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Brasil / PATRIOTISMO SEM LIMITES
02.09.2017 | 20h00
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A brasileira que se disfarçou de homem para lutar na Guerra do Paraguai

Jovita Feitosa cortou os cabelos e usou chapéu na tentativa de se fingir de homem para combater contra o Paraguai, mas o disfarce foi revelado antes que ela pudesse chegar ao campo de batalha

(Foto: Arquivo Nacional)

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do G 1

Atravessando o machismo que é próprio da História, a cearense Antônia Alves Feitosa, a Jovita Feitosa, deixou sua marca como mulher e personalidade histórica ao se voluntariar para a guerra do Paraguai, em 1865. À época, mulheres não eram aceitas como soldados pelo exército, e, para driblar a proibição, ela resolveu criar um disfarce, cortando o cabelo e usando chapéu.

 

O historiador Airton de Farias afirma que a figura de Jovita Feitosa prova a existência de outros lados de uma História normalmente concentrada em homens ou heróis, tanto no Brasil quanto no Ceará. “Isso chama atenção por si só. A trajetória dela foi muito interessante. Uma mulher que decidiu lutar na guerra numa época que não era possível, mostra o nacionalismo que marca o Brasil no século XIX.”

 

Nome de uma importante avenida em Fortaleza, Jovita Feitosa nasceu na localidade de Brejo Seco, região dos Inhamuns, no Ceará, em 1848. Aos 12 anos, ficou órfã de mãe e foi morar com um tio, no Piauí. Fugiu aos 17 anos para Teresina, com o propósito de ir à guerra do Paraguai. “A guerra mobilizou o sentimento do povo brasileiro contra o inimigo, no caso, o paraguaio. Mostra o nacionalismo da época, a ponto de uma mulher se engajar, se dedicar, cortar os cabelos… o governo acabou usando ela como propaganda”, conta Airton.

 

 

Disfarce revelado

O disfarce de Jovita foi descoberto antes mesmo que ela fosse à batalha. No entanto, representando um incentivo à luta, ela ainda seguiu com um dos batalhões para o Rio de Janeiro.

Para o historiador, Jovita virou sinônimo de amor pelo país e ganhou destaque na imprensa, como uma espécie de estímulo a quem ainda não tinha despertado interesse pela luta, diante de um exército reduzido a 18 mil homens e reforçado por voluntários. Mas em novembro de 1865, o ministro da guerra expediu ofício impedindo que ela fosse à guerra.

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Airton de Farias explica que a maior parte do autores sustenta a versão de que Jovita Feitosa não esteve no confronto. Ainda assim, a cearense, com traços de índia e estatura mediana, virou um dos símbolos da guerra do Paraguai. “É uma figura que permite várias leituras do Brasil e do Ceará no século XIX. Da história feminina, do nacionalismo imperial, o uso da propaganda, e também a questão social, da relação machista da história.”

No livro História da Sociedade Cearense, Airton de Farias narra que, ainda jovem, Jovita Feitosa se envolveu com um inglês e passou a viver com ele, até que o homem foi embora para o país de origem sem comunicá-la. Aos 19 anos, sofrendo de depressão, Jovita Feitosa se mata com “uma punhalada no coração”, em 1867

 

Tríplica Aliança contra o Paraguai

A Guerra do Paraguai foi travada entre Brasil, Uruguai e Argentina - a Tríplica Aliança - de um lado, contra o Paraguai. O paraguaio Solano López declarou guerra ao Brasil em 13 de dezembro de 1864 e, em seguida, invadiu a região que hoje corresponde a Mato Grosso do Sul. No mesmo ano, o Brasil havia invadido o Uruguai e destituído o presidente.

 

Os motivos que levaram López a declarar guerra ao Brasil são controversos. No entanto, os estudiosos concordam que o conflito teve consequências que ainda não foram superadas pelo Paraguai. Além de perder parte de seu território, o país teve sua infraestrutura destruída e viu o extermínio da quase totalidade de sua população.

O líder paraguaio foi morto em Cerro Corá, em 1º de março de 1870. O líder paraguaio foi ferido com um golpe de lança pelo brasileiro José Francisco Lacerda, o Chico Diabo, e foi atingido por um tiro de fuzil. A morte de López encerra a guerra.

 

 

Fonte     http://g1.globo.com/ceara/noticia/a-brasileira-que-se-disfarcou-de-homem-para-lutar-na-guerra-do-paraguai.ghtml

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