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Cotidiano / DIVERSIDADE
19.05.2017 | 08h31
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Coletivo Negro da UFMT discute ações afirmativas com calouros

Palestra integrou a programação de acolhida aos ingressantes

Reprodução

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Ingressantes do semestre letivo 2017/1 participaram de palestra

DA REDAÇÃO

 

Um processo de reconhecimento, permeado por muita luta e resistência.

 

Assim foi a palestra realizada, na tarde desta quinta-feira (18), pelo Coletivo Negro da Universidade Federal de Mato Grosso (CNU/UFMT), e que integrou a programação de acolhida aos ingressantes do semestre letivo de 2017/1.


O vice-reitor da UFMT, professor Evandro Soares, destacou o que significa estar no ensino superior.

 

“Como a própria palavra sugere, é um universo de saberes, práticas, conhecimentos e ideias. E, por meio de um processo dialógico, buscamos uma universidade laica, democrática e inclusiva. Nos sentimos orgulhosos em participar desse momento de discussão com os ingressantes”, disse o vice-reitor.


A presidente em exercício do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Cepir), Antonieta Luisa Costa, reforçou a importância de espaços como esses, para sensibilizar sobre as questões raciais.

 

“A universidade é tida como um núcleo formador de multiplicadores de saberes. Sinto-me contente em participar para a construção conjunta de uma universidade mais inclusiva e solidária”, afirmou.


O presidente do Grupo de União e Consciência Negra (Grucon), Edevander Pinto de França, lembrou a trajetória histórica do movimento para visibilidade e inserção no ensino superior.

 

“Há cerca de 30 anos, eram poucos os estudantes negros na Universidade, quanto mais professores. Hoje, fico feliz em ver o meu filho cursando o quinto semestre de Agronomia na UFMT”, narrou.

 

O Grucon é um dos primeiros coletivos do movimento em Mato Grosso, fundado em 1983.


Para a pró-reitora de Assistência Estudantil, Erivã Garcia Velasco, o momento marca a consolidação de um diálogo com as representações e coletivos estudantis.

 

“A UFMT é tida como referência em políticas afirmativas. Em breve, será lançado o edital para quilombolas. Parabenizo o Coletivo Negro por este espaço de discussão, resultante de muito empenho e lutas. Seguimos na construção de mais espaços de visibilidade e legitimação”, observou.


A pró-reitora de Ensino de Graduação, Lisiane Pereira de Jesus, reforçou a atuação da UFMT nas políticas de cotas.

 

“Procuramos fazer com que os alunos sejam bem acolhidos e ouvidos, e também incentivar que conheçam, participem, se interessem pelos coletivos e suas discussões. Essa construção é coletiva, e quanto mais discutida, melhor será para toda a universidade, e por conseguinte, para a sociedade”, assinalou.


A coordenadora geral do Coletivo Negro, Zizele Ferreira, evidenciou o crescimento do movimento nos demais Câmpus da UFMT.

 

“Atualmente, estamos discutindo e consolidando núcleos em Barra do Garças e Rondonópolis. Ao mesmo tempo, seguimos na luta, desde a criação do coletivo em 2013, contra toda e qualquer tipo de opressão, não só contra os negros e quilombolas, mas estendendo a outras comunidades em situação de vulnerabilidade”, pontuou.


Pontos de Debate


A professora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (Nepre), do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), Cândida Soares, ressaltou o percurso de lutas dentro e fora da UFMT, a começar pela sua própria caminhada.

 

“Na minha graduação, se contava nos dedos quantos estudantes negros conseguiram ingressar no ensino superior. Quando me formei, uma das minhas maiores alegrias era ver outra estudante negra começando a estudar na UFMT”.


Também do Nepre, o professor Sérgio Santos mapeou de forma breve o conceito de políticas afirmativas.

 

“De um modo geral, as ações afirmativas englobam a correção de distorções no acesso a direitos, reconhecer e valorizar processos históricos de comunidades em situação de vulnerabilidade, instrumentalizadas por meio de programas de governo e políticas de Estado. Cabe ressaltar que estas foram obtidas por meio de muita luta”, frisou.


O intermediador do debate e doutorando do PPGE, Carlos Caetano, considerou importante e estratégica a discussão.

 

“Ampliar o debate sobre as ações afirmativas, especialmente no contexto de recepção aos ingressantes, é fundamental para seguir além e que os estudantes possam ter voz nos coletivos, assim como levar as questões raciais como pauta em sala de aula”, reforçou. 


Luta e afirmação


A aluna de Medicina Veterinária, Ana Gabriela Santana, sob o nome artístico de “Pacha Ana”, recitou dois poemas sobre a afirmação da negritude.

 

“Um deles, que permanece sem título, é resultante de um caso de racismo institucional que sofri dentro da Instituição”, narrou.


O ingressante por meio de ampla concorrência, no curso de Bacharelado em Geografia, Iago Callil, narrou suas impressões sobre a programação.

 

“É essencial que para a construção de uma nação democrática, a diversidade na população seja também refletida na comunidade universitária. Estas atividades representam um ponto positivo para quem está começando sua caminhada, por estarmos em um ambiente saudável e agradável. Pretendo também ingressar em um programa de iniciação científica”, afirmou.

 
A coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Ana Carolina Costa Marques, reiterou o compromisso da representação contra as opressões.

 

“É essencial frisar que todos os estudantes, independente de gênero, etnia, crença ou ideologia, saibam que têm representatividade e visibilidade na UFMT. Essa construção conjunta da agenda de recepção evidenciou o protagonismo dos estudantes”, atestou.


O estudante cotista do 3º ano de Direito, Fabrício Lima da Paz, destacou a importância de prosseguir com as discussões dentro das salas de aula, como um tema transversal.

 

“Quando se pensa em relações raciais, o tema ainda é estratificado na construção de políticas e diretrizes institucionais. Ampliar a sensibilização para dentro da sala de aula se torna, portanto, um passo muito significativo”, concluiu.


A programação do Coletivo Negro seguiu com atividades culturais na praça em frente ao Restaurante Universitário (RU), com apresentações das cantoras Gê Lacerda, Mariana Borealis e o DJ Alexandre Magno dos Santos, garantindo a animação dos presentes.

 




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