ENQUETES

Você já decidiu em quais candidatos irá votar nestas eleições?

PUBLICIDADE

Cotidiano / ENTERRADA VIVA
11.07.2018 | 16h27
Tamanho do texto A- A+

Após alta, bebê indígena volta a Canarana e ficará em abrigo

Recém-nascida ficou cerca de sete horas enterrada; avó e bisavó são acusadas de tentativa de homicídio

Reprodução

Clique para ampliar

Menina deixou Santa Casa onde esva internada há mais de um mês

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

Após 36 dias internada, a menina indígena enterrada viva depois do nascimento foi encaminhada a um abrigo de crianças em Canarana  (838 km de Cuiabá) no início da tarde desta quarta-feira (11).

 

O retorno à cidade em que nasceu se deu após determinação do juiz Darwin de Souza Pontes, da 1ª Vara Criminal e Cível do município. A decisão acatou um requerimento feito pelo Ministério Público do Estado, que solicitou medidas protetivas à menina.

 

O bebê estava internado na Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá desde o dia 6 de junho. Ele chegou a ficar cerca de sete horas enterrada, antes do resgate feito pela Polícia Militar.

 

De acordo com o promotor de Justiça Matheus Pavão de Oliveira, a medida protetiva busca preservar a integridade física e psíquica da menor.   

 

Por volta das 14h desta quarta-feira, agentes do Conselho Tutelar e da Casa de Saúde Indígena (Casai) do município foram até a Santa Casa de Cuiabá para levar a menina ao Aeroporto Marechal Rondon, onde embarcaram em direção a Canarana. 

 

A enfermeira que está acompanhando ela recebeu todas as orientações médicas. Desde o encaminhamento ao pediatra, cartão de vacina, teste de orelha, e todos os requisitos de um recém-nascido foram orientados

De acordo com assessora técnica da presidência da Santa Casa, Erika Carvalho, os cuidados com a recém-nascida a partir de agora são os necessários a qualquer criança da mesma idade.

 

“A enfermeira que a acompanha recebeu todas as orientações médicas, desde o encaminhamento ao pediatra, cartão de vacina, teste de orelha e todos os requisitos de um recém-nascido”, disse a assessora.

 

O bebê, que completou um mês de vida no último dia 5 de julho, teve melhora em seu quadro de saúde e deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Misericórdia na segunda-feira (9).

 

A menina chegou a passar por uma intervenção cirúrgica em razão de uma hemorragia digestiva e do mau funcionamento dos rins. Ela também apresentava quadro de infecção generalizada, distúrbio de coagulação e também uma hemorragia digestiva.

 

Apego emocional

 

Na Santa Casa há mais de um mês, o envolvimento emocional da equipe do hospital com a criança foi muito intenso. Para Erika Carvalho, a equipe viveu hoje um misto de emoção e alegria.

 

“As crianças, quando nascem, além do atendimento médico, precisam ter carinho e amor. Então, o contato físico, o carregar no colo e toda a assistência para que essa criança possa voltar à família são fundamentais”, disse a assessora.

 

Destino incerto

Reprodução

Delegado Deuel Paixão Santana

Delegado Deuel Paixão de Santana, que apura tentativa de homicídio

O Ministério Público também solicitou a realização de diligências pelo Conselho Tutelar, para localizar o pai, os avós paternos e demais parentes que possuam eventual interesse em permanecer com a criança.

 

Em caso positivo, a realização, em caráter de urgência, de estudo psicossocial no ambiente familiar para que a menina possa voltar à família.

 

À polícia, a mãe de 15 anos manifestou interesse na guarda do bebê, mas quer residir com seus familiares, inclusive com as acusadas – a avó e a bisavó da recém-nascida. O Essa opção, segundo o promotor, 

 

“O que se revela absolutamente inviável em virtude da gravidade do crime perpetrado. Por outro lado, alguns familiares e terceiros manifestaram interesse na guarda da menor”, frisa o promotor. 

 

O pai da criança, também em depoimento à Policia Civil, disse que quer ficar com a criança. Segundo o delegado que apura o caso, Deuel Paixão de Santana, o menino informou que só ficou sabendo da tentativa de homicídio pelas redes sociais.

 

Um estudo antropológico também foi solicitado ao Ministério Público Federal, mas ainda não foi finalizado.

 

O caso

 

Segundo a investigação, a mãe da criança, de 15 anos, deu à luz no dia 5 de junho. O bebê foi enterrado no terreno da residência da família.

 

No local, a bisavó da garota confirmou o ato, dizendo que a criança teria nascido morta por ser prematura. Ela alegou que não comunicou a ninguém por se tratar de um costume da etnia.

 

Uma enfermeira da Casai (Casa de Saúde do Índio), ao assumir o expediente, soube do caso e avisou a polícia e o chefe da unidade. 

 

Em decorrência do tempo, o local foi isolado pela equipe policial para o trabalho da perícia técnica. Mas, ao escavarem, os policiais ouviram o choro do bebê.

 

No decorrer das investigações da Polícia Civil, foram colhidos depoimentos que apontaram que a família não aceitava a gravidez pelo fato de a adolescente ser mãe solteira.

 

A bisavó da criança está presa, e responde a um processo por ter articulado todo o processo para tentar matar a criança.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

Pai de bebê indígena comunica à Polícia que pretende criá-la

 

Bebê indígena apresenta melhora na condição renal

 

 

 




Clique aqui e faça seu comentário


0 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia
1999-2018 MidiaNews - Credibilidade em Tempo Real - Tel.: (65) 3027-5770 - Todos os direitos reservados

Ver em: Celular - Web