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Agronegócios / AGROPRODUÇÃO/soja
18.06.2017 | 08h00
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Diagnóstico mostrará como reduzir perdas e elevar qualidade da soja brasileira

Na safra 2014/2015, seis por cento da produção brasileira de grãos de soja teve algum tipo defeito, indicando que existe espaço para melhoria na qualidade da soja brasileira

DO PORTAL DO AGRONEGÓCIO

Na safra 2014/2015, seis por cento da produção brasileira de grãos de soja teve algum tipo defeito, indicando que existe espaço para melhoria na qualidade da soja brasileira. Esse é um dos dados de um estudo inédito da Embrapa Soja (PR), realizado junto ao setor produtivo, que acompanhará quatro safras consecutivas da soja e gerará soluções para incrementar a qualidade de soja no Brasil. “Esse monitoramento revela como algumas práticas de produção podem melhorar ou piorar a qualidade do grão e da semente comercializados. Conhecendo a fundo esses aspectos, podemos ajudar o Brasil a alcançar novos patamares de qualidade”, explica Irineu Lorini, pesquisador da Embrapa Soja e coordenador do estudo que acompanhará os resultados das safras brasileiras até 2017/2018.

Os primeiros dados, obtidos no monitoramento da safra 2014/2015, já fornecem subsídios importantes para a adoção de melhorias. Lorini explica que a média de grãos avariados foi de 6%, e esse grupo soma os grãos mofados, ardidos, queimados, fermentados, imaturos, chochos, germinados e danificados por percevejo. Apesar de estar dentro da exigência legal brasileira, cuja determinação é para que o armazenador tolere até 8%, há regiões que apresentaram amostras de até 30% de grãos avariados. “Esses casos representam prejuízo para o produtor, porque o armazenador pode descontar o percentual que estiver avariado, já que esse material tem baixa qualidade para a indústria”, avalia o cientista da Embrapa. “Temos condições de melhorar esse índice, beneficiando tanto produtor como a indústria”, defende.

Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o índice de dano causado por percevejos nos grãos de soja. Os maiores índices foram registrados no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, com percentagem das amostras variando de 25% a 35% de grãos danificados pela praga. “Isso indica que é preciso investir mais no Manejo Integrado de Pragas nas lavouras de soja para reduzir esse índice”, avalia Lorini. “Também destaco como elevados os danos mecânicos e alguns defeitos dos grãos. Por isso, é preciso melhorar o manejo da colheita e do processamento para se obter redução nesses danos”, recomenda.

Teor de proteína, óleo e clorofila nos grãos

Com relação ao teor de proteínas da soja, cuja média nacional foi 36,18%, houve grande variação entre as microrregiões de cada estado, com amostras entre 30 e 41% de teor de proteína no grão. Os teores mais altos de proteínas foram encontrados nos estados de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, e os teores mais baixos no Estado de São Paulo.

Quanto mais alto o teor de proteínas nos grãos, tanto melhor será para a produção de farelos com teores de proteína mínimos exigidos pela legislação, atingindo-se até o ideal para a produção do farelo com alto teor de proteína (farelo HIPRO que contém 48% de proteínas e máximo de 2,0% de gordura). “Quanto maior o teor de proteínas nos grãos utilizados como matéria-prima para produzir farelos, tanto menores serão os processos utilizados pela indústria para se adequar aos padrões”, explica o pesquisador José Marcos Gontijo Mandarino, da Embrapa Soja.

No indicador referente ao teor de óleo, a média nacional foi em torno de 22%, não se observou grande variação entre as microrregiões dos estados e nem entre os estados. “Esse valor é considerado muito bom pelas indústrias esmagadoras de grãos e produtoras dos diferentes tipos de óleo de soja comercializado”, explica Mandarino.

Já o índice de acidez do óleo médio registrado no Brasil foi de 2,24%. O Estado estado de Goiás apresentou médias superiores a 4% nos grãos, o que é bem superior ao 0,7% que a indústria preconiza para o índice ótimo de acidez no óleo do grão de soja. “Por outro lado, Santa Catarina apresentou os menores índices de acidez, com média de 1,06%, bastante próximos do ótimo preconizado pela indústria”, salienta o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja. As diferenças entre os estados são atribuídas a diferentes condições climáticas e de manejo da cultura.

