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Cotidiano / PIXÉ
16.07.2017 | 14h01
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Jornalista cria canal no Youtube sobre cultura e turismo em MT

Mato-grossense de coração, Tânia Rauber quer mostrar as riquezas do Estado

Alair Ribeiro/MidiaNews

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Tânia Rauber é jornalista há 14 anos e agora mantém um canal no Youtube sobre atrativos de Mato Grosso

KARINA CABRAL
DA REDAÇÃO

Depois de 14 anos trabalhando em TVs e jornal impresso, a jornalista Tânia Rauber, de 31 anos, resolveu que era o momento para uma nova fase na carreira. Motivada pelo acolhimento de Mato Grosso, ela resolveu mostrar ao mundo as riquezas e belezas do Estado.

 

O canal Pixé nasceu há três meses, e com duas publicações por semana, sempre nas terças e sextas-feiras, busca apresentar as belezas e riquezas culturais do estado.

 

“Atrativos regionais não só voltado a lugares, porque quando a gente fala em turismo a gente fica muito focado a lugar, beleza natural, mas o leque é muito maior. Entra cultura, entra saberes regionais, é muita coisa que a gente pode valorizar e eu abordo tudo isso”, explicou a jornalista.

 

A criação

 

Tânia nasceu no Paraná, mas como a família da mãe havia migrado para o norte de Mato Grosso na época da expansão da região, seus pais também resolveram vir para Sinop quando ela tinha 11 anos.

Atrativos regionais não só voltado a lugares, porque quando a gente fala em turismo a gente fica muito focado a lugar, beleza natural, mas o leque é muito maior

 

“No Paraná eu morava no sítio, minha família era pequena produtora rural, e vim morar na cidade. Foi uma adaptação e tanto pra mim”, disse.

 

Em Sinop, Tânia fez todo o colegial e largou a administração, que já cursava há dois anos, para entrar na primeira turma de jornalismo da Unemat (Universidade do Estado de Mato Grosso).

 

Desde o início do curso já estagiava na TV Band de Sinop, e com dois anos de formada veio para Cuiabá, onde ficou sete anos no grupo Gazeta.

 

Ao se desligar do grupo no início desse ano, ela decidiu que era hora de começar algo novo. Tânia estava fazendo mestrado na área de cultura contemporânea, estudando a relação dos Youtubers com a televisão.

 

“Quando saí do grupo Gazeta eu não queria mais trabalhar em televisão. Acho que chega um momento que você quer um tempo. Mas eu sempre gostei muito de audiovisual, ai um amigo meu falou: ‘Tânia, por que você não monta um canal de youtube? Você não está estudando sobre Youtube? Você gosta tanto de audiovisual, você tem tanta afinidade pra fazer, é a sua cara. Procura algo relacionado aos 300 anos de Cuiabá’”, contou.

 

A ideia mexeu com a jornalista, que começou a pesquisar o que havia no Youtube sobre Cuiabá, Mato Grosso, cultura, regionalismo e atrativos turísticos.

 

“Nessa pesquisa eu encontrei algumas coisas relacionadas a turismo, não só no Youtube, mas em outras redes sociais. Mas eu percebi que ainda existe uma lacuna muito grande quando a gente fala de história, ações, cultura, comidas regionais e a gente tem uma riqueza muito grande”, disse.

 

Apesar de não ter nascido em Mato Grosso, os anos de jornalismo trouxeram diversas oportunidades para que Tânia conhecesse a história e a cultura do Estado. E quando ela conversava sobre esses lugares, a jornalista percebia que boa parte das pessoas ainda não conheciam.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Tânia Rauber Canal Pixé

A grande sacada para criar o Canal Pixé veio ao Tânia perceber que nem mesmo os mato-grossenses conhecem as riquezas do Estado

“Eu percebi que as pessoas que moram aqui muitas vezes não conhecem o que a gente tem de riqueza, de patrimônio histórico, cultura, personalidades, da riqueza que a gente têm. As pessoas não conhecem e não valorizam”.

 

Foi assim que a jornalista resolveu que seu canal falaria exclusivamente de Mato Grosso.

 

O nome

 

Tânia não queria qualquer nome, mas algo com identidade e que remetesse ao Estado.

 

Em uma conversa com a chef de cozinha Ariane Malouf, a especialista em Gastronomia falou ter usado pixé, a paçoca cuiabana feita de milho torrado e socado, em um de seus pratos.

 

“Eu já conhecia o pixé, ai pensei: ‘pixé, é um nome prático, tem tudo a ver, é histórico, faz parte da história da gastronomia, porque pixé é a paçoca cuiabana, coisa muito antiga, está totalmente relacionado à história de Cuiabá, à tradição, é um nome pequenininho, bonito'. Eu gostei e aí falei: 'É pixé e pronto, acabou’”, contou.

 

O canal

 

Tânia faz questão de não mostrar apenas viagens, mas tudo que está relacionado a cultura.

 

A gastronomia no canal é exibida através de pratos de Mato Grosso, mas indo além de somente a receita, apresentando também a história por trás da criação.

 

“Fizemos um peixe na cerveja. É uma receita de uma cuiabana, que ela criou para a despedida de solteira dela. Ela comprou um dourado no mercado do Porto, comprou a cerveja em uma cervejaria que tinha no Porto, fez, deixou a receita escrita no caderninho de receita dela e passou para a família. É uma receita que tem história”, contou.

