Cuiabá, Quarta-Feira, 19 de Dezembro de 2018
PLÁSTICA
12.07.2018 | 15h54 Tamanho do texto A- A+

Entidade diz que mais duas pacientes tiveram complicações

Em nota, empresa acusada diz que Soma tenta dificultar sua entrada no mercado mato-grossense

Reprodução

Cirurgias foram realizadas no Hospital Militar, em Cuiabá

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

A Sociedade Mato-grossense de Anestesiologia (Soma) emitiu uma nota alertando para dois novos casos de complicações médicas em cirurgias que teriam sido feitas pela empresa Plástica Para Todos, em Cuiabá. 

 

O alerta foi emitido por meio de nota na quarta-feira (11). 

 

“Até o momento recebemos informação que, além do terrível e triste óbito já noticiado amplamente, houve mais duas graves complicações em pacientes previamente saudáveis”, consta em nota.

 

A empresa Plástica Para Todos ficou conhecida em Mato Grosso em maio, após o caso da cuiabana Daniele Bueno vir à tona. Ela morreu depois de se submeter a uma lipoescultura - operação cirúrgica estética que remove gordura de diversos locais diferentes corpo - e redução nos seios.

 

Atualmente o Programa Plástica Pra Todos logrou êxito em contratar uma equipe de anestesistas local, o que não era da vontade da Sociedade, razão pela qual em evidente ato de represália, busca fazer uma associação dos casos para prejudicar os médicos

Em resposta a acusação, a Plástica Para Todos emitiu nota assinada pelo presidente do grupo, Bruno Borges Magella.

 

Nela, Magella aponta que as novas acusações são para prejudicar a entrada da empresa no mercado de cirurgias plásticas de Mato Grosso.

 

“Atualmente o Programa Plástica Pra Todos logrou êxito em contratar uma equipe de anestesistas local, o que não era da vontade da Sociedade, razão pela qual em evidente ato de represália, busca fazer uma associação dos casos para prejudicar os médicos, a empresa, o hospital, gerando por fim um indevido temor na população”, disse.

 

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Mato Grosso (CRM-MT), por meio de assessoria de imprensa, disse que tem conhecimento dos dois novos casos relatados pelo Soma, mas não há denúncia formalizada no conselho. No entanto, a empresa Plástica Para Todos já está respondendo a uma sindicância instaurada pelo CRM relativo ao caso de Daniele Bueno.

 

Casos

 

A empresa explica que nos dois casos apontados pela Soma, as pacientes tiveram complicações inerentes às cirurgias.

 

A paciente identificada como N.R.D.C. realizou a cirurgia plástica no Hospital Militar.

 

“[Ela foi] Encaminhada e acompanhada pela equipe médica do Programa e do Hospital Militar para melhor acompanhamento no Hospital Santa Casa, de onde já evoluiu para alta domiciliar”, diz nota.

 

Uma segunda paciente, identificada como M.J.O.U., apresentou sangramento nos vasos após a realização do procedimento e foi internada na Unidade Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital São Mateus.

 

“O que é uma condição esperada para o tipo de cirurgia realizada, foi pessoalmente ao Pronto Atendimento do Hospital São Mateus, onde vem sendo acompanhada pela equipe médica daquela unidade e médicos do Programa. Foi encaminhada para a UTI apenas para melhor acompanhamento e critérios de segurança, inexistindo qualquer risco de vida, e já estando com previsão de alta também”. 

 

Caso Daniele Bueno

 

Daniele Bueno deu entrada na unidade de saúde no dia 10 de maio para fazer uma lipoescultura e redução nos seios. No entanto, após o procedimento, ela teve uma parada cardíaca e precisou ser transferida do Hospital Militar para o Hospital Sotrauma, onde não resistiu e morreu três dias depois com um quadro de paralisia cerebral e falência múltipla de órgãos.

 

O laudo de necropsia da esteticista revelou que ela sofreu um choque hemorrágico. O médico legista e diretor metropolitano da Politec, João Marcos Rondon, mencionou que, conforme exames prévios realizados, a mulher estava em plenas condições físicas de passar pelo procedimento.

