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Cotidiano / CORREIOS
20.04.2017 | 10h29
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Carteiros fazem assembleia e podem deflagrar greve

Líder sindical diz que a estatal está passando por processo de sucateamento

Thiago Bergamasco/MidiaNews

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Se a greve for deflagrada apenas 30% dos trabalhadores devem se manter em serviço

KARINA CABRAL
DA REDAÇÃO

O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios, Telégrafos e Serviços Postais de Mato (Sintect) fará uma assembleia nesta quinta-feira (20) para decidir se a categoria entra ou não em greve no próximo dia 26.

 

O encontro ainda vai definir a participação nos atos do dia 28 contra as reformas trabalhistas do Governo Michel Temer.

 

Segundo Edmar Leite, presidente do sindicato, existem vários motivos para a possível greve.

 

No cenário regional, o sindicalista conta que a última greve, entre 28 de março e 6 de abril, motivada pela morte de um funcionário no Centro de Tratamentos em Várzea Grande, teve fim após a direção da estatal em Mato Grosso garantir medidas para segurança dos trabalhadores e um local salubre de trabalho, porém isso não estaria sendo cumprido.

 

Mas Edmar frisa que no cenário nacional o problema é ainda maior.  

 

“Os Correios estão passando por um processo de sucateamento para que a qualidade do serviço caia e assim a população pense que a saída é privatizar”, disse o líder sindical.

 

Ele explica que hoje o déficit de funcionários em Mato Grosso está em cerca de 400 carteiros, 120 operadores de triagem e 100 atendentes, impedindo assim que os funcionários garantam a qualidade do serviço.

 

“A gente sabe que hoje não temos a qualidade de 10, 15 anos anos atrás. Mas os Correios foram sucateados de propósito. Em 10 anos houve dois concursos públicos. Nesse período, mais de 20 mil trabalhadores aderiram aos planos de demissão voluntária”, disse Edmar.

 

Plano de demissão voluntária é quando a empresa oferece um incentivo para o trabalhador sair, barateando a folha salarial.

 

Mas, segundo Edmar Leite, o funcionário recebe pressão e a saída acaba não sendo voluntária. Além de que após a demissão não há reposição de vagas, sobrecarregando os trabalhadores que ficam e o impedindo de cumprir prazos, segundo o sindicalista.  

 

“Na última greve o pessoal reclamou que as cargas, cartas e encomendas estavam atrasando e perguntaram se era por culpa da greve. A gente entrou em greve no dia 28 de março. No dia 27, que era nosso último dia de trabalho antes da paralisação, os trabalhadores do Centro de Tratamento de Cartas, Cargas e Encomendas (CTCE) tinham feito a triagem das encomendas que chegaram lá no dia 10 de março. Havia já um lapso de 17 dias de atraso, porque faltam funcionário. A culpa não é dos funcionários, a culpa é da falta de funcionários”, afirma Edmar.

 

Segundo o sindicalista, hoje os Correios contam com 117 mil funcionários no Brasil, mas houve um plano de demissão voluntária organizado há um mês e até junho devem sair cerca de 5.500.

 

“Em 2013, a própria empresa dizia que precisava ter 130 mil funcionários. Hoje nós estamos em 2017 e ela terá 110 mil praticamente”, contou o presidente do sindicato.

 

Se a greve for deflagrada, apenas 30% dos trabalhadores devem se manter em serviço. Hoje são entregues cerca de 20 mil encomendas e uma média de 500 mil cartas por dia em Mato Grosso.

 

Segundo o dirigente sindical, a greve não é por salário, mas sim pedindo por concursos públicos, condições de trabalho, a retomada da qualidade e a não-retirada de direitos, como plano de saúde e férias.

 

“É importante que a população veja o seguinte: a greve pode prejudicar a população, mas infelizmente a gente não tem outra saída, porque sem greve o Governo e a direção da empresa não sentam pra negociar”, afirmou Edmar.

 

A assembleia acontece às 18h, na sede do sindicato. 

 

Outro lado

 

Em nota, a assessoria de imprensa dos Correios informou que a respeito das medidas de segurança para os trabalhadores e um local salubre de trabalho, foi firmado um acordo com o Sintect-MT e desde então a direção regional tem cumprido integralmente todas as medidas acordadas.

 

A respeito do lapso de atraso de 17 dias motivado pela falta de funcionários, a assessoria disse que não procede e que a paralisação, que durou oito dias, comprometeu as operações e que desde o fim da greve vem tentando colocar as entregas em dias.

 

A assessoria afirmou ainda que referente ao cenário nacional, os Correios possuem um sistema que analisa a necessidade de empregados para atender cada município e que o cenário econômico fez com que a empresa se adequasse para otimizar recursos.

Quanto ao plano de saúde, a empresa diz que está com uma ação no TST (Tribunal Superior do Trabalho) para decidir sobre essa pauta. E frisou que os Correios sempre estiveram abertos a negociações com as federações e sindicatos. 




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1 Comentário(s).

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Bruno A.S. dos Santos  20.04.17 13h27
Ué pensei que já estavam em greve. Pois tenho uma encomenda para receber e já esta com 15 dias de atraso. Faz tempo que o serviço dos correios deixa muito a desejarrrrr
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