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Cotidiano / MORTE EM "LIPO"
17.05.2018 | 10h06
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Empresa que fez "lipo" não vê erro e cita "evolução imprevisível"

Cuiabá morreu após passar por procedimento estético no Hospital Militar de Cuiabá

Reprodução

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Daniele Bueno, como era conhecida, teve parada cerebral após ficar internada três dias

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

A empresa “Plástica Para Todos” afirmou por meio de nota não acreditar que a morte da cuiabana Edléia Daniele Ferreira Lira tenha ocorrido por falha médica.

 

A cuiabana morreu no último fim de semana após passar por uma lipoescultura e redução nos seios, feito através da empresa.

 

De acordo com nota divulgada pelo advogado da empresa, Alex Sandro Rodrigues Cardoso, os procedimentos cirúrgicos aos quais Edléia foi submetida causam risco de morte e, por isso, não se deve relacionar o caso a falha médica.

 

“Por conta disso, não há que se falar, até o momento, em causas de negligência, imperícia ou imprudência da equipe médica, tampouco do hospital onde o procedimento foi realizado, já que 70% (setenta por cento) das cirurgias plásticas realizadas no país ocorrem em unidades sem leitos de terapia intensiva, não sendo, portanto, obrigatório”, consta em nota.

 

A defesa ainda diz que a empresa não foi notificada em nenhum momento da sua história a respeito de casos que tenham evoluído para óbito, “independentemente de sua causa”.

 

“Com base neste histórico, é possível afirmar que o caso envolvendo a paciente, provavelmente, esteja isento de erro de conduta profissional, sendo típico de evoluções imprevisíveis. Mesmo assim, as causas somente poderão ser discutidas após o laudo do exame de necropsia”, disse o advogado em nota.

 

Ele rebate ainda as críticas de que os médicos do programa não seriam registrados. “A qualidade e a regularidade dos serviços ofertados pela empresa, executados por profissionais habilitados e com registros junto aos Conselhos Regionais de Medicina e à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, são atestadas pelos milhares de procedimentos cirúrgicos já realizados em todo o país”.

 

Investigação

 

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) abriu sindicância para investigar os dois hospitais que prestaram atendimento à cuiabana. A mulher foi operada no Hospital Militar de Cuiabá e acabou morrendo Hospital Sotrauma.

 

De acordo com a presidente do CRM, Maria de Fátima Carvalho Ferreira, as duas unidades de saúde terão um prazo de sete dias para encaminhar à autarquia os prontuários da jovem, com dados de todos os procedimentos, inclusive dos médicos que atuaram no atendimento da paciente.

 

“Com os prontuários em mãos, nós vamos saber qual equipe atuou no atendimento da paciente e assim averiguar se houve alguma infração ética”, disse a presidente.

 

O caso

 

Daniele Bueno, como era conhecida, deu entrada na unidade de saúde na última quinta-feira (10) para fazer uma lipoescultura e redução nos seios.

 

No entanto, depois do procedimento, ela teve uma parada cardíaca e precisou ser transferida para o Hospital Sotrauma, onde não resistiu e morreu no domingo (13) – Dia das Mães – com um quadro de paralisia cerebral e falência múltipla de órgãos.

 

De acordo com Simone Bueno Pall, que era casada com a cuiabana, a cirurgia foi realizada por meio do projeto “Plástica para Todos”, que conheceram por meio de conversa no WhatsApp.

 

Segundo ela, foi cobrado de Daniele o valor de R$ 50 para entrar em um grupo fechado no Facebook e mais R$ 50 pela consulta.

 

Confira nota na íntegra:

 

Diante das recentes notícias veiculadas, a empresa “Plástica Para Todos”, por meio de seu advogado, vem a público esclarecer e corrigir alguns fatos equivocados, tornados públicos nos últimos dias.

 

- A empresa reconhece que não há palavras que possam aliviar a dor de familiares e amigos da paciente que infelizmente veio a óbito e, por isso, não poupará esforços para o rápido esclarecimento do caso, a fim de confirmar a ocorrência de fatalidade adversa que a vitimou.

 

- A qualidade e a regularidade dos serviços ofertados pela empresa, executados por profissionais habilitados e com registros junto aos Conselhos Regionais de Medicina e à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, são atestadas pelos milhares de procedimentos cirúrgicos já realizados em todo o país, sem que jamais tivesse ocorrido, até então, qualquer evolução de óbito, independentemente de sua causa.

 

- Com base neste histórico, é possível afirmar que o caso envolvendo a paciente, provavelmente, esteja isento de erro de conduta profissional, sendo típico de evoluções imprevisíveis. Mesmo assim, as causas somente poderão ser discutidas após o laudo do exame de necropsia.

 

- A empresa esclarece que os médicos credenciados possuem registro junto ao CRM de origem e local, inclusive quanto à especialidade de cirurgia plástica e ainda, faz-se importante registrar, que este mesmo hospital é frequentemente utilizado para realização de cirurgias por outros profissionais locais, também membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e não vinculados à empresa "Plastica Para Todos".

 

- Vale destacar que a existência de riscos em todos os procedimentos cirúrgicos em geral e suas causas nem sempre estão associadas à ocorrência de erros médicos ou de equipes multidisciplinares de saúde. Por conta disso, não há que se falar, até o momento, em causas de negligência, imperícia ou imprudência da equipe médica, tampouco do hospital onde o procedimento foi realizado, já que 70% (setenta por cento) das cirurgias plásticas realizadas no país ocorrem em unidades sem leitos de terapia intensiva, não sendo, portanto, obrigatório.

 

- A empresa “Plástica Para Todos”, que luta incessantemente para democratizar a especialidade, expressa os mais sinceros votos de confiança, depositados junto às autoridades instituídas e aos órgãos da classe e se  mantém à inteira disposição para os esclarecimentos necessários, informando aos nossos clientes que, muito em breve, serão informados sobre a nova unidade hospitalar onde os procedimentos cirúrgicos serão realizados na cidade de Cuiabá.

 

Advogado Alex Sandro Rodrigues Cardoso

 

Leia mais sobre o assunto:

 

CRM de MT investiga hospitais e médicos que atenderam cuiabana

 

 




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1 Comentário(s).

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NILDA PEREIRA DE SOUZA  18.05.18 07h33
Eu ja fiz cirurgia plastica no hospital militar e fui mto bem atendida e cuidada pelos profissionais.
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