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Cotidiano / NOVELA DA VIDA
19.03.2017 | 09h30
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Após 12 anos de desencontros, filhos localizam mãe em Cuiabá

Raquel da Silva perdeu contato com a família depois de se mudar para interior de MT

Marcus Mesquita/MidiaNews

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Mulher foi encontrada pela reportagem na última semana

VITÓRIA LOPES
DA REDAÇÃO

O que era para ser uma tentativa de refazer um laço familiar perdido havia 30 anos acabou por romper a ligação de Raquel Rodrigues da Silva com outra parte da família.

 

Em 2005, Raquel, até então morando em Campo Grande (MS), fez um almoço de despedida para os filhos, pois estava de mudança para Comodoro (667 km de Cuiabá), onde tentaria reencontrar seu pai, com quem não mantinha contato havia três décadas.

 

Ela reencontrou o pai mas, desde então, nunca mais deu notícia aos quatro filhos, que permaneceram com outra parte da família em Mato Grosso do Sul. E lá se vão doze longos anos.

 

Uma da filhas, Elizangela Silva, com 22 anos na época, conta que, durante todos esses anos sem notícias da mãe, acreditava que ela estivesse em Comodoro morando com seu avô.

 

Até que uma tia ligou informando que Raquel, hoje com 55 anos, não morava mais no interior, e que foi vista pela última vez passando em frente ao Pronto-Socorro de Cuiabá. Mas isso foi há mais de 10 anos.

Na minha cabeça, quando perguntavam de minha mãe, eu dizia que ela foi morar com meu avô em Comodoro. Eu não sabia que ela tinha sumido

                                      

“Na minha cabeça, quando perguntavam de minha mãe, eu dizia que ela foi morar com meu avô em Comodoro. Eu não sabia que ela tinha sumido. Ela só nunca me dava noticia, mas não sabia que a família de lá também não tinham notícia dela”, conta.

 

“Passado um tempo, uma tia ligou dando notícias e falou que ela tinha desaparecido de lá [Comodoro] e que a viu pela última vez em Cuiabá. Minha tia ficou falando pra mim, chorando, que ela poderia ter morrido. E eu disse: ‘não, não consigo aceitar’”.

 

Há duas semanas, Elizangela, que hoje tem 34 anos, entrou em contato com o MidiaNews pedindo ajuda para localizar a mãe.

 

“Eu quis ir atrás quando soube que ela estava mesmo desaparecida. Mas eu trabalho numa usina, trabalho às vezes sábado, domingo, feriado... Não tinha tempo e nem sabia nem por onde começar a procura. Até que minha filha deu a ideia de entrar em contato com a imprensa de Cuiabá”, explica.

 

“Faz muito tempo que sonho com minha mãe chegando. Eu tenho uma foto dela e só. Quando soube do desaparecimento, fiquei desesperada, quis ir atrás. Mas meu marido falou: ‘Como você vai pra Cuiabá?’. Minha tia ficava falando que ela poderia estar morta, mas eu quero uma resposta. Porque enquanto alguém falar que a viu, eu sinto no meu coração que ela ainda está viva”, lamenta.

 

Por meio da única foto que Elizangela tem com a mãe, a reportagem conseguiu identificar Raquel, através de um vídeo na internet com uma entrevista que ela deu em novembro de 2016, quando sua casa, no Bairro Doutor Fábio I, foi destruída após uma tempestade.

 

Na última semana, reportagem foi até o Doutor Fábio à procura de Raquel.

 

Ainda morando no bairro, a mulher, que perdeu praticamente tudo na tempestade, construiu com a ajuda da comunidade local uma provisória casa de madeira nos fundos do terreno antigo.

 

Mamoeiros, bananeiras e vegetação regional crescem em cima dos destroços de sua antiga casa, enquanto Raquel vive de maneira bem humilde e rústica com o dinheiro que seu marido, Luiz Fernando, consegue com venda de picolés.

 

“Essa casa é provisória, para poder construir lá na frente de novo. A tempestade destruiu tudo, não sobrou nada. Essas coisas que tenho são o que nós ganhamos, ou eu mesma que faço. Tudo provisório”.

