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Cotidiano / TENENTE ACUSADA
10.08.2017 | 10h18
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Associação: aluno poderia ter AVC "dormindo ou correndo"

Izadora Ledur é acusada de ter torturado aluno, que acabou falecendo após treinamento de Bombeiros

Gilberto Leite/RDNews

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Tenente não teria tido culpa em morte de aluno, afirmou associação

VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO

A Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar de Mato Grosso (Assof) garantiu que a tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur de Souza, não teve envolvimento com a morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, em 15 de novembro passado.

 

A Assof, por meio de comunicado assinado pelo seu presidente, o tenente-coronel da PM Wanderson Nunes de Siqueira, argumentou que o aspirante tinha histórico familiar de casos de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e afirmou que mesmo que não houvesse o treinamento aquático, que teria motivado a morte do jovem, ele "poderia vir a óbito ou sofrer sequelas provenientes de um AVC".

 

Ledur é acusada de ter torturado o aluno durante o treinamento, que teria culminado na morte do jovem. Ela passou a ser investigada e posteriormente foi denunciada pelo Ministério Público do Estado (MPE) por tortura.

 

A oficial tornou-se ré após a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, aceitar o encaminhamento do MPE.

 

Selma Arruda determinou que a tenente cumpra medidas cautelares, como a utilização de tornozeleira eletrônica. No entanto, a magistrada não acolheu pedido do MPE para determinar sua prisão preventiva. O Ministério Público recorreu da decisão da juíza e solicitou, novamente, que a tenente fosse detida.

 

Além da tenente, também foram denunciados os militares Marcelo Augusto Revéles Carvalho, Thales Emmanuel da Silva Pereira, Diones Nunes Sirqueira, Francisco Alves de Barros e Eneas de Oliveira Xavier. No entanto, somente ela foi alvo do pedido de prisão, em razão de ser a líder do treinamento.

 

Reprodução

rodrigo claro

Aluno Rodrigo Claro, de 21 anos, morreu após treinamento do Corpo de Bombeiros, em novembro passado

Por meio de comunicado, divulgado nesta quarta-feira (10), a Assof informou que o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil realizaram investigações sobre o treinamento realizado para formação de soldados do Bombeiro, em 10 de novembro passado, que teria ocasionado a morte de Rodrigo Claro.

 

A associação relatou que analisou os depoimentos prestados nos inquéritos sobre o caso, além de vídeos e fotografias do treinamento, e pontuou que não foi registrado nenhum incidente como afogamentos, torções ou fraturas durante o procedimento.

 

"A não ser um mal súbito do aluno solado BM Rodrigo Claro, que dizia sentir dores de cabeça e que por isso foi autorizado, às 15h, a retornar para o quartel do Bombeiro, no Bairro Verdão, em Cuiabá".

 

Conforme a Assof, depois de chegar ao quartel, o soldado se apresentou ao coordenador do curso e disse estar sentindo dor de cabeça. O jovem, então, teria sido conduzido à Policlínica do Verdão, onde teriam medido sua pressão arterial e feito exames preliminares, que teriam classificado ele como paciente sem risco.

 

“Passadas algumas horas, o aluno soldado Rodrigo Claro começou a convulsionar e a partir daí, foi submetido a tratamento emergencial e encaminhado a um hospital particular, más infelizmente no dia seguinte ele veio a óbito”, detalhou a associação.

 

Investigações

 

De acordo com a Assof, a repercussão do caso e as suspeitas de que a morte do aluno havia sido provocada por excesso ou maus tratos no treinamento, por parte de instrutores, fizeram com que fossem instaurados inquéritos no Corpo de Bombeiros e na Polícia Civil, que solicitaram que a Polícia Técnica (Politec) realizasse um exame minucioso no jovem.

 

As apurações da Politec teriam apontado que a morte de Claro ocorreu por hemorragia cerebral por causa natural. Além disso, o laudo teria apontado ainda que as feridas que existiam no corpo do jovem seriam oriundas do tratamento médico recebido por ele na Policlínica do Verdão e no hospital particular para o qual foi encaminhado, e não seriam provenientes do treinamento supostamente abusivo.

 

“Perguntado se a morte foi produzida com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou tortura ou por outro meio insidioso ou cruel, os peritos responderam que não”, afirmou laudo.

 

Com base nas informações da Politec, a Assof mencionou que outro indício que apontaria que a morte de Rodrigo Claro não teria acontecido em decorrência do treinamento seria o fato de ele ter histórico familiar com registros de parentes que já haviam falecido ou desenvolvido dificuldades em razão de AVCs.

 

“Nós arriscamos a afirmar que se não fosse após o treinamento de salvamento aquático, infelizmente o Aluno Soldado BM Rodrigo poderia vir a óbito ou sofrer sequelas provenientes de um AVC dormindo, correndo, realizando uma refeição ou praticando um esporte”, asseverou.

