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Brasil / EM SP
06.08.2017 | 11h24
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Falsa grávida acreditava na própria mentira, diz casal: 'parece filme'

Jovem inventou gravidez após término de namoro e organizou festa de aniversário sem bebê

Reprodução

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Pâmela Serveli segura Laura, filha de outro casal em Ribeirão Preto, SP

DO G1

A atendente de supermercado Emily Maganha mudou sua rotina temendo pela integridade de sua filha Laura, de 1 ano. Laura foi o nome usado por Pâmela Serveli, de 24 anos, em uma gravidez inventada para chantagear o ex-namorado Vitor Sedassare em Ribeirão Preto (SP).

 

Responsável por ajudar a polícia a desfazer a mentira no dia em que a suposta mãe promoveu uma festa de 1 ano para a filha que não existia, Emily conta que, na mesma data, em 11 de julho, Pâmela mandou três conhecidos até a casa dela para tentar tomar sua criança à força. Ela também relata que a mãe da falsa grávida encampou a história e chegou a cogitar um exame de DNA.

 

“Muito louca, se eu conto ninguém acredita, não dá pra acreditar. Parece filme, mentira, que ela queria pegar minha filha mesmo. Acho que ela acreditava que a Laura era filha dela, pra mim é isso: ela acreditava e ela queria levar à festa”, diz.

 

Segundo o advogado de defesa de Pâmela, a família da suspeita diz que a jovem está em tratamento psiquiátrico desde janeiro deste ano.

 

Do primeiro contato às ameaças
 

Emily relata que conheceu Pâmela por intermédio de uma amiga em comum e que, desde então, mantinham contato apenas pelas redes sociais. Foi pela internet que ela disse ter acompanhado a suposta gravidez de Pâmela por publicações de fotos. A atendente conta que a própria Pâmela pediu, certo dia, para visitá-la e conhecer Laura.

 

De acordo com Emily, Pâmela aproveitou a ocasião para tirar uma foto com a menina no colo, pedido que, segundo ela, foi atendido. A imagem, mais tarde, teria sido usada pela falsa grávida para corroborar a história nas redes sociais.

 

"Ela me contou que a filha dela estava doente no hospital, eu fiquei com dó. Ela falou: eu posso ver sua filha? Eu falei: pode. Ela foi lá em casa. A única vez que ela foi lá em casa foi esse dia pra ver minha filha", conta.

 

Emily afirma que somente desconfiou das reais intenções de Pâmela quando três homens visitaram sua casa para levar Laura. Foi o marido da atendente, Guilherme Biagini, quem disse ter falado com o trio.

 

Segundo ele, os visitantes desconhecidos disseram que Pâmela havia lhes dito ser a verdadeira mãe de Laura e que o casal não queria devolver a menina. Diante da recusa dele em entregar a criança, os três homens teriam ameaçado voltar ao local posteriormente.

 

"Contaram uma história que a Pâmela contou pra eles, que deixou a filha dela para nós criarmos e que a gente não estava querendo devolver ela e eles foram buscar minha filha. Questionei: eu tenho como provar que ela é minha filha. E eles não acreditaram, falaram que queriam levar de qualquer jeito e que iam voltar depois pra resolver o assunto", afirma.

 

Pedido de DNA
 

Emily, que estava no trabalho quando isso aconteceu, conta que, assim que soube do ocorrido por uma ligação do marido, ligou para uma amiga mais próxima de Pâmela e chamou a polícia.

 

"Cheguei em casa, a polícia chegou em seguida, os três caras não estavam. Essa minha amiga chegou e entrou em contato com o irmão da Pâmela. O irmão da Pâmela foi lá na minha casa, conversou com o policial e falou: nunca teve criança na minha casa, eu nunca vi", afirma.

 

Por meio do irmão de Pâmela, segundo ela, Emily soube da festa de R$ 3 mil que a falsa grávida havia preparado para comemorar um ano de Laura. Ao se dirigir ao bufê onde acontecia a festa, ela conta que começou uma discussão com a suspeita e a mãe dela, que teria solicitado um exame de DNA na menina.

 

Confusão presenciada pelos convidados. "A mãe dela falou, tinha certeza que era filha da Pamela, e queria fazer um teste de DNA."

 

Emily também afirma que a família do ex-namorado de Pâmela chegou a ir à festa para confirmar as suspeitas sobre a falsa gravidez. "A Pâmela e a mãe dela foram para dentro do salão, aí foi quando a gente conversou com a família do suposto pai. A gente conversou e ele contou que ela o enganou durante um ano, que eles tinham uma criança, que eles foram à festa para ver se tinha criança mesmo."

 

Mesmo depois da intervenção da polícia no caso, Emily conta que ficou uma semana na casa de sua irmã com medo do que poderia acontecer com sua filha. "Os caras falaram que iam voltar. Se ela é capaz de mandar três caras pegarem minha filha ela é capaz de tudo."

 

Agora, ela diz viver em constante estado de alerta. "A gente não sai, na escola eu reforcei que só eu e minha mãe podem ir buscar, se alguém for lá é ligar pra mim, pra ligar pra polícia, que não é pra tirar."

 

O caso
 

O motorista Victor Sedassare e Pâmela namoraram por quatro anos e terminaram o relacionamento em 2015, mas a jovem não aceitava o fim da relação. Pouco tempo após o último encontro, ela procurou o jovem para contar que estava grávida e apresentou um exame, que comprovava a gestação.

 

Segundo a família de Sedassare, Pâmela entrou na Justiça para obrigar o ex-namorado a custear as despesas da gestação, e conseguiu uma decisão favorável. Após o nascimento da criança, no entanto, o rapaz nunca conseguiu ver a menina, chamada de Laura pela mãe.

 

Desconfiada do comportamento de Pâmela, a mãe do motorista diz que há quatro meses busca evidências sobre a existência da neta. Rosa Helena Sedassare conta que foram várias tentativas frustradas de conhecer Laura.




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