HÉLDER RAFAEL E VINICIUS SQUINELO
MIDIAMAX
Gafes da mídia trocando o nome de Mato Grosso do Sul pelo de Mato Grosso já não são exclusividade de autores de novela. As "pérolas" da Geografia estão presentes quase que diariamente na imprensa nacional.
O portal G1, da Globo, contou em reportagem a história do estilista Lucas Nascimento, nascido em Bonito e que se tornou a revelação do São Paulo Fashion Week, ao revolucionar o tricô. Até aí, tudo bem.
Mas, no subtítulo da matéria veiculada no último sábado (29), o lapso repousa solene: "Matogrossensse se inspira no escultor inglês Bruce Ingram". (O erro de ortografia consta do original).
Já no portal da Agência Senado de Notícias, o senador Valter Pereira (PMDB-MS) teve seu domicílio eleitoral "transferido" para o Estado vizinho, em reportagem sobre o seu discurso de despedida do Congresso Nacional em 17 de dezembro.
"...os senadores Mão Santa (PSC-PI), Marco Maciel (DEM-PE), Cristovam Buarque (PDT-DF), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Lucia Vânia (PSDB-GO), Valdir Raupp (PMDB-RO) e Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) elogiaram o desempenho de Valter Pereira e destacaram que o senador por Mato Grosso honrou o mandato de Ramez Tebet".
A historiadora Alisolete Weingartner acredita que a população brasileira já deveria estar consciente da "existência" de Mato Grosso do Sul, pois a divisão de Mato Grosso Uno consta dos atlas desde 1978.
Para ela, o ensino deficitário nas escolas e a falta de um plano maciço de divulgação do Estado em nível nacional podem explicar o desconhecimento do brasileiro.
"Ao invés de se mudar o nome de Mato Grosso do Sul, por que as autoridades não vão a Cuiabá e tentam mudar o nome daquele Estado para Mato Grosso do Norte?", questiona a especialista.
Mais no Twitter
Relatos de confusão com os dois Estados também são comuns no Twitter. O jornalista Sérgio Cruz, de Campo Grande, assim descreveu, no domingo (30), o que conhecem alguns brasileiros sobre Mato Grosso do Sul.
"Bom dia, estou em Panorama, na beira do Rio Paraná. Aqui Mato Grosso do Sul também é conhecido apenas como Mato Grosso. (...) Ontem, estive em Presidente Prudente. Lá também as pessoas tratam MS por Mato Grosso", disse o jornalista.

O vereador petista Vicente Lichotti, de Nova Andradina, postou no microblog um artigo intitulado "Mato Grosso do Sul: 30 anos...de confusão", em que resume o sentimento popular desencadeado a partir da gafe dos personagens Luciana (Fernanda Machado) e Pedro (Eriberto Leão), de Insensato Coração (Globo).
"A confusão não fica só na revolta do sul-mato-grossense, é uma falha que reflete, inclusive, na economia. Isso mesmo, perdemos dinheiro com esse erro que afugenta turistas para Mato Grosso", declarou o vereador.
Plebiscito
A vice-governadora Simone Tebet, do PMDB, disse, na sexta-feira (28), que a possível troca do nome do Estado de Mato Grosso do Sul deve ser debatida por meio do “desejo” da sociedade, no caso, por plebiscito [consulta prévia].
Contudo, ela acha que essa alternativa custaria muito dinheiro e o Estado “tem outras prioridades” que, para ela, são mais “mais importantes”.
O debate acerca do nome de MS, que já dura quase uma década, retomou as forças na semana passada. Diálogo mostrado na novela “Insensato Coração”, da Rede Globo, citou o município de Bonito, de MS, como cidade mato-grossense.
Simone Tebet disse ainda que a “opinião popular é soberana”. Entretanto, ela afirmou que o assunto deve envolver a opinião das universidades, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), entre outras entidades organizadas.
"Não creio que, se houver a troca do nome, o escolhido deva agradar a todos”, disse.
“Como cidadã, sou contra o nome de Mato Grosso do Sul. Nascido do lado de cá, sou uma sul-mato-grossense”, disse a vice-governadora.
Campanha
Já o presidente da Assembleia Legislativa, Jerson Domingos, também peemedebista, mostrou-se desfavorável à troca do nome.
Para ele, uma campanha publicitária acerca do assunto seria uma saída. “Precisamos divulgar o nome de Mato Grosso do Sul”, disse.