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Cotidiano / FOLIA CARIOCA
14.02.2018 | 16h05
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Com desfile de protesto, Beija-Flor é a campeã do Carnaval 2018

Escola de samba levou para a avenida o escândalo da Petrobras e a violência, entre outros

Reprodução

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Integrante da Escola de Samba Beija-Flor, vencedora do Carnaval

DA FOLHA ONLINE

No Carnaval dos protestos, a Beija-Flor veio para chocar com um desfile de tom político e conquistou o título deste ano do Grupo Especial do Carnaval do Rio nesta quarta-feira (14).

 

Nas palavras do pesquisador de Carnaval Fabio Fabato, colocou na avenida um desfile na linha "contra tudo o que está aí".

 

Havia fantasias criticando impostos altos, uma alegoria representando a Petrobras, ratos em referência a políticos e encenações da rotina de violência no Rio, com representações de crianças em caixões e mães chorando por seus filhos policiais mortos.

 

Neguinho da Beija-Flor, lendário puxador de samba da escola, comemorou o título da escola dizendo que o título se justifica pela "crítica ao que está acontecendo no país, poucos com muito e muitos com pouco", disse.

 

A agremiação de Nilópolis fez sucesso com o público, que seguiu cantando o samba após o fim do desfile e chegou a receber até aplausos de um grupo de jurados, com um enredo que teceu críticas à corrupção no Brasil.

 

Com o título, a Beija-Flor repete feito de 2003, quando fez um Carnaval em homenagem ao então presidente Lula, que acabara de assumir. Foi o último desfile de tom político no Rio de Janeiro. 

 

A passagem da escola pela Marquês de Sapucaí foi um desfile-manifesto. Um dos carros, que teve como tema o "caos social" no Brasil, apresentou a estátua de um pedinte bêbado e presidiários com telefones celulares.

 

O que mais chamou a atenção no Carnaval deste ano na Sapucaí foi a quantidade e a veemência de críticas sociais apresentadas pela escola.

 

Desfile protesto

 

Com o enredo com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco, todo o desfile Mangueira da Mangueira foi uma resposta ao Prefeito Marcelo Crivella, tido como inimigo do Carnaval. A escola usou uma imagem forte, do Prefeito Marcelo Crivella (PRB), como Judas, enforcado.

 

O desfile confirma que o carnavalesco Leandro Vieira é, hoje, o principal personagem do Carnaval do Rio.

 

A Mangueira foi a única escola a assumir frontalmente uma oposição à gestão municipal.

 

Diante do que vê como um distanciamento do público dos desfiles, Vieira acredita que a saída seja falar de cultura popular.

 

No ano passado, falou de fé; neste ano, falou do próprio Carnaval, mas o de rua, com blocos em carros alegóricos e referências a tradições como os bate-bola, nome pelo qual são conhecidos os foliões que tomam os subúrbios do Rio com uma algazarra de gritos, fogos de artifício e o som de bolas se chocando contra o asfalto.

 

A pequena escola Paraíso do Tuiuti, que só entrou para o Grupo Especial em 2017, lembrou os 130 anos da Lei Áurea (1888), questionando se a escravidão foi, de fato, extinta no Brasil.

 

A comissão de frente, talvez a mais marcante do Carnaval, trazia uma coreografia de escravos amordaçados trazidos da África se transformando em pretos-velhos.

 

O último carro do desfile trouxe um destaque fantasiado do presidente Michel Temer (MDB) como "vampiro neoliberalista".

 

A ala Manifestoches tinha componentes fantasiados de patos, sugerindo que manifestantes foram fantoches em protestos políticos.

 

Outra ala lembrava do trabalho informal, numa referência explícita à reforma trabalhista.

 

História 

 

A história do Carnaval carioca é mais marcada por enredos positivos do que críticos. Durante a ditadura, muitas escolas fizeram enredos chapa-branca, principalmente a Beija-Flor. No entanto, há exemplos antológicos de desfiles que marcaram, apesar de não terem ganhado.

 

No Carnaval de 1989, a mesma Beija-Flor, à época com o carnavalesco Joãosinho Trinta, levou para a avenida o enredo "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia", que mostrava mendigos, bêbados e menores carentes do Brasil.

 

A imagem que mais marcaria seria o carro com a imagem de um Cristo encravado numa favela. Censurado pela Cúria Metropolitana do Rio, Joãozinho cobriu o Cristo com sacos de lixo preto e desfilou-o do mesmo jeito, com um cartaz pendurado no peito: "Mesmo proibido, olhai por nós".

 

Quando já se via a democracia no fim do túnel, a Caprichosos de Pilares levou para a avenida, em 1985, E por falar em saudade, cujo samba lembrava a época em que o país tinha eleições diretas.

 

Nas décadas seguintes, esses temas perderam protagonismo para patrocínios milionários. Viu-se os chamados enredos CEP, em homenagens a cidades, Estados e países -- inclusive ditatoriais (Beija-Flor, 2015) -, "homenagens a revistas de fofoca (Salgueiro, 2013) e até uma marca de iogurte (Porto da Pedra, 2012).

 

Mas nos últimos dois anos, críticas sociais e políticas vêm voltando à avenida nos últimos Carnavais.

 

Há algumas possíveis explicações para essa retomada. A falta de patrocínio privado libera as escolas para fazerem enredos mais autorais.

 

O Carnaval de avenida tem perdido a atenção dos foliões para o de rua, por isso as escolas tentam retomar diálogo com a população, com temas presentes no dia-a-dia dela. Também há a própria gravidade da crise por que passa o país, que torna o assunto inevitável.

 

Sem patrocínio

 

Para o pesquisador de Carnaval Luiz Antonio Simas, o fato de este Carnaval ter trazido muitas críticas políticas não necessariamente representa uma tendência. Para ele, o fenômeno está mais ligado à dificuldade que escolas tiveram de obter patrocínio neste ano, o que as libera para falar do que querem.

 

"Garanto que escolas que fizeram enredos críticos neste ano podem, no ano que vem, vir com os temas mais alienados do mundo."

 

Segundo ele, enredos engajados não costumam ganhar mais porque, historicamente, foram feitos por escolas pequenas, como Caprichosos de Pilares e São Clemente.

 

Ele avalia que, com tantas referências ao mundo real, as escolas neste ano conseguiram romper a "bolha" do Carnaval e dialogar, de fato, com a sociedade, algo que não se via há tempos.




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1 Comentário(s).

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juju santos  14.02.18 17h50
A beija flor. Falou da corrupção! Tá certo mais não falou do jogo do bicho incrível!!!!😠
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