Pixé é a paçoca cuiabana, coisa muito antiga, está totalmente relacionado à história de Cuiabá, à tradição

 

A jornalista visa mostrar tudo que há de cultural no Estado, os talentos, as pessoas que trabalham com cultura e as histórias de pessoas que viveram e podem contar sobre o passado de Cuiabá e de Mato Grosso.

 

“A gente vai fazer matéria do rio Cuiabá, por exemplo, mostrar o rio Cuiabá hoje. Mas a gente quer mostrar como era há 40 anos. Então é mais do que as belezas, é buscar fazer o resgate do que a gente tem. E não só Cuiabá, porque Mato Grosso é um estado muito grande e muito rico”, explicou.

 

O canal já tem quase 10 mil visualizações. Tânia acredita que vem conquistando o público aos poucos.

 

“É diferente se eu abrir um canal de humor, que tem um retorno muito rápido. Mas quando a gente vem falar de um conteúdo mais especializado, de turismo, beleza, gastronomia, cultura, tradições, histórias, não é algo que se torna viral, que vai passar de um pro outro, é algo que você vai conquistando as pessoas”, disse.

 

A criação

 

Tânia é quem faz quase todo processo de criação. Ela é quem planeja, quem faz a reportagem, quem edita e quem divulga. Somente a filmagem é feita por amigos.

Porém ela afirmou estar sempre aberta a sugestões de conteúdo. Inclusive já recebeu várias ideias na fanpage do canal no Facebook.

 

“É uma rede que você cria. A participação das pessoas sempre foi um objetivo meu. Eu não queria ser ‘eu que vou definir’. Lógico, a gente faz um planejamento, mas são muitas pessoas que participam com ideias”, contou.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Tânia Rauber Canal Pixé

A jornalista sempre se preocupa que o local escolhido para a gravação seja aberto ao público

Os locais das gravações sempre são escolhidos com o cuidado de fazerem parte da história regional e, principalmente, locais que a população possa usufruir.

 

“Por exemplo, eu fui fazer uma dança de Siriri, lá no espaço do Siriri. Fui fazer parque, porque são os parques que a população usa, coisas que a gente tem que mostrar. Eu fiz um vídeo do Totó Bodega, que é uma figura legal, que a gente foi lá na Casa Cuiabana, porque é um espaço que as pessoas podem visitar”, explicou.

 

Além de Cuiabá, o Pixé já foi para o Pantanal, Poconé, Nobres, Rosário Oeste, Chapada e Sinop. E já tem previsão de ir para vila Bela, São José do Rio Claro, Diamantino e Acorizal.

 

“Locais que têm belezas naturais incríveis, mas também cultura, histórias, tradições, muitas coisas legais”, disse.

 

O vídeo com mais visualizações no canal mostra um brechó sustentável da rua 24 de outubro.

 

“A pessoa que promove esse bazar, pega as roupas que as pessoas não usam mais e revende. O dinheiro volta pra essa pessoa e ela o usa para comprar roupas nesse brechó. É muito legal. Até as sacolinhas que as pessoas levam as roupas, são sacolas reaproveitadas. Todo o processo é sustentável”, contou Tânia.

 

Segundo a jornalista, o próximo passo será promover uma maior integração do canal com outras redes sociais e fazer um quadro envolvendo todos os municípios do Estado.

 

“Toda semana vai ter um município”, explicou.

 

Tânia garante que não se sente mais realizada com o canal do que com o jornalismo, mas sim que está em outro momento profissional.

 

“É outra maneira de você interagir, até porque meu foco já não é mais uma informação jornalística, como eu fazia quando trabalhava em jornal e TV. É uma outra maneira de eu estar desempenhando meu papel de jornalista”, disse.

 

Ela explica que as reportagens seguem o mesmo padrão que ela apresentava na TV, visto que sempre teve um estilo de fazer matérias, mas agora sem a necessidade de seguir regras.

O canal é a minha cara, eu estou ali sendo eu o tempo todo, não estou seguindo regras, no canal a regra sou eu

 

“No canal eu tenho mais liberdade, porque eu vou construir de acordo com o que eu sou. O canal é a minha cara, eu estou ali sendo eu o tempo todo, não estou seguindo regras. No canal a regra sou eu”, explicou.

 

Tânia, todavia, acredita que se hoje apresenta um conteúdo de qualidade sobre Mato Grosso no Youtube é graças à história que teve com o jornalismo.

 

“É no meu conhecimento que eu falo do Estado. Porque o que eu conheci de cultural, gastronômico, através do jornalismo, me ajudou a poder fazer o que faço hoje”.

 

A jornalista disse que começou o projeto sem saber como o mesmo iria se desenvolver, mas hoje reconhece que é possível viver de um canal no Youtube. Porém, garante que jamais deixaria de apresentar a sua proposta por dinheiro.

 

 

“A gente sempre fica procurando coisas fora e não conhece muito do que tem aqui. Tem tanta coisa legal pra conhecer, tanto lugar legal, gente, histórias. Há possibilidades, que é o que estamos tentando mostrar, coisas que não são divulgadas, que as pessoas podem fazer”. 

 

Conheça o canal Pixé AQUI.

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