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Brasil / DEU NA FOLHA
14.04.2017 | 08h30
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Brasil já registra suicídios e mutilações ligados ao jogo "Baleia Azul"

Em MT, menina de 16 anos teria morrido ao participar de desafio; Polícia instaurou inquérito

Reprodução

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Painel pintado por alunos do 4º ano de medicina da USP no subsolo da faculdade; turma registrou três tentativas de suicídio nas últimas semanas

CLÁUDIA COLLUCCI
DA FOLHA DE S.PAULO

Não bastassem as recentes tentativas de suicídio envolvendo estudantes da USP e toda a polêmica envolvendo a recém-lançada série "13 Reasons Why" (algo como 13 razões pelas quais), da Netflix, uma nova brincadeira macabra tem sido registrada em vários Estados brasileiros.

 

Trata-se de um suposto jogo de incentivo ao suicídio, o "Blue Whale", ou o desafio da Baleia Azul, que teve origem nas redes sociais da Rússia.

 

Nele, os adolescentes são previamente selecionados para participar de 50 desafios, cumprindo tarefas que incluem escrever frases e fazer desenhos com lâminas na palma da mão e nos braços, assistir a filmes de terror de madrugada, subir no alto de um telhado ou edifício, escutar músicas depressivas, mutilar partes do corpo. A última "missão" é a morte.

 

Ao menos três Estados brasileiros (Mato Grosso, Minas Gerais e Paraíba) estão investigando casos de suicídio e de mutilações relacionadas ao jogo.

 

Em Vila Rica (MT), uma menina de 16 anos cometeu suicídio na terça (11). Segundo a polícia, ela deixou duas cartas onde falava sobre as regras e a cronologia das ações a serem cumpridas e também apresentava alguns cortes nos braços e coxas.

 

À revista "Veja", a mãe da garota relatou que a filha havia mudado de comportamento nos últimos dois meses e que encontrou um papel em que a estudante havia escrito com a própria letra regras a serem cumpridas, como "abrace os seus pais e diga a eles que os ama", "peça desculpas", "tire a sua vida". O documento está com a polícia.

 

Em Pará de Minas (MG), a polícia investiga a morte de um jovem de 19 anos que, segundo a família, também estava participando do "Baleia Azul". À polícia, a mãe do jovem relatou que ele vinha tentando deixar o grupo, mas sofria uma pressão muito grande e nos últimos dias agia de forma estranha.

 

Afirmou ainda que ele já tinha cumprido alguns desafios, como tirar uma fotografia assistindo a um filme de terror, filmar a ele mesmo no alto de um edifício e chegou a se cortar tentando desenhar uma baleia no braço com uma lâmina de barbear quebrada, desafio que não terminou.

 

A Polícia Civil mineira, que investiga o caso, diz que o grupo que Gabriel participava está sendo investigado e foram encontrados participantes com idades entre 10 e 20 anos de todos os Estados brasileiros.

 

Na Paraíba, o setor de inteligência da Polícia Militar abriu na terça-feira (11) uma investigação para apurar a participação de estudantes de João Pessoa no "desafio da Baleia Azul". As denúncias são de que alunos de uma escola da capital estariam participando do grupo e já teriam realizado "tarefas" de automutilação.

 

Essa é uma situação muito séria. E é preciso um especial cuidado na forma como essas notícias estão sendo divulgadas. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), quando o assunto é veiculado ao público de modo adequado, pode ocorrer o efeito de prevenção de mortes e discussão saudável.

 

Por outro lado, quando feito de modo descuidado, o resultado pode ser exatamente o oposto. Um manual da OMS orienta, por exemplo, que devem ser evitadas descrições do método usado para provocar a morte.

 

O número de suicídios entre jovens tem aumentado em todo o mundo e, na maioria dos casos, há algum transtorno mental associado, em geral, a depressão.

 

Por isso, pais, muita atenção com seus filhos adolescentes, especialmente quando apresentarem mudanças bruscas de comportamento. Nos dois casos relatados acima, no Mato Grosso e em Minas, os jovens deram sinais de havia algo errado. Infelizmente, não houve tempo hábil para nenhuma intervenção.

 

O "desafio da baleia azul" é também um caso de polícia. Instigar uma pessoa ao suicídio é crime, passível de pena de dois a seis anos de prisão. Se souber de grupos incentivando o jogo, denuncie.

 

E, por fim, não custa lembrar que o CVV (Centro de Valorização da Vida) presta um serviço incrível por meio do telefone 141. Também é possível entrar em contato e receber apoio emocional via internet, a partir de email, chat e Skype 24 horas por dia.

 

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