 

Se não fosse após o treinamento de salvamento aquático, infelizmente o Aluno Soldado poderia vir a óbito ou sofrer sequelas provenientes de um AVC dormindo ou correndo

Conforme a associação, o treinamento no Corpo de Bombeiros não contribuiu nem teve relação de causa e efeito com a morte do aluno.

 

“A Assof reafirma o seu compromisso com os associados e com a sociedade Mato-grossense de continuar defendendo as coisas certas e lutar pela verdade, mas tem clara convicção de que nem a Tenente Ledur nem os demais instrutores e monitores da disciplina de salvamento aquático tiveram qualquer relação com a prematura morte aluno soldado BM Rodrigo Claro”, garantiu.

 

“Condenação em praça pública”

 

Ainda no comunicado, a associação classificou as críticas que vêm sendo feita a Ledur como uma condenação precipitada.

 

“Nos últimos meses temos acompanhado uma verdadeira condenação em praça pública da Tenente BM Izadora Ledur, com matérias e comentários tendenciosos que tentam convencer a opinião pública, de que a Oficial teria relação com a morte do aluno soldado Rodrigo Claro”, salientou.

 

Denúncia do MPE

 

Na denúncia do MPE sobre o caso, feita pelo promotor Sérgio Silva da Costa, apesar de apresentar excelente condicionamento físico, o aluno Rodrigo Claro demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

 

Consta na denúncia que, embora o problema tenha chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação como utilizaram-se de métodos considerados reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.

 

Conforme o MPE, depoimentos colhidos durante a investigação demonstram que o aluno foi submetido a "intenso sofrimento físico e mental com uso de violência".

 

A atitude teria sido a forma utilizada pela tenente Izadora Ledur para punir Rodrigo, por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água.

 

Ação contra tenente

 

Em julho, ao aceitar a denúncia do MPE contra Ledur e negar o pedido de prisão preventiva, Selma Arruda estipulou diversas medidas cautelares, além da utilização de tornozeleira eletrônica.

 

Entre as outras medidas estipuladas por elas estão comparecimento mensal em juízo, para informar residência e justificar suas atividades; manter distância de quaisquer locais relacionados ao Corpo de Bombeiros Militar, inclusive da Secretaria de Segurança Pública, para evitar o risco de novas infrações; proibição de manter contato com as testemunhas arroladas pelo Ministério Público e suspensão do exercício de função pública de Tenente Bombeiro até o final da instrução processual.

 

De acordo com a juíza, o uso do monitoramento eletrônico é para que a militar não infrinja as outras determinações e não atrapalhe o andamento das investigações.

 

“Todavia, há medidas cautelares diversas da prisão capazes de assegurar que a denunciada não volte a delinquir e não tenha qualquer influência junto a testemunhas, de modo a garantir tanto a ordem pública, quando a escorreita coleta de provas na instrução processual”, disse.“(...) cite-se e intime-se a acusada Iadora Ledur de Souza a tomar conhecimento da denúncia e formular defesa, bem como para que dê início ao cumprimento das medidas cautelares ora impostas”, determinou a magistrada.

 

O MPE recorreu da decisão em 4 de agosto e pediu, novamente, a prisão da tenente. Os autos foram encaminhados à juíza Selma Arruda, que deverá remetê-los ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

 

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela associação:

 

"ASSOCIAÇÃO DOS OFICIAIS GARANTE. TENENTE BM IZADORA LEDUR NADA TEM A VER COM A MORTE DO ALUNO SOLDADO CLARO.

 

A Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar de Mato Grosso vem a público, após concluídas as investigações realizadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Civil, prestar esclarecimentos sobre fatos ocorridos em um treinamento para Formação de Soldados do Bombeiro realizado no dia 10/11/2016 na Lagoa Trevisan, que após o seu encerramento, registrou o falecimento do Aluno Soldado BM Rodrigo Claro.

 

Nos últimos meses temos acompanhado uma verdadeira condenação em praça pública da Tenente BM Izadora Ledur, com matérias e comentários tendenciosos que tentam convencer a opinião pública, de que a Oficial teria relação com a morte do aluno soldado Rodrigo Claro.

 

A ASSOF, que é uma entidade de classe que representa os Oficiais da PM e do Bombeiro de Mato Grosso, após analisar com muito cuidado os inquéritos que foram realizados se sente à vontade e na obrigação de esclarecer a sociedade Mato-grossense do não envolvimento da Tenente Ledur, nem de nenhum Oficial ou Praça do Corpo de Bombeiros na morte do jovem Rodrigo Claro.

 

Para realizarmos tal afirmação, tomamos o cuidado de lermos todos os depoimentos que foram prestados nos inquéritos e deles conseguimos inferir que no dia 10 de novembro de 2016, o 2º Pelotão do Curso de Formação de Soldados do Bombeiro participou na Lagoa Trevisan de um treinamento da disciplina de “Salvamento Aquático”.