Pesquisadores da Embrapa também avaliaram a presença de clorofila nas amostras. A clorofila é o pigmento responsável por captar a luz e garantir que a planta produza energia, via fotossíntese. O problema é que a presença de clorofila nos grãos colhidos está associada aos grãos verdes, o que é indesejável. “Esses grãos verdes acarretarão prejuízos para a indústria de extração de óleo, devido ao maior gasto para efetuar o clareamento do óleo”, explica Oliveira. A Bahia apresentou a maior média de grãos verdes (10,77 miligramas por quilo), e os menores índices foram em Santa Catarina (média de 0,96 miligramas por quilo) e Mato Grosso (média de 1,42 miligramas por quilo).

Estudo traça projeta raio X da semente de soja

Na safra de 2014/2015, o Brasil produziu 2,3 milhões de toneladas de sementes de soja, o que representa 63% de todas as sementes utilizadas no País, de acordo com a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). “Por estarmos em uma região de clima tropical, a produção de sementes de qualidade só é possível, mediante a adoção de técnicas especiais”, explica o pesquisador José de Barros França Neto, da Embrapa Soja.

Do ponto de vista sanitário, a qualidade da semente foi muito boa, na safra 2014/2015. “Houve casos bastante pontuais com problema de infecção de fungos ou presença de bactérias”, explica o pesquisador Ademir Assis Henning, da Embrapa Soja. O patógeno de maior ocorrência foi o fungo Cercospora kikuchii, que causa a mancha púrpura da semente e que pode ocasionar as chamadas doenças de final de ciclo (DFCs). “Na semente, este fungo não causa problemas e é facilmente controlado pelos fungicidas usados no tratamento de sementes”, salienta Henning.

Capacitação para redução de danos mecânicos

Os danos mecânicos, provocados especialmente durante a colheita, foram considerados expressivos pelos pesquisadores. Os mais altos índices de danos desse tipo foram constatados no Rio Grande do Sul (10,1%), Minas Gerais (8,3%), Paraná (7,9%) e Goiás (7,5%). Os demais estados apresentaram valores um pouco abaixo da média brasileira (6,8%). “A principal fonte de ocorrência de danos mecânicos é a operação de trilha, durante a colheita”, afirma o pesquisador Francisco Carlos Krzyzanowski. “Dessa forma, é de extrema importância e prioridade que os produtores de sementes de soja invistam em treinamentos intensivos, visando à redução da ocorrência desse tipo de problema durante a colheita”, ressalta.

O dano causado pela deterioração por umidade foi o segundo mais importante parâmetro que afetou a qualidade da semente de soja brasileira. Na média, os estados que apresentaram os maiores índices desse problema foram Goiás (4,3%), Santa Catarina (4,0%) e Mato Grosso do Sul (3,7%). “Elevados índices de deterioração por umidade estão relacionados ao atraso do início de colheita ou ao retardamento do início de secagem”, explica o pesquisador José de Barros França Neto.

Vigor

O vigor é o atributo de qualidade da semente que melhor expressa o desempenho da planta. Quanto ao vigor de sementes, o índice médio brasileiro da semente brasileira foi de 77,6%, o que é considerado um alto vigor, explica França. Os maiores índices foram observados para as sementes amostradas em São Paulo, Mato Grosso e Bahia, com valores de 82,9%, 82,4% e 85,6%, respectivamente. Os menores para os estados de Goiás (70,6%), Minas Gerais (74,1%) e Rio Grande do Sul (74,9%). Os demais, Santa Catarina (78,8%), Paraná (78,2%) e Mato Grosso do Sul (77,7%), apresentaram níveis de vigor próximos da média nacional.

Pureza varietal

No Brasil, o controle da identidade genética das cultivares comercializadas é garantido por meio de vistorias realizadas a campo. Dessa maneira, quanto maior a pureza genética, maior a garantia do desempenho adequado da cultura. Os dados revelaram os seguintes índices de misturas por estado: RS (1%), PR (1,2%), SP (14,3%), MG (11%) e BA (12%) de misturas. “Esses dados servem de alerta para a necessidade de atenção nas vistorias a campo”, avalia o pesquisador Fernando Henning.

O resultado completo do estudo da safra 2014/2015 está na publicação Documentos 378: Qualidade de Sementes e Grãos Comerciais de Soja no Brasil – safra 2014/2015. A equipe de pesquisa espera publicar os dados sobre a safra 2015/2016 no segundo semestre deste ano.

 

 

Fonte       http://www.portaldoagronegocio.com.br/noticia/diagnostico-mostrara-como-reduzir-perdas-e-elevar-qualidade-da-soja-brasileira-159906




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