O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) está movendo uma ação civil pública contra a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para suspender imediatamente o processo atual de revalidação dos diplomas de alunos que estudaram em instituições estrangeiras.
O processo foi distribuído para a 3ª Vara Federal de Cuiabá e está com o juiz federal Cesar Augusto Bearsi.
A ação foi assinada em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM).
Segundo o Cremesp, o processo de revalidação de diplomas médicos junto à UFMT vem sendo acompanhando pelos Conselhos de Medicina - tanto de São Paulo quanto pelo Federal (CFM) - há algum tempo em razão de denúncias recebidas de médicos
O Conselho entrou com a ação após ver uma nota da Santa Casa de Valinhos (SP), que divulgava a contratação de estagiários, entre eles os alunos que tiveram seu diploma validado pela UFMT, mas que haviam sido reprovados pelo Exame Revalida, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Nacionais Anísio Teixeira (Inpe).
O Cremesp defende o Revalida como o único exame nacional de revalidação de diplomas estrangeiros e alega que a UFMT permite que um aluno reprovado neste exame faça um estágio de 2.250 horas para conseguir o diploma, sem se submeter a uma nova prova.
Os estagiários atendem na Santa Casa de Valinhos atuando na enfermaria, pronto-atendimento, pediatria e em pacientes internados, tudo sem supervisão, conforme o Cremesp.
Os alunos que se formam nos cursos de Medicina no Brasil fazem os dois últimos anos em sistema de internato, no qual aprendem na prática, e com supervisão, ajudando no atendimento médico dentro do hospital, e isso não acontece em todos os países.
O Cremesp acredita que é por isso que estes profissionais têm dificuldade em passar na prova que faz com que o diploma da faculdade estrangeira seja válido no país.
Por meio de uma nota, a UFMT disse que seu processo de revalidação dos diplomas de médicos estrangeiros é considerado um dos mais rigorosos do Brasil, tendo uma taxa de aprovação de 12,81%, enquanto a média nacional gira em torno de 40%.
Além disso a universidade alega que a comissão que faz a revalidação visita regularmente as instituições conveniadas para acompanhar in loco o período de estágio dos revalidandos.
Ainda segundo a UFMT, o edital do processo de revalidação de médicos estrangeiros é regido pela Constituição Federal, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional por resoluções do Conselho Nacional da Educação (CNE), portarias normativas do Ministério da Educação (MEC) e decisões dos Conselhos Diretivos (CD) e da Faculdade de Medicina (FM) da UFMT, "garantindo a legalidade, a transparência do processo e a qualidade da formação profissional".
Sobre a atuação dos médicos estagiários colocar em risco os pacientes, como alega o Cremesp, a Santa Casa de Valinhos disse ser uma afirmação perigosa e que não é verdadeira.
A instituição também garantiu ter feito uma consulta sobre o contrato dos estagiários ao Cremesp e ao Conselho Federal de Medicina, mas não recebeu resposta.
O Ministério da Educação diz que o processo não envolve o MEC e que os hospitais universitários são geridos ou pela própria universidade, ou por um órgão ligado ao ministério.
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5 Comentário(s).
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| gabriel 02.05.17 23h15 | ||||
| Algumas indagações: 1 - A responsabilidade pela revalidação de diplomas de cursos superior, obtidos em outros países é exclusiva das universidades públicas. Por que será que o CREMESP está se metendo nisso, tendo em vista que tal órgão tem por finalidade fiscalizar e regulamentar o exercício da profissão e não tem nenhum respaldo legal para meter-se na questão de revalidação? 2 - A Portaria Normativa n22, de 13 de Dezembro de 2016 do Ministério da Educação, Seção IV - Do Resultado da Análise, diz o seguinte: Art. 24. Quando os resultados da análise documental, bem como de exames e provas, demonstrarem o preenchimento parcial das condições exigidas para revalidação, o requerente poderá, por indicação da instituição revalidadora, REALIZAR ESTUDOS OU ATIVIDADES COMPLEMENTARES SOB FORMA DE MATRICULA REGULAR EM DISCIPLINAS DO CURSO A SER REVALIDADO. § 2o O requerente poderá cursar as disciplinas complementares em outra instituição mediante matrícula regular, desde que previamente autorizado pela instituição revalidadora. Isso é o que diz A LEI. Lei não se discute, SE CUMPRE!! O CREMESP deve se resumir a cumprir seu papel de fiscalizar e regulamentar a profissão, ao invés de meter o dedo em assuntos que não são de sua alçada! | ||||
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| Mariedna Sobreira 02.05.17 22h06 | ||||
| Concordo com vc Charles Bezerra. O ultimo ano em universidades brasileiras e estrangeiras é feito em regime de internato e so a CREMESP nao sabe disso.É vergonhoso ... Eu considero isso um PRECONCEITO. Tenho veronha da minha classe e do CFM... | ||||
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| Juca Pirama 02.05.17 11h22 | ||||
| Esta é uma questãozinha muito simples de se resolver, é só exigir que os "beneficiados pela UFMT" tenham que obrigatoriamente obter a aprovação no Exame Revalida do Inpe, se não conseguirem, que sejam acionados e responsabilizados os responsáveis pelo "examinho da UFMT" e os que o fizeram. | ||||
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| Charles bezerra 02.05.17 10h07 | ||||
| Acho que o dr.mauro gomes tem toda razão quando diz que pela falta de qualidade é que os medicos tem dificuldade de passar na prova. Pq todos vimos quantos reprovaram no exame do cremesp ( que realiza exame com um nivel bem inferior ai do revalida). No brasil e em qualquer outro país se realiza os umtimos anos com pratica hospitalar.(internato rotatorio).agora a pessoa com o minimo de curiosidade pode saber disso. Menos os diretores do cremesp. um outro fato e alegar que a santa casa de valinhos nao e um hospital escola pra esyar realizandonesse tipo de convênio.mas será que todas as universidades publicas e pribadas do brasil realizam internatos em hospitais escilas??? Por favor! É claro que não! Muitas delas nnem hospitais tem, infraestruturas zero, investimentos na qualidade das universidades zero. Então não queiram denegrir a imagem das instituições que que preocupam em realizar um processo de revalidação justo. A população precisa saber que esses colegas "SÃO MEDICOS" e não alunos. E eles nao sao reprovados muitos deles nem se quer realizaram a prova do revalida porque fizeram a prova da UFMT primeiro. E a UFMT somente dá o direito de complementar a quem segue alguns requisitos dentre eles realizar o exame feito oela propria instituição.acorda brasil. | ||||
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| Joel 02.05.17 09h14 | ||||
| Realmente está virando "Casa de Mãe Joana". Os diplomas da Bolívia e Paraguai por exemplo, campeiam em universidades de MT como se fossem de elite. Triste Mato Grosso. | ||||
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