ENQUETES

Na sua opinião, Pedro Taques deve disputar a reeleição?

PUBLICIDADE

Cotidiano / CARNAVAL DO RIO
11.01.2017 | 14h15
Tamanho do texto A- A+

Agro teme que enredo reforce preconceito contra o setor

Entidades ligadas à produção rural se dizem “preocupadas” com a possível repercussão negativa

Ascom Famato

Clique para ampliar

Dirigentes das entidades se reuniram nesta terça-feira (10) para discutir o assunto

ÉRIKA OLIVEIRA
DA REDAÇÃO

Em meio à polêmica gerada acerca do tema escolhido pela escola Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, para o carnaval deste ano, as principais entidades ligadas ao agronegócio em Mato Grosso decidiram se manifestar nesta quarta-feira (11).

 

Os representantes dizem temer que o enredo reforce opiniões "preconceituosas e errôneas" em relação ao setor.

 

Intitulado "Xingu - O Clamor que Vem da Floresta", o samba-enredo faz uma homenagem ao Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso, e insinua que a destruição da natureza está ligada à produção do agro.

 

Por meio de nota – assim como outras associações do País -, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) declarou estar preocupada com a forma negativa com a qual a escola resolveu abordar o tema.

 

“Preocupa-nos sobremaneira a forma como a escola contextualizou o samba-enredo e as fantasias abordando negativamente alguns dos aspectos da produção, como a ocupação das terras e a utilização de defensivos”, cita trecho da nota.

 

Além de repudiarem a abordagem do samba-enredo, as entidades criticam as alas chamadas “Fazendeiros e Seus Agrotóxicos” e “Pragas e Doenças”, bem como as fantasias confeccionadas pela escola por “denegrirem” a imagem do setor.

 

A escola, que integra o Grupo Especial do carnaval carioca, vai se apresentar no Sambódromo da Avenida Marquês de Sapucaí no dia 26 de fevereiro à 0h50, com transmissão ao vivo pela Rede Globo.

 

A música escolhida pela Imperatriz para o carnaval deste ano, em alguns trechos, diz que “o belo monstro rouba as terras dos seus filhos, devora as matas e seca os rios”.

Reprodução

logo samba enredo

O samba-enredo faz uma homenagem ao Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso

 

A composição é de Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna, e o responsável pelo desfile é carnavalesco Cahê Rodrigues.

 

A nota emitida pela Famato é subescrita ainda pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e pela Aprosoja Brasil.

 

No comunicado oficial, as entidades ressaltam que “o agro também é motivo de orgulho” e afirmam que os avanços tecnológicos permitiram que a produção no Brasil, hoje, ocorra de maneira sustentável.

 

“Respeitamos a licença poética dos carnavalescos, mas esperamos que a criatividade artística não reforce opiniões preconceituosas e errôneas sobre a atividade agropecuária com informações que não correspondem à realidade de quem vive o campo”, defendem.

 

Por fim, a nota diz que o agronegócio respeita normas rigorosas para garantir a preservação do meio ambiente e que resguardam em sua produção, as espécies nativas e as terras indígenas.

 

“Somos o único país com 61% das espécies nativas resguardadas em terras indígenas, unidades de conservação da biodiversidade, Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Somente 27,7% do território brasileiro é destinado à agropecuária. O Agro brasileiro é obediente a uma das mais severas e rigorosas legislações sociais e ambientais do mundo”.

 

Confira a íntegra do comunicado:

 

"Entidades do Agro de Mato Grosso e Aprosoja Brasil se posicionam sobre samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense

 

O Brasil já foi reconhecido internacionalmente como o país do futebol e do Carnaval. Hoje a realidade é outra: também somos reconhecidos como grande líder na produção de alimentos de forma sustentável, destacando-nos fortemente frente a outros países no mundo. Conquistamos estas posições graças ao talento, à criatividade e ao trabalho do povo brasileiro.

 

Por respeitar a manifestação cultural do Carnaval e reconhecer seu poder em divulgar a cultura e a história brasileiras, as entidades que representam a agricultura e pecuária de Mato Grosso e a Aprosoja Brasil vêm a público manifestar sua preocupação na forma com que a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense irá abordar a atividade agropecuária no seu samba-enredo deste ano, cujo tema é “Xingu, o Clamor da Floresta”.

 

Preocupa-nos sobremaneira a forma como a escola contextualizou o samba-enredo e as fantasias abordando negativamente alguns dos aspectos da produção, como a ocupação das terras e a utilização de defensivos.