 

“Ela estava em plenas condições físicas e os exames laboratoriais prévios mostravam resultados adequados à cirurgia que ela ia fazer. Se ela não tivesse feito o procedimento, ela não teria ido a óbito”, afirmou.

 

O advogado do Plástico para todos Alex Cardoso, protocolou na Delegacia de Homicídio de Proteção a Pessoa nesta quinta-feira (12) um pedido complementar para que o Instituto Médico Legal (IML) faça outros exames periciais.

 

“Porém o perito não realizou exames básicos para afastar outras causas, os exames de imagens realizados no Sotrauma descartavam a hemorragia, não houve transfusão de sangue em 48hs de internação da paciente no Sotrauma e os indicadores de sangue perdido, sequer são compatíveis com a literatura e a legislação aplicável”, diz nota encaminhada pela empresa.

 

A nota ainda lembra que o laudo e prontuários dos Hospitais Militar e Sotrauma, que “não significaria dizer que houve imprudência, negligência ou imperícia médica”.

 

Confira notas na íntegra

 

Sociedade Mato-grossense de Anestesia

 

A SOMA – Sociedade Mato-grossense de Anestesia, se viu obrigada a alertar às autoridades e a população do nosso Estado sobre os fatos que vêm ocorrendo no programa denominado “Plástica para Todos”, realizado no Hospital Militar em Cuiabá/MT.

 

Até o momento recebemos informação que, além do terrível e triste óbito já noticiado amplamente, houve mais duas graves complicações em pacientes previamente saudáveis.

 

Estamos colaborando tecnicamente com o Ministério Público e demais órgãos competentes para que todos os fatos sejam elucidados e os responsáveis devidamente punidos.

 

Nota à  Imprensa:

 

Sobre a nota divulgada pela SOMA - Sociedade Matogrossense de Anestesiologia, trata-se de uma infeliz tentativa de associação dos casos entre si, pois a exemplo do que tentou fazer a SBCP, mascara a Sociedade, seu real interesse na reserva de mercado. Atualmente o Programa Plástica Pra Todos logrou êxito em contratar uma equipe de anestesistas local, o que não era da vontade da Sociedade, razão pela qual em evidente ato de represália, busca fazer uma associação dos casos para prejudicar os médicos, a empresa, o hospital, gerando por fim um indevido temor na população.

 

Esclarecemos que a paciente NRDC, realizou cirurgia plástica, tendo intercorrência inerente a qualquer tipo de cirurgia, sendo encaminhada e acompanhada pela equipe médica do Programa e do Hospital Militar para melhor acompanhamento no Hospital Santa Casa, de onde já evoluiu para alta domiciliar.

 

Sobre a Paciente MJOU, a mesma teve sangramento de vasos, o que é uma condição esperada para o tipo de cirurgia realizada, foi pessoalmente ao Pronto Atendimento do Hospital São Mateus, onde vem sendo acompanhada pela equipe médica daquela unidade e médicos do Programa, foi encaminhada para a UTI apenas para melhor acompanhamento e critérios de segurança, inexistindo qualquer risco de vida, e já estando com previsão de alta também. 

 

Ainda sobre o caso da EDFL (óbito): nosso advogado Dr. Alex Cardoso informou que foi protocolado nesta data junto à DHPP um pedido complementar de quesitos ao perito do IML, eis que a hemorragia atestada como causa mortis da paciente, esta absolutamente descartada pela análise do próprio laudo e dos prontuários dos Hospitais Militar e Sotrauma, e mesmo que tivesse ocorrido não significaria dizer que houve imprudência, negligência ou imperícia médica, porém o perito não realizou exames básicos para afastar outras causas, os exames de imagens realizados no Sotrauma descartavam a hemorragia, não houve transfusão de sangue em 48hs de internação da paciente no Sotrauma e os indicadores de sangue perdido, sequer são compatíveis com a literatura e a legislação aplicável. O pedido foi encaminhado hoje à delegada responsável, a título de colaboração espontânea do Dr. Eduardo Montoro, que sequer foi intimado para prestar qualquer depoimento, já tendo se colocado à disposição da autoridade em ocasiões anteriores.

 

Bruno Borges Magella - Presidente Plastica Pra Todos

Belo Horizonte, 12 de julho de 2018

 

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