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Agronegócios / SETOR AGROINDUSTRIAL
07.01.2018 | 23h30
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Queijo canastra deixa a roça para ganhar o mundo

Jovens fabricantes conquistam prêmios internacionais que criam novo mercado

Foto DOUGLAS MAGNO

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de o TEMPO

Ao lado da águia com um queijo no bico, tatuada no braço direito, está a data da primeira grande conquista de Guilherme Ferreira, 31 anos. No dia 8 de junho de 2015, o veterinário que largou tudo para fazer queijo na Serra da Canastra, no interior de Minas Gerais, tornou-se o primeiro brasileiro a ganhar uma medalha no Mondial du Fromage, na França – berço dos melhores queijos do mundo.

A premiação não só ajudou Ferreira a se firmar na produção de queijos artesanais como transformou a comunidade da Serra da Canastra em vitrine para o Brasil. Nascido em Limeira, no interior de São Paulo, Ferreira resgatou uma cultura que começou com os avós, em São Roque de Minas, e foi interrompida pelo pai quando mudou-se da cidade.

Mas o gosto pela vida simples da roça levou o recém-formado veterinário para a região. No começo, exercia a profissão nas fazendas, mas o trabalho durou pouco. Hoje ele faz parte de uma nova geração que está transformando o processo de produção do tradicional queijo canastra – elevado à categoria gourmet e vendido em grandes empórios de São Paulo e Rio de Janeiro. “Comecei a resgatar tudo, das práticas usadas pelos parentes antigos à raça de gado caracu, que dá menos leite, mas mais saboroso. Foi assim que surgiu o Capim Canastra (marca de seu queijo)”.

Como Ferreira, outros jovens desistiram de carreiras promissoras para assumir o negócio dos pais e melhorar o valor agregado do produto, que agora conta com vários prêmios internacionais. Na bagagem, eles trazem o frescor de quem acaba de sair da faculdade, com ideias inovadoras e muita tecnologia. A receita do queijo canastra – herança da culinária portuguesa – continua a mesma.

O queijo canastra, considerado patrimônio cultural imaterial brasileiro, é produzido em sete municípios nas redondezas da Serra da Canastra, local que abriga um parque estadual e onde fica a nascente do Rio São Francisco.

Feito de leite cru, o queijo exige dedicação integral e precisa ser fabricado logo após a ordenha. Ou seja, os produtores não param nem sábado, domingo ou feriados. Foi essa rotina dura que tirou Hugo Faria Leite, de 24 anos, de um famoso escritório de arquitetura em Belo Horizonte para a Roça da Cidade – fazenda que dá nome ao queijo feito pela família. Leite estudou um ano em Turim, na Itália, e seis meses na Inglaterra, mas desde julho do ano passado se dedica inteiramente à queijaria em São Roque de Minas, cidade de 7 mil habitantes.

 

De lá para cá, ele provocou uma revolução na empresa. As mudanças estão em cada detalhe, das embalagens personalizadas ao planejamento e organização da queijaria. “Temos um histórico de tudo que os clientes compram, de como eles gostam do queijo e quando cada um comprou”, diz Leite.

 

Tradição passada entre as gerações

 

Desde que o pai morreu, no fim da década de 90, Carlos Henrique Soares preferiu vender o leite a fabricar o queijo. Não era por falta de gosto, mas por uma questão financeira, já que o preço do queijo era baixo. Na sua família, a tradição começou com o bisavô. Soares lembra que, aos cinco anos, aprendeu com o avô a fazer o “merendeiro” (queijo menor e mais baixo que o tradicional) para vender.

Ele voltou a fazer queijo em julho de 2015. Nessa época, o filho Henrique Vieira Soares estava estudando em Bambuí, cidade vizinha de São Roque de Minas, e voltava só nos fins de semana. Foi nessas idas e vindas que o filho também se encantou pela tradição.

Contra a vontade dos pais, ele decidiu ficar na fazenda e abandonar os planos de estudar veterinária. “Fui criado aqui e tenho muito orgulho disso tudo”, afirma Henrique, que hoje tem 18 anos e ao lado do pai é responsável pela produção do queijo Capão Grande, já reconhecido em vários locais do país.

 

Fonte      http://www.otempo.com.br/capa/economia/queijo-canastra-deixa-a-ro%C3%A7a-para-ganhar-o-mundo-1.1560007




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