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Cotidiano / DEU NA "FOLHA DE S.PAULO"
25.05.2014 | 00h57
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Empresa que levou mais de R$ 300 milhões é alvo da PF

Trimec Construções e Terraplenagem foi alvo de busca e apreensão e é investigada

Divulgação

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O governador Silval Barbosa, que foi alvo de busca e apreensão da PF

RODRIGO VARGAS E THIAGO GUIMARÃES
DA FOLHA DE SÃO PAULO E AGÊNCIA FOLHA
Uma empreiteira que recebeu mais de R$ 300 milhões do governo de Mato Grosso desde 2007 é um dos principais alvos da operação Ararath, da Polícia Federal.

A operação, que teve a quinta fase deflagrada nesta semana, investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos com braços em todos os Poderes de MT.

A Trimec Construções e Terraplenagem, do empresário Wanderley Torres, recebeu cerca de R$ 310 milhões do governo desde 2007, nas gestões Blairo Maggi (2003-2010), atual senador pelo PR, e Silval Barbosa (PMDB).

Todos são investigados na operação. Na última terça (20), a PF fez buscas na casa do governador e chegou a prendê-lo por posse ilegal de arma - ele pagou R$ 100 mil de fiança e foi liberado.

Também houve busca e apreensão na sede da Trimec em Cuiabá, na casa do empresário Torres e em outras duas empresas do grupo. A PF pediu buscas contra Maggi, negadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Nesta semana foram presos Éder Moraes (PMDB), secretário da Fazenda na gestão Maggi e da Copa no governo Barbosa, e o deputado estadual José Riva (PSD), presidente afastado da Asssembleia Legislativa de Mato Grosso – este teve a prisão revogada nesta sexta (23).

A principal testemunha do caso é o empresário Gércio Mendonça Júnior, das firmas Amazônia Petróleo (rede de postos de combustíveis) e Globo Fomento (factoring).

A suspeita é que as firmas do empresário funcionassem como um "banco clandestino", recebendo empréstimos privados fraudulentos e dinheiro público desviado. Só a conta pessoal e de quatro empresas de Mendonça Jr. movimentaram mais de R$ 500 milhões de 2004 a 2010.

Conhecido como Júnior Mendonça, ele resolveu colaborar com as investigações em fevereiro deste ano e presta informações em regime de delação premiada (em troca de benefícios na acusação).

A Folha mostrou que apenas a Amazônia Petróleo recebeu ao menos R$ 12,1 milhões da gestão Barbosa desde 2011, e já manteve desde 2009 contratos com Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça e Prefeitura de Cuiabá, entre outros órgãos.

Interceptações telefônicas na operação mostraram que Mendonça Jr. ligou para o celular do governador em janeiro de 2012 para marcar uma reunião.

O empresário também disse ter emprestado, a pedido de Barbosa, R$ 4 milhões para a campanha do governador em 2010, além de ter pago gastos com pesquisas (R$ 300 mil) e convenção partidária (R$ 150 mil).

Precatório e suspeita de lavagem de dinheiro

Em depoimento à PF, Mendonça Jr. disse que em 2008 emprestou outros R$ 4 milhões a Barbosa, que à época era vice-governador. Essa operação, segundo o delator, teria dado origem ao suposto esquema de "banco clandestino" envolvendo políticos do Estado.

Ele diz que, em março de 2009, foi cobrar a dívida de Barbosa recorrendo a Moraes, então secretário da Fazenda.

Moraes, segundo ele, pediu então que recebesse um depósito de R$ 5,25 milhões da Tocantins Advocacia, um escritório de advogados de Cuiabá (MT) -transferência comprovada em quebra de sigilo bancário.

O então secretário da Fazenda disse, segundo Mendonça Jr., que esse dinheiro era parte de R$ 9,5 milhões que ele, Moraes, tinha a receber do escritório de advocacia.

