Cuiabá, Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
ENTERRADA VIVA
11.07.2018 | 16h27 Tamanho do texto A- A+

Após alta, bebê indígena volta a Canarana e ficará em abrigo

Recém-nascida ficou cerca de sete horas enterrada; avó e bisavó são acusadas de tentativa de homicídio

Reprodução

Menina deixou Santa Casa onde esva internada há mais de um mês

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

Após 36 dias internada, a menina indígena enterrada viva depois do nascimento foi encaminhada a um abrigo de crianças em Canarana  (838 km de Cuiabá) no início da tarde desta quarta-feira (11).

 

O retorno à cidade em que nasceu se deu após determinação do juiz Darwin de Souza Pontes, da 1ª Vara Criminal e Cível do município. A decisão acatou um requerimento feito pelo Ministério Público do Estado, que solicitou medidas protetivas à menina.

 

O bebê estava internado na Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá desde o dia 6 de junho. Ele chegou a ficar cerca de sete horas enterrada, antes do resgate feito pela Polícia Militar.

 

De acordo com o promotor de Justiça Matheus Pavão de Oliveira, a medida protetiva busca preservar a integridade física e psíquica da menor.   

 

Por volta das 14h desta quarta-feira, agentes do Conselho Tutelar e da Casa de Saúde Indígena (Casai) do município foram até a Santa Casa de Cuiabá para levar a menina ao Aeroporto Marechal Rondon, onde embarcaram em direção a Canarana. 

 

A enfermeira que está acompanhando ela recebeu todas as orientações médicas. Desde o encaminhamento ao pediatra, cartão de vacina, teste de orelha, e todos os requisitos de um recém-nascido foram orientados

De acordo com assessora técnica da presidência da Santa Casa, Erika Carvalho, os cuidados com a recém-nascida a partir de agora são os necessários a qualquer criança da mesma idade.

 

“A enfermeira que a acompanha recebeu todas as orientações médicas, desde o encaminhamento ao pediatra, cartão de vacina, teste de orelha e todos os requisitos de um recém-nascido”, disse a assessora.

 

O bebê, que completou um mês de vida no último dia 5 de julho, teve melhora em seu quadro de saúde e deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Misericórdia na segunda-feira (9).

 

A menina chegou a passar por uma intervenção cirúrgica em razão de uma hemorragia digestiva e do mau funcionamento dos rins. Ela também apresentava quadro de infecção generalizada, distúrbio de coagulação e também uma hemorragia digestiva.

 

Apego emocional

 

Na Santa Casa há mais de um mês, o envolvimento emocional da equipe do hospital com a criança foi muito intenso. Para Erika Carvalho, a equipe viveu hoje um misto de emoção e alegria.

 

“As crianças, quando nascem, além do atendimento médico, precisam ter carinho e amor. Então, o contato físico, o carregar no colo e toda a assistência para que essa criança possa voltar à família são fundamentais”, disse a assessora.

 

Destino incerto

Reprodução

Delegado Deuel Paixão Santana

Delegado Deuel Paixão de Santana, que apura tentativa de homicídio

O Ministério Público também solicitou a realização de diligências pelo Conselho Tutelar, para localizar o pai, os avós paternos e demais parentes que possuam eventual interesse em permanecer com a criança.

 

Em caso positivo, a realização, em caráter de urgência, de estudo psicossocial no ambiente familiar para que a menina possa voltar à família.

 

À polícia, a mãe de 15 anos manifestou interesse na guarda do bebê, mas quer residir com seus familiares, inclusive com as acusadas – a avó e a bisavó da recém-nascida. O Essa opção, segundo o promotor, 

 

“O que se revela absolutamente inviável em virtude da gravidade do crime perpetrado. Por outro lado, alguns familiares e terceiros manifestaram interesse na guarda da menor”, frisa o promotor. 

 

O pai da criança, também em depoimento à Policia Civil, disse que quer ficar com a criança. Segundo o delegado que apura o caso, Deuel Paixão de Santana, o menino informou que só ficou sabendo da tentativa de homicídio pelas redes sociais.

 

Um estudo antropológico também foi solicitado ao Ministério Público Federal, mas ainda não foi finalizado.

 

O caso

 

Segundo a investigação, a mãe da criança, de 15 anos, deu à luz no dia 5 de junho. O bebê foi enterrado no terreno da residência da família.

 

No local, a bisavó da garota confirmou o ato, dizendo que a criança teria nascido morta por ser prematura. Ela alegou que não comunicou a ninguém por se tratar de um costume da etnia.

 

Uma enfermeira da Casai (Casa de Saúde do Índio), ao assumir o expediente, soube do caso e avisou a polícia e o chefe da unidade. 

 

Em decorrência do tempo, o local foi isolado pela equipe policial para o trabalho da perícia técnica. Mas, ao escavarem, os policiais ouviram o choro do bebê.

 

No decorrer das investigações da Polícia Civil, foram colhidos depoimentos que apontaram que a família não aceitava a gravidez pelo fato de a adolescente ser mãe solteira.

 

A bisavó da criança está presa, e responde a um processo por ter articulado todo o processo para tentar matar a criança.

 

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