gomes, conforme lista abaixo: 1. Partido Democrático Trabalhista – www.pdt.org.br 2. Partido Comunista del Brasil – www.pcdob.org.br 3. Partido Comunista Brasileiro – www.pcb.org.br 4. Partido Patria Libre – www.partidopatrialivre.org.br 5. Partido Popular Socialista – www.pps.org.br 6. Partido Socialista Brasileiro – www.psb.org.br 7. Partido de los Trabajadores – www.pt.org.br Pesquisem vocês mesmos no site do Foro de SP, é só pesquisar no Google.
3
0
Mandaska  16.04.18 10h59
O mais triste é ver o tanto de gente que ainda vota no PT apesar de ver como o socialismo é um sistema falido. Parece que o brasileiro só vai aprender isso quando sofrer na pele o que os venezuelanos estão sofrendo
21
2
Carlos Nunes  15.04.18 13h06
São testemunhas da falência da esquerda no mundo...do Comunismo, do Socialismo. Não deu certo em lugar nenhum do mundo. Na Universidade tinha um professor que conceituava Comunismo/Socialismo com Capitalismo...dizia: "Capitalismo é a exploração do homem pelo homem, e C/S é o contrário." Aí, um aluno mais atento comentou: Mas prof. dá no mesmo, só muda o homem. E o prof. arrematou: nos dois Sistemas é só meia dúzia de espertos pra burro, que controlam uma porção de idiotas. No C/S o cidadão vira fantoche do Estado, que manda e desmanda...no Capitalismo vira fantoche do dinheiro, que compra até consciências. Aí, os delatores da Odebrecht aqui, disseram: víamos quem tinha potencial pra receber propina, e comprávamos o cara. Fizemos isso mais de 30 anos. A vantagem do Capitalismo é a Liberdade de Expressão, de Opinião, de chiadeira, de botar a boca no trombone, de reclamar pra burro...e ter uma Imprensa Livre, como Quarto Poder.
63
2
Fernando  15.04.18 12h46
Aonde estão os petralhas..? tá na hora de ajudarem as pessoas que vieram do paìs de seus sonohos.
45
3
1999-2018 MidiaNews - Credibilidade em Tempo Real - Tel.: (65) 3027-5770 - Todos os direitos reservados

Ver em: Celular - Web