 

Se não fosse a evolução tecnológica que conquistamos ao longo dos anos, certamente não chegaríamos à produção sustentável que temos hoje, que permite elevar a produção de alimentos na mesma área, sem a necessidade de novas aberturas.

 

Como disse o ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1970, Norman Ernest Borlaug, referindo-se a agricultura mundial: “Para aqueles cuja principal preocupação é defender o ‘ambiente’, vamos olhar o impacto que a aplicação da agricultura baseada na ciência teve sobre o uso da terra. Se a produtividade dos cereais de 1950 tivesse permanecido em 1999, teríamos precisado de 1,8 bilhão de hectares adicionais de terra da mesma qualidade, em vez dos 600 milhões que foram usados”.

 

Respeitamos a licença poética dos carnavalescos, mas esperamos que a criatividade artística não reforce opiniões preconceituosas e errôneas sobre a atividade agropecuária com informações que não correspondem à realidade de quem vive o campo.

 

Somos o único país com 61% das espécies nativas resguardadas em terras indígenas, unidades de conservação da biodiversidade, Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Somente 27,7% do território brasileiro é destinado à agropecuária. O Agro brasileiro é obediente a uma das mais severas e rigorosas legislações sociais e ambientais do mundo.

 

O Agro também é motivo de orgulho.

 

FAMATO – Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso

 

ACRISMAT – Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso

 

AMPA – Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão

 

APROSMAT – Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso

 

APROSOJA – Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso

 

APROSOJA BRASIL – Associação dos Produtores de Soja do Brasil"

 

Leia mais:

 

Enredo de escola de samba carioca revolta o agronegócio em MT

 

 

 




Clique aqui e faça seu comentário


7 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Yara  12.01.17 09h12
Parabéns a Imperatriz! A ganancia dos grandes produtores está destruindo o solo mato-grossense, além de dizimarem inúmeras tribos indígenas. Ladrões do solo, nem pagam impostos. Quem em 2017 todos esses produtores amarguem suas sojas nas suas fazendas. Que os países embarguem as exportações e que vocês quebrem e passem a carpir as ervas daninhas do solo que vocês adoeceram.
3
0
JOÃO ATUNES  11.01.17 19h25
Todos os dias vários hectares de floresta amazônica são derrubados para implementação de soja. O povo brasileiro não come soja. Soja transgênica, banhada de agrotóxico. Até no leite materno tem agrotóxico. Quem alimenta a população é a agricultura familiar, não o agronegócio desmatador de floresta. Ficam que esse papo de sustentabilidade, não sem a quem querem enganar. Não têm nada de sustentável.
3
0
Cristina Lemos  11.01.17 18h47
IMPERATRIZ SAIRÁ CAMPEÃ! ESSAS ENTIDADES ESTÃO ACABANDO COM O MEIO AMBIENTE, APENAS ELES ENRIQUECEM A CUSTA DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL! SALVE IMPERATRIZ LEOPOLDINESE!
3
0
Fatima  11.01.17 18h28
A REALIDADE É TRISTE E AGORA O ENREDO DA IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE VEM ALERTAR SOBRE A FLORESTA DO ESTADO DE MATO-GROSSO QUE VEM SOFRENDO BASTANTE COM O DESMATAMENTO NOS ÚLTIMOS ANOS A BUSCA INCESSANTE PELO LUCRO E O COMODISMO DAS NOSSAS AUTORIDADES SÃO AS PRINCIPAIS CAUSAS DESTE TRÁGICO PROBLEMA, E AINDA MAIS A PORTA DO ESTADO ESTÁ ABERTA( SEM FISCALIZAÇÃO )PARA O TRANSPORTE DE MADEIRAS ILEGAIS COMO A CASTANHEIRA (PROIBIDA DE CORTE) E TANTAS OUTRAS E DESDE 2012 OS DEPUTADOS E O GOVERNO ACABARAM COM A FISCALIZAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DE MADEIRAS.
3
0
carlos augusto  11.01.17 15h38
Parabéns a Imperatriz Leopoldinense pela coragem e comprometimento com a questão ambiental. O agronegócio planta soja e rega com muito agrotóxico!!!! Soja é alimento??? só para os animais... ou a margarina, que alias, pode ficar fora da geladeira que não estraga. Nem mosca pousa...
21
8

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

1999-2017 MidiaNews - Credibilidade em Tempo Real - Tel.: (65) 3027-5770 - Todos os direitos reservados