 

A aula prática que teve início as 14 horas, encerrou-se as 18 horas e foi ministrada pela Tenente BM Ledur e pelo Tenente Coronel BM Marcelo Reveles, além de outros monitores, especialistas na matéria.

 

Durante o treinamento não foi registrado nenhum incidente do tipo afogamento, torções ou fraturas, a não ser, um mal súbito no aluno soldado BM Rodrigo Claro, que dizia sentir dores de cabeça e que por isso, foi autorizado as 15 horas, a retornar para o quartel do Bombeiro localizado no bairro Verdão em Cuiabá.

 

Chegando ao quartel o aluno soldado Claro, se apresentou ao Coordenador do Curso e disse estar sentindo dores de cabeça, imediatamente foi determinado que uma guarnição do bombeiro o conduzisse a Policlínica do Verdão, onde, após uma triagem com aferição da pressão arterial e exames preliminares, foi classificado como paciente sem risco (verde) e após algum tempo, foi atendido e medicado por uma médica plantonista.

 

Passadas algumas horas, o aluno soldado Rodrigo Claro começou a convulsionar e a partir daí, foi submetido a tratamento emergencial e encaminhado a um hospital particular, más infelizmente no dia seguinte ele veio a óbito.

 

A grande repercussão e as suspeitas de que a morte do aluno soldado Claro havia sido provocada por excesso no treinamento ou maus tratos por parte dos instrutores, culminou com a instauração de dois inquéritos, um no Corpo de Bombeiros e outro na Polícia Civil.

 

Durante os inquéritos foi solicitado da Polícia Técnica (POLITEC) um exame minucioso do jovem Rodrigo Claro e os peritos ao final, foram categóricos em afirmar que:

 

1. A morte de Rodrigo Claro se deu por hemorragia cerebral de causa natural;

 

2. Além das feridas provenientes do tratamento médico recebido na policlínica do verdão e no hospital particular, não se observou nenhum outro vestígio de lesão traumática recentes na superfície externa do corpo;

 

3. Perguntado se a morte foi produzida com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou tortura ou por outro meio insidioso ou cruel, os peritos responderam que não.

 

De posse das informações periciais e ainda, considerando informações preliminares que dão conta de um histórico familiar, onde existe registros de parentes do Aluno Soldado BM Rodrigo Claro que já vieram a óbito ou se encontram enfermos provenientes de acidentes vasculares cerebrais (AVC).

 

Levando-se em conta vídeos e fotografias produzidas durante o treinamento e ainda, as informações prestadas pelos alunos do curso, instrutores

 

e monitores nas oitivas, a Associação dos Oficiais afirmar e reafirma que o treinamento e as instruções de salvamento aquático que o aluno soldado BM Rodrigo Claro participou no dia 10 de novembro de 2016, não contribuíram nem tiveram relação de causa e efeito com a sua morte.

 

A Associação dos Oficiais desde o primeiro momento entendeu necessária a apuração da causa da morte do jovem Rodrigo, pois somos contra qualquer tipo de excesso e defendemos a verdade e a correição, por isso, entendemos a dor da família.

 

Entretanto nos arriscamos a afirmar que: se não fosse após o treinamento de salvamento aquático, infelizmente o Aluno Soldado BM Rodrigo poderia vir a óbito ou sofrer sequelas provenientes de um AVC dormindo, correndo, realizando uma refeição ou praticando um esporte.

 

Por esse motivo, a ASSOF reafirma o seu compromisso com os associados e com a sociedade Mato-grossense de continuar defendendo as coisas certas e lutar pela verdade, más tem clara convicção de que nem a Tenente Ledur nem os demais instrutores e monitores da disciplina de salvamento aquático tiveram qualquer relação com a prematura morte aluno soldado BM Rodrigo Claro.

 

Por amor ao debate e em respeito à sociedade que precisa estar informada sobre todo o caminhar dessa apuração, nos colocamos a disposição dos veículos de informação, para prestar quaisquer outros esclarecimentos que se façam necessários.

 

Tenente Coronel PM Wanderson Nunes de Siqueira"

 

Presidente da ASSOF.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

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12 Comentário(s).

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António João da silva  11.08.17 12h49
António João da silva, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Leomar Aparecido  11.08.17 12h27
Alguém se lembra do soldado Serapião? Na Lagoa do Manso? Ninguém mais tocou no assunto...
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cuiabano  11.08.17 09h04
Eu so gostaria de saber se o Coronel presidente dessa associação além de oficial é médico? Pois ele afirma com tanta propriedade que o rapaz não morreu por motivos de sobrecarga em esforços físicos, que parece ser uma autoridade medica no assunto, tipo um renomado neurologista.
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1
rafael  11.08.17 08h19
Avisa o Coronel, que o aspirante, morreu, por causa do treinamento, e não por AVC, uma coisa, não justifica, a outra...
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1
Rogério Costa marques  10.08.17 23h07
É sempre assim
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