Moraes afirmou ainda, sempre segundo a delação de Mendonça Jr., que o dono do escritório de advocacia havia aberto uma conta com Wanderley Torres, dono da Trimec, para receber R$ 19 milhões de um precatório (dívida do Estado de MT paga por ordem judicial).

O precatório em questão, conforme atestou o Tribunal de Contas do Estado, "furou a fila" desses pagamentos, que têm que seguir uma série de prioridades. Isso ocorreu em 2007, na gestão Blairo, de quem Barbosa foi vice.

"Esse dinheiro, conforme relatado por Gércio Júnior, tinha como destinatários conhecidos Éder Moraes e Silval Barbosa (incluindo o pagamento do empréstimo por este tomador)", diz trecho da decisão do juiz federal Jeferson Schneider, que autorizou as ações da operação nesta semana.

A PF suspeita ainda que a Trimec tenha alimentado o "banco clandestino" operado por Mendonça Jr.

"Existem empréstimos da Trimec [...] incluídos nas hipóteses de empréstimos fraudulentos por terem os recursos como destinatários, de fato, integrantes do núcleo político da organização criminosa"de, especialmente Silval da Cunha Barbosa", diz trecho da decisão de Schneider.

O Ministério Público Federal abriu no mês passado uma investigação sobre contratos da Trimec com a gestão Barbosa, e a oposição ao governador na Assembleia tenta aprovar uma CPI sobre o assunto.

Outro lado


O advogado do governador Silval Barbosa, Ulisses Rabaneda, afirmou que a defesa só irá se manifestar após obter acesso ao inteiro teor da investigação. "Não temos nem elementos para nos manifestarmos", disse.

A reportagem não conseguiu contato com a Trimec nem com o dono, Wanderley Torres. Ninguém atendeu na sede da empreiteira.

Também não houve resposta a chamadas feitas para a sede da Tocantins Advocacia.

A reportagem deixou recado no celular do advogado de Éder Moraes e aguarda resposta.



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13 Comentário(s).

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Ze Luiz  26.05.14 12h04
E pensar que toda essa bandalheira, essa administração que esta instalada no estado, nasceu no governo Blairo Maggi, ate entao, ninguém sequer tinha ouvido falar em Eder Moraes, em Mauro Mendes, Pagot, um monte de empreiteiras novas, que vieram na esteira desse governo, e que ai estão, mostrando a que vieram, um discurso moralista, de empresário, nao políticos, Mato grosso precisa e de Políticos sim, mas políticos sérios que nao tiveram seu nome envolvido em tanto escândalo, nos mato-grossenses, em especial, cuiabanos da baixada, esperávamos na oportunidade de uma copa de mundo em Cuiabá, o nosso nome ser projetado positivamente ao resto do mundo, e infelizmente uma catástrofe anunciada, e a Secopa, sempre, com um ar de tranquilidade, dando datas e mais datas, e dizendo que tudo estaria pronto a tempo e com qualidade, nem uma coisa nem outra, ainda nos querem fazer engolira, mais justificativas sem consistência, e pensando que mais uma vez vao nos fazer de idiotas, pois e assim que sempre trataram quando falam da Cuiabania, vergonha, nacional e internacional.
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henrique bastos  25.05.14 21h17
henrique bastos, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Messias Junior  25.05.14 20h38
Messias Junior, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Antonio Velasco  25.05.14 20h28
E OS DEPUTADOS NÃO VÃO PEDIR UMA CPI PARA INVESTIGAR O GOVERNADOR SILVAL. VAMOS LÁ DEPUTADA LUCIANE BEZERRA, DILCEU DAL BOSCO E OUTROS, OU SERÁ QUE TODOS VÃO SE CALAR!!! ABRA O OLHO POVO DE MATO GROSSO COM ESTES DEPUTADOS EM OUTUBRO ELE VÃO PEDIR VOTOS.
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Marcos  25.05.14 20h01
Marcos, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas

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