 

Atualmente desempregada, Raquel relata que morou em Comodoro com seus pais por seis meses apenas. Lá chegou a construir uma casa num terreno cedido pelo pai. Mas, ao se envolver com um homem que trabalhava no Município, acabou se mudando para a Capital, no Bairro Jardim Vitória. O relacionamento não deu certo e Raquel acabou sendo abandonada. Depois disso, sua vida se transformou - para pior. 

 

Após ser despejada por falta de dinheiro para o aluguel, Raquel - que chegou a dormir em uma construção -, conta que foi assaltada e perdeu seu telefone. Com uma vida tumultuada, diz que acabou perdendo o contato com os filhos e tinha medo deles não a aceitarem depois de tanto tempo.

 

“Perdi o contato e fiquei muito transtornada. Eu perdi até minha mente, a vontade de tudo. E eu não tinha dinheiro, estava com uma vida turbulenta. Eu também tinha muito medo de chegar e encontrá-los com meus problemas assim, psicológicos".

 

“Mas já tentei achá-los. Um vizinho viajava pra Campo Grande. Então dei uma foto minha pra ele. Ele disse que levou, mas acho que não entregou às autoridades. Sofri bastante. Imagina no Natal, Dia das Mães... Chorava, fui entrando em depressão”, lamenta.

 

A vizinha da frente, Elisia, que a amparou quando sua casa desmoronou, também tentou ajudar Raquel a localizar os filhos, porém não teve sucesso.

 

O desencontro e a saudade chegaram ao fim nesta semana, quando a reportagem do MidiaNews promoveu o reencontro da família, ainda que por telefone.

 

Raquel conseguiu, após doze anos de silêncio, conversar com Elizangela e demais filhos pelo celular.

 

“Foram mais de 2 horas e meia de conversa. Agora eu acordo e já vou pro telefone. Os filhos já estão até brigando um com outro pra falar comigo. ‘Mãe, Rosângela passou na minha frente!’”, brinca Raquel. Além disso, pôde conhecer, através de fotos, seus dois netos, que nunca viu.

 

Os irmãos – Oscar, Elizangela, Rosangela e Jaqueline – estão se organizando para visitar a mãe ainda este mês.

 

“Quando eles chegarem, eles que vão fazer almoço pra mim! (risos). Vamos ver, se vão me levar pra jantar fora, almoçar... Depois de saber que eles estão vindo, o coração não me cabe mais".

 

"Foi o que eu disse pro meu filho: você pensa que eu ria? Eu não tinha mais vontade de rir, a minha vida não tinha mais sentido”, disse Raquel, agora sorrindo, enquanto faz a maquiagem e pergunta à reportagem que roupa deveria usar para o reencontro tão esperado.

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6 Comentário(s).

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Elisangela  21.03.17 17h08
Obgd midia News por me ajudar a encontrar minha mãe vcs me ajudaram de mais agora Não vou passar dia das mães, páscoa e natal se ela Aqi pk agora ela está Aqi cmg graças a mídia News obgd por tudo msm ótimo trabalho parabéns
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Bruna France  20.03.17 15h47
Parabéns aos envolvidos na busca. Excelente matéria. Muito bom ver jornalistas usando essa ferramenta para fazer o bem.
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Elisia de Arruda xavier  20.03.17 13h41
Felizmente minha amiga conseguiu reencontrar suas filhas e seu filho e familiares.Agradeço a Deus por ter feito algo pra que seu sonho tenha sido realizado,fico muito feliz por vc,sei que agora vc voltou a viver denovo! Obrigado Deus por tudo!
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Sandra silva  19.03.17 14h22
MTu lindo está história rencontrou a minha mãe deixou eu minha irmãs qndo agente era crianças preocupei bastante ela até agora nada Leonice tostes da silva o nome dela mtu agente não saber como ele está hoje
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Alcides  19.03.17 11h18
Parabéns dona Raquel, volte pra junto de sua família e seja muito feliz